Você Pode Ouvir Meu Coração?
69 Capítulo 69
Notas iniciais
Assim que meus olhos seguem os de Bill, eu a vejo parada na escada com uma cara surpresa não muito melhor do que a minha, eu diria.
Eu me viro pra Bill e digo:
—_Você não fez isso!
Ela também desce as escadas e diz:
—_Mas o quê significa isso, Bill?
Ela se aproxima de mim ficando do meu lado,mas não perto. Ela está com os braços cruzados. Eu não estou mais confortável que ela. Bill desiste de ficar nos olhando, porque ele sabe que queremos uma explicação e queremos agora.
Ele desce do carro. Eu olho pelo canto do olho e vejo que ela olha pra mim também,mas nós estamos com o foco da raiva em outra pessoa agora: Bill.
Bill nos olha com naturalidade, como se as duas pessoas ali em sua frente não estivessem a ponto de ir até o pescoço dele e fazer um estrago, porque eu sei pelo jeito que ela tá olhando pra ele, que ela tem o mesmo pensamento que eu agora. Mas eu não quero pensar nela, eu quero saber o que Bill pretende com essa brincadeira de mal gosto.
Ele olha pra gente, respira fundo e diz:
—_Eu não aguento mais!
Acho que isso pega ela tão de surpresa, como me pega. Quando vou abrir a boca pra dizer alguma coisa, ele apenas levanta o dedo e eu sei que ele vai continuar, então é melhor eu ficar quieto agora.
Ele aponta pra mim e diz:
—_Você tem um problema!
E depois aponta pra Emilly e diz:
—_E você tem um problema!
Eu olho confuso para ela, que também olha pra mim, mas nossos olhares são desviados um do outro, quando percebemos que não deveríamos ter feito isso e Bill continua:
—_E o problemas de vocês dois... são vocês dois!
Eu tenho que admitir, as vezes eu não entendo muito o que Bill quer dizer, mas...
Ele interrompe meu raciocínio e aponta pra mim quando diz:
—_Eu tenho visto você fazer um monte de besteiras e eu achei que depois do que conversamos aquele dia, você iria pensar melhor antes de fazer algumas coisas, mas parece que não mudou muita coisa, não é?
Eu abaixo minha cabeça por um tempo, porque sei que com certeza que ele andou sabendo de tudo que aprontei quando ele não estava aqui.
Em seguida ele aponta pra Emiily.
—_E eu tenho visto você também fazer algumas escolhas erradas.
Ela também parece que não vai discordar dele, na verdade ela não deveria mesmo porque eu vi...
Bill interrompe meu raciocínio outra vez, quando continua:
—_Eu tenho ouvido e visto os dois lados.
Ele tem?
Eu me questiono, mas não faço essa pergunta a ele.
Mas minha boca parece não seguir a vontade de ficar calado que eu tenho em mente.
Eu questiono:
—_Você tem ouvido ela o quê?
Ele me olha cortando minha pergunta e eu fico quieto outra vez.
Ele continua:
—_Nos reunimos, eu os garotos, eu a Crystal, eu e eu mesmo e chegamos a uma conclusão: Vocês tem que dar um jeito nisso!
Eu e ela trocamos um olhar rápido, enquanto Bill nos encara. Ele apenas diz:
—_Não estamos pedindo para que as coisas voltem a ser do jeito que eram, mas vocês precisam conversar.
Ele vai outra vez em direção ao carro. Entra e então diz:
—_Tentem pelo menos serem amigos. Garanto que isso vai ajudar os dois.
Ela vai até o lado do motorista onde Bill está sentado e diz:
—_Bill, você não pode fazer isso, por favor!
Ele olha calmamente pra ela e diz:
—_Só queremos o bem de vocês dois, eu sugiro que vocês fiquem aqui e conversem.
Eu não sei se ela está consentindo ou se apenas não tem mais argumentos pra convencer ele, mas Bill se despede dela que fica lá parada olhando o carro se distanciar.
Ela passa por mim e nem olha para onde estou. Já entendi que isso aqui não vai ser nada agradável.
...
Ela já estava aqui e isso quer dizer que ela já ficou com o único quarto da casa só pra ela. Então eu vou ter que me virar por aqui no sofá da sala mesmo. Eu jogo minha mala em algum canto e me deito ali. Respiro fundo. Minha cabeça ainda dói um pouco.
Esse vai ser um fim de semana longo e pensar que hoje ainda é sexta-feira,me desanima.
Eu não quero conversar com ela, não quero ser amigo dela e acho que ela pensa a mesma coisa, pela forma como ela bateu a porta do quarto, assim que eu entrei pela porta da frente.
...
Eu abro a geladeira e vejo que ali tem muita comida variada que posso preparar sem muito esforço no micro ondas mesmo. Agradeço mentalmente ao Bill por pelo menos ter pensado nisso. Eu sou péssimo pra cozinhar e não vou pedir a ela pra fazer nada pra mim, até agora ela ainda não saiu daquele quarto.
Eu já desisti de ver TV para o tempo passar, pois a maioria das noticias tem um pouco a ver com o "show" que eu dei no show de ontem e confesso que ver isso depois que estou sóbrio não é muito agradável.
Eu preparo uma lasanha mesmo, pego uma lata de refrigerante e vou para a área que fica no quintal da casa.
O clima aqui fora parece mais agradável do que ficar lá dentro pensando que ela tá no outro cômodo, somente a alguns passos de mim.
Estar aqui fora, me faz esquecer que eu tenho que participar desse joguinho ridículo com ela.
Vejo que assim que ela me ouviu desligar a TV e percebe que eu posso não estar na sala, ela sai do quarto e vai para a cozinha preparar alguma coisa pra ela.
O cheiro esta muito bom,mas se ela quer distancia de mim, o mesmo quero eu dela. Então decido ficar aqui fora mesmo.
...
Depois de um tempo, aqui fora começa a ficar frio. Decido entrar, mesmo que ela ainda não tenha terminado seu jantar.
Passo por ela na cozinha, ela apenas me olha rápido e desvia o olhar, e daí eu tô fazendo o mesmo com ela. E ficamos nessa guerra fria até que, eu deixo meu prato na pia e vou em direção ao sofá que será minha cama por este fim de semana.
...
—_Oi, Candice?
—_Harry, tudo bem?
—_Não muito.
—_O que foi?
—_Bill e os outros caras tiveram uma ideia bem legal este fim de semana.
Se eu posso, então vou usar toda a minha ironia pra cima dela, se ela não está feliz com a minha presença, ela que vá embora, não sou eu que tenho um carro aqui, é ela.
Candice continua:
—_É, o Louis disse alguma coisa pra mim.
Eu fico surpreso agora.
—_Você sabia?
—_Não fica assim Harry, de alguma maneira, talvez isso seja melhor assim, talvez...
Eu a interrompo:
—_Tudo bem, esquece isso. Eu só quero saber se você está bem.
Ela sorri do outro lado da linha.
Percebo que Emilly deixa seu prato na pia e vai em direção ao quarto outra vez.
Eu gosto de saber que ela não gosta nenhum pouco de me ouvir falando com a Candice.
...
Eu bato na porta diversas vezes. Ela não diz nada e aquilo acaba me deixando muito irritado:
—_Dá pra você abrir essa porta?
Ela ainda não diz nada. Eu bato outra vez:
—_Sabia que essa casa só tem um banheiro com chuveiro?
Alguns segundos depois, ela abre a porta e me vê com a mão no ar preparado para bater na porta outra vez. Assim que a vejo, eu olho nos olhos dela pela primeira vez desde que nos encontramos aqui e não consigo ver nenhum vestígio do brilho dos olhos que a Emilly que eu conheci um dia tinha. Não consigo dizer se acho isso bom ou ruim.
Ela então abre a boca e diz:
—_Se você queria ter um banheiro só seu e todas as mordomias de um cantor pop, não deveria ter bebido todas antes de subir no palco e dado aquele vexame caindo na frente de todo mundo!
Juro que meu sinto minha respiração parando agora, sinto meu rosto queimando, porque tem uma raiva tão grande tomando conta de todo meu corpo. Eu nunca achei que poderia sentir tanta raiva dela, de alguma coisa que saísse da boca dela, como eu tô sentindo agora.
Eu respiro fundo, porque tento pensar que ela só está dizendo isso, porque está irritada porque me ouviu conversando com a Candice.
Mas juro que ninguém, nem mesmo o meu agente ao me dizer o que fiz ontem, soube usar tão bem as palavras pra acabar comigo da forma como ela acabou de fazer agora.
Eu apenas digo com indiferença:
—_Eu só quero tomar banho, posso?
Acho que ela não esperava que eu reagisse assim, ela então me dá espaço para que eu passe.
Eu chego no banheiro e há um silêncio por todo lugar. As palavras que ela disse agora há pouco ainda ecoam em minha mente. Eu nunca pensei que poderia odiar a Emilly, mas acho que estou chegando bem perto depois de ouvi-la dizer aquilo pra mim.
Deixo a água cair pelo meu corpo e tento não pensar em mais nada, só deixar minha mente vazia e esquecer que estou aqui e que ouvir aquelas coisas me deixaram tão mal.
Eu termino meu banho, eu coloco uma toalha no corpo e saio do banheiro. Ela está sentada na cama, com um notebook no colo.
Nossos olhos se encontram por um segundo e juro que por um instante eu penso que ela está me olhando mais do que deveria,mas ela logo desvia o olhar de volta para a tela do notebook.
Eu passo por ela, não quero ficar olhando pra uma pessoa que eu nem conheço mais.
...
Não vou dizer que foi a melhor noite da minha vida,mas eu consegui dormir depois de muito pensar nas minhas últimas atitudes. Não vou dar o gostinho a ela de saber que não dormi tão bem e que metade disso é culpa dela.
Quando ela passa para tomar o café da manhã, ela percebe que eu já preparei um suco e que ele ainda está na mesa. Ela toma café da manhã e o único som que pode ser ouvido nessa casa é o da TV.
...
"Louis, é sério cara, eu vou pirar se ficar aqui mais um pouco com ela."
Ele apenas responde:
"Só até amanhã a tarde, cara"
Eu digito mais uma vez:
"Eu disse que não dá mais, eu quero ir pra Londres hoje mesmo".
Ele responde:
"Você tem que fazer isso pelo Bill, se vc vir pra cá, ele vai te encher."
Eu paro e penso um pouco, Louis tem razão. Eu tenho que fazer isso não é por ela, mas por mim.
...
Eu já quase li um livro inteiro. Eu já vi programas de TV que eu nunca veria se eu estivesse em casa, já conversei com algumas pessoas, já criei um fake no instagram e conversei com várias directioners...
Eu olho mais uma vez para aquela porta fechada, ela não tá fazendo muito para que possamos ser amigos como Bill pediu, então chego a conclusão que ela também não quer isso tanto quanto eu e respiro aliviado.
...
Acabo de tomar meu banho mais uma vez. Dessa vez pelo menos, ela abriu a porta sem despejar aquele monte de palavras em cima de mim. Na verdade, ela abriu a porta na primeira vez que bati.
Eu então me preparo pra dormir no sofá, porque ela se trancou primeiro naquela bendito quarto com aquela enorme e confortável cama, enquanto eu tenho que dormir assim.
Eu passo as mãos pelos cabelos.
Merda!
Como Bill e todo mundo pôde fazer isso comigo? Era para eu vir pra cá pra me sentir bem e não pior do que eu já estava. Confesso que começo a pensar que talvez isso seja uma espécie de castigo que ele quis me dar. E só simples fato de saber que ela está aqui piora tudo pra mim,porque no momento,eu sinto tanta raiva dela. Principalmente depois de pesar tudo o que ela me disse e tudo que ela já me fez.
Já preparei alguma coisa pra comer, já vi TV e já é um pouco tarde então vou tentar dormir, eu vou conseguir ficar aqui até amanhã a tarde sem pirar e então como prometido, Bill virá me buscar dessa tortura que ele mesmo me colocou.
Acordo e peço aos céus que seja de manhã, mas ainda está escuro, eu olho no celular e...
Merda de novo!
São apenas 12:30.
Eu tenho que encontrar alguma coisa bem forte pra beber se quero dormir a noite toda. Assim que olho em direção a cozinha, vejo que ela está lá colocando água em um copo.
Mas que merda!
Eu coloco minha camisa de volta, não quero que ela fique me olhando, isso me lembra coisas de um tempo que eu não tô afim de me lembrar.
Eu passo por ela e há novamente nossa troca de olhares nada amigável e eu abro todas as portas dos armários e não encontro nada do que eu tô precisando.
—_Bill, você me paga!
Eu digo pra mim mesmo.
Eu olho pra ela que está olhando pra mim com aquele olhar que eu não sei mais decifrar e juro que se ela fizer algum comentário agora,não vou me culpar pelo que vou dizer a ela.
Ela não faz,no entanto,mas isso não impede que eu vá até bem perto dela e diga:
—_Por quê você ainda está aqui?
Ela me olha surpresa e irritada ao mesmo tempo com a minha pergunta e diz:
—_Por quê, você, ainda está aqui! Você sabe que eu cheguei aqui primeiro, o intruso aqui é você!
Eu começo a rir ironicamente do que ela acabou de dizer e repito:
—_Intruso...
Depois eu digo:
—_Quer saber, eu não fui embora ainda porque meus amigos estão fazendo questão de me fazerem ficar aqui nessa merda, que é ficar no mesmo ambiente que você!
Apenas sinto a dor do tapa que ela acaba de me dar no rosto, que só me deixa ainda mais furioso.
Ela parece ter odiado tudo o que eu disse e eu me sinto satisfeito agora,porque sei que ela está se sentindo tão mal quanto eu por estarmos aqui juntos. Meu rosto queima.
Ela não diz nada e eu continuo:
—_Você ainda não foi embora daqui, porque você não quer ir, não quer ficar longe de mim.
Ela parece ainda mais irritada e eu gosto que ela fique assim. Então eu me aproximo ainda mais dela e continuo:
—_E você dorme com todos aqueles caras pra tentar me esquecer, porque você ainda me ama, ainda é louca por mim.
Ela então vem pra cima de mim e me surpreende, quando começa a me dar vários tapas e me dizer:
—_Eu te odeio Harry Styles! Eu te odeio muito, te odeio!
Aquilo começa a me irritar, então a prendo entre a pia atrás dela e meu corpo e seguro seus braços.
Em um segundo eu olho para minhas mãos em seus braços, olho dentro dos seus olhos cheios de lágrimas e vejo a dor que há neles quando ela diz isso pra mim e chego a conclusão de que tudo que eu disse pra ela, serve também pra mim.
Então eu me dou conta de que estamos muito próximos um do outro, eu respiro fundo, eu não estou mais com raiva, porque percebo que toda essa raiva que eu acho que tô sentindo é só uma forma de mascarar o que eu realmente sinto: a falta dela.
Mas ela ainda está irritada com o que eu disse. Mesmo que eu esteja segurando seus braços, ela continua me batendo e repetindo que me odeia.
Então eu percebo que só uma maneira para que ela pare de fazer isso. Eu me aproximo ainda mais dela e a beijo.
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