Você Não Está Sozinho

8 O Sacrifício do Justiceiro


Notas iniciais
Penúltimo cap. "Mas só vai ter 9 capítulos?!" Sim, não tenho mais ideias e que o final feliz (ou triste) chegue logo! "Mas 9 capítulos?! Por que não 10?!" Porque não deu, as ideias terminaram no cap nove. Preciso terminar uma outra fic e resolvi terminar esta mais rápido. Espero que não fiquem bravos, o final vai ser legal, eu garanto ^-^

IA

Meu coração manda eu correr e correr o mais rápido possível atrás do carro policial onde Itou está sendo levado. Ele provavelmente terá uma pena terrível por ser um terrorista e ter matado tanta gente. Deixei Kotoba sozinho na delegacia, mas ele não corre perigo. Itou pode até morrer por causa de tantas acusações, não posso deixar.

Não entende porquê a vida do garoto que eu temia vale tanto, ele não sabe lidar muito bem com amor e fez as coisas do jeito que conhece: com ameaças.

Não posso culpá-lo por isso, ele é um terrorista.

Tento não sentir raiva de Kotoba por ter chamado a policia, mas também não posso culpá-lo por sentir medo. Ele tinha levado um tiro, e vai saber o que tipos de ameaças Itou fez pra ele?

Porém só no que consigo pensar é em salvar Itou. Eles estão tão longe. Como farei para alcançá-lo?

Ouço sirenes às minhas costas, fico confusa. Mais carros de policia? Será que me perseguiram?

Então escuto uma voz que me alegra num instante:

–IA! – Kotoba está dirigindo uma viatura policial, parece ainda estar sentindo dor, mas suporta como o braço enfaixado – Suba.

Ele abre a porta do veiculo ainda em alta velocidade, me agarro à porta, mas quase caio no chão e saio rolando. Se não fosse por ele ter me puxado pela gola da camisa. Atiro-me no banco e fecho a porta, um pouco de minha roupa se abriu quando Kotoba tinha me puxado e um vislumbre de meu sutiã aparece.

–Desculpa, mas você ia cair – se desculpa ele.

–Tudo bem, e seu braço está sangrando – reparo.

–Não tem problema, estou bem – mente ele, está com dor.

–Posso dirigir, você está machucado – digo.

–Estou bem – ele repete.

–Na escuridão da noite ele não vê um quebra-molas e passamos direto sem querer, algo se quebra pelo barulho que ouvimos.

–O que foi isso? Você por acaso sabe dirigir? – pergunto.

–Não muito bem.

–Ah, deixa que eu faço isso – coloco as mãos no volante e como não podemos trocar de lugar consequentemente fico em cima dele, minha blusa se rasga ainda mais.

–Ah... Eh... – gagueja Kotoba corado olhando para meus seios expostos, cobertos apenas pela roupa intima.

–Pare de olhar! – ordeno envergonhada.

Sigo o varro naquela posição desconfortável e embaraçosa. Ao mesmo tempo é bom estar tão próxima de Kotoba. Ah, no que estou pensando afinal?! Por que estou fervendo como se estivesse fazendo calor?! Por que meu coração está batendo tão rápido?! O que é isso que estou sentindo?!

Chegamos à um prédio que acho que é um tribunal, provavelmente vão condenar Itou aqui.

Saímos do carro.

–Hum, pode usar meu casaco para cobrir isso – Kotoba tira o casaco da cintura e me dá – Não estou usando mesmo.

Por algum motivo coro com esse gesto, balanço a cabeça e paro de pensar bobagens. Coloco o casaco e entramos sorrateiramente no prédio, passamos despercebidos pelos guardas felizmente e entramos na primeira sala que vemos. Não é o tribunal, mas por sorte ninguém nos vê. Dobramos dois corredores e entramos em umas cinco salas até encontrarmos Itou se debatendo, preso por dois guardas, algemado em uma cadeira.

Acho meio estranho que eles comecem uma sessão tão rápido, mas havia se passado bastante tempo desde que desmaiei, já é noite.

–Quem ousa atrapalhar o julgamento?! – indaga o juiz irritado com nossa chegada repentina.

–Miyako! – exclama Itou surpreso, mas o medo e a tristeza estão estampados em seu rosto.

–Vocês escaparam da delegacia! – fala um policial rispidamente.

–Vocês não podem prender Itou! – protesto – Ele não tem culpa! Não fez nada!

–Está dizendo que este terrorista, Sakuretsu Itou, que já matou dezenas de pessoas é um inocente?! Ele explodiu uma escola há três anos, torturou e matou professores dela e deixou as crianças feitas de reféns, sem comida ou água! – conta o juiz lendo uma ficha – Sequestrou uma idol famosa e a estuprou...

Estuprou...

Olho pra ele o acusando desse crime terrível e nojento, Itou não me olha nos olhos.

–... Sabotou um navio com políticos e o afundou fazendo pessoas muito importantes morrerem – continua ele.

–Não foi um crime tão horrível assim – comenta Itou audaciosamente.

–Você envenenou o presidente que quase morreu de parada cardíaca e insuficiência respiratória! – diz o juiz indignado – Sem falar nos outros mil crimes que já cometeu, queimando, explodindo, envenenando, torturando pessoas inocentes!

–Nenhuma dessas pessoas eram inocentes! – discorda Itou – Os professores que matei me traumatizaram, sabia?! Eles me humilharam, roubaram minha dignidade, destruíram minha infância! Os políticos eram todos corruptos e sujos, roubando dinheiro de todos! E aquela idol era uma vadia que me seduziu e depois mentiu se fingindo de criança inocente!

–Está se dizendo justiceiro?! – ele e os policiais riem em deboche – Você vai morrer, seu maldito! Está decidido.

–Não! – protesto determinada a salvá-lo nem que custe a vida daqueles homens.

Os policiais levantam Itou bruscamente, interfiro dando um chute na virilha de um deles, ele se curva só para seu rosto se encontrar com meu joelho. Dou-lhe um soco no estômago e o empurro ao chão. Kotoba consegue jogar o outro policial pra fora do tribunal. Tiro as algemas de Itou e o restante dos policiais se aproximam, Itou os golpeia de forma tão rápida e eficaz que eles desmaiam.

O juiz não está mais aqui. Pra onde ele foi?

–Você não deveria ter se arriscado por mim – diz Itou a mim – Mas obrigado. Agora nós precisamos fugir. Você ficará conosco?

–IA – murmura Kotoba apreensivo.

–Itou – começo – Adoraria viver naquela família grande e feliz, mas... Não posso deixar Kotoba, eu prometi.

Entrelaço meus dedos nos dele e uma boa sensação me faz sorrir, acho que já sei porquê não quis ficar com Itou. Não é só porquê ele me dá medo, é porque não posso deixar Kotoba. Quando eu estava só, ele preencheu o vazio com um abraço e um sorriso. Quando chorei mentindo pra mim mesma, ele enxugou minhas lágrimas e me mostrou que ainda existe luz em algum lugar. Quando odiei tudo...

...Ele me fez amar.

–Parados! – ordenam mais policiais chegando armados.

–Corram, me viro sozinho – fala Itou.

Ele tira algo do bolso enquanto corremos e fechamos as portas.

–Itou, não! – apavoro-me ao perceber que é uma bomba – Você vai morrer!

–Não importa, eles não vão incriminar nenhum de vocês, não haverá sobreviventes. Quero que corram para o mais longe possível antes que tudo exploda pelos ares – avisa ele ignorando meus comentários.

–Itou! – não posso evitar me romper em lágrimas, agarro-me à ele num beijo profundo.

Ele retribui o beijo, é claro. Não consigo crer que esta pode ser a ultima vez que vou vê-lo.

Os policiais abrem as portas, Itou põe um papel em minha mão e ordena:

–Corram!

–Por favor, não morra! – peço obedecendo a sua ordem.

Seu rosto risonho vai sumindo à medida que nos afastamos e logo estamos fora do prédio. O barulho alto demais me ensurdece por alguns segundos, somos atirados para longe com o vento quente que sopra em alta velocidade. Quando a poeira abaixa podemos ver os estragos da explosão. A destruição que causou a morte de todos lá no prédio.

Todos. Incluindo Itou.

Notas finais
Sério, eu não queria que o Itou tivesse morrido T.T Tava gostando dele. Tadinho. "Envenenou o presidente". Precisamos de um Itou aqui no Brasil também kkkk O que os dois farão agora? Voltarão para suas vidas chatas e cinzentas? Ou tentarão ter uma vida melhor... juntos? :3 Descubram no próximo cap.