Você Não Está Sozinho

9 Você Não Está Sozinho


Notas iniciais
Último cap pessoal. Espero que gostem.

Kotoba

IA cai de joelhos no chão, sem conseguir fazer nada alem de chorar.

Ah, é claro. Itou morreu. Ela o amava, certo? Estou meio chocado por ele ter se sacrificado por nós, ou melhor, por ela. Mas não entendo uma coisa: se IA o amava mesmo, por que não me deixou e ficou com os terroristas? Talvez ela seja mesmo tão gentil quanto eu imaginava. Quem mais se importaria comigo?

O que será que ela fará agora? Será que vai me culpar por ter chamado a policia?

Me ajoelho ao seu lado e a abraço para reconfortá-la, desta vez ela retribui sem hesitar e me abraça fortemente. Claro, no momento está frágil. Sinto pena, eu não deveria ter complicado as coisas. Acontece que fiquei com tanto medo quando Itou pediu para dormir com ela, que só conseguia pensar que ele era um verme horrível que merecia morrer. É a lógica dos humanos: quando temos medo de algo, sentimos raiva disso. Não gosto dessa lógica, mas é inevitável.

–Me desculpe IA – tento me redimir – Isso é tudo culpa minha! Se eu não tivesse dado uma de herói, você teria sido feliz com ele e os terroristas.

–Não – nega ela me deixando confuso – Eu não teria sido nada feliz. Estaria vazia, não? Matando e ferindo as pessoas. Isso não é vida! E você estaria sozinho, não poderia deixá-lo sozinho.

–Você se preocupa mesmo comigo? – pergunto sem acreditar.

–Mas é claro! Você foi o único que não me deixou sozinha e quando o mundo inteiro me odiava, você me abraçou e dessa forma me salvou. Foi o meu herói. Não vou deixá-lo sozinho, porque senão perderei meu herói, minha luz...meu amor.

–Amor? – arregalo os olhos incrédulo.

–Kotoba, você... Eh... Você se importa...quer dizer...você gosta...gosta de... – gagueja IA.

–Eu te amo – afirmo antes de ela terminar a frase, as palavras simplesmente saem de minha boca, mas tenho certeza de que chegarão à algum lugar desta vez.

IA me solta e me encara boquiaberta e ofegante, sem palavras, as lágrimas não param de cair.

–Eu te amo – repito – Posso ser o herói que você sonhou para te amar?

Ela fica paralisada por mais alguns segundo até abrir um sorriso emocionado.

–Mas é claro que você é o herói! – concorda me abraçando novamente – Kotoba, você é um anjo! Eu te amo! Eu te amo! É, realmente te amo!

–IA, não sei o que dizer. Isso é tão, sei lá, algo que por mais que eu tivesse esperança pensava que nunca aconteceria – comento sem palavras, aquela sensação nostálgica fica cada vez mais forte, parece até que toda aquela sujeira do mundo se foi e tudo ficou mais lindo e brilhante. Essa emoção, era mesmo amor.

–Kotoba, por favor, não me deixe – suplica IA docemente – Nunca me deixe sozinha, eu jamais irei deixá-lo.

Ainda receio que não seja verdade. Mas por que ela mentiria? Meu sentimentos são reais e creio que os dela também.

Vamos fazer um teste.

Faço IA ficar com o rosto tão perto do meu que ela não consegue resistir, me ama de verdade e essa é a prova. Sentir seus lábios nos meus me deixa entorpecido naquele calor que se forma em meu coração. Se eu estiver perto dela, a chama da esperança nunca acabará, eu sei.

Voltamos à cidade sorrindo, aposto que as pessoas à nossa volta estão chocadas ao ver os dois solitários sorrindo, mas não ligo. Agora nada pode me atingir, porque protegeremos o coração um do outro, IA preencherá este vazio. Agora além da esperança, tenho o amor, a felicidade de tê-la ao meu lado. E nada neste mundo pode destruir esse sentimento.

Vamos até minha casa para conversar em paz e uma voz chocantemente familiar me deixa estupefato:

–Onde você estava? – o rosto pálido de minha mãe à porta da cozinha murmura baixinho. Há quanto tempo sua voz não era utilizada?

–M-mãe... – perco o chão e cambaleio pra trás pasmado.

–Q-qual é o nome de sua namorada? – indaga ela rouca.

–Como? – arregalo os olhos ainda mais – Mãe, você está bem? Você voltou?

–Senti saudades – diz ela cabisbaixa – Depois de tanto tempo eu percebi que estava tornando minha própria vida um tormento, e a sua também. Me desculpe. Será que você pode me perdoar, filho?

Não consigo dizer nada, não consigo me mover, não consigo respirar.

Minha mãe chora também sem falar nenhuma palavra mais, implorando por perdão silenciosamente.

IA aperta minha mão mais forte e cochicha em meu ouvido:

–Não deixe escapar.

Tenho aquela sensação de Deja Vu , parece até que ela é a tal voz que eu jurava ser minha consciência. Como ela sabe disso? De qualquer forma, tem razão.

Abraço minha mãe impulsivamente como se temesse que ela voltasse à sua forma sem reação. Ela retribui o abraço, chorando emocionada.

–Me desculpa Kotoba, deixei você sozinho quando mais precisava de mim – diz – Mas eu prometo que vou compensar todo esse tempo perdido. Prometo que vou ser uma mãe melhor.

–Eu senti muito a sua falta – comento – Tenho tanta coisa pra te contar...

Depois de um tempo, nos sentamos e conversamos. Conto tudo o que me aconteceu nos últimos dias desde que conheci IA, me apaixonei por ela e tente salvá-la dos terroristas. Minha mãe fica mais impressionada a cada palavra, me gratificando por ter me entregado ao ódio e sempre ter esperança. É muito bom tê-la de volta, parece que minha vida finalmente será feliz, aquela porta da felicidade ao longe enfim foi aberta. Encontrei a luz perdida novamente e agora nunca deixarei escapar.

Não estou mais sozinho.

######

IA

Depois de tudo, Kotoba conseguiu sua esperança de volta. Sua mãe voltou ao normal, fico muito feliz por ele.

Ainda não me esqueço de Itou, tudo o que ele sofreu e depois explodiu por minha causa. Mas não quero viver com a culpa me atormentando, ele provavelmente está bem e feliz em algum lugar longe daqui.

E tem Kotoba... Então ele gosta mesmo de mim. Foi tão chocante que eu nem conseguia acreditar, mas não pode ser uma mentira, um garoto tão heróico e brilhante como ele não mentiria. E enfim, consegui o que mais queria: que alguém me amasse. Apesar de ele saber o quanto eu era horrível, o quanto odiava a humanidade, ele continuou buscando a luz em meu coração. Aquela linda esperança em seu olhar infantil iluminou meu mundo e agora não odeio mais nada. Por que odiar? Não quero perder essa luz.

Chego em casa e encontro meus pais e minha irmã jantando, ficam estupefatos quando me vêem.

–Miyako! Onde você estava?! – perguntam – Nós ficamos preocupados!

–Se eu perdesse minha única irmã eu nem sei o que faria! – choraminga minha nee-san me abraçando.

Fico confusa, isso nunca aconteceu antes.

–Você não estava com um namorado, eu espero – desconfia meu pai rindo estranhamente, deixando-me corada.

–Ah, eu quero conhecê-lo! Traga-o aqui em casa algum dia! – pede minha mãe.

–Se ele for bonito tome cuidado comigo! – nee-san pisca risonha.

–E-ei! – resmungo envergonhada.

–Venha! Venha, comer! Fiz sua comida favorita! – diz mamãe.

Ah, não entendo. Quem são eles?

Bem isso não importa. São a família que eu sempre sonhei ter. Não deixarei escapar.

No dia seguinte, com a luz de Kotoba iluminando tudo, não posso desejar nada mais perfeito. No terraço do colégio vendo o céu naquele lindo azul monocromático ao lado dele, digo:

–Agora está tudo bem, não é?

–Sim – afirma Kotoba – Você não está sozinha.

–“Ninguém está sozinho” – repito uma frase que ele me disse quando me conheceu – Vamos “pintar o mundo com cores mais bonitas”?

–Sim – ele entrelaça os dedos nos meus e encosto a cabeça em seu ombro – juntos.

Abro o papel que Itou tinha me dado antes de morrer.

“Você não está sozinha”

Agora, nunca estarei.

Notas finais
E aí? Gostaram? Deixem seu review se curtiram a fic. Não é fácil escrever e ficarei muito feliz com sua opinião sobre o que gostaram e o que não gostaram na história. Obrigada por ler e pela consideração. Kissus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!