Notas iniciais
Hoje vocês descobrirão quem sequestrou IA e por quê. Agora leiam para descobrir.

IA

Minha mente está confusa com os acontecimentos. Primeiro a excitação no quarto de Kotoba, depois sou sequestrada e aqui estou eu sendo revirada de um lado para o outro no caminhão em alta velocidade.

O que farei agora? Não posso escapar daqui, nem lutar com o sequestrador.

O que, aliás, querem comigo? Sou uma ninguém. Será que me odeiam tanto que querem me matar? Ou querem dinheiro e me pegaram sem saber que não tenho? Se enganaram? Foi tudo tão rápido.

O caminhão para e me puxam pra fora.

–Até que você é uma bela garota – o homem apalpa meus peitos.

Tento escapar daquele monstro nojento, mas ele é forte demais. Logo estou sendo carregada em seus ombros, gritando desesperada por ajuda. O que ele vai fazer comigo? Depois de ter dito aquilo e passar a mão em mim temo a resposta.

O lugar parece deserto, ninguém me ouvirá. Corrigindo: quase deserto. Entramos numa floresta, há pessoas, num tipo de acampamento. Mas não são pessoas normais, são terroristas, um acampamento de terroristas.

O homem me larga no chão bruscamente, encaro os outros terroristas com os dentes cerrados, fingindo que não estou com medo. Homens, mulheres e até criança me fitam curiosos e surpresos com minha raiva, talvez esperassem que eu gritasse e me apavorasse por estar cercada por terroristas.

–Peguei a tal garota Itou-sama – anuncia meu sequestrador a alguém.

Um garoto loiro de olhos verdes aparece com um sorriso no rosto. Se ajoelha e examina meu rosto. Dou-lhe um tapa na mão e me afasto.

–Quem é você? O que quer de mim? Por que me sequestraram? – pergunto rispidamente.

–Uma garota de atitude – comenta ele ignorando minhas perguntas – Gostei.

–O que você quer comigo?! Responda! – digo impaciente,

–A principio era te convidar pra se juntar a nós, mas se você quiser ter um relacionamento mais profundo... – não gosto de sua expressão. Quem ele pensa que é?!

–Cale-se! – ordeno – Como assim? Me juntar a vocês?

–Pesquisei você na internet e achei uns dados escondidos. Bonita, solitária e detestada por todos – conta Itou – Sem falar que você explodiu seu colégio na quarta série...

–Foi um acidente – me sinto mal ao lembrar daquilo.

–E furar a mão de uma garota com uma tesoura na sétima série? Foi um acidente também? – zomba ele.

–Tudo bem, isso não foi um acidente – confesso – Mas você já não tem terroristas suficientes?

–Nunca é demais – fala – E muita gente morre em explosões ou é pego pela policia, fica difícil.

Eu deveria estar chocada por ele pedir pra eu ser uma terrorista, mas é melhor isso do que ser morta por eles.

–Se eu não aceitar, vocês vão me matar? – indago receosa.

–Pior – Itou alisa meus cabelos – Seria uma pena estragar este rostinho tão lindo.

Dou um tapa em sua mão novamente.

Já ouvi muitos casos de mulheres que ficaram deformadas por causa de terroristas que jogaram ácido nelas. Não quero ter o mesmo fim. E não vai ser nenhum esforço matar as pessoas que eu tanto odeio.

–Tudo bem, ficarei com vocês – aceito.

Itou se levanta e eu também.

–Bem vinda Kushisake Miyako – diz ele.

Todos batem palmas e urram, é estranho que não seja por me odiar e sim para me dar os parabéns. Até que eles parecem ser legais apesar de serem terroristas. Todo mundo faz parecer que terroristas são frios e cruéis, que são horríveis. Eles não sabem de nada.

Me dão uma barraca e roupas, amanhã começarão os treinos. Como matar parece algo tão amável agora?

Fazemos um banquete dos coelhos que eles caçaram, já é noite e contamos histórias em volta da fogueira como em qualquer acampamento. Claro, histórias sobre ataques terroristas que eles fizeram. É divertido, parece uma grande família rebelde. Ninguém aqui se odeia, só machucam as pessoas por rebeldia. Haruna se tornou terrorista porque foi violentada; Kagerou porque mataram sua mãe e acusaram seu pai injustamente, a pena foi de morte; Masaki porque foi torturado na infância e libertaram o culpado sem fazer nada etc.

Todos tem seus motivos, eles são boas pessoas.

E Itou? Qual o motivo dele?

Espero todos irem dormir de modo que só ficamos eu, Itou e o vigia.

–Ei, quero falar com você a sós – cochicho no ouvido dele.

Entramos em minha barraca.

–Que foi? Já quer ter um “relacionamento mais profundo” comigo? – debocha Itou.

–Pare de falar bobagens! – cruzo os braços irritada – Só quero conversar.

–Manda.

–Eu percebi uma coisa – falo.

–O quê? – pergunta ele despreocupado.

–Você é daqui o mais misterioso – respondo – Não fala nada, fica quieto em seu canto olhando para o nada. Parece até que esconde alguma coisa.

–Bobagem – Itou sorri disfarçando a verdade.

–Por que você se tornou um terrorista? – questiono determinada a desvendar seus segredos.

–Por que quer saber? – indaga ele sério.

–Sei lá. Sou curiosa – digo.

–E você? Por que aceitou ser terrorista? – Itou desvia a pergunta.

–Não é óbvio? Fiquei com medo – me envergonho por isso.

–Não, não foi só isso – discorda ele – Já vi várias pessoas covardes que não aceitaram porque isso é muito... desumano.

–Mas vocês são tão legais – comento – E talvez você tenha razão, eu quis ser terrorista, nem precisava me intimidar. Eu detesto esta cidade, detesto essas pessoas falsas e monstruosas! Talvez seja por isso que agora a ideia de matá-las seja tão amável. Monstros, monstros disfarçados...

–... se alimentando de lágrimas e sofrimento alheio – completa ele.

Olho pra seu rosto, sem um sorriso ele parece triste, há dor escondida nesse olhar. É o mesmo que eu via quando me olhava no espelho.

–Pronto para o treino amanhã? – pergunta escondendo-se por trás de um sorriso, um sorriso falso.

–Não muito. E se eu acabar atirando eu alguém acidentalmente? Ou explodindo o acampamento? – sinto-me insegura.

–Não esquenta. Até as crianças treinam – fala Itou.

Ele aperta minha mão, lembro de Kotoba. O que será que ele está fazendo? Será que ficou com raiva de mim depois que fugi? Será que está triste? Ou sozinho?

Itou me fita por alguns segundos e resolvo questionar:

–Eu não poderia voltar e me despedir de algumas pessoas?

–Pensei que todos te odiassem – ele fica confuso – Como podem odiar uma garota tão linda?

Meu rosto esquenta. Ele está mesmo apaixonado por mim? Ou está zombando?

–Nem todo mundo me odeia – falo – Fico preocupada em ter deixado alguém triste.

–E quem seria esse alguém? – ele parece não gostar.

–Um amigo, eu acho. Não sei ao certo o que ele é pra mim.

–Ele... – Itou suspira – Não, você não pode sair. Se fizer isso eu mato esse cara.

Ele não está brincando, posso ver em seus olhos frios que faria isso sem nem pensar duas vezes.

–Mas por quê? – indago indignada.

–Podem te seguir e achar o acampamento, ou esse “amigo” pode não te deixar voltar, chamar a policia e ferrar com tudo – explica Itou.

–É impressão minha ou você está com ciúmes? – retruco.

Itou vira o rosto corado e diz:

–Talvez esteja.

–Pode esquecer, você nunca me terá – rebato friamente.

Ele me olha nos olhos profundamente, como se quisesse alcançar minha alma.

–Vamos ver – comenta.

–O que você vai fazer? – debocho – Vai me ameaçar? Ótima forma de conquistar uma garota!

–Você não sabe do que sou capaz – ele tenta me intimidar – Não se perguntou por que eu sou o líder deles? Não me subestime, as consequências podem ser terríveis.

–Ah, to morrendo de medo – rio brincando.

–É melhor que tenha mesmo – Itou se aproxima mais, perto demais, essa é a zona de risco.

O empurro pra trás e ele suspira frustrado.

Ah, sim. Queria me beijar.Até parece que vou deixar.

Itou sai da barraca, mas antes de ir embora para e questiona:

–Por acaso seus apelido é “IA”?

–Sim – afirmo confusa – Como você sabe?

O sorriso de agora não é falso, mas também não é um sorriso de felicidade, é um sorriso sádico. O que isso quer dizer? Como ele descobriu meu apelido? O que ele está planejando? Quem ele é?

Essas perguntas inquietantes rondam em minha cabeça e quase não consigo dormir.

Estou feliz aqui, mas estou com medo de Itou. Ele tem razão, o estou subestimando. Mas se ele gosta de mim por que me mataria? Será que ele...me violentaria? Não ele não poderia, poderia?

“Você não sabe do que sou capaz” lembro receosa.

Você é meu amigo ou meu inimigo Itou?

Notas finais
Será que ele é um amigo ou um inimigo? Como ele sabe que o apelido dela é IA? E onde está Kotoba? Eu não sabia que nome colocar no terrorista, estava ouvindo um cover de Haiboku no Shounen feito por Kashitarou Itou então pensei: "Vou colocar Itou mesmo". Eis que surgiu o líder dos terroristas... Itou. kkkk