Você Mudou
7 Capítulo VI
Notas iniciais
Não recomendado para menores de 18. :)
—Como assim?
—Quer mesmo que eu explique? Essa porta é de corda, se você fechar por dentro não tem como sair, a não ser que alguém abra ela por fora, não tem como sairmos. –meu pânico é visível.—É a primeira vez que vejo uma assim, a maioria é o contrario. –diz se desculpando.—E agora? Como vou sair daqui?—Calma Malu, é só esperar alguém chegar, ai a gente grita e eles abrem. –faz cara de esperto.—Quem? Me diz quem estaria acordado agora às duas da manha pra vir nos socorrer? –pergunto incrédula.—Vamos esperar, fica calma, entrar em pânico não costuma resolver as coisas, geralmente só ajuda a piorar. –murmura.Ele entristece subitamente, sem nenhum motivo aparente. Franzo a testa ao pensar em qual burrice eu devo ter dito para ele mudar de expressão assim tão radicalmente.—Hey! O que foi? Eu disse alguma coisa que te chateou? –pergunto ansiosa afastando o perturbador silencio que se formou entre nós.—Não! Não disse nada, na verdade eu é quem deveria ter dito. –explica muito mal, já que fiquei ainda mais confusa.Faço uma careta de pamonha que já é minha marca registrada e ele, como sempre faz, ri. —Senti sua falta! –me olha nos olhos, agora serio ele muda de assunto. —Acho pouco provável. –não consigo desviar o olhar do dele.Ele não me responde de imediato, se deita na cama com os braços cruzados atrás da cabeça e observa o teto acima de nós. Depois de um tempo, que me pareceu longo demais, ele desvia o olhar e a primeira coisa que vê é o meu olhar preocupado.—Por que duvida Malu? –pergunta num fio de voz.—Não consigo acreditar Cristiano, sabe... –não encontro as palavras que expressem o inexplicável sem deixar transparecer que ainda o amo como uma idiota.—Por que não, Malu? –ele se senta de frente para mim, me olhando nos olhos. —Não sei, é que já sofri tanto, e acho que esses dois anos foram só uma amostra grátis do quanto ainda vou sofrer por termos errado. –não adianta, por mais que eu negue ou minta, meu olhar sempre me condenará. Minha boca até diria que não o amo, mas em minha testa tem uma placa luminosa piscando MENTIRA. É inútil tentar.—Eu também sofri, e muito Malu. –ele desvia novamente o olhar. Respira fundo e continua.—Ver você me deixar aquele dia me fez reconhecer o quanto eu fui bobo, tudo ficou tão pequeno diante da dor que eu senti, eu quis te procurar, muitas vezes eu quis, mas eu sabia que você não me perdoaria. –balança a cabeça de olhos fechados.—Só o que eu não consegui perdoar, Cristiano foi a falta do amor, foi demais pra mim. –murmuro.—Eu nunca deixei de amar você Malu, nunca. Eu não sei por que disse aquilo naquele dia, acho que só queria te magoar na mesma medida que você estava me magoando. Mas parece que a dor que eu queria te causar ficou toda em mim. –suspira.—Ficou comigo também, posso garantir. –digo torcendo a boca.Ele se aproxima, pega minha mão fazendo carinho em meus dedos. E la esta ela, novamente aquela corrente fervilhando meu sangue, sinto estar sendo eletrocutada por um milhão de watts e mesmo assim não quero sair.—Eu tentei te esquecer muitas vezes, mas as lembranças, de tudo... não teve um só dia em que não me lembrei de nós. –ele beija meus dedos. –Nasci pra você Malu, sou seu desde criança, desde que te vi, não posso mais fingir que não sinto nada por você, não posso e não quero mais.Não suportando mais o toque junto com suas palavras, eu fecho os olhos para impedir as lagrimas prestes a escorrer. Porém todo meu esforço se torna inútil quando Cristiano toca meu rosto. O carinho que há tanto tempo eu não sentia me enfraquece, e a lagrima escorre. Uma mistura de dor e saudade toma conta dos meus sentimentos, ouvi-lo falando assim, confessando essas coisas é mais do que posso suportar, é o que sempre desejei ouvir. Eu não queria fraquejar, pelo contrario, queria me sentir vingada em saber que sim, ele sofreu, não tanto quanto eu, isso eu duvido, mas sofreu. Confundindo minha vontade, eu não senti essa sensação de vingança concluída, me senti ainda pior por perceber que nossa imaturidade nos causou uma dor que não tínhamos consciência da intensidade.Então as lagrimas começam a correr pelo meu rosto descontroladamente.—Hey, não chora. –ele limpa minhas lagrimas com o polegar.—Por que Cris? Por que nos machucamos assim? Por que nos permitimos esse sofrimento? –soluçando e chorando ainda mais eu desabafo.—Não sei amor. –ele me abraça apertado.Mesmo sabendo que não deveria, me sinto segura envolta em seus braços, ignoro minha consciência e me deixo guiar pelo coração, esse coração que sempre vai bater mais lento quando se sentir longe do dele, não existe outro lugar no mundo onde eu queria estar mais do que aqui, encostada em seu peito, ouvindo somente sua respiração calma. Então afundo para dentro de mim mesma, para o meu oceano particular e choro.Não sei por quanto tempo esse abraço foi a única comunicação que tivemos, ergui meus olhos vermelhos e inchados e encontrei os tristes dele.
Sem ele pedir minha permissão, e sem que eu quisesse recusar, nos beijamos como nunca antes, o amor fervendo nos lábios e na pele, as palavras que ainda tínhamos que dizer sendo ditas assim silenciosamente. A paixão faiscando dando sinais de que era o momento de sufocar a dor da saudade, eu não o larguei, não teria conseguido nem se quisesse, estamos ligados como o amor e o ódio, o sim e o não, começo e fim. Não há o que descobrir, não há nada de misterioso, como um artista que sempre conhecerá sua obra eu conheço seu corpo, conheço suas fraquezas e gostos, sabendo disso sem perguntas, nos despimos desajeitadamente e sem cerimonias.Beijo com cuidado seu pescoço, peito, depois a barriga...Ouvi-lo gemer meu nome me fez sentir-me poderosa, dona e escrava dele.E sabendo o domínio que tem sobre mim ele me segura com o olhar penetrante no meu, nos deitamos no chão que, mesmo frio não consegue diminuir a calor entre nós. Minha pele arde, desejando seu corpo no meu, e ele sabe disso pois também me conhece perfeitamente. Com a habilidade que já sou intima ele me beija lenta e dolorosamente desde os ombros ate o umbigo, desesperada eu imploro por mais.—Malu? –pergunta entre os beijos.—O que? –respondo nem sei como, pois estou sem ar..—Faz amor comigo?—Sim. –é o máximo que consigo responder, e de maneira nenhuma eu diria não, seria suicídio negar ao meu corpo o prazer de ter ele novamente me amando.Com seu cuidado e sensualidade ele se coloca sobre mim e sinto-o dentro, em toda sua plenitude, minha respiração falha, a sensação avassaladora de tê-lo assim tão perto e tão meu me faz delirar, enlouquecer, implorar. Somos agora um só, como letra e melodia das musicas dele, uma unica alma perdida em todo esse amor. Os movimentos intensos fazendo estragos pelo meu corpo, pela minha alma, me fazem sentir, antes do que eu queria, a onda de espasmos indicando o que esta por vir, e me deixo ir... como açúcar derretendo lentamente na sua própria doçura, me desmancho embaixo dele.Segundos, minutos, horas depois, não tenho ideia, volto a respirar sem dificuldade, como um balão solto no ar me esvazio.Exaustos não dissemos mais nada por um longo tempo, ate que, como uma demonstração de cuidado, ele me arrasta para perto de si para que nossos corpos se aqueçam um no outro apenas.—Eu te amo. –me diz olhando para o teto, enquanto faz carinho em meus cabelos.Engulo em seco, não posso dizer a ele que simplesmente não acredito, não depois de tudo. Então digo a única coisa sincera e apta para o momento.—Obrigado! —Obrigado? Que resposta estranha! O que aconteceu com o bom e velho “eu também te amo”? –pergunta irônico.Eu sorrio sem nenhum humor e balanço a cabeça pra ele, que fecha a cara.—Você não me ama mais? –pergunta serio.Não era essa a intenção, como ele pode ser tao cego? A única prova que falta para esse absurdo amor que sinto por ele é uma faixa tipo aquelas de Miss com os dizeres “Rainha do amor impossível”.Pensando nisso eu começo a rir descontroladamente, que ridículo! Com a expressão mais confusa da historia ele me encara.—Responde Malu, você não me ama mais é isso?Do mesmo jeito repentino que começou, minha risada para, o que posso dizer diante dessa pergunta? Como dizer pra ele que mesmo depois de todo esse amor que fizemos não acredito que ele me ame por igual? Ele parece magoado, merda!
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