Você De Novo?
15 Vamos Fazer Isso Certo...
Notas iniciais
Mil desculpas por não responder os reviews, eu estou realmente sem tempo, mas fico feliz que estejam gostando e é muito legal continuarem me incentivando a continuar com a fic! Então vamos lá!
Responderei assim que posssível, espero que gostem desse capítulo!
Boa leitura
Moradia no Purgatório- Dia 31
Os dias estavam passando tão rápido, que eu sequer poderia contar. Talvez, morar no purgatório não fosse tão ruim quanto o inferno em que minha vida estava inicialmente e agora, eu estava começando a me acostumar com o ambiente onde eu estava. Um mês. Eu nem podia acreditar. Se alguém, há trinta dias atrás, chegasse até mim e me contasse que tudo aquilo que havia acontecido comigo nesse último mês, estava destinado, eu acharia essa pessoa louca. Novos amigos, nova casa, nova cidade, novo romance. A vida não era mais estranha e sim uma espécie de patamar no qual eu já estava acomodada. O verão estava chegando ao fim, e isso me matava as esperanças que eu tinha de voltar para o Texas, não que elas fossem tão gritantes naquela altura do campeonato.
Eu gostava de Washington, tenho que admitir. Talvez mudar para aquela casa fosse um pouco menos pesado do que era morar com minha mãe no Texas, sempre na incerteza. Na verdade eu estava me saindo tão bem, Dra. Eliane, me sugeriu continuar com o tratamento que na verdade estava andando em um ritmo impressionante. Os gritos haviam parado e eu não tinha mais pesadelos todas as noites. Na verdade, eu sequer me lembrava de alguns sonhos em dias de sorte. As olheiras estavam deixando meu rosto, porque eu não tinha mais medo do inferno que era dormir, e eu não era mais a louca traumatizada que chorava com sonhos. Minha última experiência de sonhos ruins havia sido há duas semanas atrás, quando havia dormido na casa de Felicity e havia me encontrado com James no banheiro, depois disso eu era uma menina normal... E não posso mentir, a normalidade era o paraíso.
As coisas começaram a mudar de verdade, naquele dia em diante. Nicholas e eu estávamos tão bem que era quase assustador. Nosso romance não havia apenas nos dado aquele lance de amor problemático proibido, pois acima de tudo, havíamos nos tornado grandes amigos. Sempre dando risada de tudo e de todos, descobri que Nicholas era uma pessoa bem engraçada e passava grande parte do tempo rindo do mundo. Era algo bom de se fazer, porque assim eu ria também, e rir, meus amigos é de fato o melhor remédio para tudo. Além de Nicholas, minha relação com meu pai e Jessica ia para melhor. Eu sempre odiei aqueles negócios de família, mas agora? Estava mais divertido do que nunca. Na semana passada, papai havia levado Nicholas, Jessica e eu para um jogo de basebol. Um jogo de basebol. Eu nunca fui fã de esportes, mas eu havia adorado tanto que se me chamassem de novo eu iria e sem problemas! Depois do jogo havíamos comido em uma lanchonete com o melhor cachorro quente da terra... Eu reclamava pelo fato de Jessica e meu pai não terem mentalidade da idade que tinham, mas que Deus me escute, eu agradecia por aquilo agora.
Christian e Troy estavam em um relacionamento sério, de acordo com o status do ruivo, e ele não parava de contar como o garoto era adorável. Eu não vou mentir, se ele dizia que Troy era adorável, era porque ele era na verdade duas vezes isso. Sabe aquele garoto que anda olhando para baixo, sempre quietinho, mas que é um doce de pessoa e completamente meigo? Era o namorado daquele ruivo falante que eu tanto amava. Era impressionante como os opostos podiam se atrair, e se queriam um exemplo concreto disso, eu daria os dois. Meu dia a dia havia se tornado tão normal, que eu sentia que morava ali desde sempre. Eu ainda tinha um pouco de dúvidas em que colégio entrar, mas esse era o maior dos meus problemas no momento... Isso se eu relevar aqueles que eu havia aprendido a afogar.
O sol bateu em meus olhos quando meu relógio apontava para as dez horas da manhã. Esticando o corpo, soltei um leve suspiro, sentindo o sono se esvaindo do meu corpo e minha cabeça voltando para a realidade, em que eu estava afundada nos lençóis macios da cama e o cobertor que me engolia por inteiro. Me colocando de pé e caminhando como uma bêbada tropeçando em meus próprios pés, apoiei-me em minha pia, focando os olhos no enorme espelho que mostrava uma imagem que eu realmente adorava ver: a garota de olhos descansados e cabelos brilhosos cheios de vida, com uma expressão jovem e não cansada de uma mulher como preocupações. Eu era uma adolescente. Com um leve sorriso no rosto, enchi as mãos com a água gelada da pia e joguei-a contra meu rosto, sentindo-me despertar de uma só vez. O dia estava claro e maravilhosamente agradável, meu humor estava ótimo e eu não sabia o porque, eu simplesmente sentia, sentia que o dia seria o melhor de todos.
Colocando o meu short jeans favorito e minha camiseta de cor mais viva, penteei os cabelos para os lados, e fiz neles duas tranças, que caíam como marias-chiquinhas até debaixo do meu peito, no tom negro com o brilho da luz, realçando meu rosto sorridente naquela manhã. Deixei meu quarto antes mesmo de perceber. Eu não queria ficar entre quatro paredes o tempo todo! Eu adorava meu quarto e tudo mais, mas era lá onde eu ficava quando estava de mal humor, e com certeza não era onde eu gostaria de ficar naquele dia. Praticamente escorregando pelos corrimãos da escada, desci em direção ao primeiro andar, onde pude ouvir uma certa movimentação da cozinha. Queria gritar “bom dia!” e perguntar o que faríamos hoje, mas assim que cheguei, me surpreendi ao ver a mesa cheia, com o mais delicioso café da manhã como sempre, mas sem Jessica e meu pai, passando por perto dele. Onde eles estavam? Me perguntei curiosa enquanto me inclinava para sentir o delicioso cheiro das panquecas. Agarrando um papel que estava e cima da mesa, pude ler o bilhete em letras corridas que deveriam ser de Jessica, dizendo:
“Sidney e Nicholas, Seu pai e eu saímos rapidinho para a mercearia para comprar algumas coisas para um projeto dele. Eu estou lhe fazendo companhia, pois preciso comprar algumas coisas para mim também. Deixei o café da manhã pronto e comam direitinho. Na hora do almoço já devemos estar em casa.”
Com um sorrisinho olhei para o relógio e dei de ombros, enquanto pousava o papel novamente para cima da mesa onde estava e me sentava, ainda babando com um dos meus pratos favoritos. Eu nunca tive isso em toda a minha vida, um café da manhã pronto. No Texas eu me levantava, fazia minhas torradas e ia para a escola. Não que eu estivesse reclamando, sempre achei ótimo, minha mãe me criar de forma tão independente, mas... Não posso negar, eu adorava ser mimada assim para variar!
–Mas já está atacando a mesa?
Pude ouvir a voz de Nicholas ao passar da cozinha em direção a mesa, com um sorriso no rosto. Seus cabelos estavam em pé e ele usava aquela camiseta verde que eu tanto amava com uma bermuda, deixando a mostra seus braços definidos. Abri um sorriso, enquanto ele se sentava na cadeira de frente para mim, e assim como eu fazia, se serviu de algumas panquecas. Era eu ou seus olhos estavam ainda mais azuis?
–Acordei com fome! –Sorri. –E animada! Acha que Jessica e o pai vão demorar?
–Não sei, mas eu espero que sim. –Nicholas deu de ombros, ganhando meus olhares curiosos. Havia sim um brilho diferente em seus olhos... O que estava tramando? –Eu estive pensando em uma coisa para nós hoje. Eu e você.
–O quê?
Perguntei com um sorriso curioso, levando um pedaço da panqueca a boca. Nicholas deu de ombros.
–Acho que está na hora de eu te levar para um primeiro encontro. Estamos fazendo tudo em uma ordem bem errada.
Não sei qual é o máximo que um sorriso pode se alargar, mas o meu foi maior. Meus olhos caíram em Nicholas que me olhava com um sorrisinho e eu senti meu coração acelerar. Mesmo? Um primeiro encontro? Só nós dois? Fora de casa? Tive que dar uma risadinha animada, enquanto me levantava da cadeira onde estava e pulava para o seu colo do outro lado da mesa. Nicholas deu risada, enquanto eu lhe dava um selinho nos lábios. Seus olhos estavam em tom divertidíssimo em minha direção.
–Está me chamando para sair? Desse jeito? Eu sou meio difícil.
–Ah é? –Nicholas me ergueu uma sobrancelha, brincalhão. –Tudo bem então. Sidney... Quer sair comigo?
–Passa em casa as oito?
–Sete e meia.
Brincou, fazendo-me dar uma risadinha. Nicholas puxou-me para perto, dando-me um beijo lento e demorado, que só com o toque vez meu coração sambar dentro do meu peito. Abri um sorriso sentindo seus doces lábios se desgrudarem dos meus, enquanto ele encerrava com mais um selinho.
–Espero não encontrar alguém conhecido.
–Washington é grande. –Nicholas sorriu. –E não precisamos ficar por aqui.
(...)
Um primeiro encontro... Era um nome comum, mas que francamente sempre me aterrorizou. Nicholas e eu já havíamos feito mais do que um casal com um ano e meio de namoro faria e tínhamos uma relação tão boa quanto. Não era só por ficar junto, eu sentia que éramos amigos também. A verdade? Um primeiro encontro naquela altura do campeonato não deveria me deixar nervosa, mas eu estava, e sinceramente? Talvez mais do que o normal. Nicholas e eu estaríamos seguindo o protocolo padrão de um relacionamento, saindo para ficar junto e fazer coisas divertidas e só então aproveitar o calor do outro... A verdade era que eu sempre quis aquilo, eu sempre fui a favor de um romance em uma ordem certa, mas tratando das nossas condições atuais, o nosso romance era tudo, menos certo.
Não vou mentir e dizer que mesmo pirando, não estava amando a ideia. Geralmente, eu teria Callie para ficar ao meu lado e me dizer o que vestir e o que fazer para deixar o dia o mais divertido possível. Eu estava saindo com meu irmão! Com Nicholas! O cara que eu via de samba-canção todas as noites! Eu não deveria estar me preocupando e causar uma boa impressão! Mas eu estava... E se eu não decidisse logo uma roupa legal para sair, eu provavelmente teria um ataque.
No final na crise, acabei optando por minha regatinha básica branca com minha saia amarela com desenho de rendas e meu sapato marrom com detalhes em amarelo e verde que davam um ar alegre para o look. Peguei minha bolsa favorita e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo para exibir bem a maquiagem em meu rosto que havia feito sem ser muito forte. Abri um sorriso ao me olhar no espelho pela primeira vez com um ar alegre e as bochechas rosadas em muito tempo. Eu estava bonita e me sentindo bonita, isso deveria bastar. Prendendo a respiração e abrindo um sorriso confiante, caminhei em direção as escadas, encontrando Nicholas, apoiado contra o balcão e girando a chave do carro entre seus dedos. Um pequeno sorriso se abriu em seu rosto enquanto caminhávamos em direção ao conversível, e como um cavaleiro, abriu a porta para mim. Abri um sorriso divertido, observando-o em uma reverência.
–Quanta cortesia.
–Uma vantagem em sair comigo.
Brincou enquanto dava a volta no carro e entrava do lado do motorista. O CD do Nirvana que eu havia escolhido há algumas semanas atrás ainda estava no som, ou seja, Nicholas já deveria estar de saco cheio de ouvir minhas músicas. Sendo gentil, peguei o CD do The Beatles que havia ali e deixei que tocassem as músicas mais animadas como “Love Me Do”, ou “I Wanna Hold Your Hand”, duas das minha favoritas.
O dia estava lindo, como já havia dito e o sol brilhava, batendo forte sobre nossas cabeças, no carro de janelas abertas. Graças a Deus Nicholas não havia o deixado sem o teto de plástico. Eu nunca gostei de vento, não que eu fosse fresca, mas francamente, com todo aquele vento, eu preferia ouvir a música do CD. Assunto nunca faltou para nós dois. Na verdade, se eu tivesse saído com qualquer outra pessoa, eu teria ficado com tédio, porque... Bem, o carro estava na estrada há mais de uma hora e não havíamos chegado em lugar nenhum. Porém, como Nicholas e eu éramos duas pessoas incapazes de calar a boca, a viagem passou tão rápida, que eu poderia pedir por mais.
–Chegamos.
Anunciou com um sorrisinho enquanto aos poucos o carro desacelerava, parando no estacionamento de frente para um grande Shopping que com certeza eu nunca havia ouvido falar em minha vida. Mas fazer o que? O lugar era enorme e cheio de janelas de vidro, parecendo estar bem cheio. Imaginei bem que Nicholas, como o grande fanático por filmes que era, iria querer ir ao cinema e coisas normais assim. Soltei um longo suspiro aliviado. Graças a Deus estávamos indo ao cinema, eu estava louca para ver alguns filmes que estavam em cartaz também, pois no final das contas, assim como Nicholas eu era uma viciada em filmes.
O sorriso em meu rosto se abriu, assim que saltei do carro e senti a mão do garoto, tomar a aminha e segurá-la, como sempre sonhei que acontecesse. Eu não podia dizer que não estava animadíssima, porque eu estava. Eu estava simplesmente de mãos dadas com o garoto mais bonito que já havia visto em minha vida, e qualquer um poderia ver isso. Ou melhor, as garotas que não me conheciam, iriam me invejar e eu me sentiria melhor ainda, porque além de ter um “namorado” gato, ele era a pessoa com quem eu mais gostava de passar o meu tempo. Não era como Johnny, que eu amava, mas que também tinha que iniciar para pegar sua mão. Nicholas era um rapaz de atitude e com certeza isso dava pontos comigo. Eu estava vivendo em meu saquinho de jujubas naquele momento, e mesmo sabendo que isso era ruim, eu não queria sair de lá.
A construção do shopping era maravilhosa, repleto de luzes e escadas rolantes. Eu francamente, nunca fui uma garota que apreciou passeio no shopping, mas aquele lugar era tão bonito que sequer se parecia com os que eu estava acostumada. Nicholas e eu subimos as escadas rolantes em direção ao quinto andar no local, com a visão de apenas pessoas bonitas e algumas que eu poderia jurar que eram famosas. Queria só saber o preço das coisas naquele lugar. Comprar uma garrafa de água ali deveria resultar em meses de trabalho pesado.
–Não vai me fazer assistir filme de menina... Vai?
–Sorte sua, senhor... –Abri um sorriso, olhando-o de forma brincalhona. –Que Crepúsculo já saiu de cartaz.
–Graças a Deus!
Exclamou Nicholas, fazendo-me dar risada enquanto caminhávamos em direção ao enorme letreiro brilhante, que gritava o nome do cinema, exibindo logo a sua frente, uma parede mergulhada nos mais diversos filmes possíveis. Senti meu peito disparar quanto a tanta variedade. Eu nem sabia o que iria escolher.
–O que acha de o Homem de Ferro 3?
Perguntou Nicholas, enquanto abraçava-me por trás, apoiando o queixo em meu ombro enquanto eu observava as seções em que poderíamos ir naquele momento. Abri um sorriso me lembrando de James, que havia dito que queria ver esse filme. Eu estava com muita vontade de ver o homem de ferro, mas...
–Você? Com super-heróis?
–O que? –Sorriu Nicholas, achando minha reação engraçada. –Não posso gostar?
–Pode, eu... Só não te vejo gostando.
Dei uma risadinha enquanto o via franzir a testa. Nicholas ergueu uma sobrancelha.
–Eu tenho cara de quem gosta de quê?
–Terror.
Respondi com um sorriso, Nicholas soltou uma risada, enquanto assentia. Ergueu as mãos em rendição.
–Boa resposta. Prefere ver a Morte do Demônio?
–Então Homem De Ferro, será.
Sorri enquanto puxava pela mão o garoto, que dava risada diante da minha resposta e comigo caminhava em direção ao balcão. A mulher que atendia as pessoas da fila não parecia estar feliz com o que fazia e tampouco parecia estar acordada. Eu sentia os braços de Nicholas me envolvendo enquanto esperávamos na fila e olhávamos para a triste criatura com um boné do cinema e cabelos loiros atrapalhados, saindo em tufos de lá. Me virei em direção a Nicholas bem a tempo de ver um sorriso maldoso em seu rosto. Seus olhos caíram em mim logo em seguida.
–O que foi? Está realmente zombando por dentro da moça triste atrás do balcão?
–Meu sorriso está te incomodando? –Nicholas perguntou em tom brincalhão. –Ele faz parte de mim, sabia?
–É muito feio zombar das pessoas. –Sorri em tom maldoso também. –Ela é gatinha. Eu pegava.
–Sabe, Sid. Em qualquer outra situação, um caso lésbico seria legal... Mas com ela, eu me recuso a assistir.
–Jura? Achei que ia ser tão sexy.
Falei em tom magoado, Nicholas abriu um sorriso divertido enquanto avançávamos mais um passo.
–Eu sou contra necrofilia.
–Necrofilia? –Franzi a testa. –Estamos falando do mesmo assunto?
–Da moça que morreu ali e não contaram para ela?
Não consegui segurar a gargalhada, o que fez Nicholas arregalar os olhos e calar a boca, por pelo jeito minha risada ter sido um pouco alta demais. A mulher atrás do balcão, olhou em nossa direção, e com os olhos de peixe morto, se inclinou, gritando para que pudéssemos ouvir.
–Próximo.
–Acha que ela escutou?
Sussurrei para Nicholas. Meu irmão deu de ombros, com uma expressão assustada, exagerada.
–Acho que não.
–Nicholas... –Chamei sua atenção, passando a mão em meu queixo. –Tem um pouco de veneno escorrendo... Aí...
Falei enquanto o via, exageradamente esfregando a mão ao queixo para limpar o que não tinha. Me abriu um sorriso, passando os dedos em meu queixo em seguida.
–Tinha um pouco em você também...
–Boa tarde. –Falou a mulher, assim que chegamos ao balcão. –Em que seção vão?
–Vê duas entradas para o Homem de Ferro III, a próxima seção.
Pediu Nicholas em seu tom educado impecável, típico de um mauricinho de escolas ricas. Eu não sei bem o que ocorreu diante o diálogo, porque eu estava muito distraída na enorme verruga do lado esquerdo da bochecha da mulher. Aquilo era uma verruga... Não era? A boca de Nicholas e da moça se mexiam, mas eu não estava prestando atenção, e nem ela deve ter reparado meus olhares nada discretos, porque estava ocupada demais dando toda a sua atenção para Nicholas... E foi aí que eu a vi sorrir. Meus olhos se arregalaram quando olhei para meu irmão e o vi rindo também. Ele havia conseguido fazer aquela mulher mal humorada sorrir? O que ele havia dito para ela?
–Boa seção para vocês dois.
Falou ela em tom simpático enquanto nos entregava os ingressos. Nicholas pegou em minha mão, enquanto saíamos da bilheteria, agora com os ingressos comprados. Meu queixo ainda estava no chão. Nicholas e sua magia de ser simpático...
–Me diga como você consegue?
–É minha mágica.
Sorriu ele enquanto guardava a carteira no bolso. Balancei a cabeça negativamente completamente espantada.
–Eu estou começando a ter medo de você...
Nicholas abriu um sorriso divertido, enquanto me puxava pela cintura para mais perto e me dava um selinho rápido. Sorriu dando uma piscadela. Era engraçado vê-lo ali de pé comigo, já que nossa diferença de altura era notável.
–Não precisa ter medo... Por enquanto.
O sorrisinho em meu rosto se alargou e me coloquei na ponta dos pés, prestes a dar um beijo nele, mas assim que fiz, os olhos do garoto saíram de mim e se arregalaram repentinamente, focados em um ponto não muito longe. No próximo segundo suas mãos estavam longe de mim e eu estava me desequilibrando como uma pateta. Nicholas me puxou para o seu lado, me forçando a ter a visão que o havia surpreendido, e que fez meu estômago se embrulhar. Aquilo não podia estar acontecendo! Mas que merda!
Quando os olhos da garota que havia acabado de comprar os ingressos caiu sobre nós, um sorriso enorme se abriu em seu rosto e olhando para mim, pude ver um brilho um tanto irritado em seus olhos. Com uma minissaia exibindo seu útero, e duas amigas vestidas de forma bem similar a dela, Megan caminhou em nossa direção, com os cachos do cabelo curto balançando e rebolando como um funkeira, até se aproximar de nós do outro lado do salão.
–Sidney! Nicholas! Olá!
–Megan! –Exclamei surpresa, olhando para Nicholas em seguida. –Oi!
–Olá, Megan.
Meu irmão sorriu em tom simpático, enquanto a garota me puxava forte demais, para um abraço e em seguida fazia o mesmo com o meu irmão. A garota morena e a garota ruiva que estavam ao seu lado eram tão bonitas quanto elas. Senti meu corpo queimar por saber que Nicholas as olhava, mesmo não deixando isso claro. Eu conhecia como os homens eram, é claro que ele estava olhando!
–Que coincidência, quem diria!
–Pois é... –Nicholas concordou com ela, em um tom meio frustrado. –Estamos á quatro horas de Washington... Em outra cidade... Em um Shopping bem afastado... E nos encontramos! Quem diria mesmo!
–Eu sempre venho aqui com minhas amigas. –Sorriu a loira, dando uma jogadinha de cabelo nojenta. –Nesse shopping tem as melhores lojas de marca, para fazermos compras. –Falou erguendo as sacolas. –Mas e vocês? O que fazem aqui?
–Só no cinema mesmo. –Falei em tom apressado. –Que, aliás vai começar daqui a pouco!
–Vão ver o que?
Perguntou Megan olhando para Nicholas, mesmo tendo sido eu que toquei no assunto. Respirei fundo tentando não passar mais raiva. Eu queria agarrar Nicholas para mim e beijá-lo, só para ver o que ela faria, mas se James tivesse comentado que éramos irmão com ela, ou então ela contasse algo desse tipo para James, Nicholas e eu estaríamos com problemas.
–O Homem de Ferro. –Nicholas falou simpático, recebendo um beliscão meu, bem discreto. Me olhou curioso, em tom de “não posso fazer nada, pare de ser estranha”. -E você...?
–Nós também! –Sorriu animada. –Ouvimos tão bem do filme que quisemos olhar! Quem sabe pegamos lugares perto! –Deu uma risadinha. –Aí sim seria uma coincidência!
Eu não acredito! Vou arrancar os peitos falsos dessa vadia com minhas unhas! Isso sim seria uma coincidência! Meu sorriso era um tanto assassino, mesmo não querendo deixar transparecer a vontade que eu tinha de cometer um assassinato. O pior era que Nicholas –como não havia feito com Callie – não estava flertando de forma alguma com Megan, mesmo ela estando claramente se jogando para cima dele. Eu conhecia os sinais de Nicholas quando estava tentando flertar com alguém, e pelo que conhecia dele, ele estava apenas sendo o garoto simpático que era com todo mundo. Ele não estava nem um pouco afim dela, e ela nem ligava! Ela não estava com James, afinal? Bem que Felly havia comentado comigo que Nicholas era impossível... Vendo aquilo eu havia acabado de perceber, que isso era verdade, e que Nicholas sem vontade de me irritar, estava sendo como deveria ser com todas essas meninas que se jogava para cima dele: Indiferente e educado. Um cavalheiro, que nesse momento, poderia se tornar um dragão e arrancar a cabeça daquela garota fora.
–É sim. –Sorriu ele enquanto apontava para a entrada. –Nós vamos indo então, senão não vai dar tempo de comprar a pipoca... Nos vemos lá dentro então.
–Carboidratos. –A garota fez uma careta. –Mas vocês podem... Não é Sidney? –Sorriu cínica para mim, fazendo-me cerrar os punhos. Pude ver uma expressão preocupada vindo de Nicholas. –Até então, meus lindos!
Falou enquanto girava nos calcanhares e finalmente saía com as amigas siliconadas na direção oposta. Meu peito estava a mil e eu estava com vontade de soca-la. O que ela havia dito com aquilo? Ela tinha me chamado de gorda? Senti meu estômago embrulhar.
–Ei, Sid, você vai ter um ataque epiléptico.
–Eu vou matar ela. –Grunhi. –Quem ela pensa que é?
–Uma vaquinha qualquer. –Deu de ombros enquanto segurava a minha mão. –Desculpe, eu não sabia que ela vinha aqui.
–Não é culpa sua.
Grunhi mais uma vez, entredentes. Nicholas abriu um sorriso, puxando-me para perto de si enquanto íamos em direção a fila. Me deu um beijo na testa, completamente terno enquanto me abraçava cuidadosamente.
–Não vamos deixar ela estragar o encontro, só... Reze para ela estar bem longe de nós na seção.
–Não vai arriscar de ficar comigo perto dela, certo?
–Não...
Soltei um suspiro, abaixando os olhares.
–Então vamos sentar lá atrás. Quero ficar o mais longe possível do perfume francês enjoativo.
(...)
Eu poderia mentir e dizer que foi tudo uma bosta, que o filme era péssimo e que Megan conseguiu foder com toda a minha noite... Mas eu não sou tão mentirosa, e não teria razão para fazer isso. Primeiro de tudo, o Homem de Ferro III é melhor do que qualquer um dos outros três, incluindo Os Vingadores, e eu havia simplesmente gargalhado com as piadas do Tony Stark. Eu o amava, amava o filme e achei simplesmente o melhor de todos! Eu com certeza assistira de novo depois! Outra coisa, é que sim, demos sorte e como Megan havia pegado a fila muito depois de nós, havia ficado com lugares na frente, enquanto Nicholas e eu havíamos convencido um casal a trocar de poltrona com a gente, no cantinho da última fileira do cinema. Eu nunca havia visto um filme tão bom, com beijos tão bons em uma tarde tão boa. Nicholas era uma ótima companhia de filme, e não reclamou de quando eu comentava algumas coisas, e era um telespectador super quieto, não me incomodando com diálogos, como Callie adorava fazer quando íamos para o cinema.
Depois do fim do filme, Nicholas havia me levado para comer em um restaurante longe do Shopping, para evitar encontrar mais pessoas conhecidas, e havíamos pegado uma mesa para dois, e comendo a melhor massa de cantina Italiana que já havia provado em toda a minha vida. Nicholas ficou me contando sobre a temporada de futebol que iria ter e como ele estava animado para ir. Me convidou para vê-lo em um jogo e eu não pude deixar de achar o convite maravilhoso. Eu nunca fui fã de esportes, mas até isso ele conseguida fazer ficar interessante, seu sorriso era incrível e sua animação para contar as coisas era sempre cativante... Eu estava cativada, Nicholas havia conseguido me ganhar e era nítido para quem quisesse ver, não só porque havia acabado de me proporcionar o melhor encontro que já tive em toda a minha vida.
Cheguei a me perguntar, se a idealização que eu tive a vida toda sobre namoros, estava realmente correta. Eu sempre acreditei em flertes, romance, confiança e então intimidades no geral, necessariamente nessa ordem, mas em nenhum dos casos, em que eu havia seguido o cronograma havia se saído tão bem, como com Nicholas que começou por ódio, intimidades, amizade, romance e então confiança. A ordem estava completamente atrapalhada e ele era o fruto proibido, cada vez mais acessível... E com certeza a melhor coisa que já havia acontecido comigo até então. Eu estava apaixonada e todo mundo poderia ver... Mesmo sem saber se isso era bom ou se era ruim. Nicholas era o tipo de cara que qualquer garota sã gostaria de ter: Fofo, completamente correto– pelo menos com suas namoradas que não são irmãs, – e totalmente maduro e responsável. Obviamente, assim como eu, algumas dessas características eram esquecidas por um tempo, mas era algo momentâneo. Nicholas era sim um exemplo de pessoa, mesmo cometendo os erros, que vinham basicamente por causa de uma coisa extorquida que entrou em sua vida: Eu.
O carro parou na garagem, já era de noite o Nicholas havia acabado de falar com o pai por telefone, que disse que havia encontrado alguns amigos no centro da cidade, e que haviam ficado por lá para jantarem. Eu estava usando o casaco do garoto que de tão grande me engolia e o céu naquela noite estava tão estrelado, que me fazia esquecer o frio, que estava fora daquele tecido quente que aquecia o meu corpo. Nicholas me abriu um sorriso, enquanto eu fazia o mesmo e sem pensar duas vezes, me aproximei de seu rosto, grudando nossos lábios em um beijo calmo e delicioso. Pude sentir a mão do garoto alisar meus cabelos, e assim que nos separamos, um sorriso se abriu em seu rosto, e logo um suspiro deixou seus lábios. Mordisquei o meu, olhando-o em tom tão calmo e hipnotizado, como nunca havia usado antes.
–Eu... Eu amei o encontro. Obrigada por me levar.
–Você merecia isso, anjo. –Sorriu ele me dando um beijo na testa. –E eu também adorei.
Com um sorriso no rosto, vi Nicholas abrir a porta e saltar para fora do carro, correndo em direção a minha, e abrindo-a para mim. Dei uma risadinha agradecida, enquanto fazia uma reverência e juntos, caminhávamos em direção a porta, enquanto um dos braços de Nicholas envolvia meu ombro, parando junto comigo de frente a abertura de madeira. Me virei em sua direção, abrindo um sorrisinho, o vendo fazer o mesmo, e levar a mão até a nuca, como fazia quando estava nervoso. Nicholas estava nervoso? Não pude deixar de sorrir com isso. Mais uma vez um suspiro deixou seus lábios, enquanto me observava de forma carinhosa.
–Acho que é nessa parte do filme que o rapaz beija a moça.
Falou em um tom brincalhão, enquanto eu assentia, vendo como aquela cena era realmente digna de um filme. Eu nunca havia tido um encontro tão impecável e fora de problemas como aquele que eu havia acabado de ter. Olhando para Nicholas naquele momento, eu não via meu irmão, eu não via um membro da minha família, e sim via o príncipe em cavalo branco que toda garotinha um dia sonhou em ter. Os cabelos negros iluminados pela luz fraca da lua e os olhos azuis de brilho sem igual... Eu posso estar parecendo uma daquelas garotas românticas incorrigíveis nesse momento, mas sequer uma palavra, dita nesse momento, tem um pingo de mentira.
Pousando a mão na nuca do garoto, estiquei-me grudando meus lábios nos seus mais uma vez, e sentindo lentamente o doce gosto da sua língua que se chocava contra a minha. As mãos do garoto se grudaram em minha cintura, puxando-me para mais perto e logo pude sentir o delicioso calor do seu corpo, contra o meu. Seus lábios me afogavam e suas mãos eram leves e deixavam uma sensação maravilhosa em meu corpo, eu sentia aos poucos meu corpo esquentar e meu coração bater mais forte, mais pesado. Nossos lábios se desgrudaram assim que o garoto começou a tatear o bolso do jeans, provavelmente procurando pelas chaves de casa. Abri um sorriso, entrando na brincadeira dos filmes de Hollywood.
–Você quer entrar? Meus pais não vão em casa.
–Quero.
Sorriu ele em tom decidido até demais, enquanto tateava mais uma vez os bolsos, agora abrindo uma expressão preocupada. Seus olhos se arregalaram, e logo se fecharam enquanto ele soltava um leve grunhido e praguejava em tom irritado.
–Merda.
–O que foi?
Ergui uma sobrancelha, confusa. Nicholas soltou um suspiro, enquanto cobria o rosto com as mãos e balançava a cabeça negativamente, bufando. Olhou para mim.
–Saímos sem as chaves de casa.
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