Você De Novo?

16 Sete Minutos No Céu


Notas iniciais
Hello leitoras! Primeiro eu queria agradecer a todas vocês que se preocuparam com meu namorado, e venho com a feliz notícia que ele já saiu do hospital e está vivo com dez dedos nas mãos e nos pés! hahahaha! Desculpem a demora pelo capítulo, mas eu estava na casa do meu pai na última semana, e eu como a boa gênio que sou, não levei meu computador nem o arquivo da história!
Espero que gostem do capítulo, esse é um dos meus preferidos! Eu sei que demorei, mas respondi todos os reviews do capítulo passado e pretendo fazer isso com o retrasado! Não vou sumir de novo, ok?
Boa leitura!

Moradia no Purgatório –Dia 31

–Está trancada.

Falei em tom frustrado, enquanto tentava empurrar a porta que não se abria. Bem, pelo que Nicholas havia dito, o pai e Jessica haviam estado em casa mais cedo para trazer as mercadorias e provavelmente quando viram a porta aberta, presumiram que havíamos esquecido de tranca-la, e não esquecido a maldita chave. Agora estávamos os dois para fora de casa e com Jessica e o pai do outro lado da cidade, com um grupo de amigos. Não os faríamos voltar só para abrir a porta. Nicholas estava olhando pela casa, tentando pensar em alguma espécie de plano. Olhei-o, curiosa enquanto via admirar a árvore do lado do carro estacionado, cruzei os braços, sentindo um tanto de frio. Soltei um leve suspiro.

–Nicholas, podemos ir pra outro lugar?

–Tipo...?

Perguntou ele sem prestar muita atenção em mim. Dei de ombros.

–Christian não mora muito longe daqui...

–Está falando sério?

Perguntou ele me erguendo uma sobrancelha. Franzi a testa dando de ombros. Bem... Christian não iria se importar de receber a gente e também não precisávamos dormir lá nem nada, era só até Jessica e nosso pai chegar. Eu sentia que Nicholas não estava gostando muito da ideia, mas por quê? Será que não gostava de Christian? Não... Ele havia sido tão gentil com o ruivo no dia do parque... E Nicholas não me parecia uma pessoa com muitos inimigos, ele era sempre muito educado com todos... Parei por um momento fazendo uma careta com meus pensamentos. Acho que Nicholas tinha razão há alguns tempos atrás quando dizia que eu não o conhecia. Se eu pegasse meu discurso agora, e o meu discurso de antes, estaríamos citando pessoas completamente opostas e... Mas o que ele estava fazendo?

Meu blá-blá-blá mental foi interrompido assim que me dei conta de Nicholas estava pendurado em um dos galhos da árvore, e com uma força incrível nos braços, conseguiu suportar o seu peso e se erguer até em cima do tronco, apoiando-se nele sem dificuldade alguma. Arregalei os olhos correndo em sua direção assustada só com o estrago que uma queda daquela altura faria nele. Meu irmão estava pirado.

–O que está fazendo?!

–Eu estou tentando entrar pela janela do meu quarto... –Falou simplesmente apontado para a janela no segundo andar de frente para a árvore. –Que é aquela ali.

–O que?! Você está louco! –Exclamei por ver como os galhos pareciam menos seguros lá em cima. –Se você cair pode se machucar! Muito!

–Você prefere ficar congelando aí?

Perguntou me erguendo uma sobrancelha. Bufei enquanto olhava para os lados, tentando não me desesperar. Talvez eu tenha um certo problema com altura e não queria encerrar aquela noite com uma morte. Nicholas tinha que descer dali! Já!

–Não! Vamos para a casa do Christian! Por favor.

Insisti em tom manhoso. Nicholas sorriu enquanto me erguia a mão. Ele queria que eu subisse? Nem fodendo!

–Vem, Sid! Eu não vou te deixar cair.

–Não! Nicholas! Por favor, não!

Exclamei, decidida. Nicholas me ergueu uma sobrancelha, se apoiando no galho. Sua mão continuava erguida em minha direção. Bufei diante da sua insistência.

–Vem! Não confia em mim?

–Eu confio, mas...

–Sid. –Me chamou olhando-o fundo em meus olhos. Tentei desviar, mas os olhos azuis me prendiam mais do que tudo. Mordi o lábio, franzindo a testa. –Eu não vou te deixar cair. Confie em mim...

Abri a boca para falar, mas não saiu som. A expressão de Nicholas era confiante e seus olhos me diziam que eu podia sim confiar. Olhei para os lados, pensando em sair correndo, em bater nele, qualquer coisa, mas meus olhos acabaram da mesma forma: Olhando fundo para ele, diante dos olhos pidões. Bati o pé soltando um grunhido. Eu não acreditava que estava fazendo aquilo! Outra semelhança com meu pai que poderia ser anotada: Ele era extremamente persuasivo.

–Eu devo gostar muito de você.

Grunhi, enquanto lhe erguia a mão e o via abrir um sorriso satisfeito, segurando-me firme e puxando-me em sua direção, fazendo-me para sobre o tronco junto com ele. Segurei firme no galho da árvore, enquanto Nicholas pulava para um mais em cima e se certificava de que ia nos aguentar. Me ergueu a mão novamente para mim, que já estava congelada pela altura, olhando o tempo todo para baixo. Senti toda a adrenalina do meu corpo subir. Ai meu Deus, que forma mais tosca de se morrer.

–Sidney!

Nicholas chamou minha atenção, fazendo-me segurar em seus braços e com esforço alcança-lo no galho em que estava. Nós já deveríamos estar há uns três metros no chão e eu estava com um medo miserável de cair. Felizmente, a janela não estava muito longe, e erguendo o corpo para me puxar, Nicholas me segurou fundo, enquanto eu caminhava com as pernas bambas em direção a sacada de pedra. Soltei um longo suspiro aliviado, quando consegui tocar a grade e com um pulo me joguei para dentro da varanda do quarto do garoto. Nicholas veio logo atrás, com um sorriso no rosto, e segurando meus braços, fazendo-me olhar em sua direção. Meu corpo estava a mil e meu rosto estava pálido. Acho que eu ia desmaiar.

–Viu só? –Deu uma risadinha. –Me diz que adrenalina te excita pra caramba também.

Abri a boca para responder, mas nem precisei dizer nada, pois assim que fiz, Nicholas grudou os lábios nos meus puxando-me para um longo e delicioso beijo. Ali em seus braços, naquele momento, eu sentia-me mais segura, mas mesmo assim meu coração não parecia desacelerar os batimentos. A única diferença, era que agora a minha agitação não era pelo medo e sim pela afobação que aqueles beijos deliciosos me traziam. Sem desgrudar os lábios dos meus, Nicholas empurrou a porta da sacada, abrindo-a e logo estávamos os dois dentro do seu quarto. Antes mesmo que eu pudesse reparar, minhas costas estavam contra o colchão macio, e eu sentia o peso de Nicholas cair sobre mim, na medida em que ele se apoiava para continuar com os deliciosos beijos. Me mordiscou o lábio, enquanto desgrudava os seus dos meus, e os descia lentamente por meu pescoço como adorava fazer. Senti o meu corpo se arrepiar com os lábios molhados que escorregavam por minha pele, até o casaco enorme, que logo foi jogado no chão, Nicholas abriu um sorriso, enquanto voltava os lábios para minhas orelhas, e me dava um leve beijo, abaixo dela, seguido de uma mordiscada no lóbulo.

–Cadê seu celular?

–Hein?

Perguntei confusa enquanto ele continuava a beijar meu pescoço. Meu coração estava a mil, eu sentia meu corpo esquentar, eu já estava respirando alto, sentia a maior agitação tomar conta de mim e... Nicholas estava me perguntando onde estava o meu celular? Eu havia escutado certo?

–Onde está?

Perguntou mais uma vez. Apontei para o bolso do casaco jogado no chão e se afastando de mim lentamente, Nicholas tirou-o dali, fazendo-me inclinar em sua direção, para tentar ver o que ele estava fazendo. Sem hesitar e naturalmente, arrancou a bateria do aparelho, colocando-o no chão e jogando a bateria para o outro lado do quarto. Arregalei os olhos querendo protestar, mas assim que fiz, o garoto já estava perto de mim novamente, hipnotizando-me com os olhos azuis e acariciando meus ombros nus pela blusa regata. Abriu um sorriso dando de ombros.

–Só para garantir.

Falou enquanto mais uma vez grudava os lábios nos meus, e inclinava-se lentamente, deitando-me de novo contra o colchão. Meu coração batia muito forte em meu peito, conforme as mãos quentes do garoto, subiam por minhas extremidades geladas por conta do frio que estava lá fora, arrastando vagarosamente com seus dedos, a barra da minha blusa para cima, deixando minha barriga a mostra enquanto o tecido deslizava por minha pele gelada. Um sorriso se abriu no rosto do garoto, que nos fez separar o beijo, enquanto agora ele descia os lábios, escorregando por meu pescoço e alcançando o meu ombro e dando ali, um leve chupão, fazendo-me soltar um alto suspiro e rapidamente arregalar os olhos, tentando afasta-lo de mim, quando finalmente pude ver a mancha vermelha em minha pele.

–Nicholas!

–Ninguém vai ver, Sid. –Sorriu ele, satisfeito. –A não ser que tire a blusa por essa pessoa, então só eu verei. É exatamente essa a graça.

Falou ele em tom divertido enquanto voltava o beijo por meu pescoço, fazendo-me fechar os olhos lentamente para sentir melhor as carícias. Mesmo querendo eu não conseguiria ficar brava com ele naquele momento porque... Bem, Nicholas não estava dando espaço para eu fazer isso. Suas mãos arrastaram-se por minhas coxas, enquanto ele trava de preencher todo o meu pescoço com seus beijos. Meu corpo se dobrou pela sensação de suas mãos escorregarem por minhas coxas em direção a minha saia, que ele subiu lentamente, abrindo-me as pernas e se encaixando entre elas. Engoli em seco com a sensação que aquilo me trazia, Nicholas pressionou-se contra meu corpo, fazendo-me soltar mais um gemidinho como ele já esperava, e fazendo-o sorrir daquela forma sedutora que eu gostava. E eu estava ali, vendo Nicholas da forma como apenas algumas garotas viram, as garotas que foram boas o bastante para conquista-lo e ter algo sério com ele. Nicholas demonstrava completa maturidade por seu controle quanto os desejos. Com toda certeza do mundo, Nicholas não era o tipo de cara que apoiava sexo com prostitutas.

Pousando as mãos em minhas costas, senti meu corpo sendo puxado do colchão, na medida em que o garoto se sentava na cama e tratava para que eu ficasse em seu colo. Seu beijo agora em meus lábios novamente, tirou meu fôlego de forma tão absurda que minha sanidade encontrou-se no céu, e na terra apenas o meu corpo coberto pelo desejo. Com as mãos ágeis, separei nosso beijo, agarrando firme a camiseta que o garoto usava e com toda a minha vontade, arranquei-a do seu corpo, jogando no chão. Nicholas abriu um sorriso, beijando mais uma vez meu pescoço, mas agora eu estava sem paciência para isso. Eu queria ele o mais rápido possível e eu queria deixa-lo louco como ele estava me deixando. Eu sempre era a que se dobrava diante das carícias dele, e como uma vez já havia conseguido fazer, eu queria ser a que faria ele se dobrar. Com as mãos ágeis, beijei o pescoço do garoto, como ele havia feito comigo, puxando de leve seus cabelos, para que ele deixasse a área exposta para meus beijos. Com meu peso, inverti nossa posição, de forma com que ele se deitasse contra o colchão, e eu permanecesse em seu colo, curvada, tratando de arrancar alguns suspiros de seus lábios com as mordiscadas e beijos que desferia naquela área. Minhas mãos, como eu sempre quis fazer, tratavam de sentir cada mísero músculo da barriga trincada do garoto, se deliciando com a perfeição e rigidez do seu corpo, querendo cada vez mais tê-lo mais perto.

Abaixei-me em direção ao seu corpo, descendo os beijos lentamente, de seu pescoço para peitoral, descendo para o abdômen e cada vez mais para baixo, até alcançar o cós da calça, tratando de demorar bastante com os beijos e tentando parecer sexy. Enquanto fazia isso, usei de um poder que só eu teria naquele caso, arrastando minhas unhas longas pela lateral do seu corpo, conforme eu descia e arrancando alguns altos suspiros dos lábios do menino, que começava a ter a respiração alta e perder a atitude sexy e controlada que ele adorava usar para me enlouquecer. Nicholas me puxou com vontade para seu colo novamente, e sem desgrudar as costas do colchão, esticou os braços, arrancando minha blusa rapidamente, jogando-a no chão. Abri um sorriso por vê-lo perder a linha. Agora sim ele agia como um adolescente cheio de desejo e louco por aquela que estava diante dele, sem cerimonias, sem estratégias, apenas duas pessoas desfrutando de um momento instintivo.

Erguendo-se do colchão para alcançar meus lábios, Nicholas mergulhou-me em um beijo rápido e afobado enquanto com as mãos firmes, massageava meus seios, que apertava levemente com as mãos, caçando aos poucos o fecho do sutiã. Ao conseguir se livrar do pedaço de tecido, o garoto abaixou o rosto, inclinando-me para trás, para conseguir acesso aos seios que com vontade ele beijou e intercalou com leves chupões e mordidinhas causando em mim, alguns leves gemidos pela sensação maravilhosa.
Antes que eu pudesse reclamar por ele ter parado, Nicholas deitou-me contra o colchão, arrancando a saia que eu usava sem dificuldade e desabotoando o cinto do jeans que usava. Mordi o lábio observando-o por um momento, e impressionada com como aquele garoto poderia ser bonito daquele jeito. Mais uma vez me deu um longo e delicioso beijo nos lábios, e puxando minhas pernas para cada lado do seu corpo, pude sentir o volume pressionado contra mim, que fez de uma só vez meu estômago se embrulhar e uma onda deliciosa atravessar o meu corpo. Eu não acreditava no tamanho do desejo naquele momento, queria puxar Nicholas para mim, mas ele parecia não pensar muito, então esticando os braços com velocidade, abaixei os jeans do garoto, com ajuda das minhas pernas e finalmente, os olhos azuis se viraram em minha direção, passando uma mensagem que não fez sentido, mas todo sentido ao mesmo tempo. O brilho nos olhos de Nicholas eram mágicos e eu daria tudo para ver de novo. Meus cabelos estavam atrapalhados e ambas as respirações altas. Afastando-se de mim um pouco, as mãos do garoto escorregaram por minha cintura, puxando do meu corpo a flanela da calcinha que eu usava e se esticando em direção a sua cômoda, tirou um pacote de camisinha, ainda posicionado entre minhas pernas, para impedir que eu não as fechasse.

E então foi assim. Não houve um barulho de celular, campainha ou Skype. Não houve um sinal do pai ou de qualquer outra pessoa como das outras vezes. Nicholas e eu estávamos sozinhos e seria como era para ser. Inclinando-se em minha direção, o doce beijo invadiu meus lábios mais uma vez e uma onda maravilhosa atravessou o meu corpo. Não sei bem porque, mas assim que se desgrudou dos meus lábios, Nicholas deixou-me um doce e terno beijo na testa, antes de eu sentir com força, o garoto dentro de mim, fazendo escapar dos meus lábios, um alto e delicioso gemido que invadiu nossos ouvidos. Eu não sei porque a carícia terna havia sido tão linda e maravilhosa naquele momento, mas havia sido. Eu sentia meu coração bater forte, enquanto Nicholas tinha os braços fortes o sustentando para que conseguisse se mover onde estava. Agarrei suas costas, ficando as unhas ali, sentindo as ondas de prazer que me atravessava e a sensação maravilhosa que estava sentindo naquele momento. Os cabelos negros, os olhos azuis, o corpo musculoso que aos poucos se movimentava contra meu corpo. Talvez eu tivesse sim errada a principio e toda a minha vida defendi uma ideia completamente equivocada de tudo a minha volta: Nicholas não era mal, Jessica e o meu pai não queriam me destruir, Washington não era o inferno e minha vida não era uma desgraça. Aquele sufoco todo, apenas havia sido meu caminho demorado em direção ao paraíso.

(...)

–Você jura que já está pegando essa coisa de novo?

Abri um sorriso ao ouvir a reclamação de Nicholas, enquanto eu me abaixava para alcançar debaixo da cama, a bateria do meu celular que ele havia arremessado. Eu estava uma graça usando a camiseta de Nicholas que para mim ficava mais uma camisola do que uma blusa de verdade. Nicholas ainda estava deitado na cama, esparramado e imóvel mesmo depois dos cinco minutos de boa sensação que tivemos após alcançar o ápice. Eu como uma boa hiperativa não consegui ficar parada e isso pareceu divertir o garoto de cabelos atrapalhados ainda deitado.

–Eu não teria me levantado se não tivesse isolado a bateria do telefone. Não poderia simplesmente tê-la tirado?

–Jogar dava mais emoção.

Falou em tom divertido, fazendo-me dar risada. Com um geste Nicholas chamou-me para perto, e não neguei, me jogando na cama ao seu lado e apoiando a cabeça no peitoral do garoto, que lentamente acariciou meus cabelos ainda úmidos pelo suor com a respiração calma e satisfeita.

–Olha só, Christian me ligou.

–Me perdoe, menina popular.

–Eu sou a popular, né? –Dei risada enquanto revirava os olhos. Observei as chamadas perdidas, vendo só então como Nicholas era genial em ter se livrado do meu telefone. –Eu que fico impressionada pelo seu não tocar.

–Eu costumo deixar ele no silencioso quando tenho coisas mais importantes para fazer. –Sorriu. –Se é que me entende.

–Ah, eu entendo. –Revirei os olhos com uma risadinha, enquanto mais uma vez me levantava da cama e tirava a camisa do garoto do corpo, pronta para vestir de novo minhas roupas. –Eu entendo que o pai vai pirar também se chegar em casa e...

–Nossa... Olha o que eu achei.

Falou Nicholas tirando de uma da suas gavetas uma daquelas câmeras velhas Polaroids, que revelavam as fotos na hora. Virando-a para mim e antes que eu pudesse reagir, clicou no botão, fazendo uma luz forte sair dela e logo um papel escorregar por debaixo da câmera. Arregalei os olhos, espantada por ter minha primeira foto pornográfica. Corri em direção á Nicholas, tentando tirar o papel que aos poucos se relevava da sua mão.

–Me dá isso!

–Você é tão linda... Deveria tirar mais fotos dessas.

Sorriu em tom divertido. Dei risada depois de enganando-o conseguir tirar o papel das suas mãos. Nicholas protestou, enquanto eu me sentava em seu colo, e olhava para a foto que havia sido revelada. Revirei os olhos e balancei a cabeça negativamente, enquanto me abaixava para lhe dar um selinho. Rasguei o papel em alguns pedaços, enquanto abria um sorriso.

–Elogios não te ajudam. Vai ter que se contentar com a memória.

–Posso viver com isso.

Deu de ombros, fazendo-me alargar o sorriso e agarrar a máquina de suas mãos. Nicholas protestou de novo.

–Deixe-me ver isso.

Falei enquanto ficava de pé na cama e mirava a câmera na direção do garoto deitado ali. Abri um sorriso enquanto apertava o botão e via o flash sair. Nicholas fez uma careta em seguida pela luz forte. Peguei o papel que escorreu tempo depois.

–Não fique gastando folha com fotos atoa.

–Cale a boca, você é o modelo aqui. –Falei em tom divertido enquanto via a imagem se relevar aos poucos. Ali estava. Os cabelos negros, os olhos azuis, os traços perfeitos. Não pude deixar de sorrir com a ótima foto que havia tirado. –Essa vai ficar comigo.

–Não é justo. Você rasgou a minha.

–Não preciso comentar, preciso?

Ergui uma sobrancelha em tom divertido. Nicholas deu de ombros, puxando-me pelas pernas e fazendo-me cair em seu colo novamente. Abriu um sorriso, enquanto lentamente aproximava o rosto do meu e grudava nossos lábios mais uma vez em um doce beijo. Olhei-o por um momento assim que fomos separados. Nicholas fazia uma careta de incomodado, como se quisesse falar alguma coisa que segurava há um certo tempo. Abri um sorriso com sua expressão exagerada propositalmente.

–Então Sid, eu tenho uma dúvida que não consigo tirar da cabeça.

Falou em seu tom brincalhão. Ergui uma sobrancelha já esperando o que viria. Dei uma risadinha.

–O quê foi?

–Podemos chamar o que temos de incesto agora?

Uma risadinha escapou dos meus lábios, enquanto eu saía de cima do garoto e em passos rápidos recolhia minhas roupas que estavam no chão. Tudo o que eu precisava naquele momento era um bom banho e uma deliciosa cachoeira de água quente para relaxar... Quem sabe até mesmo um banho de banheira. Colocando minhas roupas novamente, assim que ergui o zíper da saia para fechar, um barulho de motor pode ser ouvido e logo as vozes que vinham da garagem. Os olhos de Nicholas se arregalaram e antes que qualquer um de nós pudesse pensar em alguma coisa, joguei-me para fora do quarto, correndo em direção ao meu e com toda a minha velocidade me tranquei no banheiro. Nem me preocupei em colocar a regata quando os passos se aproximaram. Arranquei as roupas do meu corpo e ligando o chuveiro, esperei fazer o maior barulho possível de que eu estava no banho e rezei para que Nicholas conseguisse botar o quarto dele em ordem. Logo pude ouvir duas batidas na porta, e a voz masculina que eu já conhecia.

–Sidney, está tudo bem?

–Sim pai, estou no banho!

Exclamei tentando não demonstrar o susto que tomei. Assim que responder, pude ouvi-lo também dizer.

–Tudo bem. Me conte depois como foi o dia, Jessica e eu já estamos em casa.

Bem, disso eu sabia. E era por causa deles que eu quase havia tido um ataque cardíaco.

Depois de tomar um bom banho e ter todos os meus músculos relaxados e deliciados pela água quente, coloquei uma roupa mais confortável para que eu pudesse ficar em casa no friozinho que fazia de noite e sequei os cabelos, saindo do meu quarto logo em seguida. Pude ouvir conversas vindo do andar de baixo, então resolvi descer também, em parte porque não queria dormir ainda e em parte porque queria ficar um pouco com meu pai, mas se alguém um dia suspeitasse disso, eu negaria tudo.

A imagem que peguei diante de mim, foi uma coisa bonita e devastadora ao mesmo tempo. Ali, sentados no sofá estavam meu pai, Nicholas e Jessica, os três de frente pra a televisão, conversando e dando risadas enquanto passava um filme famosinho. Eu acho que aquele era um dos “Esqueceram de Mim” em que o garotinho protegia a casa de alguns ladrões que tentavam entrar. Uma comédia clássica, mas que eu nunca havia visto por inteiro. Papai havia perguntado alguma coisa para Nicholas sobre os jogos que teriam e se ele estava animado com a volta para o colégio, Nicholas disse que sim e que mal podia esperar para enfrentar o pessoal da West, que ia colocar os Lions no chão e coisas do tipo. Eu francamente, imaginava que James estaria no mesmo clima que Nicholas naquele momento, e a forma como papai se interessava no que ele falava, fazia meu peito doer. Eles eram uma família, uma família como aquelas que vemos em filmes, novelas e seriados, famílias com problemas e com horas só para eles. E tinha eu, é claro. Eu não sabia o que eu era, mas eu definitivamente não estava incluída no espaço, e o que mais me doía, era porque eu não queria. Nunca larguei da ideia de meu pai ser um traidor, nunca larguei da ideia da minha mãe ser minha única família... Mas talvez, assim como todas as minhas ideias de vida, essa também estivesse errado. Meu pai estava ali me acolhendo quando minha mãe tentou me abandonar. Tentou me matar. Será que todo mundo na minha vida ia me abandonar? E eu estava simplesmente fugindo da chance que eu tinha de ser feliz. De ser adolescente.

Um sorriso se abriu em meu rosto quando vi Jessica puxando Nicholas para perto e lhe dando vários beijos no rosto, fazendo-o protestar. Eu não queria interromper, enquanto dando alguns passos para trás, tentei recuar, mas acabei sendo notada. Papai virou os olhos em minha direção e logo Nicholas fez o mesmo, assim como Jessica e os três abriram um sorriso para mim. Dei um sorrisinho amarelo, enquanto meu pai acenava para que eu me juntasse a eles. Senti meu coração disparar.

–Venha filha, estamos assistindo um filme e conversando um pouco.

Dessa vez eu não fugi. Assenti e em passos hesitantes caminhei em direção a eles, me sentando em uma brecha no sofá que abriram para mim, conseguindo abrigar sem problemas nós quatro, sem excluir qualquer um de nós. Umedeci os lábios com a língua enquanto observava o assunto que deixava meu pai cada vez mais orgulhoso. Pelo jeito Nicholas era uma estrela no futebol e isso parecia ser a grande felicidade do papai.

–Vocês com certeza vão ser campeões esse ano, você é o capitão! –Exclamou papai contente, fazendo Nicholas dar uma risadinha. –Acabe com aqueles perdedores da West! Faça como eu fiz no meu terceiro ano também. O esporte está no nosso sangue, filho. Os Mckibben são campeões.

Mentira. Eu era uma Mckibben e não era campeã em porra nenhuma. Talvez a vitória estivesse no gene Y sexual... Eu era uma verdadeira pata em esportes e isso era nítido para quem quisesse ver. Na única vez que havia pegado em uma bola de basquete, acabei com duas faltas, um jogo perdido e um dedo luxado.

–Me diga então, senhorita Mckibben. Vai entrar para algum time no colégio?

Perguntou Nicholas com um sorriso no rosto. Obrigada Nicholas. Quis grunhir, mas como ele ia saber que eu não sabia jogar? No mínimo estava querendo me incluir na conversa e isso era fofo o bastante... Mas não havia me ajudado muito.

–Hm... Eu não sei nem que jogos tem no colégio.

Falei tentando desviar o foco de mim. Nicholas franziu a testa, com um sorriso no rosto.

–Temos muitos esportes diferentes lá. Acho que você se daria bem no time de vôlei, as meninas lá iam curtir você.

–Ou então líder de torcida! –Sorriu Jessica, animada. –Eu era uma líder de torcida no colegial também.

–Você uma líder, não tem Nicholas? –Sorriu papai. –Felícia, não é?

–Sidney conheceu a Felícia, não é?

Contou Nicholas em tom animado. Sorri assentindo. Felícia era um amor, mas ser líder de torcida com certeza não era algo para mim. Jessica alisou meus cabelos de forma carinhosa, abri um sorriso sem graça tentando deixar de ser monossilábica.

–Sim, ela é bem bacana.

–As aulas começam em duas semanas, devem estar animados! –Sorriu Jessica em tom alegre. –Matriculamos você nessa manhã também, Sid! Tenho certeza que vai se dar muito bem e...

–Oi? –Perguntei surpresa por não terem me perguntado se eu queria realmente estudar na escola de Nicholas. Eu queria estudar com Felicity e com Chris! Não na escola de mauricinhos! –Como... Me matricularam? O quê?

–Algum problema, filha? –Papai franziu a testa, exatamente como Nicholas fez. Deus! Eles eram assombrosamente parecidos! –Pensamos que queria ficar com seu irmão no colégio, será tudo mais fácil...

–Não pai! –Exclamei em tom decepcionado. –Eu não queria ir para P. J. Kennedy.

Soltei um longo suspiro. Bem, escolher a escola para onde eu queria ir, sempre foi uma incógnita para mim, mas... Pensando bem agora, em como seria ter que entrar em um lugar com pessoas novas e ter que fazer novos amigos sem Felly e Chris, era quase desesperador para mim. Eu não ia sobreviver.

–Por que, querida?

Perguntou Jessica confusa. Mordi o lábio em uma careta.

–Os meus amigos são todos de outra escola. Vão ficar decepcionados comigo!

–Quer ir com seus amiguinhos da West? É isso?

Perguntou Nicholas em tom um pouco mais alterado do que meu pai e Jessica, ele parecia não ter ficado muito contente com minha reclamação... Na verdade ele não estava nada contente com minha reclamação, e assim que meu pai ouviu o que Nicholas disse, juntou-se ao clubinho “Todos Odeiam Sidney”.

–West? Quer ir com os Lions? Está louca Sidney? Nossa tradição de família é odiá-los! Somos todos Titãs aqui! Vai torcer contra o seu irmão?

Meus olhos caíram em Nicholas e logo senti meu peito arder. Que babaca, por que tinha que tocar no assunto? Eu queria soca-lo. Papai sequer sabia que meus amigos eram da West, por que Nicholas tinha que estragar minha chance de mudar de colégio? Bufei olhando feio para o moreno. Eu queria arrancar todos os seus dentes com meu punho.

–Meus amigos são de lá. –Resmunguei. –E não me importo com esportes, não gosto deles.

–Acho que uma Mckibben não é campeã então.

Nicholas ergueu uma sobrancelha em tom provocativo. Papai pareceu se dar conta do início de briga e resolveu recuar com a sua bronca. Olhou para Nicholas balançando a cabeça negativamente, pelo menos agora ele estava me defendendo.

–Sua irmã é uma campeã, sim. Uma grande artista, todos sabemos disso. Todos temos jeitos de ser campeões.

–Vai deixa-la ir para a West High School?

Perguntou Nicholas, em tom baixo que usava sempre para falar com meu pai, sempre respeitoso.

–Não, eu não vou.

–Argh! –Grunhi irritada. Ao contrário de Nicholas, eu não era a filha perfeita. –Pai! É só um colégio.

–É uma tradição, Sidney. Não!

–Mas são meus amigos!

–Vai ser a ovelha negra, Sidney?

Perguntou Nicholas em tom irritante. Ergui uma sobrancelha para ele, sentindo meu rosto esquentar.

–Prefiro ser ovelha negra do que torcer para seu time. Vou adorar ver James te colocar no chão.

Pude ver o fogo nos olhos do meu irmão e logo me arrependi de dizer o que eu tinha dito. Antes que Nicholas pudesse dizer qualquer coisa, graças a Deus papai foi mais rápido e interrompeu-nos entrando na frente, com uma exclamação que chamou nossa atenção.

–Chega! Parem de brigar e Sidney, você vai para a Kennedy sim.

–Você vai adorar o lugar, querida. –Jessica tentou me confortar. –Vai fazer vários amigos.

–Pode ter seus amigos na West, isso não é problema, filha. –Papai falou tentando fazer-me olhar para ele. –Mas terá que passar algumas horas da sua semana na escola em que todos nós estudamos. Tudo bem?

–Sim...

Desisti por fim, soltando um longo suspiro. Eu não estava nem aí para os Lions, Titãs, eu não dava a mínima para tradições ou espírito escolar. Eu só queria ficar perto dos meus amigos. Mas eu tinha que aceitar. Estava tudo numa boa antes de eu aparecer e agora Nicholas e eu já havíamos discutido. Ótimo. Meu irmão tinha os braços cruzados e olhava revoltado para a televisão como uma criança.

–Quando começam os treinos, filho?

Jessica tirou o foco da conversa de mim, graças a Deus, distraindo também Nicholas de seu ódio mortal por mim e minha frase infeliz. Nicholas olhou para a mãe e logo em seguida deu de ombros. Um leve sorriso se abriu em seu rosto.

–Semana que vem, mãe.

–E Bryan vem para a casa?

–Provavelmente.

Franziu a testa, confuso. Jessica assentiu com um sorrisinho.

–Fale para ele mandar um beijo para a mãe dele. E será que pode pedir para ele entregar a ela o meu novo telefone? Acabei perdendo o número da Sally.

–Sem problemas.

Nicholas assentiu com um sorrisinho enquanto voltava-se para a televisão. Jessica me abriu um sorriso animado, dando-me uma cutucadinha. Olhei para ela tentando não parecer antipática, eu estava começando a aceitar o jeito animadinho da mulher.

–Bryan é uma graça de garoto, tem que ver. Tão bonito...

Abri um sorriso assentindo com o que ouvi, enquanto via Nicholas olhar-nos de canto de olho, enquanto Jessica tentava me arranjar para um dos amigos de Nicholas. Dei uma risadinha com o pensamento. Nicholas mudou de posição desconfortável no sofá, abrindo um sorriso completamente simpático. Queria que ele tivesse ficado enciumado com o comentário, mas não ficou. E se ficou, não deixou transparecer.

–Ela já conheceu Bryan, mãe.

–Ele é uma gracinha, não é?

Insistiu Jessica. Dei uma risadinha assentindo novamente.

–Sim, ele é.

–Vou falar para ele.

Brincou Nicholas, fazendo Jessica dar risada novamente. Papai olhou para nós três com um olhar brincalhão, assim como o de Nicholas, mas com uma expressão desgostosa exagerada. Fez uma careta.

–Pare de tentar arrumar um namorado para minha garotinha.

–Ora, Robert. –Jessica sorriu em tom divertido. –Sidney é uma moça e muito bonita. Você pode se preparar para receber namorados dela em casa.

Abri um sorriso para Jessica e então meus olhos se cruzaram com os de Nicholas, onde tivemos um certo entendimento e um sorrisinho sem exibir os dentes se abriu em ambos os rostos. Nicholas não pareceu se preocupar de forma alguma com algum comentário de Jessica, ele só parecia estar achando tanta graça quanto a gente. Não posso dizer que amei isso, eu preferia que ele tivesse ficado emburrado e irritado pela mãe querer me arranjar um namorado que não ele, mas não me importei. Eu tinha que aprender a lidar com as pessoas e não transforma-las no que eu gosto, mamãe sempre me dizia isso. A verdade era que eu não sabia se estava pronta para lidar com uma situação como aquela. Eu estava apaixonada por Nicholas, muito. Eu estava apaixonada pelo meu irmão e não me imaginava com mais ninguém. Isso era terrível, pois dessa forma, meu trato com Nicholas se tornaria eterno, e ambos estaríamos presos em um romance proibido para o resto de nossas vidas, o que era um pensamento desesperador. Mas não tentei pensar nisso naquele momento. Eu tinha um filme diante de mim, uma conversa descontraída e pessoas com quem dar risada.

Não demorou muito tempo após o fim do filme, para meu pai e Jessica irem dormir e depois cada um se retirar para o seu quarto. A noite estava estrelada e já era tarde. Mesmo não indo para a escola que eu queria, eu me sentia feliz. Na verdade, meu dia havia sido tão bom, que nada poderia estragar. Primeiro Nicholas, depois meu pai e Jessica. Pela primeira vez eu me sentei em um sofá, e consegui fazer parte de um diálogo com mais de três pessoas e havia sido perfeito. Com um sorriso agarrei a foto de Nicholas que havia tirado mais cedo e olhei bem para o rosto na imagem, o rosto que fazia o meu coração disparar só com o olhar. Pela primeira vez eu me senti em uma família completa, e gostei disso. Gostei de dar risada com eles e até mesmo discutir. Pela primeira vez desde que cheguei, não me senti uma intrusa e sim um membro da família. Talvez papai estivesse certo o tempo todo. Talvez o inferno só existia, porque nós o criamos. Ao abrir as portas eu vi que o mundo poderia ser muito mais fácil, muito melhor e mais agradável. Olhando em minhas mãos eu via uma imagem que simbolizava tudo isso, simbolizava o que era bom e que podia simplesmente acabar, mas eu não queria. A imagem que com os olhos azuis fazia meu coração acelerar e com o sorriso ele parar. A pessoa que era minha salvação, e ao mesmo tempo minha perdição.


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Notas finais
E aí?