Você De Novo?
22 Cara ou Coroa?
Notas iniciais
Meio período no inferno – Dia 55
Eu não imaginava como seria o meu primeiro dia no inferno. No inferno por que? Simples. Eu não havia feito tanto drama da situação, porque a ideia de ter um irmão e alguns amigos dele em uma sala acima da minha, poderia me dar um lugar para sentar no refeitório, pelo menos ter alguém para conversar nos meus primeiros dias, mas... Bem, depois da minha última conversa com Nicholas, eu imaginava que a sua vontade de olhar em minha cara era tão grande quanto a que eu sentia. Eu ainda tremia e sentia meus olhos arderem com o que havia acontecido no dia anterior. Eu nunca havia visto Nicholas tão bravo daquela forma, e só para melhorar as coisas, agora eu era namorada oficial do seu pior inimigo. Ele deveria me odiar, e por mais que a ideia me matasse, não movi um dedo sequer para mudar aquilo. Minha cota com as babaquices de Nicholas já havia chegado ao máximo e eu não estava disposta a arriscar mais, mesmo que eu me contorcesse só de pensar nisso.
Eu não estava animada. Vesti meus jeans surrados e uma camisa de uma banda que teve que bastar. Eu senti preguiça de me arrumar ou fazer qualquer coisa. Eu só queria ir para aquela escola particular de mauricinhos e voltar o quanto antes. Eu queria assassinar Bryan por ter me dedurado para Nicholas, mesmo sabendo que eu havia provocado aquilo. Eu tentava achar culpados para aquela briga toda, mas o culpado não era Nicholas, não era Bryan, James, Chris ou Felicity. Eu havia causado aquilo. A culpa era inteiramente e exclusivamente minha. Eu calcei meus all Stars e desci as escadas em passos lentos, mal suportando o peso da bolsa em meu ombro. Eu não acreditava que as férias haviam acabado. Era tão depressivo...
–Bom dia, Sid! Animada para o primeiro dia de aula?
Perguntou Jessica em um tom puramente inocente enquanto eu abria um sorriso desanimado. Despenquei na mesa, recebendo os olhares curiosos do meu pai, e sentindo meu peito doer por Nicholas sequer olhar para a minha face.
–Acho que sim.
Menti, comendo um pedaço da panqueca, mas sem vontade. Mais uma vez recebi os olhares estranhos do meu pai.
–Eu prometo que vai adorar o lugar, filha. Vai se enturmar assim como o seu irmão. Certo Nicholas?
–Sim, pai.
Respondeu o garoto olhando-me por um curto momento de tempo e logo voltando toda a sua atenção para o copo de suco de laranja. O olhar de meio segundo que Nicholas havia me dado quebrou meu coração de tal forma, que qualquer apetite que eu não tinha, sumiu ainda mais. Engoli em seco, bebendo um copo de suco. O clima na cozinha era tenso.
–Eu aposto que vai fazer muitos amigos.
Continuou com um sorriso enquanto Jessica caminhava até o meu lado. Franziu a testa ao olhar para o meu prato.
–Não gostou das panquecas?
–Não... –Sorri. –Estão deliciosas.
–O que houve, filha? –Perguntou meu pai, preocupado. –Panquecas são as suas preferidas.
–Eu sei... –Comentei abrindo um sorriso sem graça para os dois. –Eu só não estou com fome.
–Mas você tem que se alimentar, querida. –Falou Jessica. –O café é a refeição mais importante e só vai comer de novo no almoço da escola.
–Eu vou ficar bem. –Garanti, tomando o resto do suco e me colocando de pé em segunda. Sorri. –Com licença.
–Onde vai?
Perguntou meu pai, franzindo a testa. Dei de ombros.
–Pegar o ônibus escolar...
–Nicholas te leva.
Comentou. Senti uma pontada na boca do estômago e balancei a cabeça negativamente. Forcei um sorriso.
–Não se preocupem, eu...
–Não seja ridícula, Sidney... –Dessa vez foi a voz de Nicholas que soou, sem um pingo de emoção, completamente indiferente e desanimada. –Estamos indo ao mesmo lugar. Eu posso te dar uma carona.
Meus olhos procuraram os seus e mais uma vez não pude ler a sua expressão. Assentindo e deixando escapar um curto suspiro, vi Nicholas abraçar nosso pai e beijar o rosto da sua mãe, passando para fora da cozinha. Eu não queria segui-lo, minha vontade naquele momento era correr, mas eu sabia que se fizesse isso, deixaria aos nossos “pais” a suspeita de que havia algo errado. Jessica abraçou-me forte, e com um sorriso, retribui o abraço, dessa vez o achando confortável. A loira abriu um sorriso.
–Tenha um ótimo dia, querida.
Papai se levantou e depositou um beijo em minha testa, fazendo-me corar um pouco. Baixei os olhares.
–Não é meu primeiro dia na pré-escola ou coisa do tipo...
Falei um tanto envergonhada, coisa que os fez rir. Abracei meu pai e então acenei para ambos que responderam. Não era o meu primeiro dia na pré-escola, mas eu me sentia como se fosse. Prendi a respiração.
–Até mais tarde.
Falei para então, apertando a bolsa contra meu corpo, caminhar em direção a porta, onde Nicholas já ligava o carro do pai. Eu caminhei em direção a porta, mas não entrei. Apenas olhei pela janela e apontei para o lado, dizendo que iria para o ponto de ônibus, mas Nicholas acenou em protesto para que eu entrasse no carro. Completamente confusa, resolvi obedecer. Abri a porta do passageiro e me sentei no banco, colocando o cinto e ficando em silêncio. Eu pensei que ele teria algo a dizer, que ele discutiria ou algo do tipo, mas para a minha surpresa, não aconteceu. Tudo o que o garoto fez foi ficar em silêncio... E essa foi a única coisa que aconteceu, até que o carro parou na frente do enorme prédio onde era a escola.
Desci do carro e olhei para cima, completamente perdida por aquela escola ser pelo menos o dobro da minha do Texas. Engolindo em seco, caminhei em passos lentos em direção a porta, sem saber se Nicholas estava atrás de mim ou não. Com ou sem ele, eu estava sozinha e aquela era a verdade. Eu tinha que sobreviver ser a aluna nova, e tentar não morrer em um colégio cheio de estranhos. Qual mesmo era o número do meu armário? Merda.
Meus passos tímidos me guiaram pelo corredor, enquanto eu tomava cuidado para não ser atropelada pela multidão que passava. Haviam meninas muito bem vestidas, outras rindo em volta de fotos de uma boyband e alguns garotos com livros ou bolas de futebol americano nas mãos. Algumas outras garotas andavam juntas e riam, todas pareciam em um grupo fechado, como se esfregassem na minha cara que eu não era boa o suficiente para me integrar a nenhum deles. Olhei em volta tentando descobrir onde era a diretoria, eu tinha o número do meu armário em minha bolsa, mas estava muito difícil de alcançar. Meus olhos pararam até o fim do corredor e então vi um rosto conhecido acenar para mim, o que mandou uma sensação de alívio maravilhosa. Felícia caminhou até onde eu estava e com um sorriso me cumprimentou.
–Sidney!
–Oi Felícia! –Falei com um sorriso. –Quanto tempo.
–Pois é! –Sorriu a menina. –Bem-Vinda ao colégio! Como vai até agora?
Um desastre.
–Um pouco confusa... –Comentei. –Eu esqueci qual é o meu armário.
–Ah... –Felícia franziu a testa, parecendo procurar alguém. Assim que pareceu achar, parou um garoto com uma prancheta que passava por nós. –Sidney, esse é Pablo. Pablo é o ajudante da monitoria. Ele tem todos os dados dos alunos novos.
–Oi.
Falou Pablo com um sorriso. Acenei em resposta.
–Sidney não tem o número do armário dela. Pode pegar, por favor.
–Ah sim! –Assentiu. –Sidney...
–McKibben.
Falei fazendo o garoto parar para me analisar por um momento. Um sorriso se abriu em seu rosto.
–Você é a irmã do Nicholas! –Comentou, parecendo animado. Ergueu a mão me cumprimentando. –Bem-vinda! Vai adorar o colégio.
–Obrigada.
Sorri. Felícia deu uma risadinha revirando os olhos para o garoto.
–De em cima dela depois...
–Muito engraçado. –O menino sorriu, balançando a cabeça negativamente. Seus olhos pararam no papel parecendo procurar pelo meu nome. –Aqui está! O número do seu armário é 579.
–Sabe onde fica isso?
–Não... –Comentei. –Mas não se preocupe. Eu encontro. Obrigada, Pablo.
O garoto assentiu, acenando e então retomando o seu caminho. Felícia pousou as mãos na cintura, como se estivesse indignada por alguma razão.
–Onde está Nicholas, aquele irmão desnaturado? Te largou assim na escola?
Dei de ombros. Ah como eu queria que as coisas fossem mais simples... Sorri para a morena.
–Obrigada pela ajuda, Feli...
–Ei. –A menina chamou a minha atenção. –Eu te levo lá. É no andar de cima.
–Ahn... Não precisa.
–Vamos logo, Sid! –Sorriu enquanto fechava o seu armário e agarrava os livros, caminhando em direção a escada. –A escola é grande mesmo, é difícil encontrar as coisas aqui, para quem não conhece.
–Ah... Obrigada por me guiar.
Falei em um tom brincalhão, fazendo a garota assentir.
–Quando ver Nicholas, vou dar algumas palmadas naquele menino. Está ansiosa pelo início das aulas?
–Não muito. –Admiti. –Quem gosta de acordar cedo todos os dias e estudar?
–Você tem um ponto! –Riu a garota. –Mas tem algumas coisas legais para fazer por aqui. Na verdade a seleção pras líderes de torcida é hoje, se estiver interessada. Seria legal você entrar pro time.
E torcer para Nicholas? Não, obrigada.
–Não acho que eu faça o tipo de líderes de torcida. –Menti. –Talvez algum esporte...
–É boa em esportes?
–Não...
–Que bom, nem a escola!
Brincou fazendo-me rir. Ergui uma sobrancelha.
–Não foi o que ouvi...
–Ah não! –Sorriu. –O time de futebol masculino daqui é muito bom. E as meninas do basquete são geniais, mas isso é tudo. Os esportes não são o forte da escola.
–Ah sim...
Assenti enquanto a menina parava em frente ao armário. Abri um sorriso ao reconhecer o número.
–Prontinho.
–Muito obrigada por me trazer, Feli.
–Não se preocupe, Sid! Qualquer coisa é só chamar, ok?
–Ok!
Sorri enquanto a menina acenava. Olhei para o cadeado aberto e puxando a porta, tirei de lá os horários das minhas aulas. Um longo suspiro saltou dos meus lábios. Eu havia acabado de perceber que aquele seria um longo dia.
(...)
–Sidney!
A voz chamou meu nome, antes que eu pudesse fugir pela porta da frente. Eu estava andando em passos rápidos quando o sinal da última aula tocou. Eu havia conhecido uma ou duas pessoas interessantes, fora algumas centenas de garotas que haviam vindo falar comigo porque eu era a gloriosa irmã de Nicholas McKibben. Depois de um tempo eu queria que os professores parassem de falar o meu sobrenome da lista de chamada, seria bem mais fácil. Quando a última aula havia acabado, tudo o que eu queria era ir pra casa. Eu sabia que se tivesse dado mais abertura para as pessoas, eu teria conhecido muito mais gente, mas eu simplesmente não queria isso. Naquele momento eu sentia falta da minha escola do Texas, com todos os meus amigos, e é claro, sem Nicholas. Queria poder levar Chris e Felicity no bolso, ir e nunca mais voltar. A ideia era mais do que maravilhosa.
James havia me mandado uma mensagem na penúltima aula perguntando se eu queria fazer algo depois da escola, e eu havia dito que não sabia. Eu estava morta e queria ir para casa dormir, ou então fazer algo com Chris e Felly, de quem já morria de saudades. Eu estava doida para fazer algo que eu realmente queria fazer, mas antes que pudesse sair do colégio, a voz me chamou, tirando a minha atenção. Felícia sorria para mim e corria em minha direção, com dois pompons nas mãos. Ela estava vestida em um lindo uniforme azul e amarelo de líder de torcida, e tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo.
–Sid! Que bom que eu te achei! Vamos fazer o teste, vai?
–Não da Feli. –Falei em um tom triste, fingido. –Eu vou sair com o meu namorado agora.
Avisei, fazendo a garota fazer um bico, aparentando estar triste. Deu uma risadinha em seguida.
–Nicholas nunca disse que você namorava...
–É meio que uma coisa nova.
Dei de ombros, Felícia sorriu, assentindo.
–Ah... Tudo bem então. Bem! Se quiser entrar para o grupo de torcida, avise, ok?
–Ok.
–Até, Sid!
–Até.
Acenei para a garota, lhe dando as costas. Caminhei mais alguns passos e um grito saiu da minha boca. Sem que eu percebesse, uma mão agarrou meu pulso, e no próximo instante que reparei, fui puxada para dentro de uma das salas de estudo vazias, mas antes que eu pudesse fazer algum barulho, uma mão tampou a minha boca. Meus batimentos desaceleraram quando reconheci a pessoa, mas logo aceleraram de novo quando percebi que era Nicholas. Meu irmão me fitava com os olhos azuis em desaprovação. O que agora?
–Onde você vai?
–Embora..?
Respondi em um tom obvio, fazendo o garoto estreitar os olhos e erguer uma sobrancelha para mim. Olhei para o moreno, confusa.
–Por que não está fazendo o teste para as líderes de torcida?
–Porque eu não quero fazer.
Respondi um tanto inconformada por saber que Felícia só insistiu tanto no assunto porque provavelmente Nicholas havia pedido. Felícia era um doce de pessoa e eu sabia que gostava de mim, mas eu também sabia que ela não precisava de mim no time de torcida.
–Poxa, Sidney. Assim você não ajuda. Não está se enturmando porque não quer.
–Eu não preciso disso. –Revirei os olhos. –Vou pedir para o pai me mudar de escola no próximo bimestre.
Deixei escapar, coisa que apenas intensificou os olhares de desaprovação do meu irmão para mim. Nicholas estava vestido na jaqueta do time de futebol, azul e amarela como a de Feli, escrita “Titãs” no peito coisa que o deixava mais gato do que nunca. Tentei focar a minha mente em qualquer outro lugar que não fosse meu desejo de sair correndo. Prendi a respiração. Nicholas cerrou um punho, levando uma mão ao rosto.
–Você. Não. Vai. Mudar.
Falou pausadamente. Franzi a testa com a sua fala.
–Por que não?
–Porque não vamos ter uma lion em casa! Eu não vou ter uma lion irmã! Muito menos uma lion namorada.
Meu coração disparou. O quê? Nicholas não pareceu se dar conta do que havia falado, então tudo o que eu fiz foi baixar os olhos e deixar a minha mente se concentrar mais uma vez. Namorada? Queria eu...
–Meu namorado é um lion, querendo ou não... Eu quero ficar com ele. E com Felly. E com Chris.
–N...Namorado? –Nicholas gaguejou. –Está namorando o Velasquez?!
–Sim, Nicholas! Supere isso. –Revirei os olhos. –Já foi.
–Não! Não foi. –Reclamou meu irmão, puxando-me para perto. Arregalei os olhos para ver se alguém se aproximava, mas a sala estava vazia e a porta encostada. Senti meu coração acelerar. –Sidney por que está me castigando?
–Eu não estou. -Falei firme, afastando-o de mim. O moreno não ousou afrouxar o aperto dos braços. –Eu... Nicholas, me solte. –Pedi, mas não funcionou. –Eu não estou te castigando. Eu só arrumei um namorado.
–Mas por que ele? –Insistiu. –Por que James?
–Porque... –Me interrompi, sentindo-me embriagada com aquele perfume que eu tanto amava. Eu me forçava a tentar me soltar. –Porque eu gosto dele. Ele é o irmão da minha melhor amiga, eu o vejo o tempo todo e ele é uma pessoa boa.
–Certo...
Falou em tom descrente. Revirei os olhos.
–É sério. James não é um cara ruim.
–Enxergue, Sidney. Ele está com você só para me irritar.
–Ou... –Comecei, tentando o empurrar para longe. -...Ele realmente goste de mim. Por que é tão difícil acreditar nisso? Só porque você não deu valor, não significa que outra pessoa não possa dar.
–O quê?
Perguntou Nicholas, afrouxando os braços de uma vez, e quase fazendo-me cair, quando me impulsionei contra a sua força, que não existia no momento. Cambaleei, mas consegui me manter de pé. Respirei fundo.
–Eu acho que ele talvez goste de mim.
–James é um galinha.
–Eu sei... Mas ele pode ter mudado.
–Acha que eu não gosto de você? –Senti a minha pressão cair com as palavras. Os olhos de Nicholas fitavam-me firmes e só isso fez com que eu sentisse minhas pernas em consistência de gelatina. Engoli em seco. Meu coração estava a mil e um. –Sidney, eu amo você? Que história é essa de não dar valor?
–Você parece mais irritado com o fato de eu estar com James do que James estar comigo. Eu até diria que tem um sentimento gay por ele.
–Nunca mais repita isso. –O moreno franziu a testa. –Eu odeio você por estar com James. –Assentiu. –Mas seja qual fosse o cara, o sentimento seria o mesmo. Eu já disse que estava só seguindo o combinado. Se você achasse alguém...
–Então por que não, James?
Perguntei impaciente. Nicholas bufou.
–Porque ele é o cara que eu mais odeio! O que pensaria de mim se eu ficasse com a garota que você tem ódio por? Porra, Sidney! Já basta perder você para outro cara! Perder você para James é um nível maior de tortura.
–Nicholas...
–Por favor... –Meu irmão falou em tom baixo enquanto se aproximava de mim. Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, aproximando o rosto do meu. Eu pensei em desviar, mas me senti congelada. –Eu sei que as vezes não dou atenção suficiente para você, mas eu tinha que treinar para os jogos de abertura. Sidney, fique comigo... Eu te amo, e por mais que você fale tanto do James, eu sei que me ama também. Pelo menos só um pouco. Fique aqui... Não vá com ele.
Os lábios do moreno se aproximavam dos meus na medida em que ele falava e logo os meus olhos já estavam se fechando para receber um beijo. Uma das mãos de Nicholas se arrastou por minhas costas lentamente enquanto ele puxava o meu corpo bem de vagar contra o seu, como em uma espécie de hipnose. O meu coração batia forte com o seu discurso e quanto mais Nicholas se aproximava, mais perto eu ficava de um ataque cardíaco. O seu toque quente, o seu hálito fresco, cheiro maravilhoso, tudo me envolvia de tal forma que era quase mágica... Mas antes que os lábios quase tomaram os meus, eu retomei a memória de que agora estava em um compromisso, e por mais que não fosse James quem eu amasse, eu não estava disposta a uma traição.
Me afastei de Nicholas, ganhando um olhar totalmente confuso e totalmente impotente soltei um longo sorriso. O garoto pareceu tão impotente quanto eu quando me ouviu dizer:
–Me desculpe, Nicholas. Por mais que eu te ame, acabou.
Os olhos do meu irmão estavam mergulhados na mais pura tristeza e quando me virei, senti sua mão mais uma vez tocar o meu pulso. Ao olhar para a sua face, senti um pedaço meu ser arrancado. O rosto maravilhoso estava contorcido em uma expressão de dor, e os olhos azuis estavam um tanto mareados. Nicholas suspirou.
–Maldito momento em que decidi fazer esse combinado. Eu estou o quebrando, Sidney. Eu não quero você com outro cara qualquer, eu quero você comigo. Só comigo, por favor. Eu... Você faz com que eu me sinta... Como nunca. Eu nunca senti isso, esse aperto no peito por garota alguma senão você. Eu estou te implorando: Por favor, fica comigo.
–Eu não posso. –Senti meu corpo se quebrar em um milhão de pedaços e um tom choroso sair em minha voz. Meu coração estava partido com o seu discurso e eu me sentia sem chão. Eu queria tanto aperta-lo em meus braços, mas tudo isso nos levaria a uma estaca zero. Eu e Nicholas sendo segredo. Aquilo me torturava. Só de pensar que eu estava lhe dando liberdade para achar alguém, era uma tortura, mas eu não tinha escolha. Senti uma lágrima descer por minha bochecha para ser tarde demais praguejar por estar chorando... De novo. Mas que merda de menina fraca você é, Sidney. –Me desculpe, Nicholas, eu só não posso?
–Por quê? Não chore.
Pediu em tom lamentável, erguendo a mão para enxugar uma lágrima, mas me afastei. Meu irmão engoliu em seco ao perceber que eu falava sério.
–Eu estou em um relacionamento agora. Espero que respeite isso.
Os olhos de Nicholas bateram em mim, quebrados e magoados, como se ele me odiasse, mas estivesse devastado por isso. Ele parecia a beira de um ataque como o meu, mas ele tinha mais controle. Engoliu em seco, com os olhos ainda mareados. Assentiu.
–Me responda uma coisa. Você o ama? –Balancei a cabeça negativamente. Nicholas se aproximou de mim rapidamente, pousando ambas as mãos em meu rosto e aproximando-o do seu. Suspirou. –Então por que está com ele? Por que está fazendo isso?
–Porque é o melhor. Para nós dois. –Falei, soltando um longo suspiro. –Não podemos levar o nosso romance.
–Nós damos um jeito. Nós podemos dar um jeito. –Nicholas puxou uma das minhas mãos, colocando sobre o seu peito. Eu conseguia sentir o seu coração batendo muito forte sob sua camisa. –Acredite, Sidney. Você pode ser feliz. Feliz comigo. Com quem você ama.
–Pare Nicholas, por favor. –Falei fechando os olhos. Mais lágrimas desceram pelo meu rosto. –Não piore tudo.
–Eu não quero te perder.
Falou, puxando-me em um abraço. Senti os grandes braços envolverem meu corpo e pela nossa diferença de tamanhos, mais uma vez sumi entre o aperto de Nicholas. Lágrimas desciam o meu rosto e meu coração batia forte. Eu estava submersa em seu cheiro, em seu calor. A sensação era a melhor e mais dolorosa de todas.
–Me desculpe.
–Pare. –Pediu. –Pare de se desculpar. Só fica.
–Não posso.
Insisti. Meu irmão soltou um longo suspiro, apoiando o rosto sobre minha cabeça. Eu conseguia ouvir o seu coração batendo forte.
–Me da uma noite. Uma última noite com você.
Pediu, balancei a cabeça negativamente.
–Não.
–Um último beijo.
–Não posso, Nicholas. Para.
–Então só fica na escola. Se esforce para se enturmar aqui. Viva comigo. Eu... Eu tento suportar o fato de namorar James, só não saia da minha vida. Deixa eu te ver todos os dias. Deixa eu pelo menos te deixar feliz.
–Por que quer me fazer feliz?
Nicholas diminuiu o aperto dos braços apenas o suficiente para que eu pudesse olhar em seu rosto. Um curto sorriso se abriu em sua face.
–Porque te fazer feliz me faz feliz.
–Nicholas...
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, os lábios do garoto tomaram os meus de surpresa e mal tive tempo de recuar. Quando percebi estávamos ambos afundados em um beijo, delicioso e cheio de emoções, que havia sentido mais falta do que qualquer outra coisa. As mãos de Nicholas desceram por minha cintura, e sem dificuldade, ergueram-me do chão, colocando-me cuidadosamente sobre a mesa do professor. Seus beijos continuaram a me afogar enquanto suas mãos caminhavam até minha coxa, puxando-as contra a sua cintura, de forma que fez com que eu acordasse. Afastei-me dos lábios do garoto rapidamente, mas em sequencia os beijos de Nicholas desceram para meu pescoço. Senti meu corpo amolecer.
–Nicholas... –Soltei mais como um gemido. –Para.
–Por favor, Sid. –Ele falou baixo, contra o meu pescoço. –Me da essa última vez contigo.
–Não posso...
Falei mais uma vez em tom fraco, totalmente embebedada pelas delícias dos seus beijos enquanto as mãos do garoto escorregavam para a blusa que eu usava, a subindo. Nicholas soltou um suspiro ao se afastar para tira-la, exibindo meu busto coberto apenas pelo sutiã.
–Por favor...
–Estamos em uma escola.
Falei, finalmente me dando conta. Nicholas sorriu.
–Ninguém passa por aqui nesse horário. Deixa eu ter uma última para valer, para fazer lembrar antes que... –Sua face se tornou sombria. –Antes que seja só ele.
Nicholas pareceu ficar totalmente irado só de pensar que um dia eu fosse ter algum tipo de relação com James. Senti meu rosto esquentar com o pensamento, por mais que eu achasse que fosse errado, eu sentia a excitação tomar conta de mim e eu tinha toda vontade de dormir com Nicholas naquele momento. Eu sabia que não podia... Mas por que mesmo?
Nicholas mais uma vez voltou a me beijar e saboreei o doce gosto da sua língua. Espera... Eu não deveria estar o beijando... Deveria? Eu não me lembrava mais. Suas mãos agarraram minhas coxas e firmemente ele puxou-me para perto, apertando-me forte contra o seu corpo. Eu conseguia sentir o volume do seu jeans contra o meu, mesmo eu estando sentada na mesa e ele de pé. Nicholas desceu os beijos por meu pescoço e abaixando meu sutiã sem desabotoa-lo, ele abocanhou um dos meus seios enquanto massageava o outro. Eu queimava por dentro. Nicholas o beijava e chupava, fazendo com que eu enlouquecesse. Soltei um longo suspiro, enquanto era deitada contra a mesa. Pude ouvir um barulho de zíper sendo aberto.
Meus olhos caíram contra os de Nicholas que me olhavam em puro desejo. Minha respiração estava alta e eu não pensava com clareza. As mãos habilidosas do garoto abaixaram o meus shorts, mas antes que eu pudesse esperar qualquer tranco do seu corpo contra o meu, Nicholas agarrou cada uma das minhas pernas, as colocando uma em cada ombro, e a próxima coisa que senti foi a língua do menino em meu sexo. Soltei um leve gritinho com a sensação. Ninguém nunca havia feito oral em mim e sentir a língua do garoto se mexendo em meu ponto fraco e me dando prazer, foi melhor do que qualquer coisa relacionada a sexo. Gemi não muito alto para não chamar atenção e agarrei os cabelos do garoto que agarrava a minhas pernas com vontade. Senti meus músculos se contraírem e de uma vez se relaxarem, levando-me ao ápice do prazer. Respirei fundo e aquela sensação maravilhosa de orgasmo me tomou. Engoli em seco, quando Nicholas, agora descabelado por minhas mãos, avançava contra meus lábios para um beijo.
Gemi quando o senti entrar em mim. O moreno segurou a minha cintura e com velocidade começou a se movimentar, fazendo-me soltar alguns gemidos de prazer. Soltei um suspiro enquanto agarrava suas costas com força e sentia as ondas maravilhosas tomarem conta do meu corpo, levando-me as nuvens. Nicholas soltava alguns suspiros contra meu ouvido e sua face era aquela mesma deliciosa que ele fazia todas as vezes em que sentia prazer. Gemi só de olha-la. Meu irmão agarrou-me forte e da forma mais intensa possível, acelerou os movimentos, abraçando-me como se nunca fosse me deixar ir embora, como se eu fosse ser sempre sua. Eu queria ser sempre sua. Nicholas beijou-me mais uma vez, segurando-me pela cintura e se chocando com mais força e mais velocidade contra mim. Meus gemidos se tornaram mais altos até que eu finalmente senti todos os meus músculos, mais uma vez, se contraírem e então relaxarem de uma só vez, fazendo com que meu corpo se tornasse mole, assim como o do Nicholas que deixando escapar um alto suspiro, caiu sobre mim. Engoli em seco, respirando alto enquanto acariciava os cabelos do garoto. Meus olhos caíram sobre os azuis e mais uma vez, fui tomada em um beijo delicioso. Mordi o lábio, ouvindo o garoto sussurrar.
–Eu te amo.
–Eu também te amo.
Respondi. Nicholas se sentou na mesa e com vontade puxou-me para perto, enterrando-me em seus braços. Beijou o topo da minha cabeça.
–Não vá.
–Por favor...
–Eu não vou parar. –Falou. –Nunca. Eu não vou desistir de você. Nem que eu tenha que matar aquele bostinha.
–Nicholas!
–O quê?!
Meus olhos caíram sobre os dele e um sorrisinho se abriu em meu rosto. Beijei-o mais uma vez, fazendo-o me abraçar mais forte.
–Você pode ser expulso por isso.
–Eu nunca faço nada errado. –Deu de ombros. –Você me leva para o mau caminho.
–Eu tenho que ir.
–Não faz isso comigo, Sidney.
Pediu, mas tudo o que eu fiz foi soltar um longo suspiro e vestir as roupas que estavam jogadas no chão. Nicholas assistiu tudo, impotente, sem mover sequer um músculo. Olhei para o moreno mais uma vez e juntei todas as forças do meu ser para ser forte. Eu queria ficar. Queria ficar com ele, mas eu não ia. Usei toda a minha energia para fazer soar as palavras que forcei.
–O combinado foi um último beijo, um momento para lembrar. Eu vou ficar na escola, mas vai ter que suportar o meu namoro com James. Não espero que goste dele, ou sequer o aceite, mas quero que suporte. Não pire. Não o soque. Por mais que o odeie, quero que respeite a nossa relação...
A expressão de Nicholas se fechou mais uma vez ele pareceu completamente bravo com alguma coisa. Ele massageou o cenho.
–Você não vai desistir dessa ideia, vai?
–Não.
–Nesse caso, não Sidney. Eu não prometo nada.
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