Você De Novo?

23 Vamos Fugir!


Notas iniciais
Cheguei! Cheguei! Cheguei! Aqui vai mais um capítulo, suas lindas! Espero que gostem! Belle! Muito obrigada pela recomendação, sua fofa! Foi linda! Boa leitura!

Moradia Nova– Dia 59

Nicholas havia resolvido fazer a greve do silêncio comigo desde o dia na escola em que havíamos transado. Eu sei que havia o tratado como uma idiota, talvez até como um cara trata uma garota qualquer, mas por mais que doesse, pela primeira vez, eu me senti no comando e aquilo era ótimo. Eu havia encontrado James nos outros dias da semana e havíamos saído com Christian e Felicity várias vezes, coisa que tornava ótima essa convivência entre amigos e namorado. Eles eram mais divertidos do que eu me lembrava. Eu dava tantas risadas com os três que deveria ser até um crime. Eu definitivamente os amava.

O clima entre mim e Nicholas estava tenso em casa, mas nenhum dos dois tentava puxar assunto com o outro. Apenas ignorávamos as nossas existências, cada um vivendo com a sua vida. Por mais que eu o amasse, eu gostava de saber que ele estava sofrendo um pouco para variar. Eu havia sofrido tanto por ele, não achava nada mais justo do que ele sentir a minha dor um pouquinho. As coisas foram bem na escola. Eu havia cumprido minha parte do trato e como havia prometido para Nicholas, comecei a socializar e conheci algumas pessoas interessantes. Eu havia sido convidada para tentar uma vaga para o time de basquete na semana seguinte e eu havia aceitado. Seria uma ideia legal fazer um esporte para aliviar as tensões. A semana havia acabado e eu sabia que na próxima viria um feriado, ou seja, mais sete dias sem aula.

James e Felly tinham um sítio fora da cidade em que costumavam ir aos feriados e como estavam planejando uma viagem os gêmeos resolveram me convidar. Eles levariam mais alguns amigos e iriam para o sítio que teriam só para eles nesses sete dias. Eu havia ficado completamente animada com a ideia, ia ser legal sair de casa e aliviar as tensões, mas eu sabia que convencer meu pai a deixar eu sair com meus amigos e namorado por sete dias, sem supervisão, em um sítio no meio do nada, seria complicado.

Eu havia acordado mais cedo naquele sábado. Eu estava com um bom humor inexplicável, então deixei meus cabelos presos em um rabo de cavalo volumoso, uma bata de cor amarela, aparecendo o top preto que eu usava por baixo e meus shorts jeans preferidos e confortáveis que tinha. Com um sorriso abri a porta e levemente desci as escadas em direção ao andar de baixo para encontrar meu pai e Jessica, assistindo televisão. Papai e ela riam com o programa Friends que passavam enquanto Jessica bordava algo que não consegui ver de longe. Assim que perceberam a minha aproximação, me abriram um sorriso. Os olhos de papai caíram no relógio e depois em mim.

–O que? Acordada antes das onze? Isso só pode ser um milagre.

–Acho que alguém está de bom humor...

Cantarolou Jessica, fazendo-me dar uma risadinha. Assenti pulando ao me sentar em uma das poltronas da sala.

–Eu estou animada, feliz, sei lá. Eu acho que vou entrar para o time de basquete da escola...

–O que? –Meu pai perguntou, totalmente animado. –Isso é ótimo filha! Dois atletas? Seria perfeito.

–Eu não sou de longe como Nicholas. –Sorri. –Mas acho que uma prática não faz mal!

–Estou tão orgulhosa de você! –Sorriu Jessica. –As meninas do basquete são ótimas no Kennedy!

–Eu sei! –Sorri. –Por isso acho que não tenho tanta chance.

–Você vai se sair bem. –Garantiu papai. –Você é uma McKibben.

Sim... Eu era. Meus olhos caíram na TV onde mais uma das piadas foram contadas e pude ouvir risadas deixarem a boca de Jessica e meu pai. Eu nunca achei grande graça naquele seriado em especial e não entendia como tanta gente gostava, mas nunca resolvi contrariar. Eu gostava mesmo de The Big Bang Theory.

–Huh... Papai. –Chamei sua atenção, ganhando os seus olhares. –Posso te pedir uma coisa?

Antes que ele pudesse me responder, mais passos foram ouvidos e então a forma de Nicholas surgiu, descendo as escadas enquanto ele caminhava em direção a cozinha. Nicholas ainda estava em seus pijamas e ele parecia extremamente para baixo. Era irônico vê-lo andar arrastando os pés e sempre de cabeça baixa, enquanto eu me sentia inexplicavelmente tão bem. Era como se Nicholas fosse eu há algumas semanas e eu fosse ele. Nós havíamos trocado de lugar, e eu sabia que a única razão pela qual eu estava tão bem, era porque estava satisfeita em saber que Nicholas gostava de mim o suficiente para não arranjar outra garota. Aquela segurança, além de ser malvada, me fazia bem. Assim que Nicholas passou para dentro da cozinha, papai e Jessica trocaram olhares.

–Eu não sei o que está acontecendo com ele... –Disse Jessica. –Ele anda tão para baixo.

–Isso não é normal de Nicholas... –Papai concordou, soltando um longo suspiro. –Então filha. O que queria pedir?

–Ah sim...

Me lembrei, bem a tempo de os passos de Nicholas voltarem e então ele entrar na sala, junto de nós, com um copo de leite nas mãos. Por um momento pensei em desistir de falar, por isso fiquei em silêncio. Meu irmão estava horrível. Ele cumprimentou Jessica e meu pai, ele ainda se recusava a olhar na minha cara.

–Bom dia, filho! –Sorriu a loira. –Como vai?

–Bem...

Respondeu dando de ombros, parecendo desanimado, não mal educado.

–Vai fazer algo mais tarde, filho?

Perguntou papai também com um sorriso. Nicholas balançou a cabeça negativamente.

–Não. Vou ficar em casa...

–Fazendo o que em casa?

Perguntou Jessica, mas Nicholas se limitou a dar de ombros. Senti um aperto no coração por vê-lo daquela maneira, mas antes que pudesse me sentir culpada demais, papai dirigiu os olhares a mim. O sorriso voltou em sua face, por mais que ele demonstrasse preocupação nos olhos. Ergueu uma sobrancelha.

–Então..?

–Ah sim... –Limpei a garganta um tanto sem graça. Eu não queria pedir na frente do Nicholas, mas acho que não tive escolha. –Felly, Chris e alguns amigos estão indo para o sítio da Felly lá na cidade vizinha, passar o feriado. Eles me chamaram para ir, posso?

Papai me observou por um momento, um tanto desconfiável. Meus olhos caíram em Nicholas, que pareceu um pouco inquieto. Ele olhava para o meu pai em pura expectativa.

–Quem vai?

–Huh... Eu, Christian, Felicity e James, claro e acho que alguns amigos. Talvez só nós quatro mesmo... Não tenho certeza.

–Os pais deles vão estar lá?

–Não... Mas tem a moça que sempre toma conta de lá! Ela não deixaria que fizéssemos nada estúpido.

–Não sei não, Sidney...

–Por favor, pai! Eu nunca sou convidada para coisas assim. Deixa eu ir, por favor.

Pedi no meu melhor tom. Meu pai e Jessica trocaram olhares, e o olhar da minha madrasta foi de puro incentivo. Ela conhecia todos na cidade, incluindo os gêmeos e sua família, eu tinha quase certeza que ela sabia que eles eram bons. Papai soltou um suspiro e assentiu. Um sorriso se abriu em meu rosto enquanto ele coçava o queixo.

–Quantos dias.

–Sete...

–Sete dias?! –Mais uma vez ele olhou para Jessica e recebeu o mesmo olhar. Eu estava começando a gostar mesmo dela. Papai suspirou. –Eu não sei não.

–Ora, Robert. –Sorriu minha madrasta. –Sidney sabe se cuidar, ela é uma menina inteligente e não vai fazer bobeiras.

Papai pareceu parar para pensar para sempre e eu achei que horas tinham se passado até ele abrir a boca de novo. Por fim, relutante, soltou um longo suspiro e assentiu, como se tivesse convencido. Cobriu o rosto com as mãos.

–Já que temos uma nova jogadora de basquete na família, acho que merece... Tudo bem, mas com algumas condições...

–O que?! –Dessa vez foi a voz de Nicholas que soou, chamando a atenção de ambos os pais. Ele tinha o queixo no chão. –Vai deixar ela viajar com eles? Sem supervisão?

–Você já viajou muito com os seus amigos, filho...

Contou Jessica, Nicholas balançou a cabeça negativamente.

–Mas é diferente! Vão homens!

–Christian não pode ser exatamente considerado um homem...

Revirei os olhos. Nicholas fuzilou-me com os seus.

–Mas e o seu namorado?

Arregalei os olhos. Papai franziu a testa olhando para Nicholas e depois para mim. Mudou de posição desconfortável.

–Namorado?

Perguntou. Nicholas assentiu. Senti a raiva arder em meu peito.

–Sidney está namorando James Velasquez. O dono do sítio, aliás.

–Eu estou indo porque meus amigos estão indo!

Protestei, meu pai olhou-me um tanto descontente.

–Você está namorando?

Soltei um longo suspiro, assentindo.

–Sim, pai... Mas eu vou estar com Felly o tempo todo! Por favor!

–Não sei não...

–Robert... –Mais uma vez, Jessica entrou no assunto. –Tem que confiar na sua filha. Ela já tem dezessete anos.

–Obrigada, Jessica!

Agradeci pela ajuda. A mulher sorriu para mim. Papai estreitou os olhos e franziu a testa. Ele parecia estar no meio de um conflito interno.

–Sidney, se me prometer que não vai dormir no mesmo quarto que James e que terá juízo...

–Pai! –Nicholas, interrompeu. –São sete dias! Vai deixar ela sozinha com ele o tempo todo?! Ela vai voltar grávida!

–Nicholas! –Jessica exclamou, chamando a atenção do garoto. –O que tem de errado com você, filho?

–Eu não me conformo com isso! –Reclamou. –Se eu pedisse para viajar com a minha namorada, vocês deixariam?

–Não sozinhos.

Falou ela, fazendo-me encarar Nicholas. O que ele estava tentando? Me coloquei de pé entrando na frente do garoto.

–Eu tenho juízo, uma vida toda pela frente, eu só preciso de confiança. Eu quero passar o feriado com os meus amigos, por favor.

Pedi. Nicholas balançou a cabeça negativamente e bufou completamente indignado.

–Não! Você só quer ficar transando com ele por sete dias inteiros! Mas que merda, Sidney!

–Nicholas! –Dessa vez foi meu pai quem exclamou, fazendo o garoto encolher. Ele não parecia contente. –Esse assunto não é da sua conta, e olha o que fala da sua irmã! Agora suba para o seu quarto, não me faça te tratar como criança.

Nicholas fuzilou-me com os olhos e eu pude ver o fogo brilhar neles. Fogo de ódio. Estremeci enquanto garoto soltava um longo suspiro e assentia, abaixando a cabeça para o nosso pai. Engoliu em seco.

–Perdão.

Falou enquanto subiu escadas acima como uma criança de castigo. Papai olhou indignado para Jessica, confuso com o que estava acontecendo.

–Ele está agindo muito estranho, será que está usando drogas?

–Não o nosso Nicholas. –Negou Jessica. –Acho que é só coisa do momento.

–Sidney, você pode ir. –Falou meu pai, ainda distraído com o lance de Nicholas. –Mas tenha juízo. Não me faça me arrepender em ter confiado em você.

–Ok! Muito obrigada!

Sorri para os dois e corri as escadas acima, pronta para ligar para Felly, sumindo de visão antes que ele pudesse mudar de ideia.

(...)

Eu estava fazendo a minha mala quando bateram em minha porta. Meus olhos se viraram para o pedaço de madeira que se abriu, mostrando aquele rosto familiar, que eu não via olhar para mim há tanto tempo. Nem precisei dizer nada. Nicholas fechou a porta de vagar atrás de si e entrou no meu quarto, sentando-se em minha cama e apenas observou enquanto eu colocava tudo dentro da mala. Ergui uma sobrancelha.

–Posso ajudar?

–Pode. Mas você não quer.

Soltei um suspiro, ignorando o seu comentário, pegando mais algumas camisetinhas na gaveta e colocando dentro da bolsa que estava usando como mala, balancei a cabeça negativamente evitando olha-lo.

–Nicholas, quando vamos parar com isso?

–Eu te odeio tanto...

Franzi a testa olhando para meu irmão.

–Huh?

–Eu não durmo há noites por sua causa.

–Por minha causa?

Ergui uma sobrancelha um tanto descrente, o moreno assentiu como se sua fala tivesse feito o maior sentido do mundo.

–Toda vez que eu fecho os olhos eu te vejo com ele. Eu vejo ele tocando você... E isso me enoja.

–Paciência...

Respondi em tom indiferente enquanto ele balançava a cabeça negativamente. Bufou.

–Por que está me tratando assim? O que eu fiz pra merecer tudo isso?

–Nicholas, isso não é sobre você! –Suspirei me colocando de pé, finalmente o encarando. –É sobre nós. Não vai funcionar e você sabe disso, só não quer aceitar.

–Sidney, por favor. Não faz isso comigo. Eu não quero que ele te toque.

–Nicholas, chega! Mas que saco! –Protestei, um tanto impaciente. –Deixe eu viajar com meus amigos em paz.

–Ele vai tentar dormir com você.

–Relaxa.

–Não relaxo! –Ele exclamou. –Não relaxo, eu não quero! Você é minha, porra!

–Eu sou grande o suficiente para tomar as minhas decisões. –Rebati. –E aliás, que merda foi aquela na sala mais cedo? Para o pai descobrir sobre a gente foi só um pulo! Precisava daquele piti?

–Sim! Sidney, eu estou desesperado. –Ele falou em tom fraco. –Eu não sei mais o que fazer.

–Supere...

Falei em um tom delicado. Eu estava sendo cruel com Nicholas? Não...

–Não da! Eu não vou ficar me humilhando pra você para sempre. Deita comigo, me abraça e fique em casa. Finja que tudo isso nunca aconteceu.

–Nicholas... –Suspirei enquanto me sentava ao seu lado na cama. Olhei-o em tom calmo. –Nós não podemos ficar juntos. Somos irmãos. É errado.

–Eu não me importo. –Ele respondeu, teimoso. –Eu quero ser o seu namorado. Você me disse que eu queria ser James. Eu nunca quis ser James, exceto nesse aspecto. Ele tem você. O que eu fiz de errado para te perder? Como você escapou entre os meus dedos?

–Você é um cara ótimo, Nicholas... –Comentei com um sorriso. –Mas não...

–Não sou bom pra outras, é você quem eu quero.

Eu nunca diria outras... Por mais que eu estivesse sendo fria daquela forma, eu ainda amava Nicholas e não o queria com ninguém. Eu só estava tentando superar, e ele não estava ajudando.

–Você não pode ter... Me desculpe.

–Mas Sidney...

–Escute... Eu vou nessa viagem e eu vou me divertir. Tente não ficar em casa também, ok? Esse feriado vai passar tão rápido que você nem vai perceber.

–Posso te pedir uma coisa?

–O que?

Perguntei com um suspiro. Nicholas assentiu.

–Eu desisto de você. Eu tento partir para frente, eu tento arranjar alguém... –Senti meu estômago embrulhar com essa última frase. –Só me da um último beijo. Só isso.

–Vamos começar com isso de novo? Achei que já tinha te dado seu último beijo.

–Não conta, não pela forma em que você acabou. Em algumas horas James vai passar para te buscar e esse vai ser o marco da nossa história. Nada depois daqui.

Certo pânico começou a tomar conta de mim, mas decidi que Nicholas estava blefando, como da última vez. Assenti, sentindo o garoto puxar-me para perto e desesperadamente, abraçar-me, colando os seus lábios nos meus. O beijo de Nicholas foi como eu nunca senti antes. Estava cheio de emoção e paixão, porém mergulhado também em uma tristeza que nunca havia presenciado antes, não em um momento como aquele. O garoto apertou-me firme entre os seus braços como se tentasse fazer com que eu não escapasse, e quando finalmente o beijo se separou, eu consegui escutar a buzina soar do lado de fora. Me surpreendi ao reparar que havíamos nos beijado por dez minutos inteiros. Meu coração batia forte e meus lábios estavam avermelhados. Os olhos de Nicholas fitaram os meus em tom lamentável e com um último suspiro ele me olhou fundo nos olhos. Acariciou meu rosto novamente.

–Você vai mesmo? Então é isso?

Perguntou relutante e me forcei a assentir. Eu sabia que esse era todo o mesmo drama que ele havia feito na sala do colégio e que ele nunca ia de fato desistir da ideia de ficarmos juntos. Nicholas me amava e eu o amava. Ele não iria me esquecer em sete dias. Com um longo suspiro, me coloquei de pé e agarrei a minha bolsa no chão e segurando, e abri um sorriso para o moreno. Acenei.

–Juízo, Nico.

–O mesmo para você.

Resmungou enquanto se apoiava contra o meu colchão. A cena era tentadora, mas forcei meus pés a caminharem para fora do meu quarto, e guiarem-me escada abaixo, para encontrar meu pai e Jessica que me deram um forte abraço. Ambos abriram sorriso para mim, Jessica mais feliz que o meu pai.

–Se divirta bastante, Sid. Tome cuidado, ok?

–Ok. –Sorri a abraçando de volta. –Obrigada. Eu estarei de volta em sete dias.

–Juízo, filha. –Pediu papai, depositando um beijo em minha testa. –De verdade.

–Pode deixar, papai. –Sorri enquanto acenava para os dois, caminhando em direção a porta. Eu não sei porque, mas por alguma razão no meu ser, assim que me virei para sair daquela casa, senti que algo não era suficiente. Eu tinha tanto a agradecer a eles, eles eram tão bons para mim... Senti meu coração acelerar. Eu não acreditava que tinha dito aquilo quando finalmente saiu da minha boca. –Amo vocês.

Os dois trocaram olhares surpresos, mas sorrisos sinceros se abriram em seus rostos, o que valeu a pena todo e qualquer constrangimento. Papai e Jessica acenaram, abraçando o outro.

–Amamos você também.

Falaram juntos, fazendo-me sorrir e em passos rápidos, caminhar em direção ao carro que estava estacionado ao lado da casa. Meus olhos bateram na janela do meu quarto para ver a sombra de Nicholas que observava tudo ao longe. Senti meu coração pesar, mas tentei ignorar qualquer sentimento de culpa. Chris e Felicity dançavam fora do carro com o som alto que tocava, e James estava encostado contra a porta, me esperando. Um sorriso se abriu em seu rosto quando me viu, e caminhou em minha direção, erguendo a mão para pegar a minha mala. Não neguei.

–Ignore os loucos, eu já fiz com que tomassem os seus remédios.

Brincou, fazendo-me dar risada. Assenti.

–Acho que estou mais para um deles.

–Droga.

Brincou James, dando-me um beijinho que retribuí. Com um sorriso ele caminhou até o porta-malas para colocar minhas coisas enquanto eu corria até Felly e Chris e era abraçada em meio aquela dança. Dei risada ao ver minha amiga me guiando como em um quase tango. Felly me deu uma piscadela.

–Pode ir na frente com o meu irmão, gatinha.

–Ok, sua linda. –Brinquei lhe mandando um beijo. Chris foi o próximo a me agarrar. –Eu estou tão feliz que você esteja indo também!

–Como vão as coisas com Nicholas?

Felly perguntou, fazendo os meus pelos se eriçarem. Dei de ombros.

–Eu vou ter que contar isso depois.

Respondi, vendo James fechar o porta-malas e então caminhar em nossa direção. Me puxou pela cintura depositando um beijo em meu rosto e então sorriu para os meus amigos.

–Prontos para uma viagem de três horas e meia, superdivertidas com o senhor Chris tagarela?

–Prontos.

Respondemos em uníssono, fazendo o loiro sorrir satisfeito. Me dando uma piscadela ele apontou para o carro que adentrei, sentando-me no banco de passageiro, e ri ao ver Chris e Felly pularem no banco de trás. Os dois estavam claramente animados, cantando Puped Up Kicks na maior altura possível e fazendo dancinhas que deveriam ser ilegais. James pisou no acelerador fazendo o carro se mover, e levando-nos em direção ao nosso próximo destino: Um feriado que prometia diversão.

As três horas e meia acabaram passando mais rápidas do que deveriam. Nós fomos cantando o caminho inteiro, os quatro bobos enquanto James fazia bobeiras no banco da frente e consequentemente, fazia Christian rir daquela forma em que ele roncava quando gargalhava demais, o que fazia com que nós ríssemos. Christian odiava quando ele fazia o barulho nasal ao gargalhar e por essa razão James estava fazendo o possível e o impossível para fazer o garoto rir, o que era extremamente cômico. As músicas que tocavam no CD eram muito boas e no meio do caminho havíamos parado para comer alguma coisa, antes de entrarmos na estrada de árvores, que me encantou com as paisagens que nunca pensaria ver em Washington. A mão de James de fez em quanto pousava em minha coxa, o que eu achava fofo, e em sua cabeça havia aquele chapeuzinho que caía tão bem e o deixava com cara de artista junto dos óculos escuros. Os cabelos loiros do menino brilhavam contra o sol, e eu não poderia negar o fato de ele ser extremamente atraente. Por um momento eu até cheguei a esquecer de que aquele era o garoto que eu chamava de namorado.

Depois que o carro finalmente parou, consegui ver, diante dos meus olhos, uma linda casa com uma garagem vazia, onde James estacionou e que partilhava de dois quadricículos que já fiquei doida para andar. As árvores rodeavam o local e a casa parecia ter dois andares, nada muito grande, mas ainda maravilhosa. Ao lado da casa havia uma ponte que levava para outra pequena construção que com as portas abertas, pude ver uma mesa de sinuca e uma televisão gigante, e na frente de lá, havia uma grande piscina com um escorregador. Acho que era uma quadra que eu via perto de uma pequena capela e da piscina. James pegou as malas e com a ajuda de Chris, destrancou a porta, abrindo visão para a parte interior da casa. Ela era linda! Havia grandes sofás posicionados perto de uma lareira, no meio da sala uma grande mesa com dez lugares pelo que contei, um corredor que levava para a parte de trás da casa, e uma pequena sala de televisão ao lado da cozinha. Havia uma escada que levava para o andar de cima, mas não descobri o que era de primeira. James abriu um sorriso colocando todas as malas no chão. Olhou para Felicity antes que pudesse protestar.

–Eu fico com o quarto do pai e da mãe.

–Droga! –Praguejou Felly, como se tivesse que ter dito isso antes. James sorriu em tom vitorioso. –Tudo bem, Sidney Chris e eu ficamos aqui em baixo então.

Então as escadas levavam para a suíte principal. Ok. James me deu uma piscadela e com um sorriso subiu as escadas com suas malas, enquanto Felicity e eu dobrávamos o corredor, para encontrar assim, quatro portas e um armário. Minha amiga olhou para mim, como se Chris não precisasse de um tutorial, por ter estado ali outras vezes, e abriu um sorriso.

–Temos três quartos de casal aqui em baixo e aquele na esquerda tem quatro camas de solteiro. Se quiser podemos ficar todos no mesmo, ou então eu e você dividimos um quarto e abandonamos Chris, ou eu divido um quarto com Chris e você fica sozinha, você que sabe...

Dei risada com Felly. Eu realmente odiava lugares novos só porque eu tinha pessoas na minha vida que me faziam assistir filmes de terror e me traumatizar, então se eu tinha a opção de dividir o quarto com alguém, a ideia era maravilhosa. Além de que, dividir o quarto com Felicity e Christian me parecia uma grande ideia!

–Podemos ficar no de quatro, se quiserem. Vai ser divertido.

–Você leu a minha mente, gata. –Piscou Christian, levando as malas em direção a última porta. –Você vai adorar esse lugar, se acha que o sítio é só essa parte de cima está muito enganada!

–Mesmo?

Perguntei com um sorriso. Felly deu de ombros.

–Se for em direção a quadra de basquete você vai encontrar um portão que leva para a estradinha de terra que liga essa parte da fazenda com a outra. Lá em baixo tem vários pés de frutas e uma represa que costumamos dirigir jet-skis lá. Você vai gostar! Nós vamos fazer muitas coisas nesses sete dias.

Falou a loira animada. Eu estava totalmente feliz por estar lá! A ideia de viajar com os meus amigos parecia maravilhosa! Eu queria aproveitar ao máximo! Adentramos o quarto que era feito com quatro camas, dois armários de cor clara e uma das paredes pintada de um azul quase branco. Na frente das camas havia uma televisão e uma estante com alguns livros, o banheiro ficava numa porta no canto e o quarto era arrumadinho. Felly jogou sua mala na cama na frente enquanto Chris escolhia uma no canto e eu escolhia a do lado de Felly. Me sentei no colchão, tirando os sapatos que apertavam os meus pés. Abri um sorriso olhando o sol que brilhava forte do lado de fora da janela.

–E aí, Sid. Nicholas pirou muito quando te viu com James?

Perguntou o ruivo um tanto curioso. Mudei de posição um tanto desconfortável, eu não sabia se estava pronta para falar sobre aquilo, mas não resolvi manter segredos.

–Pior do que eu imaginava. –Suspirei. –Foi feia a coisa. Eu achei que ia ser agredida.

–Ele brigou com James. –Comentou Felly não parecendo muito feliz. –Saíram na porrada. Coisa de louco.

–Nem me fale. –Suspirei. –Eu tive que chamar os vizinhos para ajudar.

–Wow! –Christian deu um pulo, chamando nossa atenção. –Que sonho! Dois homens brigando por você! Deve ter sido uma cena maravilhosa.

–Christian! –Exclamei dando risada. –Você não presta!

–Mas eu falo sério! –Sorriu. –Eu fico sonhando quando isso vai acontecer comigo... Mas eles vão estar sem camisa.

–Ah meu Deus.

Resmunguei dando uma risada. Felly estava calada demais para o meu gosto. Ela não parecia muito contente com o assunto, então eu estava prestes a acabar com ele, quando as batidas foram ouvidas na porta. James abriu-a colocando a cabeça para dentro, cuidadosamente, como se se certificasse de que estávamos todos decentes. Abriu um sorriso.

–Algum perigo de pegar um Christian nu?

–Sei que é seu sonho.

O ruivo respondeu, fazendo com que déssemos risada. James revirou os olhos, adentrado o quarto.

–Claro que sim, caro Chris. –Brincou enquanto se sentava na mesma cama que eu estava abraçando-me por trás. Sorri. –Já está se ajustando?

–A casa é linda...

Comentei recebendo um sorriso de aprovação em troca. Felly olhou para nós sem abrir um sorriso e então apontou para a porta.

–Querem ir nadar?

Perguntou, fazendo Christian dar um pulinho animado.

–Isso! Eu preciso pegar um sol!

Gritou animado, James deu risada assentindo.

–Ficar na cor do pecado.

–Exatamente, loiro.

Chris piscou, fazendo-me sorrir. Dei um beijo na bochecha de James fazendo-me olhar de forma doce.

–Eu vou me trocar no banheiro.

Anunciou Felly levando suas coisas para lá. Christian fez o mesmo, mas foi para outro quarto. Senti as mãos do loiro pegarem em minha cintura, e cuidadosamente ele me puxou para cima do seu colo. Abri um sorriso ao receber um delicioso beijo. Os olhos azuis me fitaram e aquele sorriso maravilhoso se abriu. James me ergueu uma sobrancelha.

–Trouxe roupa de banho?

–Não.

Brinquei. O garoto assentiu, dando uma leve risada.

–Eu não me importo se quiser nadar sem elas.

–Você não presta. –Revirei os olhos com um sorrisinho, enquanto abria minha bolsa e tirava de lá o meu conjunto de biquíni. –Pisquei para o loiro.

–Deveria vestir sua roupa de banho.

–Eu não preciso. –Sorriu. –Acredite, Texas. Você da um passo, e eu já estou voltando três.

–Aposto que sim.

Sorri enquanto pegava as minhas coisas e caminhava em direção ao banheiro quando Felly saiu dele. Fechei a porta atrás de mim e coloquei o par que mais gostava – o de parte de cima colorida e a de baixo verde –olhando bem meu reflexo. Fiz um coque nos meus longos cabelos por causa do calor e caminhei para fora, recebendo os olhos do loiro que me abriu um sorriso. Felly e Christian provavelmente já haviam ido e James havia me esperado. Agradeci o ato, enquanto ele me puxava pela mão para fora do quarto. Dei risada.

–Onde vamos?

–Dar uma parada rápida na cozinha.

Falou, não protestei. Adentramos a cozinha que não era enorme, enquanto James agarrava uma cadeira e a colocava perto do armário. Franzi a testa um tanto confusa com o ato, para então ver o loiro subir na cadeira e abrir o armário de cima –alto demais para ser alcançado por um humano –onde ele começou a mexer.

–Aha! –Comemorou, abrindo um sorrisinho. Estreitei os olhos. –Sabia que estavam aqui.

Falou enquanto tirava de lá uma garrafa de vodca. Dei risada com a cena. James tinha o seu próprio bar escondido no sítio, típico dos gêmeos. O garoto me abriu um sorriso, descendo da cadeira, orgulhoso. Observei a garrafa cheia, só esperando pelo que viria.

–Você é cheio dos truques, não é?

–Você não tem ideia. –Brincou, pegando também três copos. –Pode pegar uma jarra de suco de laranja dentro da geladeira?

–Vodca com suco de laranja? –Ri. –Não foi assim que Kurt Colbain morreu?

–Ah Texas... Eu gosto de você cada vez mais.

Brincou James, fazendo-me dar risada. Caminhei em direção a geladeira e tirei de lá uma jarra de suco de laranja natural que provavelmente a pessoa que tomava conta da casa havia feito ao saber que os gêmeos estavam vindo. James e eu cruzamos a sala em direção a porta de trás da casa, que era uma enorme porta de vidro de correr. Do lado de fora pude vir Chris e Felly ajeitando algumas espreguiçadeiras enquanto a música alta tocava. Pude reconhecer o som como Timber, da Kesha. O loiro abriu a porta e juntos caminhamos em direção aos nossos amigos.

A piscina era grande, tinha azulejos de cor clara e um escorregador que descia para lá. O chão era de pedras e eu pude ver não muito longe duas casinhas na árvore que tive que dar risada com a imagem dos gêmeos brincando ali quando mais novos, que veio em minha cabeça. Felly e Chris comemoraram quando James e eu aparecemos com as bebidas e pegando os três copos com gelo, servimos as bebidas da forma como queríamos.

–Não faz a minha muito forte.

Perdi para James. O loiro me ergueu uma sobrancelha.

–Deixa de ser mulherzinha!

Brincou, revirei os olhos com um sorriso no rosto.

–É sério. Eu não sou a maior fã de bebida.

–Não é o que me lembro do churrasco. –Sorriu. –E outra... Como vou me aproveitar de você mais tarde se não beber?

Tive que revirar os olhos. James colocou meio a meio para mim, então a bebida ficou bem forte, mas não tinha tanto gosto. Bebi um gole agradecendo enquanto dava risada ao ver Felly e Chris dançando na beira da piscina com os copos nas mãos. Olhei para o canto bem a tempo de ver James tirar a camisa e mostrar as costas e corpo bem mais definidos do que eu me lembrava. Dei um golinho, soltando um assovio.

–Uau, gostoso.

–Posso dizer o mesmo.

Sorriu, dando-me uma piscadela. Retribui o sorriso quando o garoto puxou-me pela cintura, depositando um beijo rápido em meus lábios. Ele tinha gosto de vodca com suco de laranja.

–Andou malhando?

–Estão começando as temporadas do futebol. –Sorriu. –Tenho que ficar grande.

Brincou, pressionando os braços para mostrar os bíceps. Dei risada apertando-os e fazendo uma expressão impressionada. Eu sabia que estavam começando as temporadas... Nicholas estava treinando para elas também. James caminhou até onde Christian e Felly conversavam, sentados nas espreguiçadeiras e fiz o mesmo, sentando-me em uma enquanto o loiro se sentava na ponta da minha, olhando para os dois que conversavam. Christian estava contando algo sobre Troy, pelo que entendi.

–Ele não gostou muito quando eu disse que estava pensando em uma faculdade em NY.

–Eu não gostaria se meu namorado ameaçasse se mudar também, Chris. –Comentou Felly. –Eu sei que é seu futuro, mas eu dou um pouco de razão para ele.

–Que namorado? Quem seria louco o suficiente?

Brincou James, levando um chutezinho da irmã. Dei risada.

–Você está realmente pensando em NY, Chris?

Perguntei curiosa, dando um gole em minha bebida. O ruivo assentiu.

–Sim. Se eu quero ter uma boa graduação, é pra lá que eu devo ir.

–Existem faculdades boas aqui... –Comentou James. –Eu pretendo ficar.

–Você seria músico se pudesse.

Comentou Felly revirando os olhos, James deu de ombros.

–Eu gostaria, mas não tenho talento o suficiente...

–Está brincando? –Comentei, arregalando os olhos. –Você é ótimo.

–James é bom. –Chris concordou. –Mas precisa de muita qualificação para uma profissão dessas.

–Nem me fala. –Suspirou Felly. –Eu decidi que vou optar por moda.

–Eu acho moda bem a sua cara. –Sorri. Eu realmente conseguia enxergar Felly atrás de uma mesa, planejando várias marcas de grife. –Vai fazer um desconto para os amigos quando criar a sua marca famosa, certo?

–Com certeza! –Sorriu a loira. –Fellystyle.

–Felliápolis.

Sonhou Chris.

–Estamos dando nomes a uma loja ou a vilarejos pequenos no meio do nada?

–James, você é um saco.

Reclamou Chris, fazendo com que déssemos risada. Assenti.

–Eu tenho que concordar.

–Você não tem opinião quanto a isso.

James me respondeu, apertando minha coxa. Dei uma risadinha mostrando a língua.

–Gente, alguém passa bronzeador em mim?

Perguntou Felly. Christian ergueu a mão.

–Eu passo.

–As vezes acho que Chris é hetero e fica nos enganando.

Comentei, James assentiu.

–Tire o cavalinho da chuva. Não quero homem que é homem perto da minha irmã.

–E é por isso... –Sorriu Felly. –Que eu estou solteira.

–Não que Felly prefira os homens.

Tossiu Christian, fazendo a loira rir. Eu até havia me esquecido que Felly era bissexual, e também do seu lance com Megan... Na verdade eu não ouvia falar da garota há um bom tempo. James se colocou de pé, soltando um longo suspiro.

–Hey Sid, que tal um mergulho?

–Agora não. –Entortei o nariz. –Quero pegar um solzinho.

James baixou a cabeça e assentiu, fingindo chorar. Abri um sorriso observando o sol.

–Tudo bem, eu vou superar... –Falou, fazendo-me assentir. Fechei os olhos sentindo o calor esquentar meu corpo, mas para a minha surpresa, meu corpo foi agarrado e tirado da cadeira, de uma só vez, fazendo-me soltar um grupo. James me segurava com os braços fortes e corria comigo em direção a piscina que parecia extremamente gelada. Eu tentava me soltar. –James! Para!

–Para com o que?

Brincou o garoto, girando comigo no colo. Dei risada apertando-o forte com medo de cair. Ele era doido. Eu conseguia escutar ao longe o coro de Felly e Chris que cantavam:

–Joga! Joga! Joga!

–Não!

Gritei em protesto, mas James me abriu uma expressão de “viu?” diante de Chris e Felly. Sorriu.

–Desculpe, Texas. O público votou, e você está indo para a água.

–James, não faça isso! –Implorei sem conseguir conter as risadas. –Deixa eu tomar sol!

Eu mal terminei a minha frase e logo meu corpo estava em contato com a água gelada. Deixei a pressão me esmagar enquanto eu afundava e dei graças a Deus por saber nadar. Pensei se deveria pregar uma peça em James e fingir que estava me afogando, mas optei por não fazer. Voltei a superfície, olhando feio para o trio que ria de mim fora da água.

–Seus, seus, seus...!

Não terminei a minha frase. A água estava bem fria. James se aproximou da borda.

–O que foi? Muito fria?

Não respondi. Apenas agarrei o seu pescoço e puxei-o para dentro da água, fazendo-o cair comigo. James voltou a superfície tirando o cabelo grudado no rosto e me olhou feio enquanto nadava em minha direção. Gargalhei, tentando fugir do garoto que me perseguia.

–Você está perdida, Texas! Melhor eu não te pegar!

–Você nunca vai me alcançar!

Ri enquanto via o garoto mergulhar e logo aparecer ao meu lado, pegando-me no colo. Dei risada enquanto era atacada por uma maratona de cócegas. Empurrei o garoto para longe tentando me libertar.

–Sai!

–Sofra!

Riu James, ainda me fazendo cócegas, assim que meus olhos começaram a lacrimejar de tanto rir, o loiro mostrou piedade, apoiei os braços em seus ombros, abraçando-o e com um sorriso recebi um beijo, sentindo as mãos apertarem minhas costas, de forma com que eu ficasse colada ao seu corpo. Eu nem reparei que estava no colo de James enquanto ele andava pela piscina.

–Acho que devíamos fazer briga de galo.

Sugeriu o loiro, chamando atenção de Felly E Chris que estavam na cadeira. Christian pulou, animado.

–Eu topo!

Gritou enquanto pulava na água gelada. Soltei uma gargalhada vendo Felly fazer o mesmo logo depois. James me soltou e quando percebi o que ele estava fazendo, levei um susto. Senti o garoto passando por debaixo de mim e logo eu fui erguida para fora da água, sentada em seus ombros. Chris fez o mesmo com Felly, coisa que me fez rir. A loira e eu trocamos olhares com sorrisos largos.

–Um. Dois... –Contou James. –Três e... Já!

Felly e eu agarramos os braços da outra enquanto tentávamos a todas as custas fazer a outra cair. Minha amiga tentava me empurrar e eu tentava empurra-la, mas as duas pareciam bem fortes, enquanto os garotos faziam força para manter-nos sobre seus ombros. Tive um momento de desconcentração e isso foi suficiente para que eu perdesse o equilíbrio e caísse de costas contra a água. Dei risada ao ver Chris e Felly comemorar enquanto James ria pelo fato de eu ter aparecido com os cabelos no rosto. O loiro tirou os cabelos do meu rosto, ainda com um sorriso bobo.

–Vai perder mesmo para esses dois?

Perguntou, mas não respondi. O que dei em troca foi um jato de água da piscina que tinha em minha boca, que atingiu o rosto do loiro e fez com que meus amigos gargalhassem, James me agarrou, olhando-me indignado, com um sorriso no rosto.

–Você está ficando bem rebelde!

Brincou. Dei risada.

–Eu sempre fui!

Empinei o nariz enquanto mais uma vez era colocada nos ombros do garoto. Como da primeira vez, Felly e eu agarramos os braços da outra e começamos o empurra-empurra. Dessa vez eu fui com unhas e dentes e com um empurrão, consegui fazer a loira perder o equilíbrio e afundar na piscina. Comemorei com um gritinho e uma risada enquanto batia na mão de James em comemoração. Felly e Chris riram enquanto a loira leva mão até a boca, tossindo por provavelmente ter engolido água demais. Sorri observando a cena. O sol, a música, era tudo muito perfeito.

Por um momento não reparei que James havia deixado a piscina, e quando finalmente ouvi a sua voz, encontrei o loiro no topo do escorregador com um sorriso no rosto. Ele se sentou, olhando para nós.

–Observem o profissional!

Gritou, enquanto se colocava de costas e descia o tobogã até cair de cabeça na água. Christian deu um pulo e animado correu até a borda para tentar também. Tenho que admitir que não resisti. Saí da piscina e corri em direção ao tobogã, subindo as escadinhas até o topo, esperando o ruivo ir. Christian deitou de barriga e foi em um abraço contra a água. Tentando pensar o que fazer, me coloquei de pé no tobogã olhando para a queda não muito longa abaixo dos meus pés e assim como Christian, decidi que descer de barriga era o mais divertido. Meu corpo escorregou e com velocidade desci a queda até que a água batesse contra o meu rosto, e ri por ter me divertido com aquilo. Nós ficamos brincando como crianças pelo resto do dia. James deu uma cambalhota de cima do escorregador, Christian tentou a descida de costas – não porque queria, mas porque James o empurrou –eu experimentei uma decida em dupla, porque James havia me puxado bem na hora em que havia escorregado, e Felly havia escorregado de todas as formas possíveis.

O sol logo se pôs e eu cheguei a conclusão de que não me divertia daquela forma há tempos. Meus amigos eram perfeitos, e com amigos eu me referia aos três. Christian, Felly e especialmente James eram terrivelmente engraçados e ótimas companhias. Se eu voltasse para o Texas, tinha medo de não sobreviver sem eles. Para fechar a noite, tomamos um banho e nos encontramos na cozinha para fazer um panelão de miojo e comermos na frente da televisão onde passava o filme “As Vantagens de Ser Invisível” que ganhou na votação de Christian, Felly e eu contra James que queria assistir “Duro de Matar”. No fim das contas, acabamos todos deitados no sofá e aproveitando o filme. Eu havia me acomodado bem nos braços de James e estava começando a ficar com sono. O perfume que ele usava era simplesmente maravilhoso, e as batidas do seu coração me acalmavam. Foi um bom momento.

Quando decidimos que era hora de dormir, James subiu as escadas para o misterioso quarto do andar de cima e Felly, Christian e eu fomos para o nosso quarto, ficarmos confortáveis para dormir. Depois de vestir o pijama e ligar o ventilador, me deitei no colchão macio que praticamente fez o meu corpo cantar. Abri um sorriso me ajeitando na cama. Eu não acreditava em como meu dia havia sido maravilhoso. Eu ainda estava contente por toda a diversão que havia tido.

–Boa noite, meninas.

Ouvi Christian sussurrar depois de terminar a sua história sobre como os homens eram mais gatos na Austrália e se deitar. Abri um sorriso, olhando para Felly e depois para Chris. Estiquei a mão até que conseguisse encontrar o interruptor para apagar a luz.

–Boa noite.

Respondi, sendo então uma questão de tempo até eu mergulhar no mundo dos sonhos.

Notas finais
Reviews?