Notas iniciais
–F-franz?! O que você está fazendo aqui? –Perguntou a jovem, indecisa e confusa, enquanto tremia, fazendo um pouco do chá das xícaras derramarem sobre a toalha bordada que ficava em cima da bandeja;
–Minha tia me convidou para uma jantar de honrar. Achei que ela avisaria que ia receber visitas. Eu não queria vir, mas pelo visto valeu a pena: Ver a representante principal de todo o colégio vestida de, nada mais nada menos, que uma empregada! –Respondeu o jovem, abaixando um pouco e segurando as xícaras que Maru tanto deixava tremer.
–Filho, saia de perto dessa empregada! Vai se contaminar com a sujeira dela. –Gritou uma mulher de olhos sombrios e misteriosos, com um tom de ciúmes.
–M-mãe! –Respondeu o jovem, virando-se rapidamente para a mãe e logo voltando o olhar para Maru.
–Tanto a mãe quanto o filho são completos idiotas! Sai de perto de mim! –Respondeu com raiva, ao filho, sobre o comentário maldoso da mãe.
–Me obrigue...
–Seu idiota! –Maru pegou a bandeja que continha a melhor louça inglesa da casa e jogou-a em cima de Franz, sujando o garoto de chá e chamando atenção de todos no salão. –Oh meu Deus! Desculpe-me... Por favor... Eu agi por impulso, sem querer!
–Eu tolero todos os seus atrasos, tolero a sua irmãzinha mexendo nas minhas coisas, tolero tudo o que você faz... –Falou pausadamente e com muita raiva. — MAS ATIRAR MINHA MELHOR LOUÇA INGLESA EM CIMA DO MEU SOBRINHO FAVORITO É IMPERDOAVEL! ESTÁ DESPEDIDA! –Uma senhora repleta de joias, loira e com grandes olhos azuis.
–Senhorita L-louise, não foi por querer! Eu juro. –Maru tentou explicar-se à mulher, mas nada adiantou. Todos no salão estavam surpresos com a atitude dela, uns cochichavam, outros riam e alguns zombavam da jovem.
–Charles indique a porta de saída pra Maru e peça que alguma outra empregadinha qualquer para arrumar essa confusão! Minha louça inglesa... –Ignorou totalmente a suplica da jovem, virando para a mesa e lançando um olhar triste e raivoso para Maru.
–Tia Louise, não seja tão severa com ela! Eu tenho certeza que não foi por... –Intrometeu-se Franz.
–Franz, chega com essa mania de ajudar os outros, olha o que ela fez com você! Suba e troque de roupa.
[...]
Maru estava saindo pelo portão da casa, chorando e observando todos felizes rindo de sua cara enquanto comiam do bom e do melhor, junto com sua irmã, que até então não tinha entendido nada. Ela queria poupar a irmã da triste noticia que aquela semana, se comesse uma única bala, seria sorte!
–C-charles... Me empresta um pouco de dinheiro para que eu possa ir embora?
–Não. Tenha uma boa noite! –Charles bateu o enorme portão na cara de Maru, o que aumentou ainda mais suas lagrimas.
–Minha vida acabou!
–Você é muito negativa. –Disse o rapaz saindo da mansão por trás delas, dentro de um carro de luxo.
–Você já não estragou minha vida demais por hoje não, Franz?
–Ma-chan, quem é esse moço estranho? E-ele quer nos roubar?
–Não, Hinode, ele é só mais um idiota. Olha aqui Franz, você pode fazer qualquer coisa comigo, mas não se atreva a dirigir a palavra pra minha irmã! –Pegou no braço da irmã e colocou-a atrás de seu corpo, escondendo a menina de Franz.
–Então essa é a sua irmãzinha! Que fofa. Prazer eu me chamo Franz e sou amigo da Maru. –Puxou de volta a menina e estendeu a mão para a mesma.
–Você me ouviu, por acaso, Franz?!
–Ouvi, já disse que não sou surdo. Mas mudando de assunto, quer uma carona pra casa?
–VOCÊ ACHA MESMO QUE EU VOU ACEITAR SUA CARONA DEPOIS DO QUE VOCÊ VEZ COMIGO?!
–Acho.
–Idiota! –Pegou a irmã novamente e falou entre dentes.
–Ma-chan, nós não temos dinheiro pra voltar pra casa, eu sei que as moedinhas não vão adiantar, por que não aceita a carona do Franz?
–Ele não é meu amigo! Por culpa dele eu perdi meu emprego...
–Ma-chan! Você perdeu nossa única forma de sobreviver?!
–S-sim... Hinode-chan... –Disse cabisbaixa, abraçando a irmã, que fazia carinhos no seu cabelo.
–Única forma? Você não tem pais empregados não?
Maru respirou fundo antes de responder Franz. Escolheu entre milhões de palavras, dores e lagrimas, e por fim, apenas se levantou, enxugando as lagrimas que corriam de seus olhos e falou:
–Me dá logo essa carona e cale sua boca! Idiota!
–É só entrar. –Franz saiu do carro e abriu a porta traseira dele, fazendo sinal para que elas entrassem. Maru ficou boquiaberta, mas entrou logo. Só aceitou a carona porque estava sem dinheiro.
Eles seguiram todo o caminho de boca fechada, Franz achou melhor deixar a raiva de Maru passar pra depois matar sua curiosidade. Ele precisava restaurar os erros que cometeu com Maru, mesmo que a culpa não fosse dele. Ele sentia essa necessidade, enquanto não entendia o que se passava em seu coração.
–Onde é sua casa? –Falou por fim, muito tempo depois.
–Logo ali na frente, moço! –Apontou a pequena Hinode.
[...]
–Estão em casa!
–Obrigada Franz!
–De nada Hinode, foi um prazer conhecê-la! –Saindo do carro, curvou se à altura dela e logo em seguida, dirigiu se a Maru. -E não vai me disse nada, Maru?
–Vá embora apenas...
–É de se esperar, isso, vindo de você...
Maru bateu forte a porta na cara de Franz. Um misto de ódio e tristeza se apoderou de seu coração, ela achava que todos os homens eram iguais, e aquilo era apenas uma forma de seduzi-la ou algo do tipo. Amor. Um sentimento proibido para ela.
–Ma-chan, você está bem?
–E-estou... snif... Vá dormi Hinode, amanhã você tem aula de manhã.
–Ook! Boa noite Ma-chan!
–Durma com os anjos querida.
A menina se dirigiu à cama velha onde ela passará noites chorando.
~PVO MARU ON~
Existem outros empregos, até mesmo mais fáceis e perto de casa. Eu trabalho o dia todo, só chego em casa à noite e ainda tenho que arruma-la... Talvez outro emprego mais perto ajudasse... Espera aí, estou esquecendo um detalhe... S-será que o Franz vai contar para a escola toda sobre meu ex trabalho de meio expediente?! EU ESTOU MORTA! Já posso imaginar...
“Opa derrubei sorvete no chão, limpa aqui Representante?”
“Hahaha, então ela é uma maid?”
“Sirva-me um café, representante!”
E-eu me esqueci disso...
~PVO MARU OFF~
–Ma-chan, durma logo! E pare de mexer-se, isso faz a cama ranger.
–Ok, Hinode. Eu te amo... –Disse sussurrando, quase perdendo a voz no meio de lagrimas. – Você é a única coisa que eu ainda não perdi. E prefiro dar minha vida, do que perde-la...
Ao falar isso se lembrou das palavras de sua mãe:
~PVO MARU ON~
“Filha, fique aqui, eu já volto!”
“Maaaaaaaaaaaaamãe!”
Um tiro de bala cortou meus ouvidos naquele instante e minutos depois ouvi alguém chorando muito alto. Sai de onde minha mãe tinha me deixado, segurando a pequena Hinode, ainda bebê.
Andando pelos corredores daquela casa, que eu chamei de lar durante minha vida toda, eu via sangue. Muito sangue. Até que me deparei com a pior cena de minha vida.
“Eu não queria ter feito isso...”
Outros passos foram ouvidos, desta vez, já não eram mais meus. Nada mais era meu, não tinha mais um lar, não tinha mais amigos ou vizinhança. A única coisa que me restou, foi a pequena Hinode.
~PVO MARU OFF~
Fale com o autor