Notas iniciais
Demorei muito tempo,né? ^^ Mas espero não demorar mais que uma semana!

–Por favor, que não sejam tão rudes comigo... –Maru dizia para si mesma, enquanto terminava algumas lições para o dia seguinte, na sala oficial dos representantes.

–Representante... –Entrou, de repente, o jovem Issac.

–Eu não vou limpar nada! Eu tenho motivos pra...

–Você está bem? –Perguntou, sem entender nada do que ela disse.

–É você, Issac? Que susto...

–Percebi, mas mudando de assunto, aqui está o caderno com o nome dos alunos que participarão da corrida de arrecadação de fundos para a escola, a CAFPE. Está faltando apenas o seu nome e o do Franz, você poderia falar com ele? Estou muito ocupado.

–E-eu...

–Obrigada Maru, até mais tarde!

–Ninguém me escuta...

[...]

–Misaki! Você está me magoando de novo! –Choramingava a jovem de longos cabelos azuis claríssimos e cacheados.

–Você que é muito tapada, Suzi! –Respondia a outra, de cabelos muito curtos e azuis-marinhos.

–Algum problema, meninas? –Maru intrometeu-se na conversa de suas amigas. As únicas.

–Só a Suzi que se meteu em outra confusão! Eu já disse para ela não se apaixonar por homens!

–M-misaki...

–Misaki, não seja severa com ela! Ela terminou um namoro, é difícil mesmo! Depois eu venho conversa com você, Suzi! –Maru nem precisou perguntar do que se tratava, porque, era sempre esse o motivo que fazia as meninas brigarem.

–Obrigada Maru-chan!

Maru saiu em direção à sala de esportes, com esperança de achar algum amigo de Franz para que entregasse os papeis à ele. Porém, o único na sala era ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Franz.

–Ah, veio dizer obrigada?

–Não! E-eu vim perguntar sobre a c-corrida de arrecadação de fundos para a...

–Está mais calma hoje... Bom, estou sem par. — Disse ele puxando a folha da mão de Maru e analisando por uns minutos. –Ou melhor, estava!

–Como?

–Você vai ser meu par! -Antes que Maru respondesse, ele já estava escrevendo seus nomes na folha.

–M-mas...

–Pronto, estão escritos! Será na sexta-feira, né?

–É sim, mas... Eu não vou fazer par com você!

–Somos os últimos que sobraram. E depois, não podemos rasurar a folha com os nomes dos participantes. Te vejo daqui a pouco. –Disse o jovem saindo da quadra, com uma toalha em volta de seu pescoço e com as duas mãos puxando-a.

Maru ficou sem reação, mas recuperou o fôlego quando Misaki a chamou. Ela estava nervosa e parecia estar correndo muito.

–Misaki, o que aconteceu?

–A Suzi ficou com raiva de mim, por culpa daquele sermão que eu dei a ela. Mas ela sempre “quebra a cara”, eu só queria...

–Protegê-la, cuidar... Eu entendo, mas o seu jeito de demonstrar carinho é bem diferente do que a Suzi quer...

–Ela é complicada... Ou sou eu? –Disse cabisbaixa.

–As duas... Mas me diz uma coisa...

–Sim?

–Por que tem tanto ciúmes dos namorados da Suzi? Sempre que ela namora um cara, você fica com raiva ou então humilha o garoto de toda forma... E quando ela termina você diz que avisou ou coisa do tipo.

Misaki ficou assustada e depois começou a suar frio e não parava de mexer os dedos, andava de um lado para o outro, pensando como ia responder aquela pergunta. Seu coração acelerou e seu cérebro mandou uma descarga de adrenalina para todo o corpo.

–P-porque e-eu g-gosto dela...

–Bom... Todos nós gostamos.

–V-você não me entendeu! Eu amo ela da forma que ela os namorados!

Aquilo foi um choque para Maru, que ficou obsevando Misaki suar frio, não sabia o que dizer. Nunca imaginou aquilo de Misaki, ela nunca teve um namorado, mas também nunca deu suspeita para isso.

–E-eu não sei o que dizer...

Misaki respirou fundo e respondeu:

–Sem problemas, mas que isso fique entre nós...

–Sem problemas...

–Obrigada! –Misaki se retirou meio nervosa ainda e foi andando pela quadra de basquete chutando as bolas.

Maru ainda surpresa com a noticia, também saiu da sala e foi procurar Issac para entregar a folha com os nomes, com raiva por ter que fazer dupla com Franz.

Muito tempo depois, Maru ainda não tinha encontrado o rapaz, resolveu sentar em um banco que ficava no fundo da escola, de frente para um laguinho velho e abandonado, onde os únicos moradores eram girinos.

–Maru, eu estava te procurando!

–Oh Suzi, eu tinha me esquecido... Bom pode desabafar! O que foi dessa vez?

–Aquele garoto que eu gostava... Ele me disse que me amava que eu era tudo que ele procurava e que não tinha menina mais perfeita no mundo do que eu e ainda roubou um beijo meu! Tudo me parecera tão mágico e de repente desmoronou. Não sei por que, ele começou a namorar outra menina. E-eu fiquei t-tipo...

–Meu Deus! Que horrível Su! Mas eu acho que ele queria isso...

–Isso o que? –Suzi podia ser animada, inteligente e esperta. Mas quando o assunto era “amor” ela se tornava uma completa tapada.

–Ele queria apenas te iludir e te usar... Mas não fica assim –Disse Maru, apoiando a cabeça de Suzi no seu peito e acariciando, quando percebeu que Suzi estava chorando novamente. –Você vai achar alguém melhor e que mereça todo esse amor seu! E você não está sozinha, tem à mim, à Misaki...-Nesse momento Maru parou e lembrou do que Misaki confessou à ela à algumas horas.

–Obrigada Maru-chan... –Falou enxugando as lagrimas que ainda escorriam de seus olhos lilás. –Por que a Misa-chan não é assim comigo? Ela só briga e grita...

–É-é que a M-misaki tem um j-jeito d-diferente de demonstrar i-isso... Mas esqueça isso, tá?

–O-ok...-Ela fez uma breve pausa,suspirou fundo de recuperou o fôlego. -Maru-chan...

–Sim?

–Você não acha que esse laguinho está muito acabado. Alias, a escola.

–É mesmo. Mas o que isso tem haver?

–Que eu acho que devíamos usar o dinheiro arrecado com a corrida de arrecadação de fundos pra reforma à escola? –Sim, Suzi muda de humor rapidamente.

–Hum, boa ideia! Não tinha pensado nisso, mas posso falar com a presidente e pedir autorização...

–Faça isso! Eu quero tirar isso da minha cabeça, trabalhar um pouco na escola vai me fazer bem!

–Acho que sim! Suzi entregue isso pro seu irmão, Issac?

–Claro!

A jovem de cabelos azuis, desta vez bem humorada, saiu correndo pelo corredor cheio de terra e ramificações secas e sem graça.

Maru dirigiu-se a sala da presidente, que repassava tudo que os representantes e alunos pediam para melhorar ou alguma reclamação à diretora. A presidente era gentil e nunca perdia o humor, sempre lidava de forma rápida e calma com os problemas. Era baixinha e tinha cabelos negros que iam até o pé e olhos azuis.

–Com licença, posso falar com você, Lys?

–Maru! Pode sim!

Maru explicou a historia para a presidente que avaliou e gostou da ideia, pediu apenas alguns dias para falar com os professores e a diretora sobre o assunto. Maru sabia que eles autorizariam, mas mesmo assim, assentiu e preferiu não falar nada com a Suzi.

Ela recolheu seu material e já havia saído da escola, e estava perto de um beco pouco movimentado, quando foi abortada por um jovem encapuzado, que segurava uma faca pontuda e grande. Ficou sem reação e deixou tudo que segurava cair no chão.

–Ora, ora! O que vemos aqui? Uma jovem estudante, indefesa? –Perguntou o ladrão retoricamente, enquanto “acariciava” o rosto de Maru com a faca. –Qual seu nome?

–M-ma... –Demorou um tempo para soltar algumas silabas, mas levou um soco do ladrão e com consequência a faca acabou cortando-a.

–Passa logo tudo o que você tem! –Gritou o homem empurrando-a no chão, fazendo com que machucasse a perna.

–Mas e-eu não t-tenho nada de v-valor... –Conseguiu falar com muito esforço, por culpa da dor e das lagrimas que escorriam de seus olhos.

–Então, posso ter... –Dizia o homem chegando mais perto de Maru, que ainda estava no chão, abrindo uns dos botões da blusa que ela usava.

–Nada! Não vai ter nada! –Ecoou pelo pequeno beco, onde estava Maru, uma voz grossa e decidida.

–Quem é você? –Perguntou o homem, arregalando os olhos e levantando-se, pronto a enfrenta-lo.

–Eu sou o seu pesadelo. –Disse dando um soco e um chute no ladrão fazendo-o cair no chão, gemendo de dor e soltar a faca.

–F-franz?!

–Ele te machucou representante? –Franz estendeu à mão a Maru, ajudando a sentar-se.

–O que você e-está f-fazendo...-Maru não conseguiu terminar a frase,desmaiou. Lá estava ela no colo de Franz,ensanguentada e fraca...Nunca conseguiriam imaginar a representante daquela forma.