Você É Meu Pai? Ou Não É...
4 4. Celular
Notas iniciais
– Foi o Daniel que mandou pintar dessa cor, a cor preferida dele também é roxo. Agora vai aproveitar o seu quarto – ela disse me dando um empurrãozinho, em seguida saindo e fechando a porta.
Olhei em volta e sorri igual boba. Saí correndo feita retardada e saltei com tudo na cama, o colchão era fofinho e acolhedor. Aquela cama, com aquelas almofadas gostosas e aquele edredom quentinho estavam me chamando e eu como uma boa menina não neguei o seu pedido.
Primeiro fui dar uma olhada no quarto, que era grande e maravilhoso e me joguei na cama dormindo logo em seguida.
– Querida… Querida… Querida? Julie? – ouvia uma voz ao longe, mas não conseguia reconhece-la. – Juliana? Julie, acorde querida. – logo consegui notar que a voz era de Catalina me chamando e abri os olhos manhosa. Ela riu. – se arruma querida, vamos sair.
– Vamos para onde? – perguntei com uma voz sonolenta. Ela riu, talvez por a minha cara estar amassada ou pela a minha voz de sono.
– Vamos ao shopping fazer umas comprinhas para você e para mim e jantaremos lá mesmo. – abri um sorriso.
– Ok, só não gosto que gastem dinheiro comigo. — disse.
– Cale-se. – risos. – Vá se arrumar. – levantei correndo da cama, fui para o banheiro e tomei um banho quentinho, saí do banho, sequei o corpo e o cabelo e fui me vestir. Levei poucas roupas então não iria demorar para encontrar uma e me arrumar. Coloquei um vestidinho e uma sandália a condizer.
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Desci as escadas calmamente e encontrei Catalina sentada no sofá vendo tv e ao seu lado estava Daniel que mexia no celular.
– Estou pronta. – sorri.
– Você está linda querida. – Catalina sorriu para mim.
– Obrigada. – sorri.
– Vamos? – perguntou.
Ela e Daniel, que continuava mexendo no celular, se levantaram e caminhamos até a porta. Não sei como o Daniel ainda não tinha caído, ele não parava de escrever e escrever, eu não sei como mexer naquilo por isso acho que ficaria meia hora dó para escrever “tudo bem?” enfim… Entramos no carro e Daniel ainda continuava mexendo no celular, Catalina já estava ficando irritada.
– Para de mexer nessa porcaria, você não tem mais 16 anos Daniel! – repreendeu ele e o mesmo bufou.
– Me deixa mãe, eu estou no twitter! – retrucou. Catalina bufou e começou a falar comigo animadamente. Chegamos ao shopping e fomos fazer as nossas comprinhas como diz Catalina, eles compraram M U I T A coisa para mim. Catalina comprou uns vestidos lindos para ela. E Daniel comprou bonés e tenis. Quando estávamos esgotados fomos para um lugar chamado “praça de alimentação” onde haviam vários restaurantes, eles quiseram ir no McDonald’s e eu fui atrás.
Eu já havia comido McDonald’s é claro. O shopping é simplesmente surpreendente e um otimo lugar para desestressar, estou ficando patricinha, QUE HORROR!
– Oi Julie – disse Daniel. Sim, ele não havia falado comigo até agora e eu também não havia me dado ao trabalho de falar com ele. Se não quer falar não fala.
– Oi Daniel – sorri.
– Só agora que fala com a menina não é Daniel Castellamari? Também, só quer ficar naquele twitter.
– Mãe eu não sou mais uma criança, vê se entende isso! – ele retrucou bravinho.
– Se não é parece! Agora vai fazer os pedidos. – disse brava. Ele se levantou irritado e foi fazer os pedidos. Eu e Catalina começamos a rir. Ele queria ser meu “pai” mas é mais criança que eu.
– Meu “papai” né? – perguntei para Catalina entre risos.
– Ah querida ele é meio, meio não, muito infantil… Mas quando você precisar de alguma coisa, tiver algum problema pode contar com ele, isso eu te garanto. – ela disse e deu uma piscadela. Continuamos a conversar até Daniel chegar. Comemos calmamente, rimos muito, e fomos embora.
– Então querido, eu vou embora amanhã. – Catalina disse enquanto íamos embora para casa.
– Mas já mãe? – sua voz estava triste.
– Sim querido.
– Você vai embora? Como assim? – perguntei assustada.
– Ta com medo de ficar só comigo Julie? – Daniel perguntou rindo.
– Sim. – respondi normalmente. Ele me olhou indignado e eu ri. – Não, mas esperava que a tia Catalina fosse ficar com a gente.
– Ah eu moro em Atlanta querida, tenho o meu trabalho lá. E outra, Daniel nem é tão irresponsável quanto parece, ele até é um bom rapaz. – disse sorrindo.
– Nossa, olha o que o povo pensa de mim. – Daniel disse.
O resto do caminho fomos conversando sobre coisas idiotas. Quando chegamos em casa, eu me despedi deles, e subi. Fiz a minha higiene, vesti um pijama e fui dormir. Nossa eu ando com muito sono. No dia seguinte acordei às dez horas da manhã. Vesti uma roupa
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Desci, encontrei Daniel e Catalina na cozinha, dei bom dia para eles e me juntei ao café da manhã. Comi umas torradas e suco de maçã.
– Bom meus amores, eu tenho que ir. O meu voo sai daqui a duas horas e eu tenho que ir antes para fazer o check-in e isso demora. Vocês vão comigo? – perguntou Catalina meio triste.
– Vamos sim mãe. – ele abraçou-a e deu um beijo no topo de sua cabeça.
Era uma cena linda de se ver, logo lembrei de minha mãe e me deu uma vontade enorme de chorar, mas me segurei. Acompanhamos Catalina até ao aeroporto, um lugar que eu nunca tinha ido, era legal e eu podia até ficar contente por ir lá se não fosse nessa situação. Quando demos conta já era meio dia e vinte, o horário do voo da Catalina, nos despedimos dela, ela e Daniel choraram um pouco, eu achei muito fofo da parte dele.
Fomos embora. Não sei porque mas já me sinto de casa, já me sinto parte da família. Talvez seja porque eles são todos muito acolhedores. Eu acho que vou gostar bastante de ficar aqui. O celular de Daniel tocou me tirando dos meus devaneios e ele parecia um pouco impaciente falando com a pessoa “Ta, ta bom. Vem logo.” Foi a última fala dele antes de desligar o telefone bufando. Olhei para ele confusa.
– Não é nada Julie. Você só vai conhecer a minha querida namorada. – só eu senti um pouco de ironia ao dizer “querida”? Resolvi deixar para lá.
– Vou ter muito gosto em conhece-la. – dei um sorriso, afinal ela deve ser importante para ele não? É a sua namorada. – Qual o nome dela? – perguntei.
– Thalita- O resto do caminho, que não era muito longo, fomos em silêncio. Quando chegamos em casa eu fui para o meu quarto, AHHH ADORO DIZER ISSO “MEU QUARTO”, troquei de roupa…
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… Pois havia suado e queria andar de skate. Desci as escadas e fui procurar Daniel, encontrei-o na piscina com uma moça muito bonita, era loira, tinha um corpo cheio de curvas e uns maravilhosos olhos cafés claros, perto dela eu me senti um lixo. Eles estavam se beijando intensamente, ela estava sentada em cima dele, fiquei até constrangida em chama-los mas eu tinha que pedir permissão para sair. Pigarreei e eles se separaram assustados, dei um sorrisinho tímido.
–Daniel, posso sair para andar de skate? – perguntei e ele se surpreendeu.
– Pode sim Julie. Ah e essa é a minha namorada, a…
– Thalita– o interrompi. – Você tinha me dito no carro, esqueceu?
– Ah é. Thalita, essa é a Julie– ele disse e eu sorri, ela me olhou de cima a baixo e virou a cara. Oxi garota idiota, enfim…
– Ta, eu vou lá. – sorri e me retirei. Sai de casa e saltei para cima do skate. Deve estar se perguntando como eu sei andar de skate se eu morava em um orfanato né? Bom, no orfanato não havia nada para fazer, e além de roupas eles também doavam brinquedos e coisas assim. E ontem Catalina comprou skates novos para mim, eu contei para ela que gostava.
– Ei gatinha. – um garoto me chamou.
– Oi. – sorri.
– Qual a sua idade? Seu nome? É nova aqui? Mora onde? – disparou na faladeira.
– EEEEEEEEEEEI calma. – risos. – Tenho 17 e você? Julie e o seu? Sim e você? Ali. – apontei para a casa do Daniel– e você?
– Tenho 15, Martín, não, ali – apontou para uma casa que ficava em frente a casa do Daniel– mora com o Castellamari?
– Sim, ele me adotou. – disse normalmente e ele me olhou espantado.
– Ah você ta aí Martín, nem me esperou seu peste. – disse uma garota bonita, tinha olhos cafés escuros e cabelos marrom escuros e lisos.
– Desculpa Bia, já conhece a nossa nova vizinha? Mora na casa do Castellamari– ele disse e ela olhou para mim e sorriu.
– Oi, meu nome é Beatriz mas você pode me chamar de Bia – me deu um abraço.
– Oi, meu nome é Juliana, mas me chama de Julie.
– Sabe andar de skate Julie? – Martín perguntou.
– Mora onde? – Bia perguntou. Nossa esses dois gostam de falar hein? AHHH AMEI ELES!~
– Sei e moro na casa do Daniel. – apontei para a casa.
– eu já tinha te dito Beatriz. — Martín disse entediado.
– Como assim você mora com o gostoso do Castellamari? Comoooo? – perguntou animada.
– Ele me adotou. – respondi espantada com a animação dela. Essa garota é doidinha, amei ela ainda mais.
– Nossa papai Castellamari, me adota também. – disse se abanando e eu ri.
Andamos de skate a tarde toda e eles me mostraram a cidade. Foi super legal e a tarde mais divertida de toda a minha vida. Voltamos para o nosso condomínio e combinamos sair no dia seguinte. Trocamos os nossos números, pois é a Catalina comprou um iphone para mim AHHH AHHH AHHH é super divo.
Abri a porta de casa rindo de Martín que estava do outro lado da rua dançando marcarena. Quando entrei em casa, mais concretamente na sala, o meu sorriso desapareceu. Daniel e Thalita olhavam para mim. Ela estava em cima dele só de roupas íntimas e ele só de boxers, dei um sorriso envergonhado já imaginando o que ia acontecer se eu não tivesse atrapalhado. Sinceramente eu não faço ideia para que o Daniel me adotou, para eu ver porno ao vivo? Mas eu tenho que agradecer a ele se não ficaria naquele orfanato até aos 20 anos e depois ficaria sem rumo. Não pude nem começar a subir as escadas porque Thalita começou a fazer um showzinho.
– MAS QUE PORRA DANIEL! EU NÃO DISSE NADA QUANDO VI ESSA PIRRALHA MAS ISSO JÁ É DE MAIS, JÁ A SEGUNDA VEZ, S E G U N D A QUE ELA NOS ATRAPALHA, ESSA NOJENTINHA
.– Cala a boca Thalita– ele disse calmo.
– Que calar a boca o que. Essa orfãzinhha, nem os pais a quiseram porque morreram, você quer essa empata foda. Porque você tinha que chegar hein vadia?! – ela disse, a parte dos pais me abalou mas me irritou também.
– Vadia? Eu? — risos — querida, que eu saiba não sou eu que visto roupas mínimas e quero dar a toda a hora. Tu tava quase fodendo com o Daniel lá fora, teve umas quatro horas para fazer isso então porque não fez sua vadia recalcada. – disse e ela me olhou espantada. – Não levo desaforo para casa querida. – dei um sorriso falso.
– Porque você adotou essa criatura ridícula que nem os pais quiseram. Se os pais não querem é porque já não tem jeito, nasceu para ser sozinha no mundo Dan… — disse manhosa.
– Era só o que me faltava, uma vadia exigente. – eu disse e fui até a cozinha, precisava beber água, não sei de onde tirei coragem para enfrentar ela, nunca enfrentei ninguém antes. Bebi água e voltei para a sala.
–Dan, bebê vamos acabar isso lá em cima no seu quarto, ao menos lá não há orfãzinhas vadias. – disse manhosa, e Daniel empurrou ela que caiu no chão sentada. – Ai! – murmurou.
– Cala a boca sua vagabunda. Já tou cansado desses seus showzinhos, você só quer saber de dar e dar, vai procurar outro cara vai. E outra coisa, se voltar a falar alguma coisa da Julie eu não me responsabilizo pelos meus atos, e olha que eu não bato em mulher. – disse irritado.
– Orfãzinha, vadia de quinta, nem os pais quiseram essa pu… — começou para provocar ele mas não pode acabar porque ele deu um tapa estralado na cara dela. Ela olhou para ele chocada e começou a chorar. Ele agarrou o braço dela, as suas roupas que estavam espalhadas no chão, abriu a porta e jogou ela pra fora juntamente com as suas vestes.
– Cai fora e nunca mais volta, está tudo acabado entre nós. – disse sério e ela começou a chorar mais. Ele fechou a porta na cara dela e virou-se para mim com um sorriso tímido. — Desculpa Julie, eu sou um péssimo “papai”. – disse decepcionado com ele próprio.
– Não foi nada Daniel, e não, você é um óptimo “papai”. – sorri e abracei ele.
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