Voando Alto
13 Uma Aula diferente
Notas iniciais
Na manhã seguinte acordei bem cedo e ninguém estava de pé. Aproveitei para tomar banho e fui para o salão comunal para ler o livro que eu peguei na biblioteca. Eu ainda não tinha conseguindo entender o que tinha acontecido comigo no ano passado, não achei nenhum livro na Floreios e Borrões, mas não existia um livro no mundo que não poderia ser encontrado na biblioteca de Hogwarts.
Esse em questão se chamava A mente de um bruxo por Tobias Blackwell, datado de 1778, mas essa era uma versão renovada. Tive que insistir muito com a bibliotecária para conseguir tirar o livro de lá. Tinha lido uns quatro capítulos até agora, e o próximo explicava sobre a Legilimência e parecia muito interessante, de repente eu cheguei em um trecho e tomei um baita susto:
“A Legilimência também é vulgarmente conhecida como a habilidade de ‘ler a mente’ de outra pessoa. Mas este é um poder extremamente raro entre muitos bruxos do mundo, alguns dizem que isto é algo natural, porém existem outros que depois de muito treino e dedicação adquiriram esta notável habilidade.”
Ler a mente? Então era isso… Finalmente eu tinha conseguindo encontrar uma explicação lógica para esse poder. Será que eu tenho essa Legilimência desde que nasci? Mas meus pais nunca falaram nada sobre isso. Deveria mandar uma carta perguntando…
— Bom dia Artie — falou Evie me abraçando por trás do sofá que eu estava. — Você anda lendo muito esse livro… Legilimência? Não sabia que estava interessado nisso, sabia que é considerado Artes da Trevas?
— O quê? Artes das Trevas? Mas aqui não diz nada disso… — falei meio assustado.
— Claro! — falou ela pegando o livro e olhando a capa — Esse tal de Blackwell era considerado um bruxo das Trevas, mas nunca foi provado. Ele não ia querer deixar isso claro né?
— Mas nem de manhã cedo vocês não esquecem as Trevas, olhem esse sol lá fora — falou Lorcan que tinha acabado de se aproximar. Eu não tinha reparado mas o salão comunal já estava bem cheio.
— Bom dia para você também, Lorcan — falou Evie.
— Bom dia querida Evellyn! — respondeu ele rindo, sabendo que ela odiava ser chamada assim.
— Argh! Eu vou tomar café, até depois — falou ela brava. — E tome cuidado com isso Artie, podem pensar algo errado de você.
— Espera Evie eu estava brincando — disse Lorcan mas já era tarde, ela já tinha saído do salão. — O que deu nela? E do que vocês estavam falando Lux?
— Ah… nada não — Lorcan é meu amigo, um grande amigo, mas acho que não quero muita gente sabendo disso agora. — Vamos descer, estou com fome. E acho que é só isso que a Evie tem, fome.
— Pode ser, vamos então! — respondeu ele.
Durante o café da manhã o professor Longbottom comunicou que as aulas do primeiro e segundo período dos alunos do quarto e quinto ano foram alteradas para uma aula especial com o Auror Harry Potter e o professor Ogden. Aconteceu um burburinho e alguns alunos queriam participar da aula, foi então que o professor disse que quem tivesse um dos períodos vagos e estivesse no sexto ou sétimo ano também estavam convidados a participar. Ainda assim os mais novos que queria participar insistiram, mas o professor negou veementemente.
A aula estava marcada para acontecer no próprio salão principal, então depois do café da manhã ele foi esvaziado para a preparação. Sentamos, eu, Evie e Lorcan, no patio que ficava na frente da escola, e logo em seguida Alvo, Lily, Hugo, Megan, Rose e Scorpius chegaram junto com Lysander e Ashley.
— To até curioso para saber como vai ser essa aula — falou Alvo.
— Deve ser só uma aula de DCAT normal — falou Rose.
— Normal não vai ser né? Até porque o professor dessa aula derrotou o maior bruxo das trevas da história recente — disse Megan.
— Tomara que meu pai não escute você falando assim dele — falou Alvo.
— Por quê? — perguntou ela.
— Ele não gosta muito dos holofotes Meg — respondeu Lily. — Mamãe costuma dizer que se pudesse, meu pai nunca apareceria em uma foto.
— Muito diferente de você não é Alvo? — perguntou ela em tom provocativo.
— Olha o ciumes Meg — falou Rose rindo, fazendo Scorpius rir e a Megan ficar com cara de raiva. Mas no mesmo momento a sineta tocou e nós tivemos que voltar ao salão principal.
Chegando lá as mesas haviam sido removidas e o lugar estava extremamente amplo, no palanque onde ficava a mesa dos professores, estava o senhor Potter e o seu amigo, nosso professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Tibério Ogden.
— Bom dia a todos! — falou o senhor Potter amplificando a sua voz. — Hoje vamos ter uma aula simples de alguns feitiços defensivos. Por favor dividam-se em duplas.
— Vamos nos dois Artie? — perguntou Lily.
— Claro — respondi. Lorcan e Lysander, Alvo e Megan, Rose e Scorpius, Evie e Hugo formaram duplas respectivamente.
— Ótimo. Muito bom! Eu vou formar dupla com o professor Ogden, primeiro vamos praticar o feitiço Expelliarmus, imagino que todos já conheçam. Mas acho melhor começar com o mais simples, então tentem desarmar um ao outro na dupla formada.
E foi uma explosão de gritos de Expelliarmus para tudo quanto foi lado. O barulho era enorme, saquei minha varinha olhei para Lily e disse:
— Primeiro as damas!
— Se você insiste — disse ela com um sorriso maquiavélico no rosto. — Expelliarmus!
Minha varinha voou da minha mão e foi para exatamente na mão esquerda da Lily. Ela veio na minha direção com um sorriso de extrema satisfação me entregou a varinha dizendo:
— Agora é a sua vez.
— Expalliarmus!— falei quando ela tinha se afastado um pouco, então a varinha dela voou de sua mão e caiu no chão a um metro e meio de distância. — Não sou tão bom quanto você nisso, me desculpe.
— Tudo bem Artie — respondeu ela sorrindo recuperando sua varinha. Quando seu pai apareceu do seu lado aconteceu de novo:
“Nunca pensei que ela ficaria tão poderosa quanto sua mãe…” — era a voz de Harry Potter na minha cabeça, mas de repente a voz parou e ele olhou fixamente para mim.
— Filha será que eu posso falar com o Arthur por um instante?
— Claro que sim, pai — ele andou na minha direção, colocou a mão no meu ombro e me guiou pra fora do salão.
— Está tudo bem senhor Potter? — perguntei um pouco preocupado.
— Isso é você que terá que me dizer Arthur — respondeu ele serio olhando nos meus olhos através dos seus óculos redondos. — Você sabe o que acabou de acontecer?
— Como assim? — não sabia se ele estava falando sobre eu ter lido a mente dele ou do feitiço de desarme.
— Essa conexão que você fez na minha mente, você tentou fazer isso?
— Não! Mas é claro que não… eu… não sei controlar…
— Fique tranquilo Arthur. A Legilimancia é uma arte mágica muito rara e a sua habilidade é extremamente notável. Já que você consegue ter acesso a mente de uma pessoa sem a necessidade de realizar um feitiço, mas se você não consegue controlar vai precisar de acompanhamento. Mais alguém sabe disso?
Não, eu não contei isso para ninguém… primeiro gostaria de saber o que era, agora eu tenho certeza.
Então você já tinha pesquisado? — perguntou ele curioso.
Sim, eu peguei um livro na biblioteca que informava sobre isso — respondi. — Mas senhor Potter, a Evie, ela me viu lendo o livro e disse que esse poder tá relacionado as Artes das Trevas, isso é verdade?
— Isso é um mito — respondeu ele rapidamente. — Ficou-se conhecido que muitos bruxos das trevas buscaram adquirir esse poder para usar contra outros bruxos. Mas relacionar essa extraordinária habilidade à Artes da Trevas é um erro comum.
— E como o senhor percebeu?
— Ora Arthur, eu não sou o Chefe da Seção dos Aurores atoa não é? — ele falou sorrindo. — Eu também tenho essa habilidade mas por razões que não vem ao caso explicar agora, e eu aprendi com um grande bruxo a como controlar e bloquear esse poder.
— Mas por que eu iria querer bloquear? Ele é muito útil.
— Eu imagino que sim — e ele deu um sorriso maroto igual ao Alvo. — Sei bem a utilidade desse poder para você agora. Mas saiba que uma mente ligada a outras fica vulnerável.
— Então o senhor vai ajudar a me proteger? — perguntei ansioso. Ter aulas particulares com o maior bruxo dos últimos tempos seria incrível.
— Infelizmente não teria tempo suficiente. Mas vou pedir ao professor Ogden que ajude você nesta tarefa. Ele é muito bom com a Oclumência — ele percebeu minha expressão de duvida e já explicou -, que é a arte oposta a Legilimência. Mas agora vamos voltar, tenho que continuar a aula.
— Voltamos para o salão e a Lily veio direto me perguntar sobre a conversa eu disse que depois explicava, já que o senhor Potter estava falando para todos nós novamente.
— Eu vi que muitos de vocês foram muito bem. Agora vou dificultar um pouco as coisas. Gostaria de ensina-los o Feitiço do Patrono, um feitiço muito difícil que os ajudara a se proteger de algumas criaturas das Trevas. Para executa-lo vocês terão que pensar em uma lembrança muito feliz, a mais feliz que tiverem. Vou demostrar agora: Expecto Patrono!
Então uma luz prateada saiu da ponta da sua varinha e foi tomando a forma de um cervo com uma galhada gigante, ele cavalgou pelo céu do salão enquanto todos olhávamos e uma sensação de alegria tomou conta de todos nós.
— Agora é a vez de vocês — e o patrono dele sumiu. — Vamos lá! Tentem!
Fiquei pensando em alguma lembrança feliz, eu tinha algumas. Uma viagem com meus pais para a Espanha, ou o dia que a minha varinha me escolheu, ou até mesmo o dia que entrei para o time de Quadribol. Mas a lembrança que me deixou mais feliz foi o dia que eu conheci os meus amigos, estava com essa lembrança em mente, pensando nas risadas e conversas, então falei:
— Expectro Patrono! — então uma luz branco-prateada saiu da minha varinha e foi tomando a forma de um pássaro, mas foi aumentando de tamanho e então quando eu percebi que era uma águia, ela desapareceu.
Olhei em volta e vi que muita gente não tinha conseguido e estava olhando para mim. Mas na verdade era para o Alvo que eles estavam olhando, quando eu reparei o patrono corporeo dele tinha tomado a forma de uma fênix e era bem grande, mas logo sumiu. A Lily também conseguiu, mas seu patrono não tomou forma, assim como o da Evie e Hugo, Lorcan e Lysander produziram o mesmo patrono, um coelho. Enquanto Rose assim como a Lily não conseguiu um corporeo, já Megan produziu uma leoa e Scorpius um lagarto.
Depois de muitos testes e frustrações a aula acabou e nos fomos conversar na ponte coberta, nessa hora a Lily me chamou e pediu para eu explicar a conversa com o pai dela. Eu contei tudo, mas não que eu tinha entrado na mente dela, só que eu acho que ela não acreditou e o que é pior…
“E se ele entrar na minha mente e descobrir os meus sentimentos? E se ele perceber que meu interesse por ele só aumenta? Preciso aprender a me defender disso.” — eu estava olhando para ela, que estava olhando para o lago.
— Espero que não esteja entrando na minha mente agora, senhor Arthur! — falou ela de repente olhando fixamente para mim.
— O quê? Mas é claro que não Lily… eu já disse eu não controlo isso…
— Ainda! — ela tinha ficado muito séria. — Eu preciso ir, depois a gente se vê — então ela saiu andando e arrastou a Megan e a Evie junto.
— O que deu nela? — perguntou Alvo.
— Não sei — respondi. — Ela simplesmente decidiu que tinha que ir e foi.
Ficamos conversando mais um pouco até o almoço e a Lily não estava no salão nessa hora. Perguntei para Evie, mas ela desconversou e não falou o que tinha acontecido. Acho que ela percebeu e estava se afastando por causa disso, o que era muito chato. Nem bem comecei a entender e já estou odiando esse poder. De repente lembrei o nome do autor do livro, Tobias Blackwell, será que o senhor Potter sabia algo sobre ele? Bom, agora é tarde ele já foi embora. Teria que pesquisar um pouco mais sobre isso.
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