Voando Alto
14 O melhor dia da minha vida
Notas iniciais
A Lily estava me evitando a dias, não conseguia nem me aproximar que ela inventava uma desculpa e saia de perto de mim. Nenhuma das garotas sabiam o porque ela estava agindo assim, o que quer dizer que ela não tinha contado nada sobre a Legilimência. A primeira aula de Oclumência será hoje à noite, depois do jogo, com o professor Ogden.
E sobre o jogo, seria exatamente contra a Grifinória, e pela primeira vez desde que entrei para o time da Corvinal eu não veria o Tiago Potter como capital do time adversário. Assim como no nosso time o apanhador seria o capitão, Alvo pela Grifinória e Eric pela Corvinal, já que o Adam também havia se formado no ultimo ano.
— Bom dia pessoal! — falou Evie chegando para o café da manhã.
— Bom dia Evie — respondemos eu e Lorcan juntos. Eric a cumprimentou com um meio sorriso.
— Bom dia mana — respondeu Helena — A mãe pediu para te avisar de não esquecer o seu pedido para o teste.
— Que teste? — perguntei.
— Para monitora — respondeu ela.
— E desde quando precisa de teste? — perguntou Eric.
— Faz parte do regulamento, quando um monitor pede liberação do cargo durante o ano, deve-se ser aberto uma concorrência, no caso um teste — explicou Helena.
— Mas eu achei que alunos só poderiam ser monitores a partir do 5º ano — falei. — Não é isso?
— Sim — respondeu Evie. — Você está certo Artie, mas na concorrência todos os alunos matriculados do 4º ano em diante podem participar.
— Então boa sorte, espero que você passe! — falei.
— Obrigada! Quero muito mesmo, mas hoje é dia de vocês ganharem o jogo.
— Isso eu concordo — falou Eric. — Inclusive estou indo para o vestiário preparar a estrategia, espero vocês lá em 15 minutos.
— Eu não aguento mais isso! Será que ele ainda se lembra da minha existência? — falou Helena quando Eric já estava saindo do salão.
— Lena, ele está pilhado. Você sabe que ele tem a rivalidade com o Potter. E o pior, nunca conseguiu derrota-lo — respondeu Yoko pela primeira vez no dia.
— Não me importo com essa rivalidade idiota, eu sou a droga da namorada dele Yoko. Que saco, desde o começo do ano ele está assim.
— Eu não sei o que você viu no Eric… — começou Evie mas foi cortada pela irmã mais velha.
— Quando você se apaixonar por alguém você vai descobrir o que é! — Exclamou ela se levantando. — Vou falar com ele, tentar acalma-lo um pouco.
— Com esse seu temperamento não vai acalmar ninguém — disse Evie quando a irmã já estava a uma distância segura.
Depois do café seguimos para o campo para disputar a primeira partida do ano. No caminho encontramos parte do time da Grifinória, e como somos todos amigos nos cumprimentamos e desejamos boa sorte. Seguimos para o vestiário e não sabemos como mas a Helena realmente tinha acalmado o Eric, mas ele tinha desenhado uma tática para vencer a Grifinória.
— Façam isso e fiquem tranquilos, eu VOU pegar esse pomo! — gritou ele. Vamos Corvinal!
— Vamos! — gritamos todos junto e partimos para o campo montados.
O dia estava ótimo para um jogo de Quadribol. E o jogo foi realmente muito bom, consegui fazer sete gols, a Helena mais cinco e o Yoko quatro. A Lily fez oito gols e os novos artilheiros William e Ariane marcaram 3 cada um. O Hugo fez sua estreia como goleiro depois que o Yago se machucou com um balaço rebatido por Lorcan, e foi muito bem, depois disso não conseguimos mais marcar. Mas para a surpresa de todos o Eric conseguiu pegar o pomo nos dando a vitoria contra a Grifinória, algo que não acontecia em anos.
A comemoração foi gigantesca, parecia que tínhamos vencido o campeonato, mas na verdade foi só um jogo. Mas para o Eric esse tinha sido um grande jogo e merecia comemoração. O salão comunal ficou lotado de alunos e o barulho era absurdo. Eu decidi sair sem ser percebido, queria caminhar um pouco e para um sábado o castelo estava bem vazio.
Quando me aproximei da escadaria da Torre de Astronomia vi a Lily subindo as escadas, comecei seguindo-a. Ela chegou perto da porta que dava acesso a escada que leva para o topo da torre, eu me aproximei e a chamei:
— Lily… — ela levou um susto e ficou um pouco mais aliviada ao me ver.
— Oi Artie, você me assustou. O que faz aqui? Pensei que estava comemorando.
— Estava, mas ficou muito barulhento lá. Eu ia te perguntar exatamente isso — respondi. — Te vi vindo pra cá e decidi ver se precisava de alguma coisa.
— Não, eu estou bem, obrigada — respondeu ela abrindo a porta.
— Lily, espera — ela parou e olhou para mim outra vez. — Eu fiz alguma coisa?
— Como assim?
— Desde o dia que eu te contei, sobre o que está acontecendo comigo, você se afastou. Não sei o por que, mas isso me preocupa — falei finalmente.
— Olha Artie, você é muito especial pra mim. Mas esse seu poder é complicado…
— Eu não vou ler a sua mente, nunca faria isso — falei segurando a mão dela e me aproximando. — Eu não preciso disso.
No segundo seguinte, estávamos tão próximos que eu podia sentir o calor do corpo dela e a sua respiração. Ela olhou para baixo, eu segurei o seu rosto delicadamente e levantei, sou alguns centímetros mais alto que ela, quando nossos olhos se encontraram eu não consegui me conter. Me aproximei colando os nossos corpos, ela fechou os olhos e logo nossos lábios estavam unidos.
Sim, eu estava beijando a garota mais linda e desejada de Hogwarts. E esse foi o meu primeiro beijo, pelo que eu percebi o dela também. Não demoramos muito, mas foi um bom beijo. Assim que acabamos nos olhamos e sorrimos um para o outro. Ela me abraçou e disse:
— Me desculpa por me afastar… eu achei que você ia descobrir os meus sentimentos e fiquei com medo, porque não sabia se você sentia o mesmo.
— Eu estou afim de você desde o segundo ano. Mas eu achei que só seriamos amigos. Isso só começou a mudar no dia do seu aniversário.
— Eu quase te beijei ali naquele por do sol — ela falou sorrindo e me beijando de novo. — Vamos lá pra cima.
Nós dois adoramos essa torre, ficamos ali conversando e namorando. Mas a Lily sugeriu que ninguém soubesse, por enquanto. Ela se achava nova para assumir uma relação séria, e por mais que eu fosse amigo e conhecido da família, ela sabia que seu pai não ia gostar logo de cara.
— Eu adoraria ficar mais aqui com você — falei olhando nos olhos dela e acariciando seu rosto. — Mas tenho aulas de Oclumência daqui a pouco.
— Mas é claro que eu não vou te prender aqui… por mais que eu quisesse — ela deu um lindo sorriso. — Pode ir Artie, você realmente precisa aprender a como controlar isso.
— Acho que só vamos nos ver amanhã agora né?
— Por que? Você não vai jantar? — ela perguntou um pouco preocupada.
— Vou, claro. Mas é que nós estamos em casas diferentes né?
— Ah mas isso sempre foi assim, bobo — ela sorriu de novo e eu a beijei.
— Bom tenho mesmo que ir, você vai ficar aqui?
— Vou ficar mais um pouco. Tchau meu artilheiro preferido!
— Tchau minha ruivinha — dei um beijo na testa dela e levantei. Quando eu estava chegando na porta a Lily me chamou:
— Artie! — eu me virei e ela veio correndo na minha direção, me abraçou e me deu um beijo, bem mais intenso do que antes. — Só pra você lembrar de mim.
— Isso nem seria preciso, você nunca sai da minha mente — respondi sorrindo olhando para ela que também sorria — Mas devo dizer que eu gostei muito.
Desci as escadas e fui em direção a Torre da Corvinal, entrei no salão comunal e nem falei com ninguém. A comemoração ainda estava rolando, mas se alguém, principalmente Eric ou Lorcan, percebessem que eu tinha saído iam querer saber onde fui. E eu não vou falar. Passei rápido pela porta de acesso aos dormitórios, e fui direto trocar de roupa. Quando estava vestindo a camisa o Lorcan entrou no dormitório.
— Onde é que você se meteu, Lux?
— Eu estava no salão… igual a você — falei como quem não estava entendendo a pergunta. — Mas agora eu tenho aula extra com o professor Ogden.
— Aula extra de DCAT? Por que? Você é um gênio.
— Não sou gênio coisa nenhuma. Mas isso foi um pedido dele, não sei bem o porque. Mas acho que ele vai me dizer hoje — nunca tinha mentido tanto de uma vez só.
— Tá, beleza, depois você me explica isso. Mas e onde você estava até agora? E nem venha dizer que estava na comemoração pois você não estava.
— Não sei do que você está falando Aluado — respondi novamente evitando a pergunta dele. — Eu ainda não aprendi a ficar invisível. Preciso ir agora — falei indo para a porta, antes de fecha-la ouvi ele gritar.
— Você não me engana Lux! E eu vou descobrir o que está aprontando!
Fiquei com isso na cabeça enquanto passava pelo salão de novo. Novamente consegui sair sem ninguém me ver. O que foi um alivio, um interrogatório já foi o bastante. A noite já estava chegando e o castelo ficava ainda mais bonito e claro nesse horário. Andei pelos corredores seguindo em direção a sala do professor Ogden, no terceiro andar.
Chegando na sala, bati na porta e ouvi a voz marcante do professor pedindo para eu entrar. Segui para o interior da sala e o vi em pé olhando pela janela que mostrava parte dos terrenos de Hogwarts.
— Olá, senhor Boot — falou ele ainda de costas para mim. — Sente-se.
Tinha uma cadeira na sala que estava bem vazia, a sala particular do professor era escura e não tinha muitas decorações. Em uma prateleira era possível ver um pequeno troféu de vice-campeão do Clube de Duelos e um selo de participação de um Torneio Tribruxo. Além disso alguns poucos quadros e uma cortina que estava aberta, mostrando o por do sol.
— Deve ter reparado que eu sou um homem simples, não é? — ele perguntou agora olhando diretamente para mim. — Não gosto muito de adornos e objetos atrapalhando minha visão, se é que me entende.
— Sim, acho que sim professor — respondi meio que sem saber o que dizer.
— Acredito que Harry já tenha te explicado o porque está aqui e o que é a Legilimência/Oclumência, certo?
— Sim senhor.
— Então acho que devemos começar, será que você consegue entrar na minha mente agora? — perguntou ele se encostando na mesa ficando de frente para mim.
— Eu não sei como fazer isso, professor. Simplesmente aconteceu algumas vezes.
— Certo, entendo. Mas se você conseguiu entrar na mente de um dos bruxos mais brilhantes que eu conheço na arte da Oclumência, acho que não deve ser tão difícil de acessar a minha, se você se concentrar.
Comecei a tentar de alguma maneira acessar a mente dele, olhei fixamente no seus olhos e tentei de alguma maneira ler os seus pensamentos, mas não conseguiu fazer nada. Na verdade não sabia muito bem o que estava fazendo.
— Sabe por que você não está conseguindo, senhor Boot? — perguntou ele dando um leve sorriso. Eu balancei a cabeça negativamente. — Pois eu estou mantendo a minha mente livre de pensamento e lembranças, fora o fato de estar bem calmo quanto as minhas emoções.
— Então isso é a Oclumência? Manter a mente livre? — perguntei.
— Basicamente sim. Mas é necessário muito treinamento para isso. Tente agora liberar os seus pensamentos, não pense em nenhuma lembrança… Legilimens!
Ele falou isso apontando sua varinha no meu rosto e quando eu percebi estava revivendo minhas memórias. Vi a primeira vez que voei em uma vassoura, com minha mãe me esperando mais a frente. Depois o embarque para Hogwarts. A Lily descendo as escadas da sua casa, linda como uma princesa. E claro o nosso beijo a alguns instantes atrás. Neste momento eu tomei conta da situação e tentei bloquear a minha mente, a memoria logo sumiu, tentei não pensar em nada, mas isso é muito difícil, então pensei na sala que eu estava e logo estava de volta com o professor Ogden me encarando.
— Não sabia que você e Lilian fossem mais do que amigos… — sugeriu ele mas logo o interrompi.
— O senhor não tinha o direito! Professor, isso não foi correto.
— Arthur, não se preocupe — falou ele calmamente. — Eu não estou interessado nas suas relações fora das aulas. Só espero que seja muito correto com ela, essa é uma garota exemplar.
— Eu sei, serei o melhor para ela — falei um pouco sem graça, afinal de contas não tinha tanta intimidade com ele.
— Bom, acho melhor encerrarmos por aqui. Aconselho você a seguir tentando manter sua mente livre de pensamentos e emoções — ele pegou um envelope em cima da mesa e me entregou. — Isso é uma autorização para que possa retirar na biblioteca o livro Guia Avançado de Oclumência. Vai lhe ser muito útil, mas ainda não tente aplicar os ensinamentos nele contidos, são muito avançados para o seu atual estágio.
— Certo, farei o possível para melhorar mais nisso — falei me levantando e guardando o envelope no bolso. — Boa noite professor Ogden.
— Boa noite, senhor Boot — respondeu ele voltando a olhar pela janela. Antes de eu passar pela porta ele falou — Arthur, não se preocupe quanto ao que vi, nada será dito para absolutamente ninguém.
— Certo professor, obrigado — falei e sai da sala. Segui em direção a biblioteca para pegar o livro mas pensei melhor e decidi ir para o Pombal, precisava enviar uma carta para minha mãe informando sobre tudo isso.
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