Vizinhos
1 Prólogo
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Finalmente estávamos de férias, já era o nosso último ano no colégio mesmo. Férias, doces férias. Eu estava louca para ir curtir de montão. Ninguém seria capaz de me segurar. Beber, festejar, passear e fazer o que eu sempre fiz de melhor... Comer. Comer muito.
— Ei, loira, o que é isso? Está te dando tremelique? — Minha melhor amiga perguntou sarcástica.
— Estou dançando. Comemorando porque já estamos de férias, porra! — Joguei as mãos para cima e rodei pulando.
— Nossa, que dança maluca! — Disse ela picotando uma revista.
Jade West era louca, completamente louca por tesouras.
Decidimos morar juntas quando passamos para o último ano do ensino médio. Jade havia ganhado uma casa do avô paterno. Quando me mudei de Seattle, ela foi a primeira pessoa que eu conheci em L.A. Viramos amigas imediatamente.
— Se o Sinjin vier mais uma vez me importunar com flores e bombons baratos, juro que vou enfiar essa tesoura no lugar aonde o sol não bate. Já estou farta de dar fora nele! — Falou irritada.
Sinjin era o garoto da casa verde, não passava de um magricela esquisito, que usava óculos e fedia à queijo. Ele era louco pela morena.
— Por quê não dá uma chance pra ele? — Perguntei brincando.
— Não vou nem te responder... — Ela me lançou um olhar mortal e começou a picotar a revista com mais raiva.
— Ontem o maluco que anda com aquele boneco ridículo deu em cima de mim. — Falei lembrando do outro magricela que usava óculos.
— O que você fez? — Jade parou de picotar.
— Joguei refrigerante na cara dele. — Respondi.
O nome do garoto era Robbie, ele era tão estranho quanto Sinjin. E tinha um boneco de Ventríloquo. Na verdade, foi o boneco que deu em cima de mim, o tal de Rex... Mas foda-se. Joguei refrigerante no garoto.
[...]
— Por quê você está rindo, sua louca? — Minha amiga perguntou quando cheguei em casa.
— Furei de novo o pneu da bicicleta da Valentine. — Respondi. — Ela é muito burra, cara! Acha que furou por obra dos esquilos. Ela nem desconfia que faz um mês que eu tô furando os pneus dela. — Falei entre risos.
Cat Valentine era uma vadia burra e sem noção. Ela era muito oferecida. Só não era mais rodada que Trina Vega. Cat morava com as amigas, as irmãs Vega.
— Que garota idiota! — Jay abriu um pequeno sorriso. — Além de burra, é atirada! — Comentou. — Ontem ela deu cima do André, ficou jogando charminho e indiretas nada inteligentes. — Disse irritada.
André era o ficante dela, era o garoto da casa amarela.
— E você fez o quê? — Perguntei.
— O que você acha? Eu corri atrás dela com a tesoura, ameaçando detonar com aquele cabelinho ruivo seboso que ela tem. — Respondeu me fazendo rir.
— Mandou bem, morena! — Sorri.
— Precisamos fazer compras. O meu presunto acabou. — Falei.
— É, tenho que comprar mais pó de café. — Concordou.
— Vou fazer a lista! — Avisei.
[...]
— Ei, Sam, vem ver isso! — A morena me chamou.
Corri para perto dela, Jade estava espiando pela janela do meu quarto.
— Alugaram a casa ao lado. — Disse.
Vimos um caminhão de mudança parado em frente à casa azul. Como curiosas que somos, saímos do meu quarto e descemos a escada correndo. Cheguei na porta primeiro, abri a mesma e fomos lá para o jardim.
Vimos um carro preto estacionado ali também.
Três homens descarregavam o caminhão de mudança. Fomos para perto da cerca branca que era baixa e dava de ver o jardim da casa ao lado.
Dois rapazes estavam na varanda conversando com um dos homens. Ambos eram morenos.
— Aposto que são um casal. — Comentei.
— Deve ser mesmo, acho que o mais baixo é o passivo. — Disse indicando o rapaz mais arrumadinho.
— Com certeza é... — Concordei.
— Um casal gay, interessante... — Jade assentiu.
— É, vai ser divertido zoar com eles. — Sorri já tendo algumas ideias.
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