Vizinhos
2 Bem-vindos
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
Continuamos espiando por cima da cerca, um dos rapazes tinha topete e o outro cabelos medianos com as pontas tocando os ombros. O de cabelinho gay era mais alto e mais magro, o de topete era todo fortinho, tinha estilo engomadinho diferente do outro que usava camiseta, calça jeans rasgada nos joelhos e Coturnos. Os dois tinham cabelos pretos, mas o mais alto tinha a pele morena e parecia um indiano. E o namorado dele era um pouco bronzeado. Eles combinavam e até que formavam um casal bonitinho.
— Vamos entrar. — Sam me puxou.
— Olha lá, a Valentine está andando de patinete. — Apontei para a ruiva desmiolada que usava vestido rosa cheio de babados, sapatilhas de bailarina, capacete rosa e advinha? O patinete era cor de rosa também.
Ela parecia com a Pantera Cor de Rosa, exceto pelo tamanho.
— Daqui à pouco o patinete vai desmontar, pode apostar. — A loira sorriu maldosa.
— Você soltou alguns parafusos de novo? — Perguntei.
— Aham. — Assentiu ainda sorrindo.
Entramos, a Sam foi trocar de roupa e eu peguei minha tesoura para amolar. Ela ia fazer compras sozinha. Nunca gostei de enfrentar fila e nunca tive paciência para fazer compras.
— Já tô indo. — Ela disse já pronta para sair.
— Tá. — Sentei no sofá com meu pequeno kit de amolar tesouras.
Assim que a loira saiu, não demorou nem 10 minutos e a campainha tocou. Levantei de má vontade indo atender a porta.
— Oi, Jay. — Era o Sinjin segurando uma caixa média preta.
— Ah, você de novo? — Bufei farta de ser incomodada por aquele garoto patético.
'Será que ele nunca vai me deixar em paz?'
— É pra você, garota dos olhos bonitos. — Estendeu a caixa.
— Não quero. Tchau! — Fechei a porta na cara dele.
A campainha tocou de novo e de novo. Ele queria mesmo morrer?
— Eu já disse que não quero, porra! — Falei furiosa assim que abri a porta.
Ele não estava mais lá. Olhei para baixo e vi a caixa no chão. Me abaixei e abri a caixa só por curiosidade.
— Que merda é essa? — Me assustei quando vi uma boneca igualzinha a mim.
Roupa, cabelo e tudo. A boneca segurava uma tesourinha de brinquedo.
Levantei chocada. O que diabos era aquilo?
— SINJIN! — Berrei o nome daquele esquisito.
Atravessei o jardim levando a caixa, e quando eu já ia atravessar a rua, quase fui atropelada por aquela ruiva atirada.
— CORRAM CRIANÇAS, A BRUXA TÁ SOLTA! — Gritou ela.
Várias menininhas que brincavam de amarelinha e pula corda em frente à casa dela sairam correndo e gritando.
— EU AINDA TE PEGO, DUENDE DE CABELO VERMELHO! — Berrei furiosa.
A casa do Sinjin ficava do outro lado da rua, à duas casas da dela. Soquei a campainha e ele atendeu a porta.
— Veio agradecer pelo presente, docinho? — Perguntou na cara de pau.
— O que significa isso? — Tirei a boneca da caixa e praticamente esfreguei na cara dele.
— É uma réplica sua, não é lindinha? Demorou três dias para ser feita e custou 100 pratas. — Explicou todo bobo.
— Você é muito estranho e isso é bizarro, sabia? Toma a sua boneca e engole ela. E vê se me deixa em paz! — Taquei a boneca nele e fui embora dali apressada.
[...]
— Advinha quem eu encontrei no mercado? — A loira já havia chegado e estava guardando as compras.
— Não sei e nem quero saber... — Falei abrindo o pacote de pó de café.
— Que bicho te mordeu? — Ela arqueou uma sobrancelha.
— Sinjin. Um bicho chamado Sinjin. — Respondi e contei para ela a história da boneca.
— Caraca! Será que não era uma boneca macumbada? — Indagou.
— Porra! Eu não devia ter tocado naquilo. — Talvez fosse mesmo.
— Amanhã você vai acordar apaixonadinha por ele. — Ela zombou cantarolando.
— Credo! Vira essa boca pra lá. — Fiquei horrorizada com a possibilidade.
— Encontrei o Robbie na fila, ele comprou salgadinhos e refrigerante para o boneco, acredita? O bocó age como se o tal de Rex tivesse vida. — Disse risonha.
— É, só tem gente estranha nessa vizinhança... — Falei ligando a cafeteira.
Horas depois...
— O que isso? — Entrei na cozinha para preparar mais café encontrei a loira tirando algo do forno.
— Cupcakes! — Ela respondeu pondo os bolinhos em cima da bancada. — Nós duas vamos dar as boas-vindas para os nossos novos vizinhos. — Sorriu sacana.
Sam era a rainha da zoeira e das pegadinhas. Ela estava aprontando alguma. Certeza.
— Desde quando nós duas somos vizinhas boas e cheia de gentileza? — Franzi o cenho.
— Desde nunca, ah, vamos lá, não custa nada. — Ligou a batedeira.
— Okay. — Concordei e fui fazer meu café.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Gostei daqui. Parece um bairro bem tranquilo. — Falei para o meu amigo.
— Também gostei. As irmãs Vega são bem gatas, né? — Beck sorriu malicioso.
Duas vizinhas foram nos dar boas-vindas. Eram novinhas e bem gatas. Trouxeram um delicioso bolo de chocolate. Foram simpáticas e conversaram muito com a gente.
— A tal de Trina é grudenta, ela quase sentou no meu colo. Não curto muito esse tipo de garota. — Disse ele.
— Nem eu. — Afirmei. — A Tori não tirava os olhos de mim também. — Comentei.
A campainha tocou. Levantei para ir atender a porta.
Me deparei com duas garotas, uma loira e uma morena. A loira segurava uma caixa rosa com um laço branco. Eram mais vizinhas vindo nos dar boas-vindas. Que sorte. Só tinha vizinhas gatas.
— Oi. — A loira abriu um pequeno sorriso. A morena sequer disse "Oi" ou sorriu. — Moramos aqui ao lado, viemos dar boas-vindas! — Ela abriu um sorriso maior.
A loira tinha olhos azuis e cabelos cacheados. A morena também tinha olhos azuis, o tom era diferente. O da loira era azul-esverdeado e o da morena era azul-acizentado, mesclado com verde, sei lá...
— Oi. Entrem. Só não reparem na bagunça, ok? — Falei dando espaço para elas entrarem.
A loira me entregou a caixa e elas entraram. Havia caixas espalhadas pela sala e móveis desmontados.
Beck levantou depressa do pequeno sofá e abriu um grande sorriso quando viu as garotas. A loira o cumprimentou e a morena cruzou os braços, parecia mau-humorada.
— Sou Sam e essa é a minha amiga, Jade! — A falante apontou para a morena.
— Oi... — A tal de Jade finalmente falou algo.
— Oi. — Meu amigo acenou.
— Sam e Jade, prazer em conhecê-las. — Falei colocando a caixa rosa em cima de uma caixa de papelão.
— O prazer é nosso. — Sam deu mais um sorriso. O sorriso dela era lindo.
— Faz tempo que moram aqui? — Beck perguntou sem tirar os olhos da Jade.
— Vai fazer seis meses. — A loirinha respondeu.
Ela usava uma blusa vermelha e um short jeans desfiado. A amiga dela usava um vestido preto com decote, saia rodada. Marcava as curvas dela e as duas usavam rasteirinhas.
— Que legal! — Comentei. — Sentem, podem ficar à vontade. — Indiquei o sofá.
— Não vamos demorar. — Jade disse depressa.
— Pois é, já estamos indo. Espero que gostem dos Cupcakes. Nós mesmas fizemos. — Sam passou a mão pelos cachos loiros.
— Tchau, a gente agradece pela gentileza! — Acenei.
Meu amigo as acompanhou até a porta. As acompanhei com os olhos. Elas foram emboram. Ele fechou a porta.
— Tu vi aqueles peitos? Aquela morena é gostosa! — Comentou sorrindo malicioso.
— E aquela bunda, então... A loirinha não fica atrás. Bunda grande e belas coxas... — Mordi o lábio.
— A morena também tem corpão! Caralho! Somos tão sortudos, cara! Só temos vizinhas gatas! — Comemorou.
— Verdade. Vamos ver se elas fazem bons Cupcakes! — Fui até aonde deixei a caixa rosa.
Peguei a mesma, tirei o laço branco e a tampa. Beck se aproximou para provar dos bolinhos também.
— Que porra é essa? — Ele apontou para os Cupcakes com cobertura rosa e granulados coloridos.
— Sei lá... — Os bolinhos eram bonitos e tinham uma cobertura bem caprichada.
Vi um papelzinho dobrado e o peguei. Entreguei a caixa para ele segurar.
— Fizemos com carinho, aproveitem, pombinhos! — Li o bilhete.
— Puta que pariu, mano! Elas acham que somos gays. — Ele ficou chocado. Também fiquei.
Depois do choque, caímos na gargalhada.
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