P.O.V. Elijah.

Elas estavam as quatro reunidas no jardim cercadas de velas formando um círculo perfeito em torno de algo.

Uma delas pergunta numa voz doce e sussurrada:

—O que é isso?

Renesmee responde folheando um livro antigo:

—É o grimório da Qetsyiah.

—Um gri... o que?

Outra que pela forma de responder imaginei ser Katerina:

—É um livro mágico de feitiços. Idiota.

—É um talismã! Como Qetsiyah não está aqui para nos guiar, o grimório dela vai fazer esse papel. Encontrei!

A híbrida colocou algo sob a mesa.

—Mãos sob a mesa, palmas para cima.

As outras obedeceram.

Primeiro ela cortou a própria mão e deixou o sangue pingar sob o objeto.

—O que tá acontecendo Elijah?

—Eu não sei ainda Rebekah.

As velas acenderam em torno delas.

—O que foi isso?

Perguntou a duplicata de vestido roxo. Aquele vestido com certeza era uma toga.

—Não tenha medo Amara.

Ela fez cortes nas mãos de cada uma das duplicatas e deixou o sangue pingar sob o objeto.

—Ela tá fazendo magia.

—Mas, ela é uma vampira.

—Só metade. Silêncio. quero ouvir.

Eu ouvia as palavras que ela pronunciava, mas não compreendia.

—O que ela está dizendo Elijah?

—Eu não sei. Está falando numa língua que eu não conheço.

A resposta veio de Niklaus.

—Ela está falando aramaico.

—E o que está dizendo Nik?

—Uma âncora.

—O que?

—Ela está fazendo uma âncora.

De repente as velas apagaram e o que quer que estivesse no centro da mesa entrou em combustão espontânea.

—Funcionou?

Perguntou Amara.

—Funcionou. Você está livre.

—Obrigado. Eu lhe devo minha vida.

—Não. Você não me deve nada.

Ela pegou o grimório e enfiou dentro de uma bolsa.

—Hora da festa.

—E Silas? Sabe onde ele está? Ele está bem?

—Ele está bem. Amanhã você estará nos braços do homem que ama. Mas, hoje vamos comemorar!

P.O.V. Klaus.

Eu me virei e vi alguém que eu tenho certeza que está morto.

—Meu Deus! Mikael.

—Você pode me ver?

—Claro que posso! Não sou cego, tenho olhos.

—Mas, eu estou morto Niklaus. Você me matou.

—Se está morto, como posso estar te vendo?

—Também gostaria de saber.

Ester apareceu.

—Maldita seja essa duplicata! Ela protegeu você, ela te blindou!

—O que?

—Você não entende? Ela usou sua imortalidade e indestrutibilidade contra você mesmo e ainda deu um jeito de te tornar intocável! Devo admitir que ela é inteligente.

—E isso não responde a minha pergunta.

—Você mesmo disse. Ela fez uma âncora, ela fez de você uma âncora.

—Âncora pra que?

—Você é a âncora que segura o véu. Você meu filho é a única coisa que mantém o outro lado inteiro. E isso é um problema tanto para mim quanto para você.

—E porque isso seria um problema pra mim?

—Você não sabe como funciona não é mesmo?

—Não.

—Você agora é uma cabine de pedágio que vive e respira. Todo ser sobrenatural que morrer terá de passar através de você para chegar ao outro lado e você será forçado a sentir a dor deles. Você sentirá dor pelo resto de seus dias.

—E como eu faço pra parar?

—Nik? O que foi? Com quem está falando?

—Como eu faço para parar?!

—Não há como parar e nem como desacelerar. Se tivesse me deixado acabar com essa sua existência profana e pecaminosa, mas não você escolheu isso e agora deve arcar com as consequências. Para sempre.

Saí de lá vendo vermelho de tanta raiva.

—Nik?

Entrei e as quatro estavam encima do palco.

—Atenção! Gente, quero propor um brinde á minha amada irmã que esteve no inferno por dois mil anos e agora está livre. Á liberdade!

—Á liberdade!

Elas estavam comemorando o meu sofrimento. Aquelas quatro me pagam.

—Renesmee!

—Sim, querido?

Perguntou ela cheia de sarcasmo.

—Desfaça.

—Uhm... não.

Katherine veio com taças de champanhe e uma garrafa.

—Vamos brindar, irmãs. Á vingança doce e fria.

—Á vingança!

Elas beberam, dançaram e se divertiram ás minhas custas.

—Irmão, não há o que fazermos.

—Posso matá-las.

—Para que? Se as matar isso só machucaria a você mesmo.

—Você está certo. Odeio quando você está certo.

—Vamos dar um jeito. Sempre damos um jeito.

—Dessa vez é diferente.

—Como?

—Você mesmo disse que os parentes dela são mais fortes que nós, mais resistentes.

—E quanto a ela?

—É pior Rebekah. Ela é mais potente do que qualquer outra bruxa ou vampiro que já enfrentamos. Ela é uma arma de destruição em massa que vive e respira.

—Eu ouvi uma das duplicatas dizer um nome.

—Que nome?

Minha irmã parecia apavorada.

—Que nome Rebekah?!

—Si... Silas.

—Silas? O que está trancado na tumba?

—Acho que sim.

—Não se preocupem. Ela jamais conseguirá encontrar aquela tumba, ninguém jamais conseguiu.

—Eu sei onde está.

—O que? A tumba?

—Não. A espada. A espada que decifra o código, o mapa para a tumba de Silas que está tatuado no corpo de um dos Cinco. Cada um deles é um mapa.

—O que?

—Eu ouvi falar que ainda existe um vivo. Mas, ninguém sabe quem é.

—Vamos encontrá-lo.

A híbrida veio caminhando e colocou-se diante da minha irmã.

—Obrigado Rebekah. Você me deu a última peça do quebra cabeças. Eu agradeço sua colaboração.

—O que? Eu não disse nada!

—Você me deu sem perceber, sem querer a localização exata da espada. Obrigado.

—Espera!

—Sim?

—O que dizem, sobre existir uma cura... é verdade?

—Sim. Se me ajudar, a cura será sua. E você vai poder ter a vida que sempre quis.

—Rebekah?

—Eu quero.

—O que?!

—Me desculpe Nik, eu sinto muito mesmo. Mas, eu tenho que ser curada.

Minha irmã pegou a mão da duplicata e foi embora.

—Minha menininha. Finalmente criou juízo.

P.O.V. Amara.

Apesar de estar com medo, a vontade de me reencontrar com ele é maior que tudo.

—Que lugar é esse?

—É uma pista de pouso particular.

—E aquela coisa?

—É o nosso transporte.

—Senhorita Cullen, o jato já está abastecido e pronto para partir.

—Ótimo.

—Qual é o destino?

—Entrem no avião.

Nós todos entramos e depois que tudo estava fechado ela disse:

—Vamos para a Grécia.

A coisa começou a se mover.

—Por favor senhoritas, afivelem os cintos. Vamos voar!

P.O.V. Klaus.

Quando chegamos o jato já estava no ar.

—Droga! Duplicata miserável!

—Porque Rebekah iria querer a cura?

—Eu não sei.

P.O.V. Amara.

A senhorita Mikaelson estava triste.

—Você tá triste. Porque?

—Eu adoro ser vampira. O meu poder, a velocidade, a força. Mas, ser vampira implica em estar presa ao meu meio irmão pela eternidade.

—Não. Você pode ser livre.

—Como?

—A senhorita Cullen, ela me libertou. Ela tem todas as respostas. Os Deuses a escolheram e a agraciaram com dons incríveis, dons que estão muito além da nossa capacidade de compreensão.

—E daí?

—Peça ajuda a ela. Não é vergonha, eu pedi para que ela me matasse, mas ela me deu uma nova vida, uma nova chance de estar com o meu amor e livrou-se de Qetsiyah para sempre. Cuidou para que ela encontrasse a paz e não mais nos incomodasse.

Um tranco. Eu senti o tranco.

—Vamos cair?

—Não. Acabamos de pousar.

Vi que a senhorita Cullen pegava coisas e havia mudado de roupa.

—Pronto.

—O que são essas coisas?

—Armas. Peguem.

A senhorita Mikaelson me ajudou a manusear a arma. Ela fazia o barulho do trovão.

—Se alguma coisa ou alguém daquela igreja se mexer, atirem. Vamos.

Entramos na tal Igreja e a senhorita Cullen atirou para cima.

—Atenção! Todo mundo pra fora!

Todos os presentes saíram correndo. Apavorados. E ela fechou a pesada porta de madeira passando a tranca.

—Isso é um sacrilégio! Vocês estão na casa de Deus!

O lugar era um templo?!

—Isso é um templo?

—Sim.

—Deus vai nos perdoar padre. Mas, eu não saio daqui sem a espada.

O lugar estava um breu.

—Phasmathos Incendea!

—Jesus! Você é uma serva de Satanás.

—Não.

—O túmulo está ali. Eu coloquei a espada junto dele.

—Espada?

Ela e a senhorita Mikaelson facilmente moveram a enorme pedra de mármore que tampava o túmulo.

—Isso não é certo. Não se deve profanar um túmulo e muito menos um túmulo que está dentro de um templo!

—Com licença caçador morto.

Elas puxaram a espada que estava colocada entre os braços do cadáver.

—Pronto. Vamos recolocar a tampa.

Mais uma vez elas ergueram a tampa e a recolocaram exatamente como estava. Mas, o morto começou a se mover lá dentro e a tampa voou longe.

Aquele cadáver que não passava de uma ossada sentou-se e saiu do túmulo.

—O que é isso?

—Isso é obra de bruxas padre. A mesma bruxa que criou o purgatório.

—Qetsiyah fez isso?

—Fez.

O demônio veio em minha direção e eu gritei. E o barulho da arma foi ouvido e o demônio virou cinzas.

—Obrigado.

—Disponha. Vamos dar o fora daqui.

Ela colocou a espada numa sacola de pano e nós saímos.

P.O.V. Klaus.

Através de um poderoso feitiço de localização descobrimos que elas foram para a Grécia. Infelizmente chegamos lá e elas já tinham ido embora e levaram a espada!

—Padre, será que o senhor reconhece essa mulher?

—Elas já se foram. E Deus queira que nunca mais cruzem o meu caminho.

—E elas levaram alguma coisa?

—A espada que estava enterrada com o guerreiro.

Ele apontou para o túmulo.

—Está vazio Niklaus. Até o cadáver elas levaram.

—Não levaram.

—O que?

—Elas só levaram a espada e nada mais. O morto se levantou da sepultura eu vi e uma delas atirou no crânio dele e ele voltou a ser cinzas.

—Falaram para onde foram?

—Não. E eu também não perguntei.

—Elas falaram alguma coisa?

—Uma delas chamou o guerreiro enterrado de caçador.

—Ele era um dos cinco! Claro, por isso foi enterrado com a espada.

—Uma bruxa fez isso, não é?

—Sim.

—Vocês sabem o que é Qetsiyah?

—O que não, quem. Esperta. Um feitiço ressuscitador.

—Como pode existir uma coisa tão profana?

—Bem vindo ao mundo real padre.

Enquanto isso nos Estados Unidos...

P.O.V. Amara.

As tatuagens do caçador chamado Connor foram desenhadas num papel por um rapaz.

—É só isso?

—É. Porque?

—Ele tem que matar. Quanto mais vampiros ele mata maior a marca.

—Isso pode levar anos!

—Não. Não se matarmos um...

—um?

—Um original.

—Eu?

—Não! Kol. Estou com aquele desgraçado.

—Jeremy?

—Fala.

—Aqui. Corte a garganta do caçador.

—Mas...

—Mate-o. Ele tentou matar a Anna lembra?

—Esperem, se me matarem a marca morre comigo.

Renesmee riu.

—Não. A marca vai mudar de caçador.

—Eu sou o último!

—Não. As bruxas não permitiriam isso. Pode matar Jeremy.

—Pela Anna.

Assim que o caçador foi morto o jovem começou a olhar para sua mão.

—Caramba! Você sabia que isso iria acontecer não sabia?

—Sim. Sabia.

—A Anna.

—Vai ter que aprender a viver com o instinto.

—O que foi Jer? O que aconteceu?

—Eu virei um dos cinco.

As tatuagens começaram a brotar nele. A aparecer para nós.

—Vocês estão vendo?

—Sim. Agora podemos completar o mapa.

P.O.V. Rebekah.

Ela nos levou até o corpo adormecido do meu irmão.

—Kol.

—Quer se despedir?

—Sim. Por favor.

Eles saíram.

—Perdoe-me irmão. Ela me prometeu que vai te trazer de volta depois e vou garantir que ela o faça. Eu quero ser livre, por favor entenda.

Ela voltou, deu a estaca na mão do Gilbert e ele enfiou no coração do meu irmão.

—Kol!

Ela me segurou.

—Shh, vou traze-lo de volta. Eu prometi.

P.O.V. Klaus.

—O filho pródigo retorna. Quem foi que tirou a adaga de você? Foi a Rebekah?

—Com quem está falando Niklaus?

—Kol. Kol?

—Sim irmão, estou morto.

—Como?

—Um dos Cinco. Ele é o último.

Ele se aproximava de mim cada vez mais.

—O que está fazendo?

—Quando eu passar, você vai sentir a minha morte. Você vai sentir cada morte.

—O que?

Ele tocou em mim. Fizemos contato físico e a dor veio. As chamas se alastrando.

—Niklaus!

P.O.V. Elijah.

O meu irmão está no chão se contorcendo e gritando, mas de repente ele para, levanta e olha para o nada.

—Quem é o caçador Kol?

—Nossa irmã virou a casaca. Ela estava lá e deixou Jeremy Gilbert enfiar a estaca em mim. Ela deixou ele me matar!

—Não pode estar falando sério?

—É verdade. Pelo menos ela chorou e gritou.

—O que foi Niklaus?

—Kol está morto.

—Como?

—Do único jeito possível. E ainda fica pior.

—Como? Como pode ser pior?

—Rebekah. Kol disse que ela estava lá, a centímetros do caixão dele e deixou o caçador enfiar a estaca em seu corpo.

—Porque ela faria isso?

—Por sua causa Niklaus. Ela quer se livrar de você, do seu controle e eu paguei o preço!

Algo que eu não podia ver agarrou o pescoço do meu irmão e ele ficou suspenso.

—Toda essa maldita desgraça é sua culpa! Bastardo miserável!

Ele foi lançado longe. A marca dos dedos do agressor ficou em seu pescoço.

—O que foi isso?

—Isso foi o Kol.

—Mas, o Kol está morto certo? As pessoas do outro lado não podem interagir fisicamente conosco.

—Comigo elas podem. Graças ao feitiço da sua namoradinha duplicata eu existo nos dois lugares ao mesmo tempo! Aqui e do outro lado!