Vivendo uma vida louca
2 Recomeçando.
P.O.V. Eve.
Ser uma zumbi não é tão ruim assim. É ótimo na verdade, até os cérebros tem um gosto legal agora que eu sou uma morta viva.
Estávamos saindo do cabeleireiro quando trombamos com o Max e a vagaba do milkshake.
—Eve?
—Oi Max. Como vai?
—Mas, você estava...
—Morta? Eu lhe pareço morta?
—Ela só estava severamente ferida. Conseguimos salvá-la com a ajuda de uns medicamentos novos que foram lançados recentemente.
—Recentemente?
—É. Recentemente.
—Bom, é ótimo saber que você está bem. Tenham um bom dia.
—Eu vou ter sim.
Estava atravessando a rua quando sou novamente atropelada por um maldito ônibus.
—Eve!
A dor era horrível, mas eu fui me concertando aos poucos. Os meus ossos se quebraram e lentamente voltaram ao seu devido lugar.
—Pronto. Isso dói.
—O que?
A Renesmee fez algum feitiço que os fez esquecer do atropelamento e da cena toda.
—Você tem que começar a tomar cuidado. Infelizmente se quisermos sobreviver tem que ser na surdina. Temos que ficar em segredo e parecer normais.
—Por isso eu vou á faculdade e a Liv tem um emprego. Um círculo pequeno de pessoas deve saber sobre esse nosso lado especial.
—O mínimo possível de pessoas.
—Tudo bem. Prometo ser mais cuidadosa.
Passamos o dia no shopping fazendo compras e colocando a fofoca em dia. Descobri que eu fiquei morta durante vinte e quatro horas apenas e que se eu não me alimentar de cérebros humanos meu cadáver vai se deteriorar cada vez mais até não sobrar mais nada. Ou seja, vou virar uma daquelas zumbis idiotas que só andam em linha reta e falam "cérebro".
—Pronta pra próxima?
—Como assim?
—A vida tem que continuar. Você precisa voltar a trabalhar, tentar encontrar um namorado novo que te ame.
—Eu to morta. Ninguém vai amar uma morta.
—O Major me ama e eu estou morta.
—Eu amo o Elijah e ele está morto.
—Isso é verdade.
—Tenha fé. Você vai encontrar o cara certo que vai amar você pelo o que você é.
—Tem razão. Um brinde ao amor.
—Ao amor!
Eu voltei com a Ness pra casa dela já que eu morava com o Max antes de morrer.
—Pode ficar o tempo que precisar. Mas, eu quero ver você procurando um bom emprego e arrumando uma vida só sua.
—Quer se livrar de mim?
—Não. Quero que você volte a ser aquela Evelyn feliz e independente que adorava cuidar da natureza e reciclar.
—Tem razão.
—Tenho. Eu quase sempre tenho.
Foi o melhor dia da minha vida ou da minha não vida.
É estranho, mas ser uma zumbi me libertou. Eu amava tanto o Max, faria qualquer coisa pra estar com ele, eu me sacrifiquei por ele e na primeira oportunidade ele me deixou por outra.
Mas, a Renesmee tem razão. Ele não me merece, eu sou boa demais para um idiota que é viciado em filmes de terror que não dão medo nem numa criancinha e que trabalha numa loja onde se vende coisas para halloween.
Eu mereço mais. Mereço um cara legal que tenha um emprego decente, que não goste de se envenenar com aquelas porcarias industrializadas e que não brigue comigo por causa de pôsteres idiotas de vampiros e zumbis.
Meu nome é Evelyn Morisson e eu mereço o melhor.
Mereço um emprego melhor, um namorado melhor, uma casa maior, um cãozinho resgatado e tudo mais. Eu morri e voltei sendo assim estou apta a dizer que vou viver o melhor que eu puder.
Vou ser a funcionária do mês numa empresa de ecologia, terei um apartamento cem por cento ecológico com as paredes verde mato, lixeiras recicláveis e uma dieta quase vegana. Do jeito que eu sempre quis.

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