Vivendo entre os mortos

11 Surpresas e rancores.


Notas iniciais
PARABÉNS PRA VOCÊ...NESSA DATA QUERIDA, MUITAS FELICIDADES....MUITOS ANOS DE VIDA! Parabéns Signora Della Notte! Espero que esse dia tenha sido mais do que especial para você, e como o prometido esse capítulo é todinho dedicado a você! Talvez não esteja exatamente como você pediu, mas eu resolvi pegar um ganchinho e adicionar uma pequena surpresa que deveria vir só mais tarde na história. Ps: Como é um capítulo especial, tive a ajuda de uma pessoa mais do que especial para escreve-lo. Minha Unnie: Anna Carolina. Se alguém quiser dar uma olhadinha nos seus trabalhos, eu recomendo. https://fanfiction.com.br/historia/727250/Bad_Girl_-_True_Justice Espero que gostem!

Tateio a cama em busca da Annelise mas nada encontro, fazendo com que eu abra os olhos e fique a sua procura. Levanto preocupado e pego minha besta ao lado da cama, descendo rapidamente as escadas. Depois do estado em que ela ficou com toda aquela história sobre os filhos da puta dos pais dela, temo que ela possa fazer alguma besteira. Não seria a primeira vez certo? Eu lembro claramente do dia em que a encontramos escondida atrás de um sofá velho e empoeirado. Ela não teme mais pela sua vida, isso ficou claro quando as hordas começaram a aparecer e ela simplesmente ficou encolhida sem avisar para nós que estava ferida. Não gosto nem de imaginar o que poderia ter acontecido se eu não tivesse encontrado a sua mochila na cozinha. Sinto calafrios só de pensar.

De certa forma teria sido melhor pra mim. Me repúdio ao pensar isso mas é a verdade. Se eu não tivesse encontrado-a eu não estaria tão fodidamente hipnotizado por essa menina. Sinceramente não consigo imaginar mais uma vida sem ela, seria sem sentido. Não sei que merda tá acontecendo comigo, e também não sei se é algo bom ou ruim, mas eu sei que me torna alguém mais preparado para ficar perto dela, por mais que não seja digno de tê-la. Me dói saber que alguém tão sujo quanto eu estou machucando alguém tão pura quanto Annelise.

Procuro por todos os cantos e no banheiro, não a encontrando. Entro na cela do Heshel mas também não a vejo, somente Carol e um Hershel sorridente encostado na parede. O velhote é realmente duro na queda.

— Vejo que acordou. — Comento sem saber como parabenizá-lo.

— Já estava mais do que na hora, não acha garoto? — pergunta rindo e eu concordo.

— Viram a Annelise? — Pergunto começando a ficar nervoso. — Não a encontro em lugar algum.

— Eu acho que vi ela sair antes do sol nascer. — Carol fala me incomodando.

— Certo. — Aceno com a cabeça em agradecimento e saio rapidamente indo até o portão.

— Bom dia! — Carl diz sorridente, mas eu o ignoro e tomo as chaves de suas mãos abrindo rapidamente o portão e entregando-lhe novamente as chaves para que ele possa fechar. Ando apressado procurando-a próximo às cercas com a besta nas mãos. Por mais que tenhamos limpado o pátio, não podemos confiar que não tenham mais zumbis por perto. Como aconteceu com aquele maldito zumbi que atacou Annelise no banheiro. E pra piorar os caras da prisão estão por aqui. Afinal, o que essa idiota tava pensando pra se colocar em risco novamente?

Chego no pátio e depois de procura-la em vários lugares a encontro próxima a torre, mas para a minha surpresa melhor do que eu imaginava. Estaco no lugar tentando descobrir se a cena que se passava na minha frente era mesmo real. Anne estava deitada no colo de Rick, com a cabeça em suas coxas e ele acariciava seus cabelos com uma expressão de ternura no rosto. Eles conversavam sobre algo importante, aparentemente, e Anne parecia relaxar a cada carinho enquanto Rick sorria de uma maneira que fez meu coração se acelerar de ódio. O que ele pensava que estava fazendo com ela? Ou melhor, o que ela pensava que ela estava fazendo com ele? Meu sangue ferveu ao vê- la retribuir o sorriso de forma tão espontânea, como se ele tivesse dito algo bonitinho.

Não acredito no que esse filho da puta tá fazendo, não depois de tudo o que ele passou com o Shane. O canalha estava tentando dar em cima dela? Que porra estava acontecendo ali? O que ele queria? Se vingar da esposa por ter dado vontade para o melhor amigo? Foda-se. Mas não com a Anne. Não depois de tudo o que eu fiz por ele e por essas pessoas. Não depois do que eu fiz pelos filhos dele. Meu cérebro parou de funcionar e focou na imagem de seu rosto sorrindo para Rick com tanta ternura e admiração enquanto ele dizia mais algumas coisas.
Meu coração errou uma batida quando a vi se erguer e abraçar o pescoço de Rick, como se sua vida dependesse disso, enterrando o rosto na curva de seu pescoço. Ela não devia estar fazendo isso, não com ele. Sinto a raiva começar a surgir com força e fecho as mãos em punhos, apertando-os fortemente. Rick imediatamente retribuiu o abraço envolvendo-a em seus braços de forma protetora. “Parem!” Meu cérebro gritava incessantemente implorando para que eles parassem.
— Mas o que ... – Saiu de minha boca sem que eu pudesse evitar, fazendo os dois se afastarem rapidamente e me olharem com uma cara surpresa. Ao ver quem era, Rick abriu um sorriso cúmplice, olhando para Anne como se estivessem compartilhando um segredo. Isso foi mais do que o suficiente para que eu explodisse.

— Mas que merda está acontecendo aqui? – pergunto friamente, fazendo com que ambos me olhassem confusos.

— Daryl... — Anne começa mas eu a interrompo. Não quero escuta-la, muito menos saber o que tem a falar. Eu fui um idiota por acreditar nela.

— Não Anne! O que vocês estavam fazendo? — Me viro diretamente para Rick. — Agora você vai seguir os passos de Shane, Rick? — Pergunto irritado. Ele me olha chocado e irritado, mas não dou tempo para que responda. Cansei dessa merda toda.

Ignoro-os, deixando os pombinhos a sós e caminho a passos largos para a minha moto. Preciso dar uma volta, não consigo mais ficar aqui. Tiro as chaves do bolso e sinto uma mão fina segurando meu pulso. A puxo-a rapidamente fazendo com que meu solte. Sei que é ela, reconheceria seu toque mesmo de olho vendados. Vejo que ela se desequilibra com o puxão, acho que usei força demais, mas isso não importa. Ela não me importa, não pode me importar. Respiro fundo e me viro para ela.

— Que merda você quer de mim Annelise? — Pergunto angustiado, enquanto dou um passo para tras. Meu peito doi, como se eu tivesse sido baleado de novo. Que merda é essa?

Ela mexe nervosamente nas mãos e tenta se aproximar de mim, mas eu recuo fazendo-a parar. Seu rosto abatido me faz querer acreditar que ela realmente se importa, mas eu não consigo. Não posso mais me iludir, essa merda de ideia de finalmente viver como alguém normal não é para um Dixon, finalmente eu percebi.

— Eu quero que me fale o porque de você estar agindo assim. — Ela fala em um tom baixo, desviando seus olhos dos meus.

— Ah, quer? — Falo rindo ironicamente.- Mesmo depois de tudo o que eu vi?

— O que você viu Daryl, que foi tão grave assim? — Ela pergunta em um tom mais alto levantando o rosto com um ar inocente, como se ela não soubesse.

— Você é realmente descarada. — Rio. Como ela pode ser tirana ao ponto de brincar comigo? — Talvez tivesse sido melhor simplesmente ter te ignorado e fingido que você não existia. — Digo, colocando meus pensamentos em falas. Seus olhos começam a ficar marejados e a raiva em mim só aumenta.

— O que aconteceu? — Sua voz falha. — Porque tá me falando essas coisas?

— Porque eu tô cansado desses seus joguinhos! — Grito impaciente. — Era esse seu objetivo? Me deixar totalmente confundido e com a guarda abaixada em relação a você? Era isso? Mas porque eu tô perguntando, ficou óbvio que é.

— Não Daryl, eu nunca faria isso. — Ela rapidamente tenta se defender.

— Para de mentir, porra! Você fez isso sim! — Grito me aproximando dela com raiva. — Sempre faz isso, desde o maldito dia em que te encontramos. — Me aproximo dela apontando o indicador próximo ao seu rosto, e falo pausadamente. — Você é uma sangue-suga, uma parasita que me usou como hospedeiro para sobreviver. Me fez pensar em você, fez com que eu me importasse, sentisse algo… Você não passa de uma puta interesseira que usa as pessoas.

— Não sou. — Diz em meio às lágrimas. Sinto-me querendo vacilar, mas não mais. Não vou ser a porra de um brinquedo pra ninguém.

— Você é um peso morto Annelise.. principalmente pra mim. — Falo em um tom grave. Ela me olha como se eu tivesse a socado no estômago e suas pernas perdem a força, fazendo-a cair de joelhos no chão. Não me deixo abalar e continuo. — Você deveria ter morrido quando aquelas hordas apareceram, mas já que eu fui idiota o bastante para te tirar de lá, aproveita toda a energia que economizou fazendo com que as outras pessoas lutassem por você e some da minha vida.

Me viro escutando seu choro alto e subo na moto colocando a chave na ignição e acelerando-a. Não acredito no que ela me fez fazer, no que me fez sentir, no que me fez prom… Freio a moto rapidamente olhando para tras e aumentanto o tom para que ela escute, falo a ultima coisa que fica enterrada na minha garganta.

— Ah! Aproveita e começa a fazer promessas com as pessoas que você consegue manipular.

Novamente acelero a moto que era do Merle e saio pelo portão sem olhar para trás. Nesse momento a única coisa que eu queria fazer é sumir de perto de tudo isso. Somente eu, a besta em minhas costas, a moto e a estrada. Como deveria ter sido desde o inicio. Principalmente desde que deixaram meu irmão para morrer.

Evito que qualquer pensamentos venham a minha mente, principalmente sobre ela. PAra minha sorte não me encontrei com mais do que alguns errante. Olho para o hodômetro e vejo que rodei aproximadamente 120km. Não lembro que termos passado por aqui alguma vez, pode ser que ainda exista algum animal inteiro na floresta. Entro no mato e escolho um lugar propicio para uma fuga e estaciono a moto próxima de uma árvore, colocando a chave novamente no bolso. Tiro a besta das costas e a deixo pronta para uso, apoiada em meu ombro.
Caminho a passos calmos olhando tudo ao meu redor. As folhas nas árvores já estavam basicamente todas secas e muitas já cobriam a terra. Era difícil ver algum rastro. O máximo que consegui encontrar foram 5 esquilos.

Ando durante vários minutos esperando notar algum sinal de vida. Agacho próximo a terra, ao notar alguns galho quebrados e folhas espedaçadas. Aquilo era estranho, dificilmente um zumbi conseguiria quebrar galhos de tal forma, por só andarem se arrastando como os vermes que são. Sigo o rastro e olhando um pouco mais a frente uma coisa me chama atenção. Parecia um lenço velho e estava amarrado no galho mais baixo. Ao levantar e andar em sua direção, notei que a árvore do lado também tinha um lenço, mas de outra cor, um rosa encardido. Isso parecia uma trilha, como se alguém deve tê-los deixado para conseguir voltar para algum lugar. Comecei a seguir as fitas para ver onde a trilha ia terminar. Os nós nos galhos eram bem simples, fáceis de serem desfeitos e alguns panos tinham temas infantis. Depois de achar mais umas 12 arvores marcadas com panos, chego em uma pequena clareira onde havia uma casa de campo. Me mantenho atrás de algumas árvores e observo o interior pelas janelas, esperando ver algum movimento, mas não obtive sucesso. A casa parecia inteira, e estranhamente não tinham zumbis próximos a área. Alguém com certeza morava ali. Bastava saber quantos eram, se fossem muitos poderiam ser um risco para nós. Para estarem vivos até hoje, com certeza tinham algum armamento.

Resolvo esperar para ter certeza sobre aquele lugar, era tudo muito suspeito. Ando em volta da campina com cuidado, vendo que boa parte daquela área estava cercada com alguns arrames farpados. Só isso não seguraria uma horda, nem mesmo e ela fosse pequena. Me encosto em uma árvore que me dava uma boa visão tanto dos fundos quanto da parte da frente da casa e espero.

Quando o sol já esta quase se ponto e eu estou pronto para voltar algo me chama a atenção. Uma luz clara se acende em um dos quartos, como se fosse uma vela e logo depois uma garotinha loira abre a janela, me surpreendendo. Me coloco em pé com a besta na mão. Ela com muita dificuldade sobe a janela, e sempre olhando para trás pula pela mesma, saindo de fininho. Como se estivesse se escondendo de alguém. Ela andava com uma mochilinha rosa, grande para o seu tamanho. Ela consegue facilmente passar pelo o arrame e vai para o caminho onde as arvores estavam marcadas com panos. Bem que eu estranhei os temas infantis, mas ai a pensar que eram realmente de uma criança... Resolvo segui-la.

A pequena se abaixa perto de algumas árvores e com muito cuidado tira as folhas com um graveto, para depois junta-las novamente. Quando ela se afasta e passa para a próxima arvore vejo que se tratavam de ratoeiras. Ela deve estar usando-as para caças alguma coisa. Será que está sozinha? Acho difícil.

Escuto folhas sendo amassadas ao longe. Era um deles. Procuro pela menina, preocupado se ela também ouviu ou não, mas ela estava exatamente correndo para aquela direção, enquanto perseguia o que parecia ser um coelho. Ótima hora para algum bicho resolver aparecer. Começo a correr atrás da menina.

— Hey! Para. — Grito chamando sua atenção quando vejo que ela já está muito perto. Chamo sua atenção e ela parece se assustar correndo ainda mais. "droga". Ela vira entre algumas árvores, me fazendo perde-la de vista. Merda, merda, merda. Escuto seu grito e corro mais ainda. Quando finalmente consigo encontra-la ela empunhava uma pequena faca, como se fosse uma adaga, enquanto dois deles se aproximavam. Um deles aos pedaços. Aquela não era uma cena que uma criança normal deveria ver. A cena me lembra institivamente de Annelise, mas afasto esses pensamento. Atiro na cabeça do que estava mais distante, correndo rapidamente e a colocando atrás de mim enquanto acertava o zumbi que se rastejava para perto de nós.

Me viro para olha-la e ela se afastava com alguns passos vacilantes para trás enquanto empunhava a faca para mim com uma cara assustada. Me recomponho e tento faze-la se acalmar.

—Tá tudo bem, não te machucar. — Digo abaixando o tom. Ela tropeça nos próprios pés ao andar para trás e eu me precipito em sua direção.

— Não! — Ela grita me interrompendo. A pequena mão começava a tremer. — Não chega perto. — Ela diz vacilante. Olho-a. Ela lembrava a Sophia. É pequena, cabelos curtos, pouco abaixo do ombro e tortos, deixando claro que aquilo foi feito por ela. Além de grande olhos verdes, fazendo parecer um pequeno anjinho.

— Okay... Não vou chegar. — Falo me abaixando lentamente até me apoiar com o joelho no chão. Olho ao redor e vejo que o território parecia limpo novamente, então bem devagar pego a besta e a coloco no chão.

— Não vou te machucar viu? — Digo olhando-a. — Pode pegar ela se quiser, eu só queria conversar com você. — Tento convence-la. Ela pensa um pouco e se aproxima incerta, e tenta puxar a besta pra longe de mim, sempre olhando-me. Prendo o riso quando vejo seu esforço para levantar a besta, desistindo depois e arrastando-a pouca coisa. Quando ela cansa, para ofegante e depois de respirar se aproxima de mim, ainda empunhando a faca.

— Posso saber seu nome? — Pergunto. Ela me analisa e parece pensar bastante antes de me responder.

— Maya.

Seu jeitinho infantil e inocente fazem com que as lembranças da Anne apareçam novamente em minha mente. Ambas são inocentes demais para saberem que nunca se deve falar com quem acaba de conhecer, muito menos que uma faca pequena e a falta de pratica ao manuseá-las não as ajudariam em nada.

— Eu sou o Daryl. — Conto fazendo-a assentir. — Você mora naquela casa na campina? — Pergunto tentando descobrir mais sobre o local. Ela assente.

— Sozinha? — Pergunto. Ela nega me preocupando. — Existem muitas pessoas com você?

— Meu pai. — Ela responde friamente, acho que não gosta que eu faça perguntas.

— Vocês estão aqui a muito tempo? — Dessa vez ela concorda e vejo seus olhos se desviarem para os esquilos pendurados nas minhas costas. — Está com fome? — Pergunto surpreendendo-a. Ela nega, mesmo sendo claro que sim.

— Eu tenho muitos, e ia assa-los agora. Não quer um? — Tento convence-la.

— Posso? — Ela pergunta relutante e eu acento.

— Pode. Mas para isso eu vou precisar que você me empreste essa sua faca, pode ser? — Ela se preocupa. — Vamos fingir que é uma troca temporária. Eu pego sua faca emprestado e você cuida da minha besta um pouco, que tal? — Indago tentando persuadi-la.

— Aquilo é uma besta? — Ela pergunta inocentemente inclinando um pouco a cabeça.

— É. — É o que digo apenas. Não sei muito bem lidar com crianças.

— Tudo bem então. — Ela fala se aproximando de mim com passos incertos e me entregando a faca. Eu a pego com cuidado para não machuca-la e me sento no chão começando a limpar alguns dos esquilos.

Não sei em que momento foi, mas ela arrastou a besta para perto de mim e se sentou a minha frente. Os dois permanecemos em silêncio, apenas nos observando e vendo a noite cair.

— Vou pegar lenha. — Falo para ela entregando-lhe a faca, e para a minha surpresa ela me estende a besta com dificuldade. Agradeço com um aceno de cabeça e vou atrás de algo para fazer fogo, mas sempre de uma distância que me permitia ouvi-la.

O que uma criança estaria fazendo andando sozinha? O pai dela estava fazendo que ainda não veio procura-la? Me estresso. Pelo menos isso me fez esquecer tudo o que aconteceu mais cedo, me ajudou a esfriar a cabeça. Ainda me sinto traído e com muita raiva pelo que a Annelise e até mesmo o Rick puderam fazer, mas já conseguiria me controlar. Me arrependo por ter sido tão duro com ela. Mas já não tem mais volta, e é bom porque assim não vou ser mais enganado por aquela carinha de anjo.

Depois de pegar lenha suficiente volto a procura da Maya e a encontro sentada na mesma posição de quando eu sai. Acendo o fogo e preparo a carne. Ela apenas mantém seus olhos vidrados em mim, como quem tem muitas perguntas para fazer, mas não faz nenhuma delas.

— O que foi? — Pergunto a assustando. Ela acena a cabeça rapidamente em negação e olha para o chão.

— Pode falar, não é como se eu fosse te machucar por perguntar algo. — Digo enquanto virava a carne.

— Não vai? — Pergunta incerta me chamando a atenção.

— É claro que não, nunca machucaria uma criança. — Digo sério, vendo seus olhinhos começarem a lacrimejar. Ela está com medo de mim?

— Nem mesmo se eu perguntar algo que você não goste?

— Nem mesmo assim. — Respondo convicto. — O máximo que eu faria seria ignora-la completamente. — Sou sincero. Novamente o silêncio se instala por vários minutos até que ela tem coragem de me perguntar alguma coisa.

— Onde você machucou o pescoço? — Para a minha surpresa sua pergunta tem haver com o meu ferimento. Penso em como contaria isso de uma forma em que a criança não saísse correndo.

— Alguns caras maus queriam machucar meus amigos, então eu tive que brigar com esse caras e eles acabaram me machucando. — Respondo, torcendo para que a explicação funcionasse.

— Ah! — É só o que ela diz antes de voltar a ficar em silêncio de novo.

Assim que a carne fica pronta dou um dos esquilos para ela que agradece e come rapidamente. Pego um para mim e deixo os outros para ela que depois de muita insistência da minha parte aceita comer mais alguns pedaços. Ela levanta subitamente e começa a caminhar.

— Aonde vai? — Pergunto apagando o fogo rapidamente jogando terra em cima.

— Preciso ir pra casa. — Ela se vira para mim. — Meu pai pode acordar. — Seus olhos veem a floresta com medo.

— Eu te levo. — Falo pegando a besta do chão e indo até, que segura a mãozinha com força na minha calça enquanto me segue. Deixo ela ir indicando o caminho por onde ela marcou as árvores. No fim, não tínhamos nos afastado muito delas.

— Maya. — A chamo. — Será que eu poderia conhecer seu pai? — Pergunto. Ela para no lugar e começa a acenar com a cabeça e com as mãozinhas que não.

— Não Daryl, o Ryan vai te machucar. — Ela fiz apressada.

— E porque? Você não pode falar que eu sou bonzinho, que não vou machuca-lo? — Tento convence-la.

— Ele não pode saber que eu saí. — Ela diz preocupada. — Se ele souber vai ficar bravo. Não conta pra ele Daryl, por favor. — Ela pede juntando as mãozinhas e as esfregando uma nas outras.

— Tá bem, calma. Não vou contar. — A acalmo. Esse história não me cheira bem. — Mas eu volto amanha, tudo bem? — Digo. Ela demora para pensar mas concorda.

— Certo, vamos. — Falo arrumando a besta novamente e a guiando até onde a vi pela primeira vez. Sinto um aperto nas minhas pernas me assustando e vejo que é ela me abraçando. Não sei o que fazer, então espero que ela me solte.

— Obrigada por me ajudar com os monstros Daryl. — Ela agradece e eu aceno com a cabeça em resposta vendo-a correr de volta para a casa e pular novamente a janela. Algo ali não me cheira bem. Ela acena para mim antes de fechar a janela e só então me permito sair do lugar.

Assim que estou prestes a pegar o caminho de volta escuto a porta abrir a tempo de ver um homem, por volta dos 50 anos sair com uma espingarda na mão e se sentar no alpendre. Ele tira um cigarro do bolso e o leva a boca, acendendo-a. Algo nele não me cheira bem, mas não é como se eu pudesse aparecer lá agora. O cara tem uma arma, a essa distância eu seria um alvo fácil. Mas eu com certeza voltaria aqui amanha. Preciso falar com o Rick.

Sigo os panos presos as árvores novamente para conseguir chegar facilmente a moto. Acabei gastando mais tempo do que eu pretendia fora. Escuto um barulho que me chama a tenção e para a minha surpresa vejo uma coruja nos galhos de uma árvore próxima. Ajeitei a besta em meu ombro e mirei, acertando entre seus olhos. Até que ficar até mais tarde não foi tão ruim, agora a Lori poderia alimentar a cria e a Ann... Eu realmente sou um idiota. Penso rindo de mim mesmo. Só um trouxa para ser tão manipulado e ainda sim pensar e se preocupar com ela.

Amarro seus pés na corda junto aos esquilos que sobraram e os ajeito nas costas, de modo que eu poderia colocar a besta do outro de moto que fosse fácil manobra-la. Percorro o caminho de volta, dessa vez prestando muita atenção no caminho feito, eu teria que voltar. Algo nesse Ryan não me cai bem. Vou próximo as árvores, por causa da hora não consigo ter uma visão muito boa da estrada ao longe. Não podia bobear.

Notas finais
Gente, finalmente eu consegui me organizar. Peço desculpas pelos transtornos, mas agora é certeza: POSTAGENS REGULARES! Teremos um capítulo por semana, que vai ser postado sábado ou domingo. Ps: No inicio pode ser que tenham alguns errinhos, mas ja estou providenciando uma beta pra evitar quaisquer erros. Espero que tenham gostado. Beijinhos, Gabbs Silva.