Vivendo entre os mortos

14 Sonho ou realidade?


Notas iniciais
Gente, muito obrigada pelos comentário e me desculpem por preocupa-los. MAS... Gente, recebi tanto comentários no ultimo capítulo que eu fiquei chocada. Então, por favor, eu sei que as vezes é chato e cansativo mas me deixa sua opinião. Você pode até me xingar se quiser ou então colocar apenas se está bom ou não, mas a opinião de vocês é muito importante pra mim. Espero que gostem. XOXO

Ele não me da tempo de falar nada pois logo pega minha mão e sai correndo, me fazendo segui-lo. Dessa vez parece que mais deles entraram e finalmente nos perceberam, tanto que alguns chegam tão próximos que tenho que acerta-los. Finalmente conseguimos chegar na pick-up e matamos os mais próximos. Daryl coloca a besta no chão por alguns segundos e me ajuda a subir na mesma pelo lado. Assim que sinto meus dois pés firmes no chão me viro para ajuda-los mas sinto meu mundo cair ao escutar seu grito. Viro rapidamente me deparando com Daryl matando o zumbi que mordia seu ombro com força. Coloco minha mão na boca evitando um grito de dor. Olhos para ele enquanto sinto seus olhos queimarem sobre mim. Uma de suas mãos cobre o ombro com força enquanto seu rosto se contorce em dor.

—Daryl. — Chamo-o entre os soluços e me aproximo para ajuda-lo a subir no carro, mais zumbis se aproximam e eles os mata ignorando o ombro. Ajudo-o do carro e assim que temos uma chance eu chamo-o novamente para ajuda-lo a subir, mas para a minha surpresa ele nega e se afasta fazendo barulho para atrai-los.

—Não! — Grito ao ver o que ele pretende fazer.

—Daryl, não! — Grito com força me preparando para descer do carro.

—Vai embora Annelise, agora! — Ele grita pra mim me fazendo parar. Ele me olha e parece que ao ver que eu não o obedeceria ele simplesmente para de lutar e se deixa ser domado pelos zumbis.

—Não! — Choro desesperada caindo de joelhos. — Daryl! DARYL!.

Sinto pulsos firmes me puxando com força e me puxando para trás e me debato tentando ir até Daryl.

— Annelise. — A voz me chama não me deixando ir.

— Me solta! — Digo chorando enquanto tento me libertar. — DARYL!

— Calma!

— Me solta! — Grito novamente agitando meus braços.

— Annelise! — A voz grita fazendo com que eu me sente sobressaltada. Respiro fundo e olho ao redor tentando achar o Daryl.

— Calma Lise, sou só eu. — Rick para na minha frente me surpreendendo.

— Cadê o Daryl, Rick? — Choro. Ele me olha com a testa franzida.

— O Daryl estava no bloco até agora pouco, não? — Ele pergunta me deixando confusa.

— O que? Mas e os outros, onde estão? Precisamos sair. — Digo nervosa olhando para os lados a procura de mais alguns dos zumbis. Preciso encontrar o Daryl. Levanto-me rapidamente pronta para correr, mas então sinto uma vertigem que quase me leva ao chão. Fecho os olhos com força enquanto minha cabeça parece começar a girar e então sinto os braços de Rick me amparando.

— Annelise. — Rick me chama enquanto me ajuda a sentar. Continuo de olhos fechados. — Se acalma, tá bem? Estamos todos bem. O daryl também, não precisamos sair daqui. — Ele diz me acalmando.

— Eu pensei que... que tudo tinha acabado. — Falo com a voz embargada. Sito Rick colocar as mãos nas minhas costas.

— Está tudo bem, todos estamos bem. Bem, menos você. — Ele diz. — Deita um pouco, vai te ajudar a se sentir menos tonta. — Ele coloca as mãos nos meus ombros e me guia para poder me deitar. Não devia ter levantado tão rapido, mas eu precisava encontra-lo.

— Obrigada! — Digo, enquanto respirava lentamente.

— Sobre o que estava sonhando? — Ele pergunta. Começo a me lembrar do sonho e sinto um peso enorme sair de mim ao pensar que tudo aquilo não aconteceu, principalmente a Daryl.

— Apenas... Coisas que eu quero que nunca aconteçam. — Digo.

— Sinto muito por isso. — Rick começa. — Mas não precisa ficar tão preocupada Lise. Estamos a muito tempo na estrada para sabermos como lidamos com esse mundo, não posso garantir que nada nos aconteça, mas posso garantir que sempre tentaremos o nosso melhor. — Sei que são fortes, já os vi lutando. Já colocaram suas vidas em risco em por todos.

— Eu também quero poder ajudar. — Falo sinceramente finalmente conseguindo abrir os olhos sem sentir que vou cair em um precipício.

— Você vai ficar forte Lise, e então vai poder nos ajudar. Vai por mim, não vai demorar. Pelo menos não enquanto estiver com Daryl. — Ele diz risonho me fazendo corar.

— Mas porque está aqui fora? — Ele pergunta. — É perigoso aqui. Ainda não conseguimos limpar tudo e os presos ainda estão por perto.

— Eu estava me sentindo sufocada lá dentro. — Digo envergonhada por não ter lembrado dos presos. Lembro-me de Daryl falando que não eram boas pessoas. Eles o machucaram. Quando o vi sair daquele bloco com sangue escorrendo no pescoço eu senti tanto medo...

— Entendi. — Ele diz. — Sabe, a Lori me contou que te chamou pra ser a madrinha do bebê. — ele comenta me deixando nervosa. Ele me conhece a pouco mais de uma semana. Talvez não gostasse da ideia. Eu mesma fiquei bastante surpresa com a decisão da Lori.

— Tudo bem pra você? — Pergunto receosa.

— Sabe que sim. — Ele diz sorrindo. — E como eu fiquei encarregado do padrinho acho que nada mais justo do que chamar o Daryl, não acha? — Ele pergunta com um sorriso maquiavélico que chegava aos olhos. Rio da sua expressão. Desde o inicio Rick me ajudou, não só com me manter viva, mas a me acostumar com as pessoas e principalmente com o Daryl.

— Ele adoraria, tenho certeza. — Digo rindo. — O que?

— Nada, é só que nem parece que vocês se conhecem a pouco mais de uma semana. Na verdade, você conhece melhor ele do que muitos de nós. Acho isso bom, principalmente pra ele.

— Ele é meio fechado, mas sempre me ajuda.

— Sabe que não é só isso. — Ele diz sorrindo deixando claro que ele pensa ser algo mais além de gratidão, e sinceramente eu mesma começo a concordar com eles. — E sabe também que eu torço muito pelo Daryl, mesmo que o mundo tenha acabo, ele é como um irmão pra mim. Não merece ser a pessoa que só carrega o peso do grupo sem nunca receber nada em troca. E eu gosto de você Lise, todos aqui gostam. Já é da família, e assim como o Daryl é uma irmã pra mim. Não precisa ficar mais sozinha. Até porque duvide que isso aconteça, ainda mais quando se está envolvida com um Dixon, eles sabem ser bem insistentes quando querem. — Ele comenta rindo, me fazendo sorrir.

— Ele é muito bom né? — Pergunto sentindo meu coração errar uma batida ao pensar em Daryl.

— Às vezes chego a pensar que o melhor entre nós. — Ele diz com sinceridade.

— Tenho medo de que ele acabe morrendo por sempre se colocar em risco... Eu... Não sei se conseguiria viver mais sem ele. — Confesso.

— Eu sei que assusta, mas eu nunca deixaria de ajudar Daryl em nenhum momento, nem que eu coloque minha própria vida em risco por isso. Ou qualquer outra pessoa daqui. — Ele diz de forma firme. — Eu juro! — Não consigo aguentar o alivio que suas palavras me causam e me levanto abraçando-o fortemente. Escuto sua risada antes de senti-lo atribuir o abraço. Assim como ele considera Daryl como irmão eu conseguia senti-lo como se fosse um irmão pra mim, ou até mesmo uma visão paterna. Afinal, Rick já fez mais por mim do que meu pai em toda a sua vida.

— Obrigada! — Digo sinceramente e então eu escuto sua voz e sinto meu coração se agitar novamente.

— Mas que merda está acontecendo aqui? – Escutamos Daryl falar e eu me viro para ele sorrindo, até o momento em eu vejo seu rosto. Ele parecia com raiva e o olho confusa tentando descobrir o que aconteceu.

— Daryl... — Começo a perguntar mas ele me interrompe me deixando mais confusa ainda.

— Não Anne! — Sua voz é grave. — O que vocês estavam fazendo? — Olho para Rick tentando entender sobre o que Daryl está falando mas ele também parece não entender. Ele olha fixamente para Rick e pergunta: — Agora você vai seguir os passos de Shane, Rick? — Não sei quem é Shane mas vejo que para Rick foi como levar um tapa na cara. Sua feição se tornou triste e irritada. Não entendo porque Daryl está fazendo isso. Olho para perguntar-lhe o que estava fazendo mas ele já estava distante seguindo a passos largos até a sua moto. Fico preocupada. Aonde ele pensa que vai quando aqui é seguro? Levanto de modo um pouco mais calmo para evitar outra vertigem e o sigo. Assim que vejo que não corro o risco de passar mal novamente começo correr ao seu encontro e assim que o alcanço seguro seu pulso vendo-o com a chave da moto na mão. Ele puxa o braço rapidamente me fazendo solta-lo e me desequilibrar. Sinto que estou melhor mais ainda sim fico tonta ao ser puxada de forma tão brusca. Fico parada ereta e respiro fundo. Ele se vira para mim com uma feição confusa e irritada.

— Que merda você quer de mim Annelise? — Ele pergunta me deixando nervosa. Não consigo entender o porque do seu comportamento, e como sempre, não importa o que eu faça eu causo irritação a ele. Tento me aproximar mas então ele me deixando preocupada. Ele nunca fugiu de mim. Começo a sentir minhas mãos suando e as mecho desconfortavelmente.

— Eu quero que me fale o porque de você estar agindo assim. — Digo em um tom baixo, desviando do seu olhar.

— Ah, quer? — Ele pergunta rindo ironicamente. — Mesmo depois de tudo o que eu vi? — Ele continua me deixando ainda mais confusa. Afinal, do que ele está falando?

— O que você viu Daryl, que foi tão grave assim? — Pergunto aumento o tom de voz. Não consigo lidar com a confusão que ele está me causando.

— Você é realmente descarada. — Ele diz rindo e me incomoda. — Talvez tivesse sido melhor simplesmente ter te ignorado e fingido que você não existia. — Ele diz me assustando. O que eu fiz? Daryl nunca falou comigo. Meus olhos começam a marejar.

— O que aconteceu? — Pergunto com a voz falha. — Porque tá me falando essas coisas?

— Porque eu tô cansado desses seus joguinhos! — Ele grita me assustando novamente. — Era esse seu objetivo? Me deixar totalmente confundido e com a guarda abaixada em relação a você? Era isso? Mas porque eu tô perguntando, ficou óbvio que é. — O que? Porque ele está pensando isso?

— Não Daryl, eu nunca faria isso. — Digo rapidamente tentando faze-lo entender..

— Para de mentir, porra! Você fez isso sim! — Ele novamente grita e se aproxima rapidamente de mim me deixando mais assustada. — Sempre faz isso, desde o maldito dia em que te encontramos. — Ele aponta o dedo no meu rosto me fazendo encolher. — Você é uma sanguessuga, uma parasita que me usou como hospedeiro para sobreviver. Me fez pensar em você, fez com que eu me importasse, sentisse algo… Você não passa de uma puta interesseira que usa as pessoas. — Cada palavra pronunciada por ele é um soco no meu estomago. Agora não consigo mais segurar as lágrimas. O que eu fiz a ele para deixa-lo tão magoado comigo?

— Não sou. — Digo tentando entende-lo.

— Você é um peso morto Annelise.. principalmente pra mim. — Fala em um tom grave. Cada palavra proferida por ele me machuca e não consigo mais me situar. Sinto minhas pernas perderem a força e então ir de encontro ao chão. — Você deveria ter morrido quando aquelas hordas apareceram, mas já que eu fui idiota o bastante para te tirar de lá, aproveita toda a energia que economizou fazendo com que as outras pessoas lutassem por você e some da minha vida. — Não sei nem mais o que pensar. Simplesmente me deixo chorar pelo medo e pela dor de perde-lo. Ele sobe na moto e a acelera. Até que ele vira para trás para me ferir um pouco mais.

— Ah! Aproveita e começa a fazer promessas com as pessoas que você consegue manipular. — E então ele volta a ligar a moto.

— Daryl! — Grito caindo no chão e vendo-o sair e se afastar cada vez mais da prisão. Sinto minha garganta arder e as lágrimas caírem com mais intensidade. Ele não pode sumir assim, não posso perde-lo duas vezes no mesmo dia. Continuo gritando seu nome enquanto sinto meu rosto ficar cada vez mais molhado e minhas forças parecerem sumir.

— Annelise... Annelise! — Escuto Rick gritar meu nome e então se abaixar na minha frente com presa e segurar meu rosto. — O que aconteceu? Está machucada? Cadê o Daryl? — Ele pergunta rapidamente. — Annelise! — Olho para o Rick por entre as lagrimas, vejo que ele parece preocupado. Com dificuldade eu falo:

— Ele sai. Eu... Ele me odeia Rick. — Digo fazendo com que mais lágrimas caiam e Rick me olha assustado.

— O que? É claro que não.... — Ele diz rápido e então passa os braços por minhas costas me abraçando. Me prendo a ele na esperança que pelo menos um pouco da dor que eu estou sentindo suma. — Ele só está de cabeça quente. — Ele diz. — Agora se acalma e vamos entrar. — Me alarmo e logo me afasto olhando para ele.

— Não posso, não vou sair daqui até que ele chegue. — Digo decidida passando a mão no meu rosto tentando secar um pouco das lágrimas. — Ele saiu por minha culpa e se acontecer algo?

— Nada vai acontecer, Daryl já é bem grandinho. Sabe se cuidar. — Ele diz. — Mas aparentemente não sabe controlar os nervos e muito menos os sentimentos. Agora vamos entrar, está frio e aqui é perigoso. — Ele diz decidido com cara de poucos amigos. Fico preocupada. Não posso simplesmente entrar, não sem saber se ele está bem ou não.

— Não! Por favor Rick. Só mais um pouco. — Peço rapidamente tentando convence-lo. Ele me olha e vê que estou decidida e então suspira fundo.

— Tudo bem, mas pelo menos fique sentada perto da entrada do bloco sim? — Ele pondera. — Não quero nenhum de vocês perto dos presidiários. — Concordo um pouco mais tranquila. — Vem, eu te ajuda. — Ele fala me ajudando a levantar, ele passa o braço pela minha cintura me dando firmeza e então me senta perto do portão onde Carl costuma ficar.

— Tem certeza que não quer entrar? — Rick pergunta e eu concordo. Ele suspira e balança a cabeça concordando e então entra no bloco.

Respiro fundo e volto meu olhar para o portão por onde ele saiu. Começo a pensar em tudo que já passei com eles, tudo o que já passei com Daryl. Desde o primeiro dia em que o vi entrando naquela casa eu sabia que ele era especial. Quando eu acabei gritando e deixando claro para eles que eu estava ali Rick me deu tanto medo, ele se parecia tanto com aquele homem sujo que eu encontrei após perder o Josh. E então Daryl me ajudou, me acalmou. Quando todos aqueles zumbis começaram a surgir foi ele que me tirou de lá, que me protegeu. Foi ele que depois de muito tempo me fez sentir como se eu não vivesse o fim do mundo quando estava em sua moto. Foi com ele que eu pude olhar para o céu pela primeira vez em mais de um ano. Ele que me levou para me limpar depois de tanto tempo suja, foi ele que se colocou em risco para poder me acalmar enquanto eu estava nervosa. Foi por causa dele que hoje eu me sinto pertencente de algum lugar.

Não consigo entender o que eu fiz para faze-lo pensar que eu simplesmente o enganei, que eu sou... Sinto a culpa me tomar. Eu sou um peso morto pra ele, sempre fui. Só preferia não ver. Todas as vezes em que eu estive em perigo ele me salvou, é claro que uma hora ele cansaria de ter que se colocar em risco por mim, eu é que fui muito idiota para não perceber. Mas depois de tudo o que eu vivi com eles, com ele, eu não consigo mais pensar em não tê-lo por perto. Já faz algum tempo desde que venho sentindo algo estranho toda vez que eu o via e sinceramente eu acho que estou começando a me apaixonar por Daryl Dixon. Sinto outra lágrima escorrer por meu rosto e a seco rapidamente. Eu não mereço alguém como ele. Sou fraca e dependente. Talvez seja por isso que ele me odeia no momento. Olho para o seu e vejo e fico vendo o por do sol. Nem percebi que tanto tempo tinha se passado. Fico preocupada ao ver que Daryl ainda não voltou. Escuto passos e logo vejo Maggie e Glenn se aproximando.

— Hey Maneki! — Glenn me cumprimenta com a voz penosa e eu tento sorrir de leve. Maggie se abaixa ao meu lado.

— Tem certeza que não quer entrar, meu bem? — Pergunta enquanto coloca uma manta sobre meus ombros. Olho para ela agradecida. Realmente o clima já estava bem mais frio. Acho que o inverno não demoraria a parecer.

— Tenho. — Digo percebendo o quanto minha voz estava rouca. — Vou esperar.

— Parece que ele vai demorar Lise... — Gleen fala me olhando. Nego e dou de ombros de leve. Não me importa que ele demore, desde que ele chegue.

— Eu espero. Só preciso vê-lo. — Digo e então olho para Maggie. — Sei que ele me odeia e provavelmente não quer nem mesmo me olhar, mas eu preciso vê-lo Maggie. Preciso saber se está bem. — Ela percebe meu olhar e me abraça de leve se levantando em seguida.

— Tudo bem, mas qualquer coisa promete que vai nos chamar? — Ela diz parando ao lado do Glenn e eu concordo.

— Ele vai aparecer Lise. Não se preocupe. — Glenn diz antes de se afastar com Maggie.

Respiro fundo decidida. A partir de hoje eu não seria mais essa Annelise fraca que é odiada pela pessoa que gosta. Eu me tornaria forte. Eu me tornaria independente, eu queria poder retribuir ao Daryl tudo o que ele fez por mim. E o primeiro passo seria indo ajuda-lo. Espero por mais algum tempo, a cada segundo que percebo que o seu escurece mais e a mata ao redor se torna mais silenciosa eu fico nervosa. Essa demora não é normal, já deve passar da meia-noite. Entro no bloco correndo, vejo que chamo a atenção do Rick e da Lori, mas não os dou atenção e subo as escadas correndo e entro na minha cela começando a arrumar minhas coisas. Assim que estou na porta volta e então me lembro dele. Levanto o travesseiro e tiro o lenço de Daryl de lá colocando-o no bolso. Desço as escadas rapidamente e me aproximo do portão, sendo impedida por Rick e Lori que se colocam na minha frente.

— Onde pensa que vai? — Rick pergunta.

— Vou atrás dele. — Respondo tentando desviar de seu corpo.

— Você não vai a lugar nenhum. — Ele diz decidido. Me sinto mal por não poder ouvi-lo, mas não consigo mais saber que Daryl está lá fora sozinho.

— Você não vai me impedir. — Digo olhando-o.

— Lise, sabe que não posso impedi-la mas não vá, sim? — Ele pede me desarmando. — Precisamos de você aqui e o Daryl vai voltar.

— Ele não vai. — Digo sentindo minha voz ficar embargada novamente. — Não vai voltar porque eu estou aqui. Não posso fazer isso com ele.

— Mas que merda ele falou pra você? — Lori pergunta se aproximando de mim e me abraçando. Descanso a cabeça nos seus ombros e me deixo chorar. Sinto Lori acariciando meus cabelos tentado me acalmar.

— Escuta, eu sei que está preocupada. — Rick diz se aproximando de nós e colocando a mão nas minhas costas afastando-me de Lori, para então poder tirar a mochila das minhas costas e colocar na sua. Dessa vez eu não reclamo, não poderia preocupa-los mais. Olho para o lado e vejo que quase todos estavam ali e Carl me olhava com uma carinha triste. Passo a mão no rosto e sorrio para ele de leve. — Todos nós estamos, mas nesse momento nossa maior preocupação é você. Não pode sair sozinha, e não se preocupe. O Daryl vai voltar e se não voltar vamos todos atrás dele, mas quando amanhecer. E quando ele voltar, vai ter que se ver comigo. — Olho para Rick agradecida e concordo. Se Daryl estivesse com problemas eles seriam muito mais uteis do que eu.

— Agora vamos pra minha cela, é bom que você faz companhia pro seu afilhado hoje. — Lori diz me arrastando. Olho para ela.

— Mas e o Rick? — Pergunto preocupada, mas sem recusar sua oferta. Não queria ficar sozinha hoje.

— Vou ficar com o Carl, não se preocupe. — Rick responde por ela me fazendo olha-lo agradecida. Ele vai na frente e vejo que coloca minhas coisas do lado da cama. Lori me faz deitar na cama de cima e vejo ela e Rick conversando na porta da cela. Resolvo olhar para o lado evitando ser invasiva e então eu tiro o lenço do bolso.

Sorrio de leve ao lembrar dele colocando-o em minha mão antes de descermos da torre. Aproximo o lenço do rosto sentindo mais algumas lágrimas insistentes caírem por meu rosto. E dessa vez elas não me incomodam, porque a partir de hoje eu seria uma Annelise diferente, não iria ser mais fraca. Então, pelo tempo que falta até que eu durma, vou me deixar ser fraca por mais um tempo. E assim, aos poucos o sono me toma sem que eu perceba. E preocupada, eu durmo pensando nos olhos verdes que tanto me preocupam.

Notas finais
Bem, é isso. Espero que tenham gostado e a partir de agora teremos uma nova etapa na história. Alem de personagens novos como a pequena Maya também teremos o crescimento da nossa personagem principal. Por favor, deixem-me saber o que estão achando. Beijinhos, Gabbs SIlva.