Não sei há quanto tempo estou correndo, mas só me permito parar para descansar quando o ar começa a entrar com dificuldade e o peso da Maya começa a me atrapalhar. Queria poder falar que não estamos perdidas, mas sei que isso não é verdade. Se eu estivesse correndo na direção certa com certeza já teríamos chegado. Penso em Daryl, em Rick, em todo mundo e fico preocupada. Aquela horda estava indo pra lá, se eles não a tivessem percebido eles podem ter sido pegos… Balanço a cabeça com força evitando pensar sobre isso, se estamos perdidas preciso tomar conta de Maya e não posso me permitir simplesmente sentar no chão e chorar até que Daryl me encontre, ele me disse que era rastreador, poderia nos encontrar. Só precisávamos ficar bem até lá. Olho ao redor comprovando que não tinha nenhum errante por perto e coloco a Maya no chão.

— Maya, meu bem. — A chamo fazendo com que olhe para mim. Seus olhos já estão vermelhos e inchados depois de tanto chorar. — Você sabe onde estamos? — Pergunto esperançosa, recebendo uma resposta negativa em resposta. Suspiro pesadamente e olho ao redor. As árvores onde estamos são muito juntas, é difícil se locomover ou até mesmo fugir. Não é seguro ficarmos aqui, mesmo que eu tenha medo de me afastar ainda mais da prisão não tenho escolha. Olho novamente para Maya.

— Maya, eu acho que estamos perdidas… — Começo, e ela olha para os lados concordando. Abro um pequeno sorriso ao ver sua inocência. — Não sei quanto tempo vamos ter que ficar longe dos outros, por isso você precisa fazer uma coisa pra mim tudo bem? — Pergunto.

— Tudo. — Ela diz formando uma ruguinha na testa que novamente me faz lembrar de Daryl.

— Enquanto tivermos aqui fora eu preciso que sempre fique perto de mim e corra quando eu pedir, e não pode fazer barulho ou você pode chamar a atenção deles, tudo bem? — Falo preocupada com o que vai acontecer. Eu não sou alguém forte, muitas vezes quase morri, estaria morta se não fosse Daryl e o pessoal da prisão. Como eu faria para me proteger e proteger a uma criança?

— Também não posso falar? — Ela pergunta com um rostinho triste. Me abaixo ficando a sua frente e acaricio seu cabelo sorrindo para ela.

— Pode falar. Mas bem baixinho, certo? — Digo e ela concorda abrindo um sorrisinho leve. Fico feliz, depois de tudo o que ela passou, não só hoje como antes, ela ainda consiga sorrir. Sinto asco ao lembrar do homem que um dia se intitulou pai chamando-a de cachorrinha. Torço para que Daryl tenha conseguido deixar vários hematomas em seu corpo.

— Está doendo princesa? — Pergunto limpando de leve o sangue do seu braço que ficou preso no arame farpado. Ela assente ainda deixando algumas lagrimas caírem e eu limpo seu rosto e beijo sua testa. Respiro fundo pegando fôlego e me preparo para continuar a caminhar. Lembro quando era eu que não podia andar, quando eles me acharam, Daryl costumava me levar nas costas. Olho para Maya, ela é pequena e muito leve, talvez ajude.

— Maya, você acha que consegue ir segurando nas minhas costas princesa? -Pergunto e ela assente. Sorrio. Fico de costas para ela e logo sinto seus bracinhos rodeando meu pescoço e levanto ajeitando suas pernas na minha cintura. Realmente desse jeito era mais fácil, tanto andar como nos proteger. Novamente firmo a faca na mão e volto a andar.

Andamos por um longo tempo até a luz do dia começar a sumir. Olho ao redor e ainda não vejo nada além de mata e mais mata. Maya está dormindo nas minhas costas me fazendo segura-la com mais cuidado. Ela passou o dia agarrada ao meu pescoço com medo de tudo o que via pela frente e pra piorar seus cortes ainda estavam doendo, mal escutei sua voz durante todo o caminho. Ela só abriu a boca para pedir um pouco de água e me doeu respondê-la que nada tínhamos. Preciso encontrar um lugar para nos mantermos seguras durante a noite. Olho para as árvores a procura de alguma que possa nos deixar segura e fico aliviada ao encontrar uma logo a frente.

— Maya, amorzinho. — Chamo-a acordando. Quando vejo que ela abriu os olhos eu a tiro das minhas costas e a coloco a minha frente. — Preciso que você me ajuda agora, certo? — Falo e ela assente ainda sonolenta. Sorrio. — Nós precisamos subir nessa árvore, acha que consegue me ajudar?

— Vamos dormir lá em cima? — Ela pergunta assustada encarando a árvore.

— Sim, é um bom lugar para nos escondermos dos bichos. — Digo lembrando do termo que ela usou para se referir aos zumbis.

— E não vamos cair? — Ela pergunta incerta.

— Os galhos são bem largos e não se preocupe, quando estivermos lá em cima eu te seguro. — Sorrio encorajando-a e depois de encarar a árvore novamente ela assente. Começo a subir e a puxo, continuo esse processo até que encontro um galho largos o bastante para nós duas, olho para baixo e vejo que dificilmente seriamos encontradas daqui.

— Tudo bem? – Pergunto olhando para Maya que me abraçava evitando olhar para baixo. Acaricio seu cabelo e olho para o céu vendo o por do sol. Quero saber como estão todos, preciso saber como vai ser de agora pra frente, até encontrar todo mundo, como conseguirei seguir em frente, só eu e ela. Logo sinto que Maya volta a dormir. Não posso vacilar com ela, não posso coloca-la em risco. Se Daryl estivesse tudo seria tão mais simples. Sinto meus olhos marejarem ao lembrar de como ficamos, não quero me perder dele sem nem ao menos conseguir ouvi-lo, sem abraça-lo mais uma vez. Daryl me disse uma vez que ele é um ótimo rastreador, quando a filha da Carol se perdeu ele ficou dias atrás dele e sozinho porque na época Hershel não gostava deles, queria eles fora da fazenda. Ele até mesmo se machucou, caiu de um penhasco e pra piorar ainda acabou com uma flecha atravessada na barriga. Mantenho a esperança de que ele vai nos achar, assim que eles resolverem as coisas com aquele idiota monstruoso, com certeza ele vai ficar mais bravo comigo do que estava antes, assim como o Rick, mas foi por uma boa causa. Ouço galhos se arrastando a baixo e vejo um zumbi se arrastando por baixo de nós, fico aliviada por termos conseguido subir, estarem protegidas por enquanto e agradeço mentalmente por não estar chovendo. Sinto Maya começar a tremer e com cuidado tiro o casaco enrolando-a nele. A pequena usava apenas um short branco com florezinhas rosa e uma blusa de ursinho sem manga. Não era roupa para uma criança estar usando tão perto do inverno.

Evito dormir e mantenho meu aperto firme segurando o pequeno corpo de Maya. Nem percebo que tanto tempo já passou, até que vejo o sol começar a sair. Suspiro pesadamente e tento acorda-la.

— Maya, princesa. – Chamo-a algumas vezes até que ela abre os olhinhos.

— Já temos que ir? – Ela pergunta coçando os olhos.

— Sim, precisamos de um lugar seguro e roupas quentes pra você. – Repondo acariciando seus cabelos. – Vamos descer agora certo? Tenha cuidado. – Ela concorda e com muito cuidado eu consigo descê-la, dessa vez ela já esta mais fortinha e consegue andar por um tempo me permitindo nos proteger melhor, mesmo que nossa velocidade diminua. Agora meu objetivo é sair dessa floresta e nos proteger. Meu objetivo é nos manter vivas e não importa quanto tempo demore eu vou encontra-los de novo, eu vou vê-lo de novo. Eu vou lutar com todas as minhas forças, por mim, por Daryl e por Maya.

Notas finais
Infelizmente eu estou estudando pro vestibular e não consigo mais ter certeza sobre minhas datas de postagens, mas mesmo que eu demore farei o possível e o impossível para não para-la. Palavra de FanWalker ♥