Vivendo entre os mortos
18 Antagonismo antrópico
Notas iniciais

P.O.V Daryl
Fiquei completamente paralisado quando Annelise saiu de trás do carro e enfrentou o Rick para pode vir com a gente. Fiquei contente pela sua firmeza em lutar pelo que quer, mesmo que estivesse preocupado. Mas o ruim mesmo foi olhar para seu rosto. Seus olhos estavam fundos e sua expressão cansada, era óbvio que passou um bom tempo chorando. Me recrimino mentalmente por ser tão estúpido.
Me abaixei junto do T em um arbusto maior. Precisávamos descobrir sobre a menina, desde aquele dia que a vi não consigo tirar seu desespero em pular a janela e o homem na varanda. Me lembrava meu pai, ou melhor, o homem que me fez existir.
E aí, de repente, tudo aconteceu e, naquele momento, eu vi meu mundo perder o sentido depois que Annelise sumiu juntamente com a Maya. Nunca fiquei tão desesperado na vida do que naquele momento em que os zumbis começaram a aparecer, nos fazendo interromper a briga, e percebemos que elas tinham sumido. Não queria ter saído, mas T e Rick me arrastaram e me obrigaram. E sinceramente, não sei se eu consigo ficar mais algum tempo longe dela.
— Precisamos ir atrás delas Rick, já fazem 7 dias. – Falo desesperado.
— Não vamos desistir Daryl, tem minha palavra. Mas precisamos analisar a área melhor, marcar por onde já passamos. Não podemos simplesmente andar sem rumo.
— Tudo bem, mas que seja rápido. Vou começar a fazer rondar pela área, pode ser que elas tenham conseguido se aproximar.
— Pai! – A voz que Carl gritando desvia nossa atenção para os portões, onde Hershel aparece andando com apoio das muletas, com a ajuda de Beth e Lori. Fico feliz pelo velho, ale é forte. Não acho que conseguiria fazer o mesmo se estivesse no lugar dele, mas agora a única coisa que toma conta da minha mente é Anne e Maya perdidas por ai. Ainda mais que a baixinha está machucada.
As duas começam a ajuda-lo a descer as escadas e com um pouco de cuidado ele está quase se aproximando de nós.
— O velho é duro na queda. – Gleen comenta animado desviando a atenção do mapa. – Mandou bem Hershel! – Ele grita fazendo o velho sorrir.
— Shiu! Comemora mais baixo. – Corto-o mostrando-lhe os zumbis que começam a se aproximar dos portões. Ultimamente parece que mais deles estão aparecendo. Nosso cheiro está os atraindo.
— Merda! A gente não pode ter um dia bom? – Gleen reclama observando eles se aproximarem cada vez mais.
— Se continuar assim teremos que começar a mata-los pelas grades, se eles se aglomerarem será um problema. – Maggie comenta feliz enquanto olha para o pai.
— Cuidamos disso melhor depois que acharmos Annelise. – Rick fala me olhando. Afirmo coma cabeça agradecido. Volto a atenção novamente para Hershel, me lembrando do quanto Anne gosta dele, mas para a minha surpresa vejo vários zumbis vindo por trás deles.
— Merda! – Vocifero pegando a besta e correndo. – Carl, atrás de você. – Grito com força fazendo-os olharem para os zumbis. Sinto os outros correndo próximos a mim. Lori sobe na mesa começando a atirar nos que se aproximam, dando tempo para que Hershel e Beth se protejam.
— Saiam! – Rick grita passando a minha frete. Cacete, é a família dele que está em risco. Acelero os passos e atiro nos zumbis que se aproximam pelar costas de Carl. Logo a sessão de tiros começam e eu troco a besta pela arma. Os tiros derrubam alguns, mais são muitos. Pela visão periférica vejo Hershel e Beth conseguirem passar pelo portão e Rick grita para eu Carl e Lori se escondam.
— A chave. – Rick grita para Gleen que joga para ele, que abre a grade rapidamente. T e Mag conseguem pular o muro e logo correm para ajudar Lori e Carl. Logo Maggie consegue entrar em uma das portas que levam para a caldeiro, junto com Lori e Carl. Não sei qual é pior, eles ficarem ou entrarem lá.
— Vai, vai, vai! – Rick grita abrindo o portão. Axel e Oscar ficam para trás, mas isso não é importante agora. Vemos T receber uma mordida nos ombros e praguejo atordoado.
— Não! – Escuto Carol gritar próxima a ele. É possível sentir a dor em sua voz.
T- dog é forte e não se deixa abalar. Ele mata o zumbi e corre para dentro de um dos blocos, seguido por Carol. Finalmente conseguimos nos aproximar a começamos a matar todos os zumbis que encontramos pela frente. Rick corre para perto da Beth e do HErshel e eu dou-lhe cobertura.
— O que acontecer? – Pergunta enquanto atira.
— O portão estava aberto.
— Cade a Lori e o Carl?
— Vi eles entrando na caldeira. – Respondo e ele olha para mim preocupado.
— Fiquem ai! – Ele diz a eles e nos afastamos rapidamente matando mais deles. Acerto dois que se aproximavam e corre para buscar as flechas. Fico nesse processo de trocar a arma pela besta durante alguns minutos.
— As correntes não se quebraram sozinhas! – Gleen diz ofegante correndo para perto de nós. Olhamos para atrás e vemos os presidiários parados no portão.
— Acha que foi eles? – Pergunto.
— Quem mais seria? – Rick responde andando rapidamente até eles, mas um alarme alto nos atordoa. Droga, droga, droga! Essa merda vai atrair toda a merda de cadáver do estado.
— Daryl! – Rick grita me fazendo virar a tempo de pegar as chaves que ele lança para mim. Logo ele fica em posição de ataque e ele e Gleen começam a atirar nos aparelhos de som. Aproveito e corro até os presidiários apontando a besta para eles.
— Como isso está acontecendo? – Vocifero. Eles levantam a mão e vejo que Axel está assustado. Não deve ter disso esses idiotas.
— Calma parceiro. Isso deve ser o sistema de emergência.
— E como desliga essa porcaria? – grito.
— São três chaves, cada uma controla uma parte da prisão. Eles desligaram tudo quando a prisão foi tomada.
— Alguém pode desligar isso com energia total? – Rick diz ofegante ao se aproximar.
— Eu só trabalhei lá por uns meses mais acho que é possível. – Oscar responde rapidamente.
— Vem com a gente. – Rick ordena e começa a correr.
— Vamos! – Apresso os dois enquanto cuido da nossa retaguarda.
Corremos até um dos blocos de controle. A porta está trancada e tenho que me jogar contra ela para que abra. Assim que todo mundo passa eu tento segurar os zumbis que tentam entrar na sala e o resto vai na frente. Quando a porta começa a ceder tenho que soltar a besta e usar as duas mãos. Escuto barulho de luta, mãos se eu tentar ajudar estaremos todos mortos. Rick vai ter que se virar dessa vez. A porta começa a ceder e rapidamente me afasto dela pegando a besta do chão e atirando nos que estão mais perto, o suficiente para fechar a porta em seguida. Eu conseguido trancar a porta e corro para ajudar Rick.
Assim que chego vejo Oscar com a arma apontada para Rick e pego uma de minhas flechas me aproximando lentamente, mas então ele entrega o revolver para Rick. Abaixo a flecha e o vejo agradecer se apressando para desligar o alarme. Finalmente o barulho para. Aproveito para olhar ao redor e recuperar algumas flechas.
— Vamos lá. – Rick diz. Me aproximo de Oscar e pego um pedaço grande de cano, ele me olha agradecido e então começamos a sair dos corredores. No caminho acabamos encontrando o corpo do T-dog. É como um tapa nas nossas caras, mas não podemos parar. Saímos correndo do bloco, e assim que chegamos até Hershel o som do choro do bebê nos chama a tenção. Rick deixa a arma cair e se aproxima de Maggie.
— Onde ela está?- Rick pergunta recebendo uma resposta negativa. Passo a mão pelo rosto respirando fundo, enquanto Rick começa a chorar. Coloco a besta nas costas e me aproximo. Gleen vai até Maggie consolando-a. Rick cai no chão e os outros se afastam dando-lhe privacidade.
Deixamos que ele permaneça em seu luto por pelo menos uma hora, mas o choro incansável do bebê nos faz ter que interrompe-lo. Me aproximo dele e chamo seu nome várias vezes até que olhe para mim, mas parece não me escutar.
— Você está me ouvindo? – Pergunto balançando a mão na frente do seu rosto inutilmente. O choro dela não para e eu me levanto irritado me aproximando de Hershle.
— O que vamos dar pra ela? Tem algo aqui que ela possa comer?
— A boa noticia é que ela parece saudável. – Ele responde analisando a bebê. – Mas ela precisa se alimentar, e logo, se não ela não vai sobreviver.
— Não, nem pensar. – Digo firme. – A gente não vai perder mais ninguém! – Coloco a besta nas costas. – Vou achar alguma coisa pra ela.
— Eu também vou. – Maggie diz, seguida por Gleen.
— Tudo bem, vamos de carro então. – Digo e eles saem, preparando as coisas que vamos precisar. – Vem cá Beth. – Chamo-a afatando-a do grupo um pouco.
— O menino perdeu a mãe e o pai não tá muito bem... – Começo.
— Vou cuidar dele. – Ela me interrompe, evitando que eu tenha que terminar. Assento agradecido e corro em direção ao carro. Não vou perder mais ninguém. Essa menina não vai morrer, assim como Annelise e Maya vão estar bem.
— Cuidem das cercas, se juntarem muitos vamos estar ferroados. – Digo enquanto me afasto. – Andem, já vai anoitecer. – Falo apressado entrando no carro.
— Tem um supermercado na 85. – Gleen diz dando a partida.
— Não.- Maggie discorda. – Já limparam, a Lori pediu para eu dar uma olhada. Está vazio.
— Merda!
— E aquelas placas de uma escola infantil ao norte daqui? – Gleen pergunta e Maggie fica calada.
— Pra lá então. – Digo e Gleen pisa no acelerador em resposta. Demora cerca de uma hora até chegarmos ao lugar. É grande, talvez tenha alguma coisa. Descemos rapidamente.
— Fiquem perto. – Digo. Avançamos e passamos por alguns brinquedos enferrujados pulando uma janela quebrada em seguida. Esse não é um bom sinal, já entraram aqui. Talvez não tenha nada. Assim que entramos vemos berços e desenhos nas paredes. Olho para o chão, alguém esteve aqui e não tem muito tempo.
— Tem alguém aqui. – Digo ficando em alerta. Maggie começa a procurar nos armários por comida e Gleen da cobertura. – Vou olhar, tomem cuidado. – Digo recebendo a confirmação deles.
— Tome cuidado. — Mag diz. Aceno positivamente e começo a explorar o corredor. O lugar parece velho. Então, escuto o barulho de madeira em um dos cômodos. Preparo a besta e rapidamente encosto no batente da porta . Respiro fundo e então entro com tudo apontando a besta para a pessoa. E para a minha surpresa, o que eu vejo me desarma totalmente.
— Anne. – Digo baixo. Era ela. Ela realmente está parada na minha frente. Sinto minha garganta se fechar e pisco para confirmar que isso não é só uma visão. Mas ela continua parada quando eu os abro de novo. Seus cabelos agora estavam um pouco abaixo do ombro. Seus braços estavam cheios de arranhões e sua roupa toda suja de sangue, me assustando.
— Daryl! – Ela diz me fazendo parar de analisa-la a tempo de segura-la em meus braços quando corre e se atira em mim.
— Annelise. – Digo ainda não acreditando que isso esteja realmente acontecendo. Há tanto tempo estava a procurando, pensando que estava morta. Mas ela está aqui. Ela começa a chorar e me chamar entre os soluços me fazendo soltar a besta no chão para poder finalmente aperta-la em meus braços. Caralho! Como sentia falta de tê-la por perto. Essa menina simplesmente acabou comigo. Os dias que passei sem ela foram um inferno, sinceramente, não quero nunca passar por isso de novo. Ela enterra a cabeça em meu peito e eu aproveito para passar a mão por seu cabelo.
— Está tudo bem agora, estou aqui. – Digo tentando acalma-la.
— Daryl. – Ela me chama novamente parecendo se engasgar com o próprio choro. A aperto mais forte.
— Estou aqui pequena. Desculpe ter demorado. – Digo me sentindo culpado. Ela me abraça mais apertando e se afasta de balançando a cabeça negativamente, limpando o rosto.
— Chegou na hora certa. – Ela fala. – Já estava cansada de esperar. – Ela diz dando uma risada leve, me fazendo sorrir minimamente. Aproximo-me e limpo seu rosto que ainda teimava em receber algumas lágrimas. Ela sorri pra mim e então se afasta indo até o fundo da sala. Pego a besta do chão e me aproxima dela, vendo-a abrindo o guarda-roupa e revelando uma Maya encolhida com as mãos nos ouvidos. Suspiro aliviado. Fiquei tão chocado ao ver Annelise que até me esqueci da criança. Ela se abaixa e toca na cabeça da menina, que da um salto e então se joga nela chorando assim que a vê.
Annelise se levanta com ela nos braços, enquanto tenta acalma-la e então se aproxima de mim.
— Desculpe ter sumido. – Ela diz sorrindo. – Tinha que cuidar de uma pequena coisa. – Ela brinca apontando para Maya e eu sorrio e me aproximo beijando sua testa. Foda-se se essas coisas são estranhas e desconfortáveis pra mim, o importante é que é bom quando elas acontecem. Merle com certeza me chamaria de maricas, e por incrível que pareça, não me importo de estar virando um.
— Só não faça isso de novo. – Digo me afastando. Ela olha pra mim e sorri concordando.
— Maya, meu bem. – Ela chama a menina que ainda tinha seu rosto escondido em seu ombro. – O Daryl chegou. – Anne fala fazendo com que a menina vire-se rápido em seu braço, fazendo com que Anne se desequilibre. Me abaixo rapidamente segurando para que não caia no chão e para a minha surpresa ela não se assusta, mas ao invés disso rodeia meu pescoço, assim como estava fazendo com Annelise.
— Você demorou. – Ela diz chorando. Olho para Anne assustado. Não sei o que fazer. Ela se aproxima de mim e então fica na ponta dos pés sussurrando em meu ouvido.
— É só uma criança Daryl, não um bicho de sete cabeças. – Ela diz se afastando em seguida. Olho para ela assustado. Ela está diferente, não é um diferente ruim, na verdade me deixa mais leve vez seu semblante, que mesmo cansado, está sereno. Ela olha para a menina em meus braços e então eu vejo o motivo. Aquela menina não era só mais uma criança qualquer, Annelise a amava. Olho para a cabeleira loira da menina em meus braços e entendo. Essa pessoinha agora é parte do grupo, parte dela. E sei que se eu não quero mais perde-la, ela também virará alguém especial pra mim. Isso me assusta, tudo o que tem haver com ela me assusta, mas resolvi que dependente do resultado eu tentaria, e eu vou.
— Eu sinto muito. – Digo para a menina, ganhando um lindo sorriso de Anne. E é aí que eu tenho certeza que é por esse caminho que eu quero ir. – Temos que ir. – Aviso Annelise me lembrando do real motivo pelo qual viemos aqui. Ela assente e logo vai até o sofá pegando uma mochila grande e outra pequena e vermelha e tirando da maior um nunchaku grande e preto.
— Onde encontrou isso? – Pergunto surpreso.
— Encontramos um acampamento destruído, achamos isso lá. – Ela reponde parando ao meu lado.
— E sabe usar? – Pergunto.
— Eu fazia aula de ginastica artística, não foi tão difícil aprender na hora do aperto. – Ela diz envergonhada. Fico impressionado e então tento passar a menina para ela para que possamos ir, mas ela aperta ainda mais forte meu pescoço. Acabo percebendo que sua temperatura está elevada.
— Ela tá quente. – Digo preocupado. Ela assente triste.
— Ela acabou ficando doente, não parece ser algum resfriado ou coisa parecida. Vim atrás de remédio. – Ela diz e eu concordo, mesmo que inda esteja preocupado. Arrumo a menina direto no meu braço de moto que eu ainda possa empunhar a besta.
— Fique perto de mim. – Digo para Annelise que concorda e fica quase colada ao meu corpo. Novamente volto para o corredor e tudo parece limpo. Chegamos até a cozinha e vejo logo vejo Gleen e Magie colocando coisas na mochila.
— Acharam alguma coisa? – Pergunto chamando a atenção deles que concordam e param completamente chocados ao verem as duas.
— Maneki!. – Gleen diz chocado e logo Anne estava sendo abraçada por eles, queria poder deixa-los conversar direito, mas já perdemos tempo demais.
— Precisamos ir! — Digo me apressando até a janela, sendo seguido por eles. Gleen e Mag passam primeiro e deixo que Annelise passe na minha frente. Nem acredito que ela está realmente aqui. Ela se abaixa novamente e estende os braços pronta para receber a Maya.
— Hey, Maya! – Chamo-a fazendo desenterrar o rosto do meu pescoço pela primeira vez desde que a encontrei. Ela está sonolenta. – Vai com a Anne. – Digo ajudando-a a passar pela janela e passando pela mesma em seguida. Corro, sempre mantendo Annelise ao meu lado e logo entramos no carro. Demos sorte de não encontrar nenhum zumbi no caminho.
— Corre! – Digo apresado para Gleen que pisa rápido no acelerador fazendo com que o corpo de Annelise vá para frente.
— O que está acontecendo? – Ela pergunta assustada me olhando, e então eu simplesmente não sei o que fazer. Sei que ela e Lori acabaram virando amigas e simplesmente não sei como contar o que aconteceu. Respiro fundo.
— Anne... – Começo e ela me olha apreensiva. – O bebê nasceu. – digo fazendo-a sorrir imensamente.
— Meu Deus! Eu sabia que daria certo. – Ela diz rindo e então esbravejo irritado. Por que as coisas não podiam ser normais. Ela olha pra mim e então seu sorriso vai sumindo aos poucos. – O que aconteceu Daryl? – Ela pergunta com a voz vacilante.
— A Lori morreu. – Digo querendo que na verdade nada tivesse acontecido, simplesmente para não ver a dor eu seus olhos.
— Não. – Ela diz colocando a mão na boca. – Não, não, não.... – Ela diz rapidamente começando a chorar. Ignoro que tenha mais alguém no carro e me aproximo dela a abraçando com cuidado para não machucar a menina, que a olhava assustada.
— Eu sinto muito. – Digo acariciando seus cabelos enquanto ela enterra seu rosto em meus cabelos. Ela não fala nada, e fico aliviado que não tenha tido outra crise. Olho para a menina assustada entre nós e a puxo para o meu colo. Sinto medo que talvez pudesse assusta-la, mas ao contrário do que eu acho ela encosta a cabeça no meu peito e fecha os olhos. Permanecemos assim até o fim da viagem, que demora quase a metade do tempo que gastamos na ida. Assim que chegamos vejo Carol em uma das torres com a arma, nos dando cobertura. Maggie desce do carro e rapidamente abre o portão. Descemos todos apressadamente do carro e eu pego a menina no colo novamente. O rosto da Annelise agora já não estava tão vermelho, mas mesmo assim seguro sua mão surpreendendo-a. Ela parece analisar a situação, mas então aperta minha mão e eu sorrio pra ela entrando rapidamente no bloco.
Assim que entramos podemos ver que Beth e Maggie já começam a preparar a formula e a bebê ainda está chorando nos braços do irmão.
— Como é que ela tá? – Pergunto me aproximando ao lado da Anne. Vejo todos olharem aliviados e surpreso para elas, mas dessa vez sabemos que a nossa maior preocupação no momento é o bebê. Anne solta a minha mão para se aproximar de Carl e abraçar o menino de lado, beijando seus cabelos em seguida. Carl entrega a bebê pra ela que olha para a menina com admiração e então começa a cantar uma melodia suave, tentando acalma-la. Beth se aproxima e entrega a mamadeira para ela que logo da para a menina. Sinto Maya se remexer nos meus braços e levantar a cabeça.
— Tudo bem? – Pergunto olhando-a no rosto.
— Tá. – Ela responde baixinho e olha ao redor. – Onde estamos? – Ela pergunta se voltando novamente pra mim. Respiro fundo e então olho para aquelas pessoas, demorando mais em Anne que agora alimentava a afilhada, e então me volto pra a pequena em meus braços.
— Estamos em casa. – Respondo. – Pelo menos por enquanto. – Ela olha para mim atenta e então começa a observar Annelise.
— Ela já tem nome? – Annelise pergunta suavemente para Carl.
— Ainda não, mais eu estava pensando... Talvez Sophia, ou Andrea. Patrícia, ou Lori. – Ele diz fazendo com que sintamos o peso das nossas perdas. Todo mundo fica em silêncio sem saber como responder. Aproximo-me de Annelise que novamente tem os olhos marejados e então abaixo o olhar observando o bebê sem seus braços, que devorava a mamadeira.
— Gostou disso? – Pergunto colocando o dedo em sua mão, fazendo com que ela aperte os dedinhos. – Você é bravinha. – Digo risonho. – Não é? Eu acho um bom nome. Bravinha.
— Gostou disso querida? – Anne pergunta alisando sua cabecinha. A olho sorrindo e sei naquele momento, que qualquer coisa que tenha feito foi perdoada. Mesmo que eu não a deixe enterrar o assunto, afinal, ela merece desculpas. Mas, ali, com ela, eu sei que eu finalmente fico completo novamente.
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