Notas iniciais
E..... Estamos de volta!!! Oi meus amores! Estava morrendo de saudades de vocês, espero que não tenham abandonada essa escritora maluca. HAHAHA. Desculpem por deixar a história tanto tempo em hiatus, mas aconteceram tantas coisas na minha vida nesse meio tempo e só agora eu consegui me reconectar com a escrita. Espero poder contar com vocês nessa nova jornadada. Esse capítulo é apenas um especial pra vocês irem sentir o gostinho do retorno. ♥ Como muito tempo passou, assim como Annelise eu não sou mais a mesma pessoa, então decidi que algumas coisas no rumo da história irão mudar. Algumas cronologias da série serão mantidas, mas também darei ar a minha imaginação e nem sempre seguirei a risca a série. É isso, espero que gostem! Beijocas de luz.

Algumas horas antes...

Alguns passarinhos voavam sobre nossas cabeças. De novo tivemos que passar a noite em cima de uma árvore. Apesar de já termos conseguido sair da área mais perigosa, aqui não era tão diferente. Encosto na testa de Maya e vejo que a sua temperatura ainda não diminuiu. Suspiro preocupada. A febre dela não diminuía por nada e o machucado em seu braço feito pelo arrame só piorava. Precisávamos achar algum remédio e rápido.

Já fazia sete dias desde que nos perdemos dos outros e não conseguimos voltar. Mas o maior problema era a Maya. Ela nunca tinha saído o suficiente da casa onde morava com aquele homem que se chama de pai e ficava aterrorizada sempre que víamos alguma cena forte. Pelo menos ela não gritava, assim como eu pedi. Queria que ela não tivesse presenciado algumas cenas, como a noite em que encontramos um acampamento. Eu estava desesperada, precisava de água e comida para nós duas e roupas quentes para ela.

Passei a noite observando algumas barracas que pareciam não ter ninguém e assim que amanheceu eu acordei Maya e fomos até lá. Não podia deixar ela sozinha principalmente doente. A coloquei em minhas costas como de costume e entramos na barraca. Inicialmente parecia tudo vazio e haviam vários panos jogados em cima de um colchonete que seriam perfeitos para esquenta-la durante a noite. Maya também pareceu feliz com isso, abrindo um sorriso inocente, mas assim que eu puxei os panos para pega-los encontramos um cadáver embaixo deles. Maya se assustou tanto que caiu das minhas costas.

Apesar disso consegui encontrar coisas que foram muito úteis. Algumas roupas quentes que consegui cortar para Maya usar sem risco de tropeçar, algumas garrafas de água fechada, o que era extremamente raro hoje em dia e também encontramos um bastão que eu reconheci sendo um nunchako. Meu pai adorava colecionar armas variadas em casa. Assim que a peguei vi que conseguiria me adaptar com algum treino, era melhor do que a faca. Me da mais velocidade de movimento, já que não tinha que fazer força para tira-la do zumbi após ataca-lo. O peso das pontas fez com que eu conseguisse matar um zumbi sem grandes dificuldades, uma vez que com os corpos podres eles não suportavam o impacto da mesma.

— Maya, querida. – a chamo passando a mão em seus cabelos. Eles eram mais tortos vendo de perto do que antes, ela me contou que em uma das suas idas a floresta para conferira ratoeira seu cabelo ficou preso e ela o cortou com a faquinha que tinha. Por Deus! Ela só tinha quatro anos, não deveria ter visto a metade das coisas que viu.

— Lise? – ela pergunta baixinho passando a palma das mãos nos olhinhos. Sorrio de leve e a ajuda a se sentar.

— Precisamos ir, estrelinha. – falo arrumando sua roupa e a pequena mochila nas minhas costas, que passo para a frente do meu corpo. Ela assente com a cabeça e se segura na árvore, sabendo que eu desceria primeiro para poder segurá-la. Prendo meu cabelo, agora quase na altura dos ombros em um coque firme, evitando que me atrapalhe e começo a descer devagar, e me mantendo firme ao segurar Maya, evitando que ela caia.

Assim que estamos firmes no chão eu pego a garrafa de água e a destampo entregando para ela que bebe rapidamente me devolvendo. Guardo-a de novo e me abaixo na frente de Maya, olho em seus olhos e chego a mão perto da boca, fingindo que a estou trancando e ela repete a ação, sabendo que a partir de agora não poderia mais falar. Deposito um beijo em sua bochecha e me viro para que ela possa subir nas minhas costas. Infelizmente essa é a melhor posição para que eu possa olhar os arredores e ao mesmo tempo segurar ela. Sinto que seu corpinho está mais leve e seu aperto não está tão firme quanto antes e sei que a febre deve ter culpa nisso. Já faziam dois dias que ela ia e voltava. Precisávamos encontrar remédio e comida com urgência.

Começo a andar ao leste. Agora já tinha mais noção sobre a direção que estávamos tomando. Apesar de ter ficado muitos meses sozinha, eu nunca tinha parado prestar atenção nesses detalhes, até porque eu não tinha um lugar para voltar, então para onde eu estava indo era indiferente, mas agora não era mais assim. Tinha que procura-los.

Andamos por horas até que Maya começa a tossir e eu paro um pouco, aproveitando para conferir sua temperatura.

— Tudo bem? – Pergunto suavemente e ela concorda, afundando o rostinho em meus cabelos e eu volto a andar.

Algum tempo depois eu avisto alguns postes e eu sei que estamos perto de alguma cidade. Me aproximo cautelosa, nunca era bom entrar nas cidades, sempre estavam cheios deles, mas não podia evitar. Assim que chego mais perto suspiro aliviada. Os muros eram baixos e coloridos, com algumas nuvens e lápis desenhando na sua extensão, mas não havia mais casas próximas. Provavelmente era uma escola rural. Sorrio feliz e me aproximo cuidadosa, confirmo que tenho fácil acesso a faca no cós da minha calça e pego o nunchaku nas mãos.

Olho rapidamente pelas janelas e não vejo nenhuma movimentação. Vou até a porta mas rapidamente vejo que a mesma está trancada e resolvo voltar para a janela. O jeito seria arrombar, minha única preocupação é o barulho que isso causaria. Suspiro e novamente olho de relance para Maya, que tinha uma expressão sonolenta, mas curiosa.

— Maya, preciso que eu segure firme, tudo bem? Se eu falar corre, me largue e se esconda no lugar mais alto e fechado possível e eu vou te procurar assim que eu puder tudo bem meu amor? – pergunto e ela me olha assustava, soltando um “sim” quase inaudível. Pego a faca em minha cintura e começo a cortar um pedaço da blusa que estou vestindo, enrolando-a em seguida da mão, para evitar cortes mais sérios. Respiro fundo e com a ajuda do cabo da faca eu soco a janela, quebrando o vidro em vários pedaços. Tiro o excesso de vidro que ficou e coloco o braço dentro do buraco, conseguindo finalmente destrancar a janela.

Olho novamente ao redor antes de entrar. Se tivesse algum zumbi dentro ou fora da casa já teriam se aproximado, e me permito relaxar um pouco. Entro com Maya, mas revisto o lugar mesmo assim. Precaução nunca era demais. Assim que me dou por convencida eu observo o lugar e coloca Maya no chão.

— Vem, vamos dar uma olhada pra ver o que encontramos. – falo estendendo a mão para ela, que pega e me segue. Encontramos a cozinha da escola e por sorte encontro alguns pacotes de biscoito fechado, que rapidamente abro e entrego para que Maya come. Assim que ela percebe do que se trata, abre um enorme sorriso e se senta no chão para comer. Pego um para mim também e me sento ao seu lado.

Assim que termino de comer eu me levanto e abro a torneira da cozinha para ver se conseguia alguma água, mas infelizmente não sai nenhuma gota. Abro mais armários a procura de alguma coisa para a febre dela e fico extremamente feliz ao ver uma caixa de primeiros socorros. A pego rapidamente e novamente me sento ao lado de Maya. Apesar de não conhecer alguns dos medicamentos, reconheço a caixa de tylenol e encontro um termômetro. Exatamente o que nós precisávamos. Graças a Deus, esse lugar parecia um milagre.

— Vem cá, amor. – a pego no colo e afasto sua blusinha colocando o termômetro em seu braço. Ela se encosta em mim e continua comendo os biscoitos. Não demora muito tempo e o termômetro apita. O pego e me preocupo ao ver que ela já estava com 39°. Abro o tylenol.

— Abre a boca. – peço e ela prontamente obedece. Derramo uma quantidade suficiente de gotas em sua boca e pego a garrafa de água entregando-lhe para que possa tirar o gosto da boca. Aproveito para guardar o kit na mochila. – Você logo vai ficar melhor.

Levanto com ela no colo e começo a olhar as salas. Não tem nada que seria muito útil para nós, mas encontro um quartinho lindo, com nuvens pintadas nas paredes e várias estrelas fluorescentes pregadas no teto. Deito Maya na cama e ela olha fascinada para o quarto.

— É lindo. – ela diz admirada e eu sorrio com sua inocência.

— Viu? – digo divertida. – Todo mundo tem sua estrela. Essas pregadas no teto eram dos alunos que estudavam aqui, a minha e você.

Ela me olha sorrindo e puxo seu nariz de leve fazendo-a rir. Espero até que ela durma e olho algumas das gavetas no quarto. Haviam várias roupas de bebê, nenhuma que serviria realmente nela. Provavelmente aqui era um berçário. Mas por sorte encontro um casaco mais largo que seria melhor do que o que ela tem, pelo menos até encontrarmos outro. Coloco na minha mochila para não acorda-la e me permito descansar um pouco ao seu lado.

~¨~

Não sei quanto tempo faz desde que chegamos, mas assim que abro os olhos o quarto já está escuro, deixando claro que a noite já chegara. Olho para Maya e ela já está acordada, encostada na cama me olhando.

— Dormiu bem? – pergunto me sentando ao seu lado. Ela rapidamente vem para o meu colo.

— Dormi. A cama é quentinha e não tem barulho. – coloco a mão em sua testa e fico feliz em notar que sua febre estava abaixando.

— Assim que possível nós vamos dormir em um lugar assim todas as noites. – digo acariciando seus cabelos.

— Assim que o arqueiro chegar? – ela pergunta me olhando. Eu sorrio apesar da confusão de sentimentos que me assola. Apesar da nossa última briga eu daria qualquer coisa para poder ter Daryl ao meu lado nesse momento.

— Isso mesmo. – confirmo. – Assim que ele nos encontrar nós iremos pra esse lugar.

Meu corpo estremece de medo quando começo a escutar vozes ao longe e rapidamente me levanto, pegando Maya. Olho ao redor e rapidamente abro a porta do armário e a coloco nele.

— Tampe os ouvidos. – digo e ela obedece prontamente. Não adiantava me esconder com ela, sei que quando abri a porta fez barulho. Logo eles estariam aqui, se fossem espertos. Pelo menos podia despista-los. Pego o nunchako e paro de frente para porta. Controlo minha respiração e meu coração acelera cada vez que o barulho dos passos se torna mais próximo. A maçaneta gira e eu me preparo, afastando as pernas em posição de ataque. Mas então uma pequena luz o ilumina e a única reação que tenho é ficar estática. Não podia acreditar que isso estava acontecendo, mas então a voz dele invade o quarto.

— Anne. – sua voz é baixa, mas eu consigo escutar claramente. Eu nunca fiquei tão feliz em ver alguém como nesse momento.

— Daryl. — Seu rosto parece incrédulo e ele fica parado na porta, parecendo decidir se eu estava ali ou não e eu não penso duas vezes antes de correr e me atirar em seus braços. Sorrio abertamente e a emoção começa a invadir meu peito. Logo as lágrimas começam a cair e eu não consigo para de chamar entre os soluços, não conseguia acreditar que ele estava mesmo ali. Logo ele joga a besta no chão e sinto seus braços se fecharem na minha cintura, me apertando com carinho e me causando alguns arrepios na pela. Santo Deus, como eu ansiava por vê-lo.

— Está tudo bem, estou aqui agora. – ele sussurra em meus cabelos tentando me acalmar.

— Daryl... – tento falar, mas ainda não consigo e ele me abraça mais forte.

— Estou aqui pequena. Desculpa ter demorado. – ele diz com clara culpa em sua voz e eu respiro fundo me afastando de seu corpo e nego com a cabeça.

— Chegou na hora certa. – digo sorrindo e secando as lagrimas do rosto. – Já estava cansada de esperar. – rio de leve e ele se aproxima de mim passando a mão no meu rosto, me ajudando a seca-lo.

Logo lembro de Maya escondida no armário e rapidamente me aproximo dele, abrindo as portas. Ela salta assustada, mas assim que percebe que sou eu ela se joga em meus braços chorando. A embalo com carinho e me aproximo novamente de Daryl, que parece aliviado em ver nós duas.

— Desculpa ter sumido. Tive que cuidar de uma pequena coisa. – Digo me referindo a Maya em meus braços. Logo ele se aproxima de mim e deposita um beijo na minha testa com carinho...

Notas finais
E então? Gostariam que eu continuasse?