Abro os olhos e vejo que já amanheceu. Pela posição do sol ainda deve ser por volta das 6 horas da manhã. Olho para o lado e vejo que Daryl ainda está dormindo, seu cabelo um pouco grande caindo sobre seus olhos. Sorrio de leve levando a mão até seu rosto e afastando seu cabelo, penso em tirar minha mão de seu rosto, mas Daryl é atrativo demais, enigmático demais, quero conhece-lo e assim ele parece tão acessível. Fecho os olhos e começo a acariciar seu rosto. Essa é a melhor forma de conhecer as características de alguém, aprendi isso com o meu irmão, ele era cego então depois que o ajudei a se adaptar ao meu mundo ele me ajudou a me adaptar ao dele, e as vezes o dele é bem mais bonito que o meu.

Seu rosto é bonito, ele tem as maças do rosto avantajadas e uma boca proporcional ao mesmo. Abro os olhos e sorrio mais ainda. Olho para trás e vejo que algumas pessoas já estão arrumando suas armas. Me preocupo ao me lembrar do que temos que fazer hoje, não queria que Daryl fosse, tenho medo que ele possa se machucar, ele não se importa em se sacrificar por eles. Queria poder deixa-lo dormindo mas sei que ele ficaria uma fera se o fizesse.

— Daryl. — Chamo-o enquanto acaricio seu cabelo. Ele resmunga alguma coisa e vira para o lado. Rio de leve. — Daryl. — Chamo-o novamente. Dessa vez ele se acorda e se senta alarmado.

— Tá tudo bem. — Falo acalmando-o, ele relaxa e passa a mão pelo rosto acordando, parece até uma criança. Tiro uma barrinha que sobrou da mochila e entendo para ele.

— Aqui, coma. Vai precisar de energia hoje. — Falo. Ele pega sem jeito e gradece. Ele come em silêncio.

— Acho que temos que ir. — Ele diz se levantando e descendo do carro. Desço também e caminhamos até o grupo.

— Que bom que acordaram, já ia chama-los. — Rick diz. — Escutem, vamos fazer a mesma formação que usamos ontem. Annelise, não quero que arrisque lá dentro então você fica na grade com o resto do grupo.

— Okay. — Concordo.

— Vamos entrar. — Abro para o portão para que possam passar e volto rápido para junto aos outros.

— Ei, aqui! — Grito atraindo eles para a cerca. Assim que eles se aproximam começamos a mata-los usando as grades como proteção. Eu, Beth, Carl, Lori e Carol derrubamos o máximo deles que conseguimos, sem dó. Uso a faca que Daryl me deu, ela me deixa a uma distancia mais segura do que a minha. Tenho um pouco de dificuldade ao tentar tira-la do cranio do zumbi, mas com o tempo me acostumo. Queria não ter que fazer coisas como essa, mas isso não é algo que possa escolher. Procuro Daryl com o olhar e vejo que ele está bem, mas zumbis com uniformes protetores começam a aparecer e as suas flechas não surtem feito e eles não conseguem derruba-los. Fico preocupada.

— Está conseguindo vê-los? — Pergunta Lori.

— Ali atrás. — A respondo.

Rick e Daryl vão matando os zumbis até chegarem ao portão e conseguirem fecha-lo. Maggie levanta o capacete do zumbi com proteção e consegue acerta-lo. Logo todos começam a imita-la e os corpos caem no chão. Eles entram no prédio e os perdemos de vista.

— Será que vão ficar bem? — Pergunto receosa.

— Vão sim. — Diz Beth passando os braços pelo meu ombro. — Logo o Daryl está de volta, são e salvo. — Ela me provoca e não ligo. Realmente estou preocupada com ele. Depois de algum tempo T-Dog sai do prédio e se aproxima de nós.

— Podem entrar. O prédio está limpo. — Respiro aliviada.

— Viu? Eu disse. — Beth diz. Aceno e entramos no prédio, ele é bem grande, parece ter dois pisos e o um poleiro.

— É seguro? — Lori pergunta assim que passa pelo portão.

— Esse bloco é. — Responde Rick.

— E o resto da prisão? — Hershel pergunta.

— Pela manhã encontraremos o refeitorio e a enfermaria. — Responde Rick.

— Dormiremos nas celas? — Beth pergunta.

— Sim. Achei as chaves nos guardas. — Ele a responde e se aproxima de Daryl que acaba de entrar no prédio. Finalmente relaxo depois de ver que está bem. — Aqui, fique com as cópias. — Rick entrega um molho de chaves para ele. Era perceptível o quanto um confiava no outro.

— Não dormirei em uma cela. — Daryl diz se aproximando de mim e tirando tanto a sua mochila quanto a minha de meus ombros. — Eu fico com o poleiro. — Ele começa a subir as escadas e se vira pra mim quando percebe que permaneço no mesmo lugar.

— Não vem? — Me pergunta voltando a andar em seguida. Subo as escadas atrás dele e joga sua mochila no chão. Ele abre para a única cela que tem em frente ao poleiro e coloca minha mochila na cama.

— Você fica aqui, quero você por perto.

— Tudo bem. — Concordo e entro no quarto arrumando a cama. Fique surpresa com sua ação e realmente achei que ele quisesse dormir no mesmo lugar que eu, isso me chateia um pouco, mas sua preocupação com a minha segurança não me deixa ser tão egoísta assim. Daryl também monta a sua cama de modo que se ficássemos de lado poderíamos nos ver. Pego uma muda de roupa.

— Vou procurar um banheiro, preciso de um banho. — Falo. Ele apenas me olha e concorda.

— Toma cuidado. — Passo por ele e desço as escadas me deparando com um Rick encostado na parede, sozinho, parecendo perdido. Resolvo me aproximar.

— Tudo bem? — Pergunto chamando sua atenção.

— Tudo. Devia ir descansar, foram dias difíceis. — Ele diz.

— Só vou tomar um banho antes.

— Tome cuidado por aí.

— Daryl me disse a mesma coisa.

— Daryl sabe o que diz, devia ouvi-lo. — Olho para seu rosto e ele parece abatido, me abaixo ao seu lado segurando sua mão que estava apoiada em seu joelho.

— Fez um bom trabalho Rick, arrumou um lugar pra eles. — Ele me olha absorvendo minhas palavras e depois de um tempo acena com a cabeça agradecendo. Sorrio me levantando e indo procurar pelo banheiro.

O Rick me lembra meu irmão, sempre preocupado com os outros e com o que vai acontecer e sempre tentando ao máximo não demonstrar o quanto isso mexe com ele. Isso foi uma das coisas que o quebrou, não quero que isso aconteça a ele também.

Depois de errar algumas portas finalmente acho o banheiro, tento acender a luz em uma esperança vã e ela não acende, melhor tomar banho logo. Já está escurecendo. Coloco a muda de roupa que eu peguei em cima de um banco próximo da porta e começo a tirar a roupa deixando-a junto a mesma. Ligo o chuveiro, ele faz um barulho alto e deixo a água gelada cair em meus cabelos. Começo a lava-lo, já estava precisando cortar, ele esta batendo na minha cintura. Ele está parecido com o da minha mãe. Tenho saudades dela, de todos eles, mas não quero falar que um diz fui igual a eles. Isso nunca. Fecho os olhos apreciando o frescor da água até que sou surpreendida com uma mão encostando em meu ombro, me viro rapidamente me deparando com um zumbi. Grito assustada e começo a andar pra trás.

— Socorro! – Clamo por ajuda já chorando. O zumbi se aproxima cada vez mais e está escuro demais para que eu possa ver para onde estou indo, e pra piorar estou sem a minha faca.

— Socorro! — Grito mais uma vez. O zumbi salta sobre mim me fazendo cair e bater as costas no chão, consigo empurra-lo com o pé mas não adianta, apenas consigo atrasa-lo. — Daryl! — Grito desesperada prevendo minha futura morte.

Para o meu alivio uma escuto a porta se abrindo em um baque e uma luz ser depositada em meu rosto, fecho os olhos por um segundo sem conseguir enxergar e só o abro quando sinto um peso em cima de mim. O corpo do zumbi me esmagava. A pele nojenta e decomposta grudando em meu corpo desnudo me dá ânsia. Tento empurra-lo de cima de mim, sem efeito.

Choro desesperada querendo fazer com que isso tudo acabe. Respiro fundo quando o peso sai de cima de mim e me sento. Olho pra cima e vejo que Daryl me olha assustado. Ele derruba a besta no chão e tira a blusa se abaixando, ele começa a coloca-la em mim e só então percebo que estava sem roupas. Me sinto constrangida, mas não tenho medo. Ele passa a gola pela minha cabeça e tira meus cabelos de dentro dela. Olho para ele, sem conseguir enxerga-lo direito por causa das lágrimas, querendo agradece-lo, mas nada sai.

— Está machucada? — Me pergunta alarmado apalpando meu corpo em busca de algum ferimento, balanço a cabeça negando. Não estou machucada, mas foi por pouco. Ele suspira pesadamente e me puxa para seus braços, acariciando meu cabelo enquanto me encosto em seu peito.

— Tá tudo bem, já passou. — Ele sussurra em meu ouvido. Ainda choro assustada. Eu poderia ter morrido agora mesmo se ele não tivesse aparecido.

— Daryl. — O chamo, minha voz saí rouca e tremula.

— Ei, não fala. Tá tudo bem. — Ele me afasta para poder me olhar nos olhos. — Onde estão suas roupas? — Me pergunta. Aponto para a cadeira perto da porta sem conseguir falar pelos soluços. Ele se aproxima de mim e me da um beijo na testa antes de se levantar e ir até lá pegando minhas roupas e se aproximando de mim, parando para desligar o chuveiro.

— Aqui. — Ele me estende o short de pano e se me ajuda a levantar.

— Tira isso de mim. — Clamo arranhando o braço na tentativa de tirar a gosma que grudou no meu corpo.

— Não faz isso. — Ele sussurra pegando minhas mãos e segurando-as com firmeza. Olho em seus olhos pedindo silenciosamente para que ele me ajuda. Ele passa a mão pelas minhas costas e me leva até o chuveiro ligando-o. Minhas pernas estão bambas mas seu aperto firme me sustenta. Ele começa a passar a mão suavemente pelos meus braços com a mão livre finalmente me livrando dessa gosma.

— Fecha os olhos. — Ele pede e obedeço. Sinto sua mão passando pelo meu rosto. Ele não se importa em molhar a roupa e não demora até que esteja ensopado.

— Consegue se vestir? — Me pergunta desligando o chuveiro. Aceno que sim um pouco mais controlada e ele me entrega minhas peças de roupa virando de costas. Tiro sua camisa molhada que mais parece um vestido em mim e coloco as minhas com as mãos trêmulas. Assim que termino me encosto em suas costas fazendo-o virar. Ele vê que estou vestida e pega a besta do chão colocando-a sobre as costas e me pegando no colo. Dessa vez eu não reclamo, não acho que conseguiria manter minhas pernas firmes por mais tempo. Sinto quando subimos as escadas, passamos pelo Rick e vejo que ele se precipita em nossa direção preocupado, mas Daryl acena para que não o faça. Sinto Daryl me colocar na cama e começar a se afastar, intensifico o aperto dos meus braços ao redor de seu pescoço impedindo que se afasta e ele se senta na cama encostando as costas na parede e me arrumando sobre ele. Choro até não aguentar mais e sem que perceba adormeço.

***

POV Daryl

Essa idiota só se mete em confusão. Olho para seu rosto vermelho, depois de tanto chorar finalmente dormiu, vai ser bom para ela descansar. Quase morri de medo do que poderia ter acontecido com ela quando escutei seus gritos. No inicio achei que poderia ser algum bicho, mas quando ela gritou meu nome vi que era sério e corri mais rápido, a sorte dessa história foi que eu estava indo levar um sabonete que Carol encontrou pra ela.Fiquei desestabilizado por um momento quando vi seu corpo, ela é tão linda, em todos os aspectos. Foi difícil conseguir me controlar. Me levanto com cuidado deitando sua cabeça no travesseiro. Ela se meche desconfortável tateando a cama com a mão, pego o travesseiro da cama de cima e coloco ao seu lado com medo de que acorde. Vou até o poleiro e pego uma camisa nas minhas coisas a vestindo, a que coloquei em Annelise ficou no banheiro e está ensopada, aproveito e troco as calças também molhadas. Desço as escadas e vou até o Rick, sei que ele ficou preocupado com ela.

— O que aconteceu? — Me pergunta assim que me aproximo.

— Tinha um zumbi no banheiro. O desgraçado conseguiu passar despercebido.

— Que merda! Precisamos olhar a prisão de novo, não podemos correr o rico de que isso aconteça de novo. — Ele fala e eu concordo. Não entendo o motivo, mas se algo tivesse acontecido a Annelise não sei o que faria, acabei criando um ridículo instinto protetor em relação a ela. Afinal se eu não me preocupar com ela quem vai? Nem ela mesma se importa com ela. Se Merle me visse agora com certeza me chamaria de maricas.

— Vamos atrás da sala de armas, estamos quase sem munição. — Rick diz.

— Não podemos mais arriscar. Vamos chamar o Gleen, ele vai ser util. — Digo. Vou até sua cela e fico envergonhado de ter que interromper as caricias dele com a namoradinha.

— Gleen. — Chamo ganhando sua atenção. — Precisamos encontrar a sala de armas.

— Eu já desço. — Ele diz e eu desço novamente as escadas encontrando o Rick junto ao Hershel.

— Rick me contou o que aconteceu. Ela está bem? — Ele me pergunta assim que me vê.

— Acho que sim. — Respondo incomodado por ter esse tipo de pergunta dirigida a mim. — Ela só ficou meio abalada, tá dormindo agora.

— Bom. — Diz aliviado. Parece que a morena já conquistou o velho. — Tome conta dela Daryl, Annelise é uma menina frágil apesar de parecer forte em alguns momentos. Ela passou por muito coisa. — Começo a ficar impaciente. Eu sei disso, mais do que todos eles, mas tomar a responsabilidade por alguém é difícil, ainda mais no mundo de hoje. Gleen desce e agradeço por não ter que responder a Hershel.

— Vamos, não podemos demorar. — Digo começando a andar. Depois de algum tempo finalmente conseguimos encontrar as armas e começamos a analisa-las

— Granadas de luz, espalhamento. Não sei funcionariam em errantes mas não custa tentar, peguem-nas. — Diz Rick entregando duas pra cada. Olho para uma das roupas que estavam nos zumbis que matamos mais cedo.

— Não vou vestir essa merda! — Exclamo vendo uma gosma verde cair do capacete.

— Poderíamos ferve-los. -Diz Gleen pensativo.

— Nem com toda a madeira da floresta. — Deixo claro. — Não precisamos disso até agora certo?

— Hershel. — Carol entra na sala e o chama.

— Está tudo bem? — Rick pergunta preocupado com a família. Sei que a pressão sobre ele é grande, esse é um dos motivos pelo qual devia me afastar de Annelise. Não poderia lidar com algo assim, sempre me preocupando com alguém.

— Está sim, não se preocupe.

Arrumamos e carregamos as armas que encontramos e nos preparamos para explorar a prisão, Maggie acaba se juntando a nós. Rick não permite que Carl vá com a gente e concordo com ele, também não conseguiria deixar a Annelise simplesmente caminhar por um futuro incerto. Me aproximo do menino.

— Carl pode me fazer um favor? — Pergunto baixo para que só ele escute. Seus olhos chegam a brilhar ao escutar que precisam dele pra alguma coisa.

— Claro!

— Pode dar uma olhada na Anne pra mim? Ela tá dormindo agora, não precisa acorda-la, só veja se ela está bem ok?

— Pode deixar. — Ele concorda e eu bagunço seu cabelo antes de me afastar. Annelise parece gostar dele, assim se ela acordar e eu não estiver aqui não ficará tão preocupada.

Rick abre o portão e começamos a adentrar a prisão com apenas algumas lanternas iluminado o caminho. Os corredores até agora estão limpos, no máximo vemos alguns corpos no chão. Gleen vai pinchando as paredes colocando setas para que não nos percamos. Analiso cela por cela a busca de algum zumbi. Viramos em um corredor e vejo vários zumbis juntos, eles nos percebem.

— Voltem rápido! — Rick diz alarmado. Começamos a correr sendo seguidos pelos mortos. Bando de cadáveres miseráveis.

— Por aqui! — Digo iluminando o caminho. Outra horda chega pelo outro lado e quase pega Maggie e temos que fugir pelo meio. Achamos um lugar onde podemos nos esconder por um tempo e nos abaixamos.

— Onde estão Gleen e Maggie? — Pergunta Rick. Olho ao redor e não os encontro.

— Merda!

— Precisamos voltar. — Diz Hershel.

— Mas por onde? — Pergunto. Não consigo rastreá-los aqui dentro e está muito escuro, não consegui acompanhar o caminho que fizemos. Eu e Rick trocamos olhares e sabemos que a única opção é procurar as cegas. Nos levantamos e voltamos para os corredores. Hershel vai na frente e fala baixo o nome de Maggie. Sem que esperemos um zumbi parece voltar a vida pela segunda vez e morde a perna de Hershel. Disparo a flecha o matando, mas já é tarde demais e o grito de Hershel com certeza irá atrair mais deles.

— Pai! — Grita Maggie aparecendo do nada e se abaixando ao lado do pai.

— Daryl! — Rick grita por ajuda e fico atento aos corredores enquanto ele e Gleen começam a arrastas o Hershel. Zumbis surgem de todos os lados.

— Vão! — Apreso-os deixando passarem na frente e cuidando da nossa retaguarda. Entramos no parece ser o refeitório e fecho a porta a passar colocando o cabo da vassoura na porta nos dando mais segurança. Eles deitam Hershel no chão.

— Segurem-no. — Diz Rick tirando o cinto e apertando-o na perda dele fazendo um torniquete. Entendo o que ele quer fazer e me abaixo ajudando a segura-lo. — Só a uma maneira de deixa-lo vivo. — Ele continua enquanto pega um machado do chão e começa a amputar a perna dele. Logo Hershel desmaia de dor.

— Ele está perdendo muito sangue. — Constato. Temos que sair daqui logo. Olho para Rick e vejo que atrás deles tem cinco homens em pé.

— Abaixe-se. — Falo para Rick que logo que abaixa e me levanto mirando a besta.

— Minha nossa. — Um deles falam ao olhar para Hershel.

— Quem são vocês? — Pergunto me aproximando.

— Ele está sangrando. Temos que voltar. — Rick diz apressado.

— Por que não saem dai? Devagar e com calma. — Ordeno.

— O que houve com ele? — O primeiro a sair me pergunta.

— Foi mordido. — Respondo rudemente, sentira-los da mira.

— Mordido? — Pergunta como se não soubesse do que eu estou falando. Começo a ficar irritado.

— Vocês tem suprimentos médicos? — Gleen pergunta passando pelos presos e seguindo para dentro.

— Aonde pensa que vai? — O mais alto dele tenta segura-lo, mas me precipito pra frente e ele se afasta levantando as mãos em forma de rendição.

— Afinal quem são vocês? Não parecem ser do resgate. — Rio sarcasticamente.

— Não existe resgate, se é o que esperam desistam. — Digo alarmando-os. Gleen volta com uma maca improvisada e colocam Hershel sobre ela.

— T-Dog a porta. — Rick grita e é atendido. — Daryl! — Rick chama me procurando.

— Vamos. — Falo indo até a porta sem tirar os caras da mira. Começamos a correr e eu vou na frente matando os zumbis que aparecem pela frente. Percebo que estamos sendo seguidos pelos presidiários e os apresso finalmente achando a entrada e destrancando o portão trancando assim que eles passam.

— Carl abre! — Rick chama pelo filho e ele corre pra abrir pra que possamos passar. Arrastamos a maca improvisada até uma das celas.

— Coloquem-o na cama. — Grito.

— O que aconteceu com ele? — A Lori pergunta entrando no quarto.

— Foi mordido.

— Você amputaram?

— Sim.

— Talvez tenha dado tempo. — Carol diz assumindo a liderança da situação. Beth fica chorando no canto da sala. Resolvo subir e ir acordar a Annelise, as duas ficaram amiguinhas, ela pode ajudar.

Assim que chego até a sua cela vejo que já está acordada e apoia as costas na parede com a cabeça entre os joelhos, a qual levanta quando me escuta chegar.

— Aonde foi? Fiquei preocupada. — Ela pergunta se levantando.

— Fomos revistar a prisão, mas não temos tempo agora. — Falo rápido. — Preciso que vá ficar com a Beth.

— Aconteceu alguma coisa com ela? — Pergunta alarmada.

— Hershel foi mordido. — Ela leva a mão a boca a tampando. — Maggie tem o Gleen e a menina tá sozinha. — Tento ser o mais breve possível.

— Meu deus! O Hershel não. Temos que descer. — Ela diz passando por mim. A ajudo a descer as escadas e a deixo na porta do quarto onde Hershel está. Começo a me afastar.

— Onde vai? — Ela segura minha blusa.

— Resolver um problema que achamos.

— Vai se meter em problemas? — É estranho como ela consegue se preocupar comigo, mesmo comigo a repelindo o máximo possível.

— Sempre me meto. É a maldição dos Dixons.

— Não fala assim. — Ela fala baixo e se aproxima de mim me abraçando. Sou pego de surpresa, não sei lidar muito bem com demonstrações assim. O mais perto que eu cheguei de ser sensível até hoje foi quando matei o zumbi que tentava mata-la poucas horas atrás. Seguro em seu braço tentando não machuca-la.

— Eu não demoro tá bem? — Tento convence-la a me deixar ir. — Fique com a Beth e não saia do prédio. — Vejo a incerteza passar por seu olhar mas ela concorda. Mania irritante de sempre me obedecer, pelo menos veio a calhar agora. Espero que ela entre no quarto e corro até o corredor apoiando a perna em uma cadeira e mirando a porta a frente, e como eu esperava os presidiários aparecem. Finalmente encararemos o perigo de verdade. Só espero que possamos nos livrar dele fácil.

Notas finais
!!!ESTOU TRISTE!!! Gente, o último capitulo teve mais de 200 leituras, mas nenhum comentário. Por favor, me respondam, ele está ruim? Realmente preciso da opinião de vocês. Beijos beijos. Gabbs Silva.