Notas iniciais
Capítulo dedicado a "Lullaby". Muito obrigada pela linda recomendação, de coração!

POV Daryl.

— Nem pensem em dar mais um passo que seja pra dentro do prédio. — Aviso mirando a besta nos presidiários que se aproximavam de fininho.

— Eu moro aqui, a cela 4 é minha. Deixe-me entrar. — Fala o de cabelo grande me apontando a arma. Já vi que esse caras vão ser confusão.

— Estão com sorte camaradas. — Ignoro seu pedido. — Estão livres, foram perdoados pelo estado da Geórgia. — Eles me olham analisando minhas palavras. Escuto o som de coisas caindo no fundo, quero ver o que aconteceu mas não posso desviar a atenção deles.

— O que está acontecendo lá? — O presidiário cabeludo pergunta.

— Nada que seja da sua conta.

— Não venha me dizer o que é da minha conta. — Ele retira a arma do bolso. Deixo minha mira mais precisa e seus companheiros se assustam.

— Relaxa mano. A perna do velho está toda zoada e estamos livres. O que ainda estamos fazendo aqui? Além disso, preciso encontrar a minha mãe. — O maior deles pergunta.

— Ele tem razão. — Concordo.

— Civis invadindo uma prisão sem nenhum motivo aparente, me faz pensar que tem algo que não está nos contando.

— Por que não vai embora logo e vê por você mesmo? — Sibilo.

— Talvez seja hora de irmos. — Novamente o cara alto tenta convence-lo.

— Não vamos embora. — Mas que cara irritante.

— Não entrarão aqui. — Afirmo. Ele me olha desafiador e então continuo. — Se tentarem vão morrer! — Afirmo. T-Dog aparece no corredor apontando a arma para ele que desvia sua mira de mim.

— É a minha casa, eu mando nisso aqui. Só vou embora quando quiser. — Insiste.

— Não a nada pra você aqui, volte logo pra onde saiu. — Esbravejo.

— Pessoal calma, não há necessidade disto. — Rick aparece tentando apaziguar a situação.

— Quantos estão lá dentro? — Novamente o cabeludo pergunta, tentando ver por trás de nós.

— Mais do que vocês podem dar conta. — Responde Rick.

— Vocês por acaso são ladrões de banco? Por que não o levam ao hospital? — O ruivo pergunta. Nós nos entreolhamos, realmente parece que eles não sabem de nada sobre o que aconteceu com as pessoas.

— Há quanto tempo estavam no refeitório? — Rick indaga.

— Talvez uns 10 meses.

— Houve um motim, nunca vi nada parecido. Foi maior que a rebelião de Attica cara. — Eles contam.

— Já viu gente morrer, voltar a vida e começar a comer outras pessoas? Foi insano. Um guarda nos trancou no refeitório, mandou a gente sentar, ele me deu essa arma e disse que voltaria.

— Isso foi há 292 dias. — Eles começam a discutir sobre quantos dias passaram lá dentro, eles conseguem me estressar.

— 94 pela minha conta.

— Quietos! — O cabeludo grita. — Achamos que a guarda nacional ou o exercito apareceriam.

— Não existe mais exercito. — Conto já perdendo a paciência com a relutância deles.

— O que quer dizer?

— Não existem mais hospitais, governo ou policia. Tudo acabou.

— É verdade? — Eles se olham preocupados.

— Sim. Até onde sabemos pelo menos metade da população está morta, provavelmente mais.

— Não é possível. — Alguns discordam. Iludidos, deveríamos apenas coloca-los pra fora das grades e deixa-los provar por si mesmo se é verdade ou não.

— Veja você mesmo. — Rick começa a ir na direção do pátio, eles hesitam um pouco mas logo o seguem. Fico por ultimo para garantir que eles não tentem fazer nenhuma gracinha.

— Meu deus! Estão todos mortos… — Um deles fala quando vê os corpos que derrubamos espalhados pelo chão.

— Nunca pensei que ficaria tão feliz em ver essas grades. — Outro comenta.

— Você não disse como conseguiram entrar aqui. — E mais uma vez o cabeludo pergunta. Tenho certeza que ele vai acabar fazendo alguma merda e ferrando a gente.

— Fizemos um buraco na cerca perto da torre de guarda.

— Tão fácil assim?

— Quando queremos algo, conseguimos! — Deixo claro com uma voz de ameaça.

— O que é isso? Uma doença?

— Sim, e estamos todos infectados. — Rick conta.

— Infectados como? Tipo AIDS ou coisa do tipo?

— Se eu atravessasse uma dessas flechas bem no seu coração você morreria e voltaria como uma dessas coisas. — Gostei dessa ideia, muito tentadora. É uma pena que eu não possa, isso pode fazer com que os outros caras tentem nos derrubar e algum de nós podem se machucar, além de que estamos fracos por causa do Hershel e da Lori. — É assim pra todo mundo.

— Vocês não podem ser os responsáveis por matar todas essas coisas. Deve ter pelo menos uns 50 corpos aqui. — Ele se aproxima do Rick. — De onde você vem?

— Atlanta.

— E para onde ai?

— Por hora? A nenhum lugar. — Ele responde deixando claro que não sairemos. Hoje quando eu paro pra ver realmente Rick é quem mantém aquelas pessoas vivas, eu ajudo com a comida e coisas do tipo, mas se não fosse pelas decisões dele eles não teriam conseguido.

— Podem ficar perto da água, deve ser confortável. — Novamente a ideia de jogar ele pela cerca me vem a cabeça.

— Estamos plantando lá.

— Ajudaremos com a mudança. — Ele continua, achando que consegue se impor sobre nós.

— Não vai ser preciso, a menos que queira que coloquemos seus corpos lá. — Esse é dos meus. Rio internamente. — Esse lugar é nosso, fomo nós que matamos os errantes e podem apostar, não teríamos nenhum trabalho em matarmos vocês.

— Calma cowboy. — Finalmente ele se sente ameaçado.

— Vocês ainda tem sorte, se quiserem podemos pegar um bloco para vocês.

— Essa é a nossa prisão, chegamos antes.

— Trancados em um armário de vassouras? Faça-me o favor, você morreriam se não tivéssemos achado vocês. — O respondo, esse cara realmente não tem noção das coisas, será que não viu que nós temos armas que poderiam mata-los em segundo enquanto eles só tem uma misera pistola?

— Terão que arranjar outro bloco, ou irem embora.

— É meu, minhas coisas estão lá. — Ele tira a arma do bolso e aponta para Rick.

— Vamos tentar resolver isso de modo que todo mundo saia ganhando.

— Não vejo como.

— Nem eu. — Concordo. — Se não quer aceitar o acordo pode sair e tentar a sorte na estrada.

— Nós podemos pegar nosso próprio bloco.

— E como pensam em fazer isso?

— O xerife aqui nos dará algumas armas de verdade certo? — Rick para pra pensar por um tempo.

— Depende. Mas me falem, tinham muita comida no refeitório?

— Aposto que sim, não parecem estar passando fome, e além do mais, cinco caras presos por quase um ano? Se não tivessem já teriam comido um ao outro. — Concluo levando em consideração que eles ficaram muito tempo presos para não ter comida suficiente lá.

— Sobrou muito pouco.

— Metade é nossa. Em troca ajudaremos vocês a limpar outro bloco.

— Não ouviu ele? Sobrou muito pouco. — Outro repete.

— Aposto que vocês tem mais comida do que opções. — Rick afirma. — Paguem e ajudaremos. Limparemos um bloco e vocês ficam com ele. É pegar ou largar.

— Certo. — Ele reluta mas acaba aceitando.

— Mas que fique claro, se virmos vocês perto de qualquer um do nosso pessoal, se eu ao menos sentir seu cheiro, o acordo acaba e eu mesmo matarei vocês.

— Entendemos. — Diz a contragosto.

— Vocês vão na frente. — Eles concordam e começam a andar.

— A cozinha é por aqui.

— Nunca tentaram escapar? — T-dog pergunta, permaneço em silencio no fim da fila.

— Já tentamos derrubas as paredes mas não deu certo

— As janelas tem barras que nem o He-Man conseguiria derrubar. — Digo. Já tentei derrubar algumas parecidas quando mais novo e não consegui, imagine essas.

— Peguei 15 anos. Minha perna mal cabe na cama.

— Pelo que? — T-dos continua puxando assunto com eles.

— Roubo, sabe como. Temos que sobreviver. — Ele fala e continuamos em silêncio até que chegamos no deposito de novo.

— É aqui. — O cabeludo diz.

— Isso é pouca comida? — Pergunto analisando as prateleiras cheias.

— Sabe como é, acaba rápido. — Ele responde me estressando. Aqui tem comida que nos alimentaria por vários e vários meses. — Podem pegar um saco de milho, atum...

— Eu disse metade, esse é o acordo.

— Tudo bem. — Finalmente desiste, mesmo que essa não seja sua real vontade.

— Ótimo. — Rick se aproxima de mim. — Daryl, pode levar parte dessa comida pra todos? Não quero tirar a atenção deles.

— Tem certeza? — Pergunto para comprovar que ele pode lidar com aqueles caras sozinhos.

— Tenho.

— Então tudo bem. — Pego uma caixa e começo a colocar vários enlatados. Assim que termino me aproximo do Rick.

— Tome cuidado com esses caras.

— Eu sei. — Mostro que entendi e sigo para o nosso bloco. Precisamos tomar muito cuidado com eles, acabamos de descobrir esse lugar e não podemos ir pra estrada com a Lori quase colocando a criança pra fora, o Hershel só com uma perna sem saber se vive ou não e a Annelise com os pés machucados como estão. Avisto o portão.

— A comida chegou. — Falo chamando a atenção do Carl que vem até o portão e o abre.

— O que trouxe?

— Carne enlatada, milho entalado, latas enlatadas. Há muito mais de onde essas vieram.

— Onde tá o meu pai?

— Ficou cuidando das coisas. Eu já vou voltar pra lá. — Respondo. Olho para os lados procurando por ela e não a encontro. — Onde está a Annelise?

— Ela foi pra cela do Hershel com a Beth. — Fico preocupado, Beth é boazinha e tudo mais, mas quando passou por problemas com a família... Ela já surtou uma vez. Deixo as caixas na mesa.

— Carl preciso que guarde isso pra mim. — Peço.

— Vai lá na Lise? — Ele pergunta, respondo positivamente. — Tudo bem então.

Subo as escadas rápido, parece que essa menina ou mulher eu não sei mais, só se mete em confusão. Parece até um imã pra confusão, deve ser por isso que ela conseguiu ficar perto de mim por mais do que um dia. Assim que chego na cela entro direto sem bater, estamos no fim do mundo, pra que serve a merda de boas maneiras? Pra minha surpresa encontro as duas sentadas no chão com várias calças espalhadas.

— O que estão fazendo? — Pergunto tentando entender.

— Vai ser difícil pra ele andar com as calças arrastando, ele pode tropeçar. — Me encosto na grade.

— Vocês sabem que ele pode não acordar, certo? — Questiono penoso, mas não posso deixar que elas criem falsas esperanças.

— Assim como pode acordar, não podemos pensar negativo. — Annelise responde me olhando, apenas balanço a cabeça sem saber como faze-la perceber que é bem mais perigoso do que parece.

— Posso falar com você?

— Tudo bem. — Ela se levanta e coloca a mão no ombro da Beth antes de sair. — Eu já volto.

— Foi tudo bem lá? — Ela pergunta assim que nos afastamos da cela.

— Estamos resolvendo.

— O que aconteceu? — Ela pergunta se sentando na escada.

— Encontramos alguns prisioneiros ainda vivos. — Respondo me sentando ao seu lado. — Alguma mudança com o Hershel?

— O sangramento parou e não há febre, mas a respiração está fraca e a pulsação está baixa e ele ainda não abriu os olhos.

— Peça para o Gleen pegar as algemas do Rick e coloque nele. Não podemos arriscar.

— Acha que ele não vai conseguir? — Ela pergunta em um sussurro abaixando a cabeça. Indeciso coloco minha mão sobre a sua.

— É possível. — Ela olha pra mim e aperta minha mão, me causando uma sensação estranha mas confortável.

— Mas se isso acontecer o que vai ser da Beth e da Maggie? — Pergunta. Me lembre lembro de Merle.

— Elas vão sofrer, isso é um fato. Mas esse mundo não dá espaço pra sofrimento Anne, e elas vão conseguir superar pra poder viver. Já fizeram isso antes. — Ela apenas assente triste.

— E quanto aos prisioneiros?

— Vamos ajuda-los a limpar um bloco e eles ficarão lá e nós aqui. — Conto.

— Vivendo lado a lado?

— Não vamos desistir dessa prisão.

— Eles têm armas? — Pergunta preocupada.

— Só vimos uma. Não sei se dará certo, então quero que tome cuidado. Não confio neles.

— Quais são nossas opções?

— Se não der certo? Matá-los. — Respondo. Ela me olha por um tempo sem expressar nenhuma reação e me preocupo achando que ela possa ter ficado com medo de mim, tenho que tomar cuidado para evitar choca-la.

— Não precisa ficar com medo. — Falo de mal gosto. — Eles merecem.

— Não estou. Se acha que esse é o melhor a se fazer tudo bem. Eu sei que não é uma assassino Daryl, confio em você. — Suas palavras cravam fundo em mim. Esse mundo nos torna meio assassinos, mesmo se não quisermos. Ela não devia ser tão inocente assim.

— Preciso ir. — Me levanto e desço as escadas.

— Tome cuidado. — Ela pede. Paro no ultimo degrau e me viro para responde-la, seus olhos naturalmente me atraem e sinto um meio sorriso surgir em meu rosto ao vê-la se preocupar comigo de novo.

— Você também.

Continuo a andar. É tão estranho ter alguém de certa forma de mim, nunca tive isso e talvez nunca consiga me acostumar e até melhor assim, não é como se fosse demorar até ver que eu não presto e se afastar.

— Abre o portão Carl. — Falo assim que chego ao corredor.

— Achou a Lise? — Ele pergunta abrindo o mesmo.

— Sim. Tranque isso e não abra pra ninguém que não seja eu ou o seu pai entendeu?

— Sim.

Fico atento a todo e qualquer zumbi que possa aparecer no caminho e felizmente só me encontro com dois. Quando chego aonde estão encontro Rick entregando alguns pés-de-cabra e pedaços de metal pra eles.

— Por que preciso disso quando tenho uma arma? — Ele pergunta analisando o pé de cabra.

— Não se dispara armas a menos que esteja encurralado. Isso os atrai, deixa-os irritados.

— Daryl. — Ele me percebe na porta e me aproximo. — Que bom que chegou. Já estávamos indo. Está tudo bem lá?

— O sangramento parou e eles estão bem. — Respondo o que eu sei ser a pergunta que ele queria fazer.

— Certo. -Ele fica aliviado em saber que a esposa e filhos estão bem. — Nós vamos em duplas. Daryl na frente com o T. Eu fico no final com John. Fiquem juntos e mantenham a formação não importa o quão perto os errantes cheguem.ema formação todos nós podemos morrer, se alguém correr podem ser confundidos com um errante e acabar com um machado na cabeça.

— E é onde devem mirar. — Completo. — Eles só caem quando acertam na cabeça

— Não precisa nos ensinar a matar um homem.

— Eles não são homens, são outra coisa. — T.

— Lembre-se de acertar o cérebro. — Rick fala e começa a ir em direção ao bloco. Vou na frente guiando-os assim que os corredores voltam a ficar escuros.

— Vocês vão escuta-los antes de vê-los, se preparem. — Digo.

— Estão vindo. — Um dos idiotas gritam, mando calarem a boca e faço sinal para que parem de andar assim que vejo a sombra de um deles se aproximando.

Começo a contar até três antes de avançarmos, mas no dois os idiotas correm e começam a esfaquear e bater nos zumbis de qualquer jeito depois de quebras a formação. Se continuarem assim vão acabar nos matando. Eu, Rick e T-dog permanecemos em formação apenas olhando-os sem entender como conseguem ser tão idiotas. Vendo que eles demoram muito lanço minhas flechas e acerto os dois zumbis no cérebro. Eles param de esfaquear os mortos e me olham.

— Já dissemos que tem que ser no cérebro. — Falo e volto a andar esperando que eles entrem em formação novamente. Mais deles começam a aparecer e dessa vez eles fazem direito.

— Assim? — Um deles perguntam quando finalmente consegue acerta-lo direito.

— Continuem.

— Fiquem em formação e chega dessa idiotice de motim. — Rick os avisa, mas parece ser inútil porque mais um deles sai e é mordido. Merda! Continuamos a lutar até que finalmente estão todos no chão e paramos para analisar a mordida do cara.

— Foi só um arranhão.

— Sinto muito. — Rick diz ao comprovar que era mesmo uma mordida.

— Por que não cortam igual fizeram com o velho?

— Ele foi mordido nas costas, como querem que nós façamos isso? — Eu pergunto. Isso é tudo culpa deles, bando de idiotas.

— Olhem pra mim, não virarei um deles. — Ele tenta se convencer, está assustado. Me lembra Merle algumas vezes quando se encrencava e se dava mal e não queria assumir que estava com medo, típico dos Dixons.

— Deve ter algo que possamos fazer. — Ele fala.

— Podemos tranca-lo, coloca-lo em quarentena. — Eles começam a discutir opções. Rick me olha e assente com a cabeça me perguntando se concordo com a atitude que ele pensa em tomar, rapidamente a percebo e aceno positivamente com a cabeça.

— Não podemos fazer nada. — Rick diz. O homem mordido abre a boca para falar mas é impedido pelo cabeludo que o acerta com o pé de cabra e começa a acerta-lo diversas vezes até o matar. Olhamos chocados para ele. O cara é seu aliado, como ele consegue mata-lo com tanta facilidade?

Agora sabemos que esses caras não são nem um pouco confiáveis. Teremos que resolver isso de algum jeito, nem que seja sujando as mãos. Não quero esses caras perto do nosso grupo, das mulheres ou do Carl e principalmente... da Annelise.

Notas finais
Esse é um capitulo meio curtinho por ser do Daryl e ser meio que uma introdução para os capítulos que vão vir a seguir. Desculpem-me pela demoras, período de provas começou e estou ocupada 23 horas por dia. Espero que gostem e não deixem de comentar. Beijinhos beijinhos, Gabbs Silva.