Vivendo entre os mortos
7 Nos preparando para o pior.

Espero Daryl descer as escadas e sair das minhas vistas para poder levantar. Não gosto dessa história de presidiários andando por aqui, ainda mais agora que Hershel não está bem. Mas eu acho que tenho mais medo de que ele se machuque no processo. Quase não temos como cuidar do Hershel, se algo acontecesse ao Daryl ele poderia morrer. Balanço negativamente a cabeça afastando esses pensamentos. Ele vai ficar bem, sabe se virar. Eu espero... Paro na porta da cela e vejo a Beth ainda rasgando as calças que faltam. De uma coisa que Daryl disse eu não posso discordar, talvez Hershel não acorde, talvez não consigamos fazer com que ele melhore. Não sei se criar tantas expectativas seja algo bom.
— Ele já foi? — Ela pergunta assim que percebe que retornei.
— Já. — Respondo entrando no quarto. — Ainda falta muito?
— Só mais duas. — Ela responde. Não sei como será pra ela se ele morrer, sendo que até eu que o conheço a pouco tempo ficaria abalada.
— Beth, sobre o que o Daryl disse…
— Não precisa disso Lise, ele vai acordar. Ele tem que acordar!
— Eu sei, mas se algo der errado você tem que estar preparada.
— Por que quer tanto assim desistir?
— Eu não estou desistindo.
— Não é o que parece. — Ela exclama.
— Eu só não quero que você crie expectativas que talvez não possam se realizar. Sei que ele é forte e que vai lutar até não conseguir mais, mas não temos equipamentos ou medicamentos para ajuda-lo. — Explico da melhor maneira que consigo.
— Nós temos a Carol.
— Eu sei que ela pode ajudar, a Lori me contou que seu pai ensinou algumas coisas pra ela para poder ajudar no parto do bebê, mas você tem que entender que ela não é uma medica.
— Ela parou o sangramento Lise, ele vai ficar bem. — Não tenho mais coragem para relutar, eu mesma estou desabando por dentro preocupada com o pode acontecer. Concordo e me aproximo dela a abraçando.
— Desculpe, não quero que pense que eu não quero vê-lo bem.
— Eu sei, mas ele vai sair dessa.
— Assim espero. — Me afasto dela e limpo seu rosto de leve sorrindo em seguida. Temos que pensar positivo, pelo bem dele.
— Já que acabou por que não vamos lá em baixo ver como as coisas estão indo? — Pergunto.
— Tudo bem. — Ela responde.
Ajudo-a a dobrar as roupas e deixa-las empilhadas na cama. Vamos para o andar de baixo e encontramos com o Gleen parado na porta.
— Onde está a Maggie? — Beth pergunta.
— Lá dentro com o seu pai. — Ele responde. — Vai lá. — Diz saindo da frente da porta para deixa-la passar.
— Você não vem Lise? — Ela pergunta se virando para mim.
— Vai indo, vou daqui a pouco. — Respondo sorrindo. Ela concorda e logo entra, espero até que esteja afastada para poder conversar com ele direito.
— Como ele está?
— Na mesma. — Ele responde. Lamento pesarosa.
— O Daryl pediu pra você pegar a algema do Rick e colocar nele. — Conto abaixando a voz para que elas não escutem.
— Eu já tinha pensado nisso. — Suspira. — Pode pegar com a Lori pra mim? Não quero sair daqui agora. — Ele pede. Nem consigo imaginar como se sente, afinal é o seu sogro que pode estar morrendo lá dentro. O pai da sua cunhada e da mulher que ama.
— Eu já volto. — Respondo já me distanciando para procurar pela Lori.
— Obrigado. — Ele agradece. Apenas aceno com a cabeça e resolvo ir até sua cela. Para a minha sorte ela está sentada na cama, parecendo perdida em pensamentos. Bato de leve na grade chamando sua atenção. Ela se assusta de leve.
— Desculpe incomodar. — Falo baixinho desculpando-me por assusta-la.
— Não se preocupe, eu só estava meio aérea. — Ela responde. — Entra. — Entro de leve e me aproximo dela, mas não tenho coragem de me sentar, sinto que seria invasivo demais.
— Tá tudo bem? — Pergunto.
— Está. — Ela responde, mas seu tom de voz a desmente.
— Lori, qual o problema? — Pergunto preocupada. Ela respira fundo e me olha.
— É o bebê Lise. — Sua voz se torna mais fina.
— O que tem o bebê? — Pergunto com medo da resposta.
— Eu acho que o perdi Lise. — Ela responde aos sussurros. Sinto minhas pernas fraquejarem e me sento no chão próxima a ela.
— Por que está dizendo isso Lori? — Minha voz também sai aos sussurros.
— Eu não o sinto, não sinto nada. — Responde chorando. Eu não sei o que falar, não sei como agir. — Antes eu achei que fosse por causa do cansaço ou da falta de comida, mas não é Lise.
— Não temos como saber. — Limpo uma lágrima que escorre. — Não podemos saber Lori, ele pode estar bem. — Tento ser positiva.
— Lise. — Ela fala agoniada. — Se todos nós estamos infectados, o bebê também pode estar. Se ele morrer eu posso...
— Para. — Grito nervosa. Me levanto e começo a andar pela cela. Não consigo imaginar essa cena, é monstruosa demais. Ela se assusta e enterra o rosto nas mãos.
— Você não vai fazer isso! — Afirmo. — Você não vai desistir entendeu? — Falo firme.
— Olha pra mim Lori! — Ordeno. Ela levanta o rosto limpando-o em seguida. — Você não vai deixar o medo te vencer. Essa coisinha que está dentro de você é o seu filho, lute por ele!
— Eu estou tentando. — Diz.
— Tente mais.
— Eu... — Interrompo-a.
— Lembra o que o Rick me disse quando tentou me convencer a ficar? — Pergunto me acalmando. Ela balança a cabeça negativamente e eu resgato aquelas palavras da memória. — Eu lembro exatamente, palavra por palavra. Ele me disse: nenhuma vida hoje em dia é um atraso. Não faça com que a vida desse bebezinho seja um. — Peço.
— Eu não quero isso Lise, não quero que ele sofra. — Diz abalada.
— Ele não vai.
— Mas e se eu morrer na hora do parto e ataca-lo? Ou mesmo se ele...
— Cuidaremos disso. — Respondo.
— Você tem que me ajudar Lise, não posso deixar que nada aconteça com ele. — Ela pede.
— Vamos dar um jeito tá bem? — Falo já calma. Ela apenas concorda.
— Deita um pouco, você deve estar cansada. Pode deixar que eu olho o Carl. — Ajudo-a a se deitar, é um pouco difícil por causa da barriga avantajada. Me sento novamente no chão e acaricio sua barriga em busca de algum movimento.
— Oi bebê. — Falo baixinho. — Parece que sua mãe já quer te ver. Eu sei que as vezes ela pode estar um pouco preocupada, e falar coisas que talvez você não goste de ouvir mas é porque ela te ama muito e fica preocupada. Mas vou te contar uma coisa, quando você sair daí vai ter a família mais diversa de todos os tempos e talvez uma das maiores que eu já vi. Vai ter até um caçador. — Brinco.
— Obrigada. — Escuto sua voz e olho para ela e tiro a mão de sua barriga.
— Não precisa agradecer. — Sorrio. — Agora falando sério, quando ele nascer eu provavelmente vou ficar pegando ele toda hora, não resisto a bebês. — Conto como se fosse um grande segredo e ela ri.
— Não quero ter meu filho roubado. — Ela diz risonha. — Que tal você aceitar ser a madrinha e me poupar esforços para pega-lo de volta? — Ela sugere. Perco a fala por alguns instantes.
— Mas... Você nem me conhece. — Digo ainda tentando absorver.
— Conheço o suficiente e sei que posso confiar em você, gosto de você. Não preciso mais do que isso. — Ela diz sorrindo. Não tenho coragem para recusar, Lori vem se tornando uma amiga especial pra mim.
— Tem certeza? — Pergunto.
— Mais impossível. — Ela afirma com afinco. Fico emocionada.
— Tudo bem então. — Eu digo rindo.
— Mas o padrinho é com o Rick, então se resolva com ele.
— Pode deixar. — Afirmo. — Agora dorme um pouco. Eu vou lá ficar com o Hershel até o Daryl e o Rick chegarem.
— Falando em Daryl, não tem nada pra me contar? — Ela pergunta maliciosa.
— Não. — Respondo sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.
— Certeza? Eu vi que vocês vão dormir bem pertinho um do outro... — Insinua.
— Não sei de nada Lori. — Levanto envergonhada. Lembro-me do principal objetivo pelo qual vim aqui. — Ah! Eu quase esqueci. Sabe onde está a algema do Rick? — Pergunto.
— Está na mochila perto da pia. — Ela responde. — Por que precisa de algemas?
— Daryl pediu para que colocássemos no Hershel, só por precaução. — Digo tristemente tirando a algema da mochila e colocando-a no meu bolso.
— Espero que ele saia dessa. — Ela diz com pesar.
— Eu também. — Concordo me aproximando da porta. — Descanse, qualquer coisa eu te chamo.
— Tudo bem. — Sorrio antes de sair pela porta.
Ainda estou preocupada com o que o que pode acontecer a Lori, eu já vi essa história antes, em outras circunstancias obviamente, mas com um enredo bem parecido. Eu devia estar perto dos meus 17 anos quando minha mãe ficou grávida do Joshua, ela ficou simplesmente louca querendo interromper a gestação por motivos fúteis que me decepciona até hoje, e usou o possível problema de visão que ele poderia desenvolver como desculpa. Tive que lutar da maneira que consegui para evitar que isso acontecesse a ele, ele era só um bebezinho, não tinha culpa por nascer em uma família tão destruída como a nossa.
Fiz com que ela parecesse uma guerreira pra toda a família e assim consegui evitar que ela matasse o Josh, fiquei de castigo por vários dias, mal comia. Depois que ele nasceu foi mais complicado, ela queria usa-lo para gerar piedade nas pessoas, até conseguiu criar uma fundação falsa para ajudar mulheres na mesma situação que ela, a mulher que queria matar uma criança por futilidade e nunca chegou a pegar o próprio filho direito nos braços.
Quando eu completei 18 anos consegui sair para estudar e levei o Josh comigo. Foi complicado no inicio, criar uma criança sozinha enquanto ainda tentava estudar. Financeiramente foi mais fácil, porque dificuldades desse tipo eles nunca nos deixaram passar. E eu o criei com tanto amor que se falassem que era meu filho não negaria, ele era como o brilho do meu céu. Mesmo que não conseguisse ver eu o amei. Aprendemos juntos todo o tipo de coisa que alguém em sua condição deveria aprender e aos poucos ele foi me mostrando um mundo completamente diferente do que eu conhecia, um mundo inocente.
Até que ele completou 7 anos e todo esse inferno começou. Estava na escola me preparando para o inicio das aulas quando parei alguns segundos para ver o noticiário e fiquei com medo de todos os assassinatos brutais e as cenas que começavam a passar a ser relatadas a população. Para a minha sorte o diretor chegou e avisou que as aulas foram canceladas porque os pais não queriam que os filhos saíssem em um momento tão perigoso assim. Mal esperei ele terminar de falar e corri até a casa da dona Marrie, ela era uma senhora idosa que dava aula para algumas crianças especiais e morava perto da nossa casa. Joshua estava lindo tocando piano aquele dia, e deixei que terminasse de tocar aquela música e a apreciei com um grande aperto no peito. Assim que terminou arrumei nossas coisas e corremos até a casa dos nossos pais.
Meu pai tinha acabado de chegar da delegacia e minha mãe arrumava as coisas no carro, mal parou quando chegamos. Quando olhei para dentro só vi as coisas dela e do meu pai, eles planejavam ir embora sem a gente. Aquilo me machucou muito, porque novamente ela queria colocar seus filhos em risco pensando somente nela, mas ignorei pelo bem do meu irmãozinho, e arrumei nossas coisas colocando-as no carro. As vezes me arrependo disso, mas estava assustada demais, como fugiria com uma criança cega e sem armas sozinha? E foi, no momento em que atravessamos aquele portão junto com eles, que toda a nossa vida mudou.
— Lise? — Alguém me chama a atenção. Olho e vejo que é o Gleen, já estava na frente da cela do Hershel e nem tinha percebido.
— Oi? — Respondo voltando para a realidade.
— O que aconteceu? — Ele pergunta alarmado.
— Nada.
— Então porque está chorando? — Ele pergunta tentando me arrancar respostas. Passo a mão no rosto e sinto-o molhado, nem tinha percebido que estava chorando. Limpo o rosto com as costas da mão.
— Não é nada demais, só algumas lembranças. — Sorrio de leve pra ele. Pego a algema e a estendo pra ele. — Aqui.
— Obrigado. — Agradece. — Tem certeza que está bem? — Pergunta ainda preocupado e eu concordo.
— Vamos colocar isso no Hershel. — Falo entrando na cela.
Beth e Maggie estavam encostadas na parede enquanto Carol de debruçava sobre o ferimento do Hershel, prensando-o com alguns panos velhos que conseguiram limpar.
— Você demorou. — Beth fala se aproximando de mim.
— Desculpe, estava resolvendo algumas coisas. — Falo e ela apenas concorda. Gleen se aproxima do Hershel com as algemas e Maggie se alarma.
— O que está acontecendo Gleen? — Ela pergunta parando ao lado do pai.
— É preciso. — Ele responde impotente.
— É só por precaução Maggie. — Tento ajudar a convence-lo. Ela apenas concorda e se senta ao lado do pai, acariciando seus poucos cabelos. Sei que pra elas é difícil pensar que ele pode virar um zumbi. Perder pessoas nesse mundo é mais doloroso agora do que antes, porque antes você podia reconstruir, agora só é possível aceitar.
O som da grade se abrindo nos chama a atenção. Carl entrava carregando uma grande bolsa que parece pesada e Gleen o ajuda.
— Pensei que estivesse organizando a comida. — Diz Gleen colocando a mala no chão próximo a nós.
— Melhor do que isso. — Carl responde se abaixando do lado da mala e a abrindo. — Olhem só.
— Onde conseguiu isso? — Carol pergunta alarmada começando a tirar as várias gazes que lá tinham e alguns remédios.
— Na enfermaria. — Ele responde. — Não tinha muita coisa, mas peguei tudo o que achei.
— Você foi sozinho? — Pergunto alarmada. Ele ainda é muito pequeno pra se arriscar sozinho assim, por mais habilidoso que seja.
— Fui. Matei dois errantes. — Ele diz orgulhoso.
Não sei o que falar direito. Na primeira vez em que falo que vou cuidar dele ele foge sem que ninguém saiba e se aventura por uma prisão cheia de zumbis, se expondo a vários riscos. A Lori com certeza vai me matar quando descobrir. Mas o que mais me preocupa é que ele poderia ter morrido fácil, e aí sim estaríamos todos arruinados.
— Carl. — Começo tentando escolher bem as palavras para não feri-lo ou deixa-lo chateado. — Por que não chamou nenhum de nós? Poderíamos ter ajudado. — Finalmente pergunto.
— Eu dei conta, não sou criança. — Ele responde com a feição fechada.
— Eu sei que não é e fez muito bem, precisávamos dessas coisas. Mas imagina se acontece com você o mesmo que aconteceu com o Hershel? Não teria ninguém lá pra poder tirar a parte que foi infectada, você poderia morrer. Imagina como sua mãe ficaria? — Explico. Dessa vez ele não se estressa, pelo contrário se sente culpado por ter ido sozinho. Conheço essa expressão, é a mesma que Josh fazia quando era pego fazendo o que não devia.
— Tudo bem, desculpe. Não vou mais sair sem avisar. — Ele diz arrependido.
— Certo. — Sorrio. — E obrigada por nos ajudar, foi bem útil. — Ele fica envergonhado, mas feliz. Por mais que o tenha feito foi errado, ele ajudou o Hershel de uma forma que não pudemos. Carol termina de colocar as gazes por todo o ferimento, pelo menos assim podemos evitar uma infecção.
— Pode me ajudar Annelise? — Carol pergunta se levantando.
— Agora? — Pergunto incerta sobre se devo sair ou não, ainda mais com ela. Até hoje conversei muito pouco com a Carol e por mais que ela e o Daryl sejam próximos não consigo me sentir totalmente segura quando estou com ela.
— Sim, lá fora. — Ela responde saindo da cela.
— Okay. — Respondo incerta me levantando e a seguindo. Ela não para pra falar o que quer, somente continua caminhando para o pátio.
— O seu pé ainda está muito machucado? — Ela pergunta, estranho um pouco mas a respondo.
— Não, Hershel cuidou pra mim. Não está 100% mas dá pro gasto.
— O Hershel é bom com essas coisas. Cuidou do Carl quando foi baleado, até do Daryl quando levou uma flechada e um tiro. — Ela reponde e sinto meu coração apertar. Daryl já foi baleado? Não consigo imaginar essa cena facilmente. Ainda bem que eu não estava junto a ele, não sei o que faria se ele tivesse morrido.
— Ele é mesmo. — Engulo em seco. — Mas pra que precisa da minha ajuda? — Sou direta.
— Preciso que me ajude a pegar um zumbi. — Ela pergunta e eu paro no lugar olhando-a
— Pra que você precisa de um zumbi?
— A Lori está atrasada. Ela teve o Carl por cesariana, provavelmente precisará de outra agora. Hershel tem experiência com isso, mas não pode nos ajudar agora. Preciso aprender e temos muitos cadáveres dando sopa.
— Tudo o que você disse as sentido, mas querer usar um errante pra treinar é um pouco...estranho.
— Preciso cortar o abdômen e o útero sem cortar o bebê. — Ela diz decidida. Tudo isso é um pouco estranho, mas faz sentido. É pelo bem da Lori e do bebê.
— Tudo bem. — Concordo. — Qual vai ser? — Pergunto. Ela analisa todos os zumbis perto das grades até finalmente encontrar a que seria perfeita.
— Essa. — Ela me mostra qual é.
— Ok. — Concordo. — O que quer que eu faça? Que a mate?
— Não. Pode deixar que isso eu faço. — Responde.
— E o que eu faço então?
— Atraia eles pra lá enquanto eu busco o corpo. — Explica.
— Consegue sozinha? — Pergunto incerta sobre se isso daria certo. Ela devia ter chamado o Gleen, mas com a situação do jeito que está duvido que tivesse coragem, eu não teria.
— Sim, só preciso que os afaste. — Ela responde se preparando para acertar o zumbi com o pedaço de metal. Começo a andar e bater a faca que Daryl me deu no portão enquanto Carol sai pelo buraco que fizemos e arrasta o corpo pra dentro. Ela demora mais do que devia e acabo tendo que matar um dos zumbis que a percebe e tenta voltar. Quando finalmente ela e o corpo do zumbi então seguros eu volto e a ajudo a fechar o buraco novamente.
Sorrimos uma pra outra, talvez ela não seja tão ruim quanto eu pensei e agora tudo finalmente parece estar se encaminhando. Conseguimos coisas para o Hershel, comida, um local seguro.
— Fez um bom trabalho. — Ela me diz limpando o pedaço de metal na roupa do zumbi.
— Obrigada, você também. — Digo.
— Acha que consegue me ajudar a leva-la mais pra dentro?
— Sim. — Digo colocando a faca no cinto da calça de modo que não me machucasse quando eu me abaixasse. Arrumo o curativo feito na minha mão no dia anterior e me abaixo pegando o corpo pelos braços. Até que escutamos um som alto de tiro e eu deixo o corpo cair no chão. Daryl! Sinto minhas mãos tremerem devido ao nervosismo. O som vinha do bloco onde Daryl e os outros estavam e meu primeiro instinto ao saber que estão em perigo é correr idiotamente até lá.
— Annelise! — Escuto Carol gritar ao longe mas não dou ouvidos, só continuo correndo. Daryl está bem, ele não se machucou. Ele tem que estar bem!
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