Vivendo entre os mortos
8 Revelações proibidas.
Notas iniciais

P.O.V Daryl
Ficamos paralisados enquanto vemos o cara matar o companheiro a sangue frio. Agora as coisas não vão ser tão fáceis quanto pareciam. Se antes eu não confiava neles, agora muito menos. Temos que resolver isso em alguma hora, pelo nosso próprio bem. Ele para de apunhalar o homem e ofegante olha para nós. O encaro. Seu rosto cheio de sangue nos fitava com raiva, ele não deixaria as coisas como estão e para o azar dele a gente também não.
— Vamos continuar. — Falo novamente tomando a frente da formação. Rick se aproxima e fica ao meu lado enquanto T-Dog permanece no final dando-nos cobertura.
— Se ele tentar algo apenas me dê um sinal. — Falo de modo que só o Rick possa escutar. Ele assente também preocupado. Agora todos tomaremos mais cuidado. Continuamos a andar até que acabamos chegando na lavanderia. Paramos ao redor da porta e Rick joga o molho de chaves no pé do presidiário que matou o companheiro a pouco.
— Não vou abrir isso. — Ele diz. Sua postura é firme.
— Vai sim. Se quer este bloco você vai abrir essa porta. — Rick deixa claro. Ele reluta mas pega as chaves do chão.
— Abra só uma porta, não duas. Precisamos ter controle sobre a situação. — Aviso já arrumando a pontaria da besta. Todos se posicionam e ele abre a primeira porta, depois a última e se afasta. Cara filho da puta, vai acabar matando todos nós!
— Eu disse apenas uma! — Grito começando a matar alguns dos inúmeros zumbis que entram na sala.
— Acontece. — Ele responde indiferente.
Todos começam a lutar e não param de aparecer zumbis, parece que eles nunca vão acabar. Tento dar cobertura para o Rick e vejo o presidiário quase acerta-lo com o facão e jogar um zumbi pra cima dele em seguida. Os dois começam a se engalfinhar no chão. Pego a faca do bolso e começo a matar os zumbis que se aproximam muito de mim.
— T me dê cobertura. — Grito correndo até o Rick. Continuo matando os zumbis até chegar ao outro lado da sala onde eles estão. Jogo o presidiário no chão e Enfio a faca no crânio do zumbi tirando-o de cima do Rick e ajudando-o a levantar. Novamente preparo a besta e voltamos a lutar.
— Tudo bem? — Pergunto.
— Sim. — Ele responde. T-Dog se aproxima de nós e fazemos uma formação de três. Não podemos mais confiar nesses caras. Aparecem tantos que em uma hora tive que começar a usar apenas a faca por falta de flechas. Lutamos até ficarmos esgotados, mas finalmente, depois de algumas horas parece que o lugar está limpo e nenhum zumbi aparece. Tomamos fôlego e aproveito para pegar as flechas que estavam ainda nos crânios dos zumbis.
— O que foi aquilo? — Rick diz se aproximando do cara que quase o matou.
— O morto estava vindo pra mim. Sabe como é. — Ele responde ironicamente. Fico em alerta. -Sim, sim. Eu entendo. Acontece. — Rick responde antes de pegar o facão e atravessar seu crânio. Outro presidiário grita e avança sobre Rick com o bastão, mas ele desvia-o com o braço e derruba o cara no chão com um chute. Ele acaba fugindo e Rick o segue.
— É melhor nem tentarem. — Falo colocando os outro dois presidiários na mira.
— Não temos parte no que acabou de acontecer. Diga a ele Oscar. — Súplica paro o presidiário ao seu lado.
— Pare de falar cara. — É o que ele responde.
— Mas realmente não tivemos. — Protesta.
— Fiquem quietos! — Digo. — T vá ajudar o Rick. — Peço.
— Tudo bem. — Ele diz antes de sair.
Eu sabia que esse caras não dariam nada que presta, pelo menos eles nos deram motivos para mata-los. Não conseguiria ficar tranquilo com eles andando por aí.
— E vocês não se mecham. — Digo.
— Eu falo sério cara, eu juro. Por favor, acredite em nós.
— Muito conveniente não? — Falo ironicamente. — Bem quando estão prestes a serem mortos não fizeram nada de errado.
— Você viu o que ele fez com o anão. — Ele fala chorando. — Ele era meu amigo. Nós não somos assim. Eu gosto de pílulas, mas não sou assassino. Oscar é um ladrão e também não é bom nisso. Não somos violentos, eles eram. — Me aproximo deles.
— Vocês podem ser o que vocês quiserem, isso não vai diminuir o lixo que são. — Não que eu possa falar, eu também nasci no meio da sarjeta e ela nunca saiu de mim, mas só de imaginar o aqueles caras poderiam fazer me estressa.
— CUIDADO! — Os dois gritam me fazendo virar rapidamente. Sinto um ardor forte no braço e vejo o sangue começar a descer. Sou acertado no rosto e a besta voa longe. Olho pra cima e vejo que um deles tinha se escondido. Me levando e tento evita a faca que permanece firme em sua mão. Ele avança novamente sobre mim e dessa vez consigo ir para o lado. Tento ir para onde a besta está, mas ele continua bloqueando minha passagem. Ele investe a faca em mim e eu desvio usando o braço e derrubo-o no chão, soco-o e tento desarma-o mas ele consegue me driblar e ficar por cima. Seguro seu pulso com as duas mãos tentando evitar a lâmina que se aproxima do meu pescoço. Sinto a lamina começar a cortar meu pescoço e de repente o som do disparo de uma arma é escutado e o corpo do cara cai sobre mim. Respiro aliviado e jogo-o para o lado levantando. O presidiário chorão estava segurando a arma com a mão tremendo. Me levanto e vou até a besta pegando-a do chão e me aproximo do presidiário tirando a arma dele.
— Agiu bem. — É o que consigo falar. Ele apenas assente e volta a se ajoelhar no chão, me sinto incomodado com isso. Não gosto de dever as pessoas.
— Tudo bem aqui? — Rick pergunta entrando na sala.
— Apenas uma confusão, nada demais. Conseguiu pega-lo?
— Não, ele escapou mas vamos procura-lo. Tudo bem? — Pergunta apontando para o meu braço.
— Apenas um arranhão. Um deles tinha se escondido.
— Temos que tomar cuidado, vamos procurar o que fugiu e você vá para o nosso bloco cuidar disso, não podemos deixar que infeccione.
— Tem certeza?
— Sim, não podemos correr o risco de te perder também. — Ele responde e eu concordo. Não podemos nos dar ao luxo de ter mais alguém doente.
— T-Dog coloque esses dois em uma cela, qualquer problema me dê um sinal que eu venho. Talvez o acordo possa ser seguido com eles. — Falo. — Vou limpar isso. — Saiu da sala e começo a andar prestando atenção nos corredores, não posso mas abaixar a guarda. Que grande idiotice a minha, devia ter confirmado quantos ainda tinham lá. Penso em como Annelise vai reagir ao saber que matamos eles, sei que ela disse que não se importava, mas não acho que ela vá simplesmente ignorar. Suspiro apreensivo.
Assim que saio do bloco eu a vejo e simplesmente paraliso no lugar, não esperava vê-la aqui ela não devia estar aqui. Fico estressado com seu descuido, uma hora essa menina vai acabar se matando desse jeito. Começo a caminhar e ela se aproxima correndo e sem que eu espere se joga em mim. Ela envolve seus braços ao meu redor e enterra o rosto no vão do meu pescoço. Fico surpreso e não sei como reagir. Sinto seu corpo tremer e a envolvo mesmo sem entender o que está acontecendo. Percebo seus soluços e sei que ela está chorando.
— O que aconteceu? Por que está aqui? — Pergunto preocupado. Nesse momento, tão fácil como a raiva começou ela sumiu. Ela não responde e sinto seu aperto se tornar mais forte. Começo a ficar cada vez mais preocupado. Que merda aconteceu? Seguro em seus braços e a afasto de mim, com uma das mãos levanto seu rosto fazendo-a olhar para mim.
— Anne preciso que você me fale o que aconteceu. — Falo calmamente.
— Eu.... — Ela olha nos meus olhos. Vê-la chorando mexe comigo, causa um incômodo dentro de mim que nunca consigo explicar, me faz querer ficar com ela, protege-la em todos os momentos possíveis. Queria simplesmente abraça-la, mas tenho que saber o que aconteceu.
— Você o que? — Pergunto colocando uma mecha de seu cabelo que grudava em seu rosto.
— Eu escutei o som do tiro...Eu...Eu achei que tinha se machucado, que você tinha... — Ela responde entre os soluços. Olho-a.
— Eu achei que o Hershel tivesse morrido ou que o acampamento estivesse sendo atacado. — Sorrio de leve. — Isso tudo é só por minha causa? — Pergunto tentando segurar o riso. O sentimento que tomou conta de mim é estranho, mas um estranho bom. Ela me olha brava e fico sério, é estranho não saber com as coisas que a envolvem.
— Como assim só por sua causa? — Ela começa a bater no meu peito. Fico assustado com sua reação. Ela é sempre pacifica e nunca demonstra estar brava ou chateada por medo de ter que ir. Seus tapas não doem, na verdade nem acho que esteja batendo em mim de verdade, mas fico preocupado quando seu choro se torna mais alto.
— Anne. — Chamo tentando faze-la parar. Ela apenas balança a cabeça negativamente enquanto fecha os olhos. Seguro seus braços tentando faze-la se acalmar. Ela tenta esquivar-se de mim e a puxo novamente para meus braços. Ela ainda reluta um pouco, mas depois me permite abraça-la.
— Desculpe. — Peço com dificuldade. Na vida de um Dixon, ou melhor, na minha vida coisas como desculpe e obrigado nunca foram normais porque não existiam situações para usa-las. Parece realmente que essa pirralha anda fazendo um bagunça enorme na vida.
— Você prometeu. — Ela soluça. — Prometeu que não ia me deixar sozinha.
— Eu não vou. — Afirmo apertando-a mais forte. — Desculpe.
— Você não pode me deixar sozinha. Nunca entendeu? — Ela diz se afastando de mim e limpando o rosto com a palma da mão. Ela olha dentro dos meus olhos e com a voz falha diz: — Eu não aguento mais sozinha, Daryl. Não posso mais, não sem você.
Suas palavras cravam fundo em mim e mil coisas passam pela minha cabeça. Ficar perto dela me sufoca ao mesmo tempo em que me liberta, eu não que cacete se passa pela minha mente, mas não posso evitar. Ficar perto dela me deixa estranho, me deixa sufocado, mas toda vez que tento afasta-la me sinto vazio, preocupado como se o simples fato de não tê-la em minhas vistas fosse algo pelo que me arrependeria pelo resto da minha vida. Não sei se isso é certo, e pelo menos por agora quero esquecer o monstro que eu sou e simplesmente acalmar a agonia que sinto, por mais que seja apenas por um segundo. Me aproximo e ela não foge, está tão receptiva a isso, tão receptiva a mim que me sinto culpado. Ela não devia me deixar ficar próximo dela. Coloco as mãos em seu rosto e limpo as lagrimas que ainda insistiam em sair e acaricio-o. Ela fecha os olhos e não consigo mais resistir. Levanto seu queixo com uma das mãos e simplesmente a beijo. A beijo como a muito tempo quis, como desejo desde que a conheci.
Uno nossas bocas sentindo a textura dos seus lábios. Tão macios e delicados quanto ela. Inclino a cabeça levemente para o lado e sinto sua mão repousar na minha cintura enquanto ela parece aceitar o que está acontecendo. Sua boca se entreabre e eu aproveito para explora-la, tentando ao máximo não ser invasivo. Não sei ser delicado, mas estou tentando. Nosso ritmo é lento, mas me faz querer fazer coisas que a fariam se afastar de mim em poucos segundos. Como alguém pode ser tão atrativa? Percebo que ela fica sem folego e me separo dela novamente a abraçando e enterrando o rosto em seus cabelos. Mas que merda! Eu não devia ter feito isso, não podia ter feito isso com ela.
— Vamos entrar. — Falo me afastando e indo na frente sem olhar pra trás. Annelise é perfeita, em todos os sentidos e é por isso que não posso condena-la a isso. É por me importar com ela que vou resolver as coisas agora. Vejo que ela continua parada no lugar mas não posso mais voltar atrás agora.
— Carl, abre a porta. — Falo assim que chego ao prédio.
— E meu pai? — Ele destranca a porta e eu entro.
— Ele está resolvendo algumas coisas. Não tranca, a Annelise já tá vindo.
— Sozinha? — Ele pergunta e eu simplesmente o ignoro e subo as escadas até o poleiro. Jogo a besta no chão e pego um pouco de água e um pano limpo pra poder limpar o machucado e me sento na escada pra poder esperar por ela.
Mas que porra, só o fim do mundo mesmo pra me arrumar um problema atrás do outro. Agora além de ter que resolver sobre um velho quase morto, um bando de prisioneiros agressivos, um fugitivo também tenho que lidar com a merda dos meus sentimentos. É nesses momentos que eu queria que o apocalipse fosse só um sonho.
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