Daryl encosta a moto deixando-a escondida entre algumas árvores ao lado da rodovia enquanto Rick estaciona o carro, todos descemos preparados. Durante o caminho Rick insistiu algumas vezes para que eu ficasse no carro por ser mais seguro, está preocupado que eu possa fazer alguma besteira e sinceramente? Eu também estou. Não sei o que se passou na minha cabeça para colocá-los em risco ou atrasá-los, eu simplesmente queria provar para Daryl que eu era capaz de me virar, que eu não sou um estorvo como ele fez questão de dizer.

Seguro fortemente na faca que Daryl arrumou para mim, enquanto confiro se a arma permanece no meu cinto. Maggie conseguiu um tipo de coldre para colocá-la, o que me permitia não ter que ficar segurando-a todo o tempo.

— Fica perto. — Rick diz quando começo a me aproximar dos outros. — E por favor Lise, não faça nada estúpido só para provar alguma coisa. — Ele pede abaixando o tom de voz para que os outros não escutem.

— Eu não vou, não se preocupe. — Digo sinceramente e espero poder cumprir.

Nos aproximamos dos outros e logo Daryl se aproxima com a besta já em mãos.

— Tem uma trilha nas árvores, eu acho que a menina marcou os galhos pra poder saber como voltar. — Daryl diz me lembrando do real motivo de estarmos aqui. Maya. Daryl lembrou o nome da menina e contou a Rick antes de sairmos. Precisamos encontrá-la para sabermos se está bem.

— Eu vou na frente pra mostrar o lugar. — Daryl diz olhando diretamente pra mim, sinto meu interior e desvio o olhar para o chão.

— Fiquem atentos! — Rick alerta antes de começar a seguir Daryl por entre as árvores. Daryl parece ter decorado o caminho e depois de um tempo começamos a encontrar alguns panos amarrados nas arvores, ele parecia cada vez mais ansioso.

Gleen e Maggie estavam no fim da fila parecendo atenta enquanto eu me mantenho próxima a Rick para evitar causar problemas. Não demora muito e chegamos a uma casa pequena cercada por alguns arames farpados amarrados às árvores mais próximas. A casa parecia velha e abandonada.

— Bem caidinho. — Maggie comenta tentando fazer graça, mas ao mesmo tempo séria avaliando cada centímetro do perímetro, ela é forte. Me faz querer ser como ela algum dia.

— Vamos esperar e ver o que acontece. — Rick diz nos chamando a atenção. — Se espalhem em duplas é mais seguro. — Vejo Daryl dar um passo em minha direção e eu instintivamente me afasto. Não estou pronta para ficar perto dele, não confio em mim mesma pra isso.

— Annelise fica comigo. — Rick diz encarando Daryl e me ajudando. — Tomem cuidado! — Ele olha para mim e começa a se afastar, eu o sigo sendo cautelosa e deixando a arma na mão. Confio mais em mim com ela do que com a faca, mesmo não sendo habilidosa com nenhum dos dois. Rick se abaixa próximo aos arbustos quase na porta da frente de entrada e eu me abaixo ficando ao seu lado.

— Já conversaram? — Ele pergunta me fazendo suspirar.

— Não...E nem sei se consigo. — Confesso.

— Conversei com ele, sabe que fez besteira e está arrependido. — Rick me conta. — Acho que está se sentindo culpado. Sabe, ele é meio assim. Não estou defendendo ele nem nada, mas é complicado. Daryl te contou que tem um irmão? — Ele pergunta.

— Contou.

— Conheci ele, estavam juntos quando tudo começou. — Ele continua me fazendo manter minha atenção toda voltada para as suas palavras. — O Merle e o T tiveram uma briga e eu o prendi no telhado, mas o prédio foi invadido e tivemos que fugir. Deixamos o Merle, fizemos o Daryl perder a única família que tinha até aquele momento. — Coloco a mão na boca chocada ao imaginar um homem tão bom perdendo seu irmão assim.

— Eu sei, foi tolice. — Rick diz suspirando. Mesmo tendo passado tanto tempo ele ainda parecia arrependido. — Ele não devia ter me perdoado, mas hoje é meu irmão. Ele ficou muito irritado, achei que me mataria. Tanto eu quanto o T, ele nos xingou, mas hoje isso é passado… — Ele olha para mim. — Não quero te influenciar a nada, muito menos a minha vontade de bater no meio do rosto dele diminuiu, o que eu quero falar é… Mesmo que esteja magoada com ele, não afaste ele de você por causa da impulsividade dele. Não precisa se preocupar pois ele vai se arrepender, mas como sempre vai achar que não merece seu perdão, ele é assim.

— Vou manter isso em mente. — Digo baixo sentindo minha cabeça pesar.

— Saíam bem de fininho. — Escutamos uma voz grossa falar nos assustando. Viramos rapidamente e não temos tempo de destravar as armas pois um homem de estatura média apontava uma arma pronta para atirar na gente. Sinto meu sangue gelar, enquanto Rick se coloca na minha frente de maneira calma.

— Calma, não queremos briga. — Rick fala com uma mão pra cima enquanto se abaixa e coloca sua arma no chão. Ele olha para mim de relance indicando para que eu faça o mesmo e o imito. Se ele não tentou lutar é porque sabe que esse não é o momento.

— Sério? E porque estão espreitando a minha casa e armados? — O homem diz indicando para que saiamos da floresta. — Se todos não saírem agora eu estouro os miolos da gatinha aqui! — Ele diz me pegando de surpresa e então o resto do pessoal sai dos esconderijos. Primeiro Maggie e Gleen que vem juntos lado a lado com as armas apontadas para o homem atrás de mim e então T-Dog e ele aparece. Vejo Daryl com os punhos cerrados e uma feição que parecia ir de muita raiva a preocupação. Não posso evitar olhar para ele e nesse momento sei que ele viu o que se passa no meu interior.

— Só queríamos saber da menina. — Falo com a voz baixa tentando me controlar e não deixar meu desespero transparecer.

— Que menina? — Ele pergunta com o semblante fechado, quase desafiador.

— A Maya. — Daryl grita firme encarando-o, enquanto se aproxima com a besta a postos.

— Ah, então conheceram a bonequinha. — O homem parece divagar e para a nossa surpresa abaixa a arma e começa a andar em direção a casa. — Vem, ela está lá dentro. — Ele nos convida. — Podem entrar. — Ele se vira na porta da casa nos convidado e esperando que nos aproximemos.

— Fica atrás de mim. — Rick sussurra pra mim antes de começar a andar. Assim como os outros que se aproximam. O homem abre um largo sorriso e abre a porta nos dando passagem.

— Fiquem a vontade, e sabe como é? Não reparem na bagunça. — Ele sorri de um jeito macabro que me faz sentir medo. — Vou buscar ela. — Ele diz saindo da sala e subindo as escadas. Ele parece se lembrar de algo e para na escada: — Que cabeça a minha, eu sou o Ryan, por sinal. — Então parecendo satisfeito ele volta a subir as escadas.Todos suspiram aliviados e se aproximam rapidamente.

— Estão todos bem?! — Rick pergunta preocupado.

— Não gostei dele. — Gleen fala de olho na escada.

Daryl olha na minha direção e vejo que está preocupado, apesar das coisas que falou pra mim ainda é um homem bom. Assento com a cabeça mostrando-lhe que estou bem e o vejo suspirar de alívio, pelo menos eu penso que seja. Ele se aproxima de mim ficando ao meu lado e dessa vez eu não fujo. Essa não é a hora para levar nossos problemas em consideração, resolvo deixar isso para depois. E no momento preciso dele perto de mim, não sei se conseguiria lidar com tudo isso sozinha.

— Eu sei, também não me cheira bem. Principalmente essa mudança repentina dele. — Rick pensa em voz alta. — Tomem cuidado, não confio nele, fiquem atentos. — Todos assentimos e eles ficam em posição de defesa, como a que fizeram para conquistar o pátio da prisão. Mas dessa vez Daryl e Rick ficaram à minha frente e eu sabia pelo movimentar leve de cabeça de Daryl, que ele estava olhando pra mim.

Não demora muito para que escutemos passos na escada e logo o homem volta com uma menininha pequena na sala, segurando um coelhinho de pelúcia velho e acabado. Ela é linda. Ela tem cabelinhos um pouco abaixo do ombro, todo torto. Sua pele é branquinha, lembrando-me a neve que estava por vir e então eu olhei para seus olhos e me logo vi a imagem de Daryl na minha mente, tão verdes quanto os dele. Mas então eu olhei para seus bracinhos e senti meu coração se desmanchar, sua pele tão branquinha apresentava várias marcas roxas, algumas era visível que eram recentes enquanto outras mais antigas. .

— Então você conheceu meus amigos Maya? — O homem pergunta rindo antes de prender a menina nos braços e colocar o cano da arma em sua têmpora.

Ela grita assustada e vejo Daryl querer se precipitar na sua direção, e rapidamente, sem que Ryan perceba, eu seguro sua mãos fazendo-o olhar para mim. Balanço com a cabeça negativamente e continuo segurando sua mão para evitar problemas. O homem que arriscava a vida de uma criança tão facilmente assim não podia ser normal, tínhamos que agir com cautela, pelo bem dela.

— Armas no chão, ou eu atiro! — Ele grita nos assustando e assustando a menina mais ainda, que grita e começa a chorar mais alto. Ela olha para Daryl e vejo que o reconhece. Ela tem tanto medo no olhar que sinto vontade de chorar. E quando Daryl entrelaça seus dedos nos meus com força, também sei que ele sentiu. Daryl se abaixa juntamente comigo e colocamos nossas armas no chão, mas eu deixo a minha faca que Daryl tanto recriminou presa e escondida pela blusa. Graças a Deus ele não parece perceber. Logo vejo que todos também colocaram a suas, inclusive uma faca grande que estava com T-Dog, eles não colocariam a vida de uma criança em risco. Eu sabia disso, e talvez esse seja o motivo pelo qual eles me ganharam tão facilmente.

— Nós realmente não queremos brigar, só queríamos ver a menina. — Rick toma a palavra quando ele começa a descer as escadas e se aproxima para recolher as armas.

— Pega! — Ele ordena para a menina que soluça se abaixando e empurrando as armas pra perto do pé do pai, quando ela vai pegar a besta de Daryl ela se desequilibra e Daryl toma impulso para ampará-la mas Ryan logo afasta a menina enquanto aponta a arma para a testa de Daryl. Começo a ficar mais nervosa ainda, e sinto minhas mãos suarem. Daryl percebe e aperta minha mão mais forte olhando pra mim.

— Respira fundo. — Ele me diz sem deixar escapar som, assento e começo a respirar do jeito que ele me ensinou. Não posso fazer besteira aqui ou colocaria a vida de todos em risco.

— Sabe, vocês parecem ser boas pessoas. — Ryan começa a falar enquanto gira o cano da arma no cabelo da menina. — Vejo que estão preocupados com a menina, e na verdade se a lindinha não fosse tão útil depois que a vadia da mãe dela morreu eu até a dava pra voces, mas sabe como é né? É difícil achar boas empregadas hoje em dia. — Ele diz me causando calafrios e então ele segura o rostinho da pequena nas mãos apertando-o fortemente e girando seu rosto de um lado pro outro, como se fosse um carinho. A menina grita de dor e dessa vez eu não consigo evitar que Daryl haja apressadamente e quando percebo ele já está acertando um soco no rosto do homem que cai no chão. A arma dispara e sinto meu coração gelar, olho ao redor preocupada mas ninguém parece machucado e logo vejo todos aproveitarem o momento para pegarem suas armas do chão enquanto Daryl e Ryan começam a se socar fortemente no chão. Maya sai correndo sem que ninguém perceba e antes que ela se perca eu vou atrás dela.

— Maya. — Grito esperando que ela pare, mas está tão assustada que sai correndo e mesmo ficando presa ao tentar passar pelos arames farpados ela continua a correr. Sei que aquilo a machucou mas ela continua a correr. — Para! — Grito de novo na esperança que ela me escute. Passo rapidamente o arame e continuo a correr atrás dela. Demora um pouco mas consigo alcançá-la e antes que ela continue correndo e a prendo nos meus braços.

— Me solta! — Ela grita enquanto tenta com todas as forças se livrar de mim. — Me solta! — Seus soluços parecem quebrar pedacinhos dentro de mim.

— Tá tudo bem Maya, não vou te machucar. — Me forço a falar sem deixar alguma lágrima cair. Ela continua se debatendo por um tempo e eu começo a acariciar seus cabelos sem solta-la de meus braços e depois de um tempo ela para de tentar se livrar de mim e só chora assustada. Ela é tão pequena, tão frágil. É impossível não sentir nada em relação aos diversos machucados espalhados pelo seu corpinho.

— Tá tudo bem agora Maya, vai ficar bem. — Digo tentando acalmá-la, ou me acalmar. Por um tempo ela parece se acalmar mas então se afasta de mim rapidamente parecendo novamente assustada.

— Os bichos. — Ela começa a tremer, me deixando nervosa.

— O que? — Pergunto me aproximando dela que começa a me puxar pela blusa.

— Tem bicho, vamos! — Ela diz de novo me assustando. Olho ao redor tentando buscar alguma coisa, estava prestes a dizer que nao tinha nada ali quando eu os vejo. Era uma horda, parecia ter em média uns 15. Fico nervosa e não paro pra pensar, simplesmente pego a Maya em meus braços e me enfio por entre as árvores e começo a correr com toda a força que eu tenho. Eu não perderia para eles, não a perderia para eles.

Agradeço mentalmente por ela ser leve e me permitir pegar a faca na minha cintura. Sinto que Maya esconde o rosto no meu ombro chorando. Esse mundo não era lugar para crianças, elas não deviam ter que passar por isso. Continuo a correr com toda a força que tenho, as vezes ainda sentia uma leve pontada nos pés, ainda não tinha corrido de verdade desde que Hershel começou a tratar dos meus ferimentos. Simplesmente continuo a correr. Tinha esperança de que estivesse perto da cabana, mas além de não encontrar nenhuma marcação nas arvores também não reconheço nenhum lugar. Sei que estamos perdidas, mas a minha preocupação no momento é ela. Não perderia uma vida inocente pra esse mundo de novo, nem que para isso eu precisasse dar minha vida.

Notas finais
HELLO LOVERS! Espero que estejam bem! Perguntinha: Só porque a história está tranquila os comentários diminuíram? Desse jeito vou ter que matar algum personagem pra ver se as coisas esquentam....