Notas iniciais
Desculpem a demora! *-* Sei que demorei, mas eu estava sem pé nem cabeça, correndo. Era vestibular pra cá, vestibular pra lá, uma viajem atrás da outra, formatura, coquetel...Nem sei como consegui fazer tudo. Novamente me desculpem. Espero que gostem! ^^

P.O.V Annelise

Fico estática olhando Daryl caminhar até o bloco. Levo minha mão até meu lábio passando o dedo de leve pelo mesmo na tentativa de fazer o formigamento que se alastrou ali depois que Daryl a beijou passar. “O que acabou de acontecer?”, pergunto a mim mesma não obtendo resposta. Ele me beijou, isso é óbvio e eu gostei, mas o que realmente me surpreende é que eu não senti medo, muito menos repulsa. Daryl fez com que eu me sentisse feliz com um simples beijo, coisa que não conseguia a muitos anos. E então eu me lembro...Me lembro do que aconteceu no último ano, do que aconteceu depois que eu perdi meu pequeno Josh e então me sinto culpada. Culpada por acabar sujando um homem tão puro quanto ele.

— Annelise. — Viro e me deparo com a Carol. Só então me lembro que estava ajudando-a, mas acabei deixando ela na mão e sai correndo como louca com medo que algo pudesse ter acontecido.

— Des.. Desculpe. Eu só…- Tento explicar não achando as palavras.

— Eu sei, eu vi. Sinto muito por isso.

— Eu...Eu fiz algo errado certo? — Abaixo a cabeça arrependida. — Não devia tê-lo deixado fazer isso. — Sussurro.

— Você não fez nada de errado querida, por que pensa assim?

— É só que eu não sou alguém que mereça ele. — Respondo em tom baixo. — Não é certo fazer isso com ele, não depois de tudo o que ele fez por mim.

— Você está enganada. Talvez você não o mereça, mas ele com certeza merece alguém como você. Ele só não consegue enxergar isso e sempre acaba arrumando mil e um pensamentos achando ser o melhor mas só acaba complicando mais as coisas. Foi sempre assim, pelo menos desde que eu o conheço.

— Eu não queria deixá-lo bravo, eu só fiquei preocupada. — Falo me arrependendo mas uma fez pelo mal que o faço, sempre deixo-o estressado. Mesmo quando esse mundo já deixa a todos com a vida nas mãos.

— Você não deixou, muito pelo contrário. Aquelas risadas que ele deu em uma conversa de cerca de 10 minutos é algo que vi só umas duas vezes desde que tudo começou. Você faz bem pra ele Anne, assim como ele faz pra você. — Sinto minhas bochechas corarem. — Ele só precisa perceber isso.

— E o que eu faço agora? Quero me desculpar, mas também não quero deixá-lo mais irritado.

— Apenas aja normalmente, uma hora ele vai fazer o assunto surgir, e o resto vai acontecer normalmente. — Carol me aconselha se aproximando de mim.

— Tem certeza? — Pergunto incerta.

— Absoluta. Entenda uma coisa meu bem, aquele cara é fortão e tem essa cara de malvado, mas você já percebeu que não é assim certo? Ele sempre se coloca na frente das pessoas, mas nunca vê o quão grande é isso. Espero que no futuro você possa mostrar pra ele.

— Eu só não quero ser um peso pra ele...

— E não vai ser, pra nenhum de nós. — Ela passa o braço pelo meu ombro e começa a caminhar. — Agora vamos entrar, ainda não é bom ficar dando sopa por aqui. — Concordo e caminhamos em silêncio. Acho que Carol entende que tenho que pensar agora. Meus pensamentos estão todos embaralhados. Assim que chegamos Carl abre o portão e nos deixa entrar.

— Vocês demoraram, Daryl disse que você já tava chegando Lise. — Ele fala parando ao meu lado. Observo-o. Ele é um bom menino, lembra bastante o pai, principalmente com esse enorme chapéu na cabeça. Espero que ele tenha a oportunidade de crescer.

— Desculpe. — Falo enquanto tiro o chapéu de sua cabeça na tentativa de arrumar seu cabelo rebelde. — Encontrei com a Carol e acabei demorando. — Sorrio de leve e devolvo o chapéu pra sua cabeça.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa escutamos os gritos de Beth e corremos juntos até a cela. Assim que chegamos estaco na porta, Lori estava começando o processo de ressuscitação em Hershel. Vejo Carol ao seu lado ajudando-a. Sinto minhas pernas bambearem, mas um braço firme me ajuda a me manter em pé. Olho para o lado e vejo se tratar de Daryl. Vejo que seu rosto está confuso, mas nenhum de nós se importa com o que aconteceu agora.

— Fique aqui. — Daryl me ajuda a me firmar encostando na parede e ele se afasta um pouco para conseguir ver as coisas mais de perto, vejo que ele deixa a besta firme na mão e seus olhos permanecem atentos a Hershel. Isso faz meu coração doer, principalmente vendo o desespero da Beth e de Maggie.

Me aproximo de Carl que estava mais um pouco a frente e abraço-o tentando tranquiliza-lo, era óbvio sua preocupação tanto para com sua mãe quanto para Hershel

— Lori! — Grito prendendo mais meus braços ao redor de Carl quando Hershel se precipita e envolve seus braços sobre o pescoço de Lori como se fosse morde-la. Daryl arruma a besta em e tenta acerta-lo mas Maggie e Beth tentam separa-las e é dificil encontrar a mira, então ele desiste e joga a besta no chão indo ajuda-las a afastar Lori dele. Carl tira a arma e deixa apontada para Hershel.

— Carl, não! — Falo fazendo-o abaixar a arma e trava-la novamente.

Finalmente eles conseguem fazer com que Hershel a solte e ele parece desmaiar novamente. Deixo escapar um suspiro de alivio, tanto por Lori como por Hershel, apesar do susto ele ainda estava vivo e isso é um grande alivio. Alivio meu aperto em torno de Carl que vai até a mãe e me encosto na parede. Daryl se abaixa para pegar novamente a besta e se aproxima de mim.

— Tudo bem? — Pergunta colocando uma das mãos no meu antebraço.

— Sim. — Afirmo suavemente olhando para seu rosto. Era visível que estava incomodado com alguma coisa, e tenho certeza que foi devido ao que aconteceu a pouco, mas prefiro não comentar com ele. Pelo menos não agora, não é a hora e eu não saberia como me desculpar. Ele afasta sua mão de mim lentamente e dá um passo pra trás, colocando distância entre nós.

— Eu tenho que voltar pro outro bloco agora. — Ele diz evitando meu olhar.

Na mesma hora em que ele fala que tem que voltar pra aquele lugar um alarme soa na minha mente e mesmo sem ter intenção eu grito:

— Não! Você não pode voltar pra lá. — Já começava a sentir o medo de perde-lo novamente. Daryl se assusta e eu percebo que todos os olhos estão na gente, principalmente em mim. Vendo isso Daryl pega meu braço levemente.

— Vem, vamos conversar nas escadas. — Ainda sentindo o pequeno desconforto em meu peito eu o acompanho até os degraus perto do poleiro. Ele me ajuda a sentar e se coloca ao meu lado.

— Daryl, não volta pra lá. Por favor. — Peço. Ele olha diretamente para mim dessa vez.

— Eu tenho que voltar Anne. — Sua voz é crua. Não dando espaço para diálogos. — Tenho que cuidar daqueles homens.

— Mas o Rick e o T-Dog já estão lá, porque precisa ir? — Tento convence-lo. A pouco tempo atras ele poderia ter morrido naquele lugar, eu ouvi o tiro. O desespero que eu senti naquele momento é algo que eu não quero sentir jamais… — Ele suspira pesadamente antes de responder.

— Anne, entende uma coisa: Estamos no meio de um apocalipse zumbi! Não posso ficar me escondendo só porque é perigoso, e não vou. Vou ajudar a proteger essas pessoas, vou ajudar a te proteger. — Ele fala com determinação. Por mais que seja ótimo ouvir sua preocupação comigo, ao mesmo tempo é incômodo.

— Mas e se você acabar machucado em uma dessas coisas? — Revelo meu maior medo.

— O que não é um risco hoje em dia? Sei que você pode ter sobrevivido até hoje se escondendo e evitando as coisas, por isso não te culpo por pensar assim. Mas fugir desse inferno que são os dias de hoje é algo que não podemos fazer. Você não pode se esconder pra sempre Annelise, e eu não vou deixar e o faça. Você precisa aprender a ser forte, aprender a se defender sozinha. Aprender a sobreviver sem mim. — Ele fala de forma firme, seu tom de voz se elevando. Começo a ficar mais nervosa. Porque eu preciso aprender a viver sem ele? Sinto um bolo na minha garganta começar a se formar. Ele quebraria a promessa?

— O que quer dizer com isso? — Pergunto com a voz falha. Ele desvia o olhar de mim e se levanta começando a andar de um lado para o outro nos degraus de baixo.

— Que eu posso morrer a qualquer hora, caralho! — Ele grita me assustando, sua mãos em punhos. Sua expressão é pesada, como se ele estivesse sendo torturado. Eu posso morrer e te deixar sozinha. Eu posso não poder protege-la mais. — Sua raiva é palpável.

— Não quero que você morra. — É o que eu consigo dizer, deixando algumas lagrimas rebeldes descerem pelo meu rosto. Mas então a visão de Daryl morto aparece em minha mente e eu tampo minha boca com as mãos para evitar que um grito de pavor escape.

— Eu sei que não quer, mas não é como se você pudesse ser a pessoa que escolhe isso certo? — Sua expressão é sarcástica. Não estava acostumada com isso, não estava acostumada com Daryl assim.

— Por que tá dizendo isso? — Deixo um soluço escapar. Daryl percebe meu estado e mais estressado ainda, soca a parede com força. Queria que aquela expressão de tortura sumisse de seu rosto. Ele respira fundo se sentando novamente ao meu lado. Daryl então aproxima sua mão de mim e retira minhas mãos da boca, secando algumas das lagrimas que insistiam em descer.

— Porque eu não quero perder mais ninguém que seja importante pra mim. — Agora sua voz se torna mais suave. Sinto culpa por faze-lo se sentir assim.

— Eu só dificulto as coisas pra você né? — Ele balança a cabeça negativamente.

— Você não dificulta as coisas em nada Anne. Só de saber que você está viva já tira um peso enorme das minhas costas. — Ele sorri de leve afastando um fio rebelde do meu rosto.

— Eu não quero ser um peso pra você, nem pra ninguém. — Revelo.

— Você não é, e ficando forte nunca vai se tornar.

— Eu quero tentar. Eu juro que quero, mas tenho medo… — Abaixo a cabeça.

— Medo de morrer? Dos zumbis? — Ele pergunta calmamente.

— De que outras pessoas morram por minha causa. — Então lhe conto meu maior medo. Assim como aconteceu com o Joshua. — O bolo na minha garganta parece aumentar ainda mais.

— Joshua? Era seu namorado? — Daryl pergunta com uma voz mais grave enquanto entortava o nariz, de um jeito até fofo. Sorrio de leve.

— Era meu irmãozinho. — Conto. Sua expressão então se suaviza novamente. — Mentira, pra mim ele era meu como meu filho.

— O que aconteceu com ele? — Pergunta.

— Tomei a decisão errada, fui fraca. Eu sou fraca. — Concluo o que todos já sabem. — Foi isso que matou ele, no fim eu o matei. — Contar isso pela a primeira vez a alguém é difícil e não consigo em deixar as lagrimas escaparem.

— Não foi assim. — Daryl diz com uma certeza equivocada. Ele não sabia, não podia saber. Não podia saber o monstro que eu fui. As lembranças daquela noite voltam como flashes na minha mente. Levo minhas mãos até meu cabelo puxando-os com força. Eu queria que aquilo parasse. Choro desesperada.

— Como pode saber? Você não viu Daryl. Você não viu aquele menino perdido, com medo, sem poder enxergar nada gritando o meu nome desesperadamente enquanto era devorado por eles. — Grito ainda chorando. Sinto minha cabeça começar a doer, mas as imagens não iam embora. — Você não viu! — Falo com dor.

— Anne! — Daryl grita. — Anne, para! — Sinto suas mãos nas minhas fazendo com que eu soltasse meu cabelo. Eu queria que aquilo parasse. Eu queria poder ter morrido no lugar dele. Sinto meu peito doer e as lagrimas caem cada vez mais com força.

— Calma! — Daryl pede me puxando para seu peito e me abraçando apertado. Enterro a cabeça em suas roupas e aperto meus braços ao seu redor, como se ele também pudesse fugir de mim.

Eu não quero que nada de ruim aconteça com o Daryl, não posso deixar que aconteça. Não conseguiria ver que ele sem vida, mas como eu posso ajudar? Ainda sou uma fraca que só sabe matar os outros.

Começo a puxar o ar com força tentando faze-los chegar até meus pulmões, enquanto os soluços não paravam.

— Hey, preciso que você se acalme tudo bem? — Daryl me aperta mais apertado, enquanto passava a mão por cima do meu cabelo. — Desse jeito você pode ter outra crise.

Tento parar, mas é difícil. Desde que o conheci não consigo mais esconder o que eu sinto, não consigo mais fingir que esse não é o inferno. Desde que eu conheci o Daryl, não consigo mais fingir ser forte.

— Eu estou aqui agora, não precisa sentir medo de tentar pequena. — Ele sussurra próximo ao meu ouvido.

— Eu sei que não foi você que o matou, foi esse mundo. — Ele diz. — E é exatamente por isso que você tem que viver, tem que ser forte Annelise. Você tem que viver pra fazer a morte dele valer a pena. — Respiro fundo tentando me controlar.

— Acha que eu consigo? — Pergunto.

— Tenho certeza disso. — A certeza em sua voz me deixa confiante. — E eu vou estar aqui sempre que puder, te ajudando. — Me afasto um pouco dele, agora mais controlada, para poder olhar em seus olhos.

— Promete? — Pergunto.

— Prometo! — Ele responde sorrindo de leve, sorriso esse que eu retribuo.

— Você gosta de promessas né? — Ele pergunta divertido, e mais uma vez coloca sua mão em meu rosto, limpando qualquer vestígio de lágrimas.

— Gosto. — Responde sentindo meu olho arder. Deve estar bem vermelho. — É impossível você prometer sentimentos a alguém, é errado. Mas atitudes, se cumpridas, são sinônimo de caráter pra mim.

— Eu não gosto de promessas. — Ele fala meio amargurado, mas ainda com um semblante mais suave. — Promessas acabam criando expectativas insignificantes. São fáceis de serem quebradas.

— Não são as promessas que se quebram, são as pessoas. — Corrijo-o.

— Como assim? — Ele pergunta curioso.

— Uma promessa, uma vez que seja feita nunca vai poder ser desfeita. A pessoa que a fez pode quebrar o seu comprometimento com ela, mas nunca com a promessa em si.

— Mas se ele não quebra, a promessa não deixa de existir mais? — Ele pergunta confuso.

— Pois mais que essa pessoa tente, ela vai continuar existindo na sua mente e coração. Por isso ela é importante, ela não pode ser esquecida. — Revelo.

— Entendi. — Ele sorri de leve, algo como aquele sorriso torto que desconcentra qualquer um. — Anne? — Sua voz novamente se torna um pouco mais séria.

— Sim?

— Eu realmente preciso ir agora. — Ele diz. Por mais que eu tivesse tentado, sabia que não conseguiria faze-lo ficar. Então uma ideia se passa do nada pela minha cabeça.

— Posso ir com você? — Pergunto.

— O que? — Ele pergunta confuso.

— Você quer que eu me torne forte, não quer? — Começo a bolar um argumento valido em minha cabeça.

— Quero claro! Mas não quero a quero se arriscando. — Ele diz sério. Sei que não gosta da ideia, mas isso é algo pelo qual não vou abrir mão.

— O que não é um risco hoje em dia? — Uso suas próprias palavras contra ele, pegando-o desprevenido.

— É melhor não.

— Por favor, não consigo ficar só de longe sem saber o que está acontecendo com você. — Imploro. — Me apavora. Ficar longe de você é um risco pra mim, maior até do que os zumbis.

— Anne…. — Vejo em seu rosto que ele começa a ponderar.

— Por favor. — Peço novamente.

— Tá bem, mas com uma condição. — Ele se rende. Comemoro imensamente por dentro.

— Tudo bem!

— Sempre que eu falar uma coisa enquanto estivermos enfrentando algo você tem que me obedecer. Se eu falar se abaixe, você abaixa. Se eu falar corre, você corre. Se eu falar se salva, você nem olha pra trás.- Ele diz determinado, olhando diretamente dentro dos meus olhos.

— Como um cachorrinho, entendi. -Falo brincando, mas ao mesmo tempo feliz. Entretanto, sua expressão se torna incômoda e vejo que posso ter falado algo errado.

— Não é assim...Mas esse é o único jeito pra que eu possa te proteger lá fora, sem matar aos dois. — Ele diz tentando faze-la entender. Parece que a ideia de me ter agindo realmente como se fosse um cachorro, ou melhor, obedecendo-o lhe incomoda.

— Eu sei, desculpe. Só estava brincando. — Me desculpo, tentando consertar a situação.

— Não gosto dessa brincadeira, não quero te controlar. Só te quero viva. — Ele diz, e vejo a profundidade de suas palavras. Daryl Dixon com certeza já viveu mais coisas do que qualquer um poderia imaginar.

— Eu sei e obrigada por isso. — Peço. — Vou evitar esse tipo de comentário, prometo. — Brinco, sabendo que deixaria-o mais tranquilo.

—Tudo bem, mas agora vamos. Rick deve estar me esperando. — Concordo. -Está com a arma que eu te dei?

— Eu deixei ela na cela. — Falo.

— Espere aqui eu eu vou buscar. — Antes que eu pudesse sequer responder ele já terminou de subir as escadas e voltava com a arma na mão. Ele me estende e eu a pego.

— Está carregada. Lembra do que eu te ensinei. — Ele pergunta e novamente eu concordo.

— Ótimo, então vamos. Ele diz passando na frente. Me limito a segui-lo a poucos passos.

Por mais que seja difícil vencer esse mundo, eu tentaria. Com todas as minhas forças, por mim e com certeza por aquele Dixon.

— Carl, abre o portão. — Daryl diz assim que nos aproximamos dele.

— Vão sair de novo? — Pergunta colocando a chave na fechadura.

— Sim, dessa vez não vamos demorar. — Ele diz. Deixe sempre fechado e fica de olho na sua mãe.

— Pode deixar. — Concorda. Ele se vira pra mim e pergunta:

— Vai também Lise?

— Sim! — Concordo feliz.

— Okay, toma cuidado. — Ele diz. Me aproximo dele e sem que ele perceba dou um beijinho em sua bochecha. Rio vendo-o limpar, por mais que sua expressão seja de diversão.

— Pode deixar baixinho. — Ele me lembra tanto o Josh. Peço mentalmente que ele possa sobreviver a isso.

—Anne. — Daryl me chama já do lado de fora do portão e eu me aproximo dele. Caminhamos em silêncio até o outro bloco. Eu começo a sentir o nervosismo por finalmente encarar de verdade as coisas, mas não deixo transparecer. Daryl para e me espera estar ao seu lado.

— Vamos entrar agora. Lembre do que disse, e tome cuidado. — Ele diz com seriedade.

— Vou tomar. — Eu digo e então entramos.

A cena dentro do bloco era forte. Corpos e mais corpos caídos em cada uma das celas, o cheiro era pobre. Não era só o cheiro da morte, era uma mistura de tudo. Sinto o estomago embrulhar, mas permaneço firme ao lado de Daryl.

— Como estão as coisas? — Daryl pergunta a Rick, e só então percebo os dois homens ajoelhados, com armas apontadas para suas cabeças.

— Normais, estávamos só esperando você para ir. Tudo bem por lá? — Rick pergunta desviando por alguns segundos o olhar para Daryl que assente.

— Ótimo. — Ele diz travando a arma e colocando-a no coldre. Então se vira para os dois homens: — É aqui que nos despedimos.

— Então, vocês vão nos abandonar aqui? Cara, isso é doentio. — O loiro diz perturbado. Sinto pena deles. — Meu Deus! Eu conhecia esses caras. Eles eram bons homens

— Vamos — Rick diz com firmeza. -Nós selaremos esse bloco. De agora em diante, essa parte da prisão é sua.É pegar ou largar, era esse o acordo. — Ele deixa claro saindo do bloco em seguida.

— Acha que isso é doentio? Não queira ver como é lá fora. — Daryl diz me chamando a atenção.

— Considerem-se sortudos. Um conselho. Levem os corpos pra fora e queimem. — É o que T-Dog diz antes de seguir Rick.

— Anne. — Daryl me chama e aponta para as grades, concordo seguindo até elas com Daryl atras de mim. -Sinto pelos seus amigos cara. — Daryl diz antes de se aproximar de mim e colocando a mão sobre a base das minhas costas começa a nos guiar pra fora.

— Moça! Moça, por favor! — Escuto suas suplicar cada vez mais distante e me sinto mal por não pode-los ajudar. Por mais que minha vontade seja deixa-los conosco, nunca duvidaria sobre um atitude tomada por Rick, muito menos por Daryl.

— Tudo bem? — Daryl pergunta baixinho enquanto esperamos Rick terminar de bloquear o bloco. Concordo com um sorriso leve.

— Por que veio Annelise? Poderia ser perigoso. — Pergunta Rick calmamente enquanto começava a andar ao nosso lado.

— E o que não é perigoso hoje em dia? — Me limito a responder enquanto olho sorrindo para Daryl. Rick apenas concorda com uma expressão divertida enquanto olha de mim para Daryl, e então diminui os passo andando ao lado de T-Dog.

Ao decidir vir com Daryl eu tomei uma decisão pela qual não me arrependeria, e não voltaria atrás. Eu me tornaria forte, por todas as pessoas que eu gosto.

Assim que Carl nos vê ele abre o portão e nos deixa passar trancando-o em seguida, para então se aproximar do pai rapidamente. Era visível o quanto o baixinho lembrava o pai, e o apreciava.

— O Hershel parou de respirar, a mãe salvou ele. — Ele conta e Rick nos olha atrás de confirmação.

— É verdade. — Daryl conta. Todos vamos caminhando calmamente até a cela onde Hershel está.

— Como ele esta? — Rick pergunta se aproximando de Lori. Dava pra ver que os dois não estavam bem, mas mesmo assim Rick se preocupava com ela.

— Ainda sem febre. — Ela conta voltando a se sentar ao lado da cama.

Por algum tempo todos ficamos ali, imoveis. Apenas vendo-o e absorvendo tudo o que aconteceu nos últimos tempos, até que Hershel parece se mexer e todos se aproximam da cama, menos Daryl. Ele continua na escorado na porta com a besta firme na mão. Sei que deve ser mais difícil pra ele do que pra mim, afinal eles se conhecem há mais tempo. Coloco a mão em seu braço e permaneço firme ao seu lado. Ele me olha rapidamente e voltamos os olhos para Hershel que, pra surpresa de todos, abre os olhos. Respiro aliviada e todos começam a comemorar e Gleen tira as algemas dele. Ele estende a mão para Rick que a pega e se abaixa ao seu lado.

— Vem. — Daryl me chama, visivelmente aliviado. — Vamos descansar. — Eu concordo e subimos as escadas até a minha cela. Ao invés de ir para o poleiro ele espera que eu deite e se senta na cama, ao meu lado.

— Sobre aquela história de mais cedo. — Ele começa lentamente. — O que aconteceu de verdade com seu irmão?

— É uma longa história… — Falo com pesar. Ele olha pra mim antes de responder:

— Tenho bastante tempo pra ouvir. — Ele diz se encostando na cabeceira da cama.

Notas finais
Bem, eu não consegui revisar o capitulo ainda, portanto se tiver algum erro peço desculpar. Sei que esse capitulo pode ter ficado meio chatinho, mas foi um passo muito importante para o crescimento da Anne, tanto quanto guerreira quanto como mulher. Espero que tenham gostado. Beijos beijos, Gabbs Silva. Ps: Gente, o numero de visualizações está totalmente mais alto do que o de comentários. Isso é bem desamimador pra mim, ainda mais que essa é a primeira história que escrevo sobre TWD e ainda é meio desafiador pra mim.