Vivendo Lunaticamente - hiatus
5 Dou uma mini surtada
Notas iniciais
Obviamente aqueles dois nem perceberam que eu estava observando, claro, típico de quem se agarra em locais públicos. Coloquei os dois livros no lugar e sai fula da vida da biblioteca. Pera, eu saindo fula de uma biblioteca? OI? Definitivamente primeiros dias NÃO são legais.
Fui para a cantina e peguei meu lanche, e então sentei com minhas amigas. Nossa mesa fica bem longe da dos populares (isso foi uma tática que bolamos para não sermos alvo de zoação no almoço), ficava do lado da mesa dos skatistas. Todo mundo ali tem cara de entediado, um corpinho legal e provavelmente não devem conseguir tirar uma nota maior que 5. "Mas Lunis, você não está os julgando antes de conhecer?" Nem, eu conheço 8 dos 10 daquele grupo desde os 10 anos de idade, nunca ligaram pra nada. Basicamente, a vida deles era o skate (vulgo coisinha dos infernos. Sabia que quando uma dessas pragas vem na sua direção e batem com tudo nos seus pés, elas te fazem perder o equilíbrio e cair de cara no chão? Pois é, divertidíssimo).
Rosanna e Luisa estavam falando de como o cabelo da Amanda estava legal. Cara, MAS SERÁ POSSÍVEL QUE SÓ EU NESSA PORRA DE ESCOLA NÃO LIGA PRAQUELAS PESSOAS? Não aguento e me meto no assunto:
– Sério que vocês estão falando sobre como o cabelo dela tá legal? Sério? Tanta coisa mais legal no mundo pra comentar e vocês querem falar do cabelo da sujeita que trata vocês como lixo? – pergunto indignada.
– Aff, Lunis, para de ser tão recalcada, todo mundo sabe que o cabelo dela é divo. Admite logo, isso é só inveja porque você tem esses cabelos cor de ferrugem. — diz Rosanna.
– Tudo bem, ela nos trata mal, mas é tudo fachada, aposto que ela no fundo é legal! – Diz Luisa com uma expressão sonhadora.
O termo alienadas serve perfeitamente para elas. Eu não aguento esse tipo de situação, então levanto da mesa e caminho em direção a saída. Tão perto, até perceber que alguém fica no meu caminho. Lorena está ali, junto com Amanda e Carla, com umas expressões de pura maldade. Já sem paciência, quase grito para elas:
– Dá pra sair da frente ou tá difícil? – Digo com um olhar de ódio. Nessa hora, percebo que o refeitório todo presta atenção em nós. Ótimo, tudo que eu precisava.
– Iii gosminha, tu acha que é quem aqui? Baixa a bola – Diz Carla com a voz mais irritante possível. Ela deve forçar essa voz só de sacanagem, não é possível.
– Deixa essa coisa Cah, nós sabemos lidar muito bem com “pessoas” como ela – Diz Lorena. Será que ela sabe que: a) infelizmente, somos da mesma família; b) sou tão pessoa quanto ela, se bobear até mais; c) alguém diz pra ela que ela não exerce poder nenhum sobre mim?!
– Desculpa interromper o papo super importante das vadias, mas será que vocês podem mover essas toras de madeira que vocês chamam de perna e saírem da droga da minha frente? – Digo me controlando para não avançar em cima delas. Sei que não daria certo, 3 contra 1, mas seria uma ótima oportunidade de meter minhas mãos em uma das três.
– Já chega, vamos te ensinar uma coisinha garota: tu não é nada aqui, então você é uma ninguém. E uma ninguém não manda nada.- Diz Amanda. Se essa era pra ser uma frase ameaçadora, putz, ela fracassou.
Ok chega, não aguento mais isso. Antes mesmo de elas pensarem (com aqueles cérebros de ameba que elas têm fica difícil) em algo, avanço para a cima de Lorena já lhe dando um soco no nariz.
Amanda tenta me arrancar de cima de Lorena, mas logo lhe dou um tapa na cara que a afasta rapidinho. Desfiro uma série de tapas-socos em Lorena, até braços fortes envolverem minha cintura e tirarem do refeitório. Só percebo que é Lucca quando estamos no pátio.
– Me solta, to nem aí se é sua amante ou sei lá o que, tenho que me vingar daquela vadia oxigenada! –Digo esbaforida.
– Eu não vou te soltar e... que negócio é esse de amante? – Lucca me pergunta com uma expressão desconfiada.
– Eu vi vocês se engolindo na biblioteca, e cara, vocês não tem decência? Puta que pariu, vão para um motel ou coisa do tipo — Digo simples.
– Por que você estava nos vendo? — Diz Lucca com o rosto corado. Eu o deixei com vergonha pela segunda vez no mesmo dia? WOW.
– Oh imbecil, a biblioteca é pública sabia? QUALQUER UM poderia ter visto — Digo com désdem.
– Olha, me prometa que não vai contar nada pra ninguém, ouviu? NINGUÉM! — Lucca estava com o rosto vermelho... de raiva agora. Como assim ele estava com raiva?
– Vou prometer coisa nenhuma garoto, sai, ninguém mandou não ter ido pro motel.
Lucca me olha incrédulo. O que foi? Se ele acha que eu vou ficar quieta, ele está muitíssimo enganado.
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