Vivendo Lunaticamente - hiatus
6 Abalando logo na primeira semana de aula
Notas iniciais
Fui suspensa.
Sim, fui suspensa! Por três dias! Na primeira semana de aula! Definitivamente não é meu dia.
Depois de deixar Lucca incrédulo com meu comentário, saio do pátio e vou em direção a próxima aula. Lucca não faz questão de me seguir. Antes mesmo de chegar ao meu destino, a diretora America praticamente me empurrou para a sua sala. O que aconteceu ali foi uma hora de sermão sobre como não devemos bater em alguém no primeiro dia de aula, o que aconteceu comigo já que eu sempre tive um comportamento exemplar, e por fim, sua decisão de me suspender por três dias. Eu nunca nem tinha ficado sequer de recuperação (eu não sou nerd, ok?!) e agora levei suspensão? Me fodi.
Não sei qual sermão foi pior: o que eu levei na escola, o que eu levei no escritório do meu pai ou o que eu levei da minha madrasta em casa. O pior foi o de minha madrasta, mas o que doeu mais foi o de meu pai. Eu o decepcionei. To de castigo por duas semanas. É pouco, considerando que eu quebrei o nariz da Lorena (Helena queria me deixar dois anos de castigo por isso. Vamos rir).
Teoricamente eu não deveria sair de casa, ver tv, mexer no computador e nem ler. Realidade: eu já não saio de casa, quase não vejo tv e, bem, não tem ninguém pra me fiscalizar sobre eu não poder ler ou mexer na internet. Estão todos ocupados cuidando de Lorena. Até patricinha falsa da escola tá aqui paparicando ela. Mereço viu, eu devo ter dançado macarena na cruz, só pode.
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Pensei que ficar três dias em casa ia ser moleza, até a Vaquelena (meu apelido carinhoso pra minha madrasta) me deu uma lista de afazeres. Virei dona de casa agora, MA-RA-VI-LHA! Era tudo o que eu queria.
Eu mencionei que eu também vou trabalhar com o papai três finais de semana sem direito a dinheirinho extra. Não tá mais valendo tanto ter quebrado o nariz daquela cachorra oxigenada.
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Três dias se passaram, finalmente! Se eu tivesse que ficar em casa arrumando aquela porcaria mais um dia acho que eu comeria detergente.
Mais tudo isso tem um lado bom: Lorena até agora não me dirigiu uma palavra. É ou não é pra glorificar de pé?! Estou calmamente me arrumando para a escola, to atrasada mas nem ligo, primeiro tempo é vago. Estou com tênis brancos, calça jeans surrada e uma blusa listrada (branca e azul). Como está calor, faço um rabo-de-cavalo alto.
Chego na entrada da escola e não há ninguém na escadaria. Mas gente, será que é um dia bom? Assim que passo pela porta dupla percebo que não, definitivamente não é um dia bom: Madison voltou de viagem, está rodeada de pessoas e fala esnobemente sobre suas férias no Canadá. Eu a odeio. Vaca. Puta. Rodadora de bolsinha de esquina. A vadia me viu, seu sorriso desapareceu, dando lugar uma expressão engraçada (acho que deve ser a expressão raivosa dela). Todos em sua volta se viram e me encaram. Olham para ela. Olham para mim. Acho que as pessoas quase podem ver faíscas saírem de nossos olhos. Nos encaramos.
Eu não posso bater nela, digo a mim mesma. Vou arranjar uma expulsão desse jeito. Ela caminha calmamente em minha direção. Lança um olhar de ódio e diz:
– Soube que foi suspensa, gosminha.
– Sim, eu fui, não que isso tenha a ver com você.
– Ui, que estressadinha. Se fosse você ficava bem quietinha na sua, porque vai ter volta.
– É uma ameaça?
– Entenda como quiser — Diz Madison sorrindo — se acha que pode acabar com um de nós e sair bem, vou te mostrar que você está bem enganada.
– Ah, então sabe por que fui suspensa?! Pois fique sabendo que eu faço pior com você se continuar com esse recalque em forma de ameaça. Vou te socar até essa sua cara de rato ficar bonita. — Digo. Não acredito que usei a palavra "recalque", mas pareceu apropriado na hora.
Ela recua, dando-me a oportunidade de fazer uma saída triunfal. Acho que gostei de ser uma 'bad girl'.
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Sabe quando há algum tempinho atrás eu comemorei por finalmente minha suspensão ter acabado? Então, eu me arrependi. Amargamente.
Preferiria comer sabão invés de estudar matemática. Que delícia de grade de horário escolar é essa? Matemática numa sexta? É pra matar todo mundo de tédio? Ai como eu amo a escola. Acha que não tem como piorar? Errou, meu próximo tempo é educação física. Realmente não entendo porque temos que jogar queimado ou vôlei todas as aulas! Só isso, mais nada.
Enquanto eu ignoro a explicação sobre conjuntos do professor (professor jurássico por sinal), relembro o que me aconteceu durante os 30 minutos de tempo vago que eu tive: não 40, não 50, mas 60% da escola me elogiu pela ousadia (e alegria. Parei. Juro) de ter batido na Lorena. Confesso que me senti muito com todo mundo me parabenizando. Até topar com Carter. Carter estava mais bonito — se possível — do que no ano interior: olhos verdes escuros, cabelo castanho e um corpo bem legal. Reparando agora, o corpo de Carter e Lucca parecem um pouco: ambos são musculosos. Pera, P-A-R-A-T-U-D-O! 1) Por que eu to comparando os dois? 2) Por que eu reparei no corpo do Lucca? 3) E por que ráios eu to me fazendo tanta pergunta?
Carter me encarava, não com raiva, na verdade, diria até como se ele estivesse rindo. Sério, tem algo na água dessa ala escolar? Alguém tá do lado dele, ah, é o Lucca. Ele parecia aflito, talvez por causa ainda daquilo da biblioteca. Ele parece tão nervoso com isso que, se essa história não afetasse Lorena, até que eu ia ficar calada. Resolvi deixar essa situação de lado, por hora.
E pensar que todas essas coisas legais (sinta a ironia) aconteceram antes de eu estar aqui, atualmente quase arrancando minhas calças por cima. Eu deveria parar de relembrar coisas recentes e prestar atenção nas aulas. Como se faz esse maldito exercício? SANTAMARINADAPAÇOQUINHA é o sinal, fim de aula, wee, posso levar o dever pra casa e ver como faz na internet. Como eu amo a internet!
Calmamente caminho pelos corredores, adiando o máximo possível minha ida ao vestiário. Isso de educação física é tão injusto! Como fica a pessoa que não liga pra esportes?! To na metade do caminho quando braços me puxam pra salinha de limpeza. Impressão minha ou vou ser estuprada?
Viro e vejo que é Lucca. Cara, como esse garoto ama me puxar por aí.
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