Viva la Vida

3 Speed of Sound


Notas iniciais
Oiiii!! Primeiramente, gostaria de agradecer a Cor das Palavras por sempre estar comentando, ver que tem gente acompanhando a fic me ajuda muito. Segundamente, desculpem pela demora, mas é que a escola consome meu tempo. Se você sente que tem algum elogio ou crítica construtiva a fazer, comente para eu ver que não estou sozinha nesse mundo (a dramática). Desculpem a pressa, mas é a quarta vez que eu tô escrevendo esse cap pra postar pela quarta vez porque nas outras três deu alguma merda e eu perdi tudo. Perdoem a minha burrice Tchauuuu

Maya

—Olá! — digo animadamente também. — sou a Maya.

—Oi — diz meu irmão, que parece meio confuso. — Henrique, prazer. Henrique e Aya então apertam as mãos depois que ela vem e me dá um abraço animado.

—Nico já falou de vocês, são do Brasil, certo? Você vai estudar com agente, né?

Faço que sim com a cabeça, ao que ela sorri.

E então nós começamos o nosso mini tour pela escola.

Ela vai andando pelo local automaticamente, sem hesitar em nenhum momento quanto ao caminho certo a se tomar (e olha que é o maior colégio que eu já vi na vida).

Deduzo que ela já está acostumada à rotina. Aya vai explicando tudo e mostrando onde cada lugar fica.

Aqui as aulas funcionam de modo muito diferente que lá no Brasil. Os alunos é que vão até as salas de aula (e não os professores, como acontece na maior oarte do Brasil) e tem uma sala específica para cada matéria. Temos dez minutos de intervalo entre as aulas e quarenta minutos de almoço.

Como tem mais intervalos durante o dia do que na escola do Brasil, as aulas vão até mais tarde: estudamos até às três da tarde. Depois, tem as atividades extracurriculares, como as líderes de torcida, futebol americano, pintura, teatro, dança, basquete e até patinação. Eles tem o próprio jornal da escola e também um clube de leitura. Temos de fazer pelo menos uma de nossa própria preferência, já que conta no currículo para entrar na universidade também.

Me animo, porque sempre quis fazer patinação no gelo e o máximo que eu conseguia no Brasil era suar como uma porca com meus patins de rodinhas num parque de Coqueiros (o bairro onde eu morava em Floripa).

Com o tempo, vou percebendo que o prédio é tão amplo quanto parece, com várias salas de aula e auditórios. Passamos pela piscina e vejo uns carinhas tratando a água.

Não chegamos a entrar no ringue de patinação, mas pelo que vejo, é bem amplo e bem cuidado.

Fico meio boquiaberta com tudo que tem naquela escola, já que na minha escola do Brasil eu nunca sonharia em ver algo daquilo ali.

Henrique olha para as áreas externas e locais onde se praticam esportes com os olhos brilhando (apesar de que ele não vai ter a oportunidade de estudar aqui), mas quando chegamos à ala onde tem as salas de aula e o ambiente escolar propriamente dito, seus ombros desabam e ele adquire um olhar de "ainda bem que eu já vazei dessa jaula faz tempo", parecendo se lembrar de seus tempos de escola.

Aya vê o desgosto e desprezo no olhar de Henrique quando ele olha para as salas de aula, e ela lança um olhar cortante para ele, que se encolhe levemente (o olhar dela foi bem ameaçador, verdade), mas se recompõe rápido e olha para ela meio indignado.

Me seguro para não rir da mini guerra de olhares deles e concluo que já gostei de Aya, uma das únicas pessoas que conseguiu intimidar meu irmão (e ainda por cima sem dizer nem uma palavra).

Depois de mais uns minutos e muita conversa, concluímos o tour.

Aya nos guia até uma salinha no segundo andar, andando por uma série de corredores (não sei como ela consegue, eu já teria me perdido faz tempo) de modo hábil, e por fim chegamos a uma sala.

Ela abre a porta de madeira encerada e entramos em uma sala com chão de lâmina imitando madeira, paredes cinza, um quadro negro na parede dos fundos e uma mesa de escritório com cadeiras ao redor no outro canto da sala. No quadro negro tem vários rabiscos de giz, que ligam frases soltas a um ponto central, como uma teia.

Minha atenção é desviada do quadro quando Aya vai para trás da mesa, se sentando e mostrando as cadeiras na frente dela, do lado oposto da mesa.

—Preciso fazer seu registro escolar, com as matérias que você vai cursar e tal — Aya diz enquanto me sento.

Henrique cede sua cadeira para Olivia, que senta ao meu lado, agradecida.

—Tem alguma aula extracurricular pela qual você se interessou? — ela pede, batucando inquieta na mesa.

—Se for possível, eu queria me inscrever pra patinação — digo.

—Claro — Aya fala, agora compenetrada no computador a sua frente, digitando freneticamente. — Eu faço parte do clube de leitura, que é um pouco antes da aula de patinação, então posso te levar pro ringue terça-feira, que é quando a patinação começa, e te ajudar se você precisar de algo — ela diz gentilmente e eu aceito.

Revisamos mais alguns tópicos da minha matrícula (como o uniforme, que minha família daqui já comprou com as medidas que eu passei via Skype), até que começamos a falar do meio schedule, que é tipo o horário das aulas.

-Eu consegui programar a maior parte das suas aulas pra que elas batam com as do Nico, e daí você já tem pelo menos algum amigo junto com você, pra ficar mais fácil. Só que algumas das matérias opcionais pelas quais você optou, mais especificamente química e história, não estão no schedule do Nico, porque ele optou por outras matérias. Se você quiser, eu posso te incluir nos mesmos horários em que eu tenho essas aulas, aí você pelo menos vai ver um rosto conhecido lá — ela diz, dando um sorriso no final.

Fico feliz em ver que eu realmente posso já estar fazendo uma amiga e também por estar vendo que Aya é o oposto do que eles falam sobre os ingleses serem fechados e pouco receptivos.

—Seria muito bom, muito obrigada — respondo, retribuindo o sorriso.

Ela anota mãos as coisas numa agendinha e digita no computador.

Acertamos mais alguns detalhes e depois nos despedimos, o que rende mais uma piada interna entre Aya e Adam.
•••

Quando chegamos em casa já são umas duas e meia da tarde, e como paramos pra almoçar num shopping no caminho, vou pra meu quarto terminar de arrumar o que ainda resta.

Depois de uns minutos, ouço um baque surdo contra a porta, uma maçaneta virando e de repente meu irmão entra cambaleando no meu quarto, pálido como papel.

—Maya — ele fala, como se fosse dar uma sentença de morte — tem uma barata no meu quarto.

Ele cambaleia até a parede oposta do meu quarto e se encosta nela, hiperventilando.

Acho que tem dois tópicos que preciso mencionar sobre Henrique antes de qualquer coisa:

•Ele morre de medo de baratas.

•Ele é uma Drama Queen.

Desse modo, ele está dando um chilique no presente momento.

—Henrique — me planto na sua frente e cruzo os braços — é só uma barata.

—Não é não, Maya. Ela é... Comprida e nojenta e... — quando ele vê que estou prestes a revirar os olhos, tenta outra desculpa: — ela tem muuuuitos germes naquelas patinhas assassinas...

—Ela não mata ninguém, Henrique.

—Claro que mata, é a cadeia alimentar — ele desvia os olhos por cima do meu ombro e parece entrar em pânico novamente.

Ele me abraça forte e quando eu acho que ele vai me "proteger" do bicho, ele me posiciona a sua frente, como se eu fosse alguma espécie de escudo humano.

Levanto a cabeça e olho pra ele indignada e ameaçadoramente, o que não deve ter surgido tanto efeito, já que eu sou uns quinze centímetros mais baixa que ele.

—Não creio que você vai me usar pra se proteger!

—Mas éé clar que eu vou!

—Você é meu irmão mais velho, aquele que supostamente deveria me proteger, sabe?

—Dane-se — retruca ele, olhando fixamente para a barata.

Me livro dele (o que leva um tempinho, porque Henrique é meio fortinho) e então pego um chinelo do chão, me posiciono acima da barata e a mato.

crec.

—Ui, credo — Henrique diz e desprotege os olhos, que ele tampara pra não testemunhar a matança.

Ele é mais másculo em outros momentos, acredite.

—Credo digo eu. Você já tem idade pra matar uma barata, meu filho.

—Teu filho uma ova, eu sou teu irmão — ele diz estufando o peito como os homens fazem quando querem restaurar seu orgulho ferido.

—Tá bom então — o enxoto para seu próprio quarto.

•••

Quando o despertador toca na manhã seguinte, eu caio da cama.

Literalmente.

Me levanto, ajuntando as cobertas que caíram junto comigo e as ponho na cama de novo.

Tenho vontade de ficar lá com elas e não ir pro colégio, mas o despertador de Henrique (ele sempre coloca um modão sertanejo pra tocar porque daí ele se apressa pra desligar logo música) começa a tocar e eu desisto do plano, porque se ele visse que eu não levantei, ele iria me acordar de um jeito lento e doloroso.

Checo a hora porque nem me lembro pra que horas eu programei o despertador pra tocar.

São seis e meia.

Minha aula começa às oito e quinze, só que até pegarmos o metrô e tal demora um pouco.

Faço minha higiene pessoal e tomo um banho rápido, me vestindo com o uniforme.

Eu quase pulei de alegria quando descobri que eu finalmente iria estudar em uma daquelas escolas nas quais o uniforme é uma salinha plissada e blusa bonitinha.

Pois é.

Meu uniforme é lindo.

E isso é ótimo, por que com o uniforme da minha escola brasileira eu parecia um cachorro quente estragado.É meio difícil de imaginar, mas é exatamente isso, acreditem.

Enquanto eu tomo café, vejo alguém descendo as escadas (feitas daquela madeira tão bonita que eu vivo descendo e subindo a escada só pra pisar nela mesmo).

Nico brota parecendo que foi amassado por um elefante.

Ele vem até a mesa e se senta na minha frente, sem dizer uma sequer palavra.

Depois de uns cinco minutos nos quando eu acho que ele tá me dando um gelo, digo:

—Oi? — ele literalmente pula da cadeira de susto, se virando para mim com os olhos agora arregalados e o cabelo todo desgrenhado, segurando a colher que ele usava pra comer como arma (detalhe: a colher tá virada).

Ele então processa que sou eu que estou na frente dele e não algum marginal e então parece se aliviar, sentando na cadeira de novo.

—Desculpa, não vi que você tava aqui. Quando chegou? — ele pede.

—Quando eu cheguei? — pergunto, rindo — Eu já tava sentada aqui quando você chegou.

—Sério? — ele me olha confuso — Desculpa então, não te vi.

Rio da confusão mental dele por causa do sono, e então mergulhamos numa conversa animada enquanto comemos.

Depois, quando já são umas sete e Henrique já levantou e está devidamente "cheiroso, esbelto e deslumbrante", segundo ele mesmo, me despeço dele e de Olivia, Charlie e Adam (que tem a cara lambuzada de comida de criança), caminhando com Nico até a estação de metrô mais próxima.

Quando começo a descer as escadas que levam ao subsolo, me vem até um calorzinho no coração, já que o que antes eu só via em filmes estava acontecendo comigo realmente.

Lá embaixo, a plataforma está apinhada de gente de tudo que é lugar: tem japonês, chinês, coreano, negros, uns russos, gente que parece latina, etc...

—Ok. O nosso trem é o das sete e meia — Nico anuncia e eu e ele olhamos simultaneamente para o relógio eletrônico na parede.

Faltam exatos quatro minutos.

Olho mais para o lado e vejo um daqueles painéis grandes com um outdoor de Animais Fantásticos e Onde Habitam desses que a gente só vê em cidade grande.

Quase me engasgo comigo mesma, como dizem por aí.

—Nico — ponho a mão em seu braço.

Pela visão periférica (eu continuo hipnotizada pelo grande cartaz de Animais Fantásticos), vejo ele me olhar assustado.

—Que que foi? — ele pergunta, com o sotaque se destacando. Tenho vontade de apertar as bochechas dele porque acho o sotaque britânico muito bonitinho, mas estou muito focada na minha missão do momento: admirar o outdoor.

—Que. Coisa. Linda. — falo pausadamente e ele olha em direção ao cartaz.

—Ah sim, tem vários desses por aí — ele responde, arrumando a gola da camisa branca do colégio.

Quase infarto.

—É lindo — digo.

Sim, prezado leitor, se você ainda não se tocou, eu sou uma grande potterhead.

—É mesmo — ele fala, rindo com divertimento. — Olha, nosso trem chegou.

Ele vê que eu ainda tô meio paralisada e começa a me puxar em direção ao vagão.

Depois que eu quase tropeço numa moça, decido que é melhor eu sair do transe e começar a olhar pra onde ando.

Entramos no trem e dou uma última espiada no outdoor.

Tããão bonito.

O trem dá partida e começo a olhar ao redor.

É... Bem grande.

A maior parte das pessoas viaja sozinha, com fones de ouvido e celular ou lendo um livro.

É impressionante.

Amplo, bem cuidado e bonito.

Ok, acho que tudo aqui é bonito.

Nico pega meu braço e vamos até uns assentos. Me sento entre ele e uma cara louro dos olhos verdes.

O Olhos Verdes fala no celular com alguém que pode ser sua amiga/prima/namorada.

Ué, tem várias possibilidades.

Olho para Nico, que sorri.

—E aí, o que tá achando?

—É bem impressionante. Nunca vi algo assim. Ainda tô meio chocada. Tem tanta gente diferente.

Paro com as frases pausadas e aleatórias porque minha cabeça tá meio lerda pra processar tudo.

—Você já tem seu schedule, certo?

—Aham, aqui — dou meu horário para ele, que o analisa.

—Tudo bem. Temos a primeira aula, que é matemática, juntos. É legal, o professor é bem... Distinto — ele diz com um sorrisinho contido.

—Distinto como?

—Você vai ver — agora ele faz suspense e me deixa com uma cara de taxo.

Passamos os vinte minutos de trajeto restantes jogando conversa fora, vendo o jornal da manhã e meio que sem querer ouvindo o loiro do lado falar com a menina desconhecida.

Ele tem uma postura meio nobre e dá a impressão de que está sempre entediado, com uma expressão cuidadosamente neutra na face.

—Meu pai... Ele tá vindo, pois é.

A menina do outro lado fala algo.

—Amor... — ok, deve ser a namorada. — Você sabe como o Anderson é, ele nunca é fácil se se lidar, mas...

Ele franze os olhos e depois sorri um pouco, algo que dá pra perceber que ele não costuma fazer.

—Tudo bem. Sim, sim, eu sei.

Ele levanta e pega um caderninho tipo um diário ou uma agenda do seu banco, o guardando com cuidado, e se prepara para sair no seu ponto.

—Também te amo, Jullie... — a porta se fecha atrás dele.

Enquanto dou uma filosofada sobre a efemeridade da vida e quantos caminhos aleatórios se cruzam com os nossos diariamente, o Nico se encosta mais no banco ao meu lado e depois de aproximadamente cinco segundo mergulha em um sono profundo.

Dou uma cutucada no cabelo dele pra ver se ele tá dormindo mesmo, mas como ele não se mexe, concluo que está.

Ô criatura sonolenta.

Ponho meus fones e fecho os olhos, mas não durmo.

Quando chega nossa hora de desembarcar, dou um cutucão nas costelas do ser ao meu lado, que acorda sobressaltado e passa as mãos nos cabelos, os bagunçando mais e mais.

Saímos enquanto ele esfrega os olhos.

—Maya, desculpa que eu peguei no sono, não era a intenção, só que às vezes me vem um cansaço, e eu vou ficando mole e... É incontrolável — Nico explica, representando milhões de jovens em torno do mundo.

Rio e digo que não me importo, já que não me importo mesmo.

É até cômico.

Vamos andando o curto trajeto da estação até a escola, que parece ainda mais imponente hoje do que há apenas um dia, provavelmente pela quantia astronômica de adolescentes perambulando por suas dependências.

Respiro fundo, dando o passo que me levará ao que quer que o futuro me reserve.

Notas finais
Oiii! Depois de 84 anos, eu terminei o cap. Êêê!! Já deu Eu pus uma referência bem específica de um personagem no meio do capítulo, ele é bem aleatório e a série não é muito conhecida aqui no Brasil, mas se alguém captar a referência, comente, por favor. Ah, e os títulos dos caps são músicas (meio óbvio). Se alguém quiser comentar sobre isso tbm, fique à vontade. Deixem reviews pleeaase!! Até a próxima, bjs