Vitta
19 A Festa
Era sábado. O dia da festa de noivado de Thaís e Tay. Jessica e sua mãe me traria o vestido que ela escolheu pela manhã, depois nós esperaríamos o tio de Thaís e iríamos até a casa dela.
Tomei café sozinha, escovei os dentes e arrumei uma mochila com coisas de que eu precisaria na viagem. Desci as escadas correndo quando puvi a campainha tocar. Abri a porta correndo.
- Bom dia Jess, Sarah – Sarah era a mãe de Jessica, mas aparentava ter uns vinte e quatro anos, elas eram muito parecidas. Convidei-as para entrar.
- Bom dia – disseram. Jessica me mostrou os vestidos, o de dona Sarah era longo e preto, muito discreto, o de Jessica era rosa-chá, na altura dos joelhos e com flores bordadas na cintura e busto, o meu era azul-escuro, também na altura dos joelhos, com uma alça só, esta era adornada com flores azuis alguns tons mais claros que o vestido e ele era preso acima da cintura por uma faixa de cetim na cor das flores.
Por volta das dez da manhã um carro buzinou na frente da casa.
- Deve ser a nossa carona – falei. Abri a porta e deparei com um Honda City preto, o carro de Thaís. Em seguida, o tio dela saiu do carro, acenando para que fôssemos ao seu encontro.
Pegamos as mochilas e sacolas dos vestidos, e entramos no carro, Sarah foi na frente e eu e Jessica, atrás.
A viagem foi longa. Cansativa. Sarah, e Allan – tio de Thaís – passaram o tempo todo conversando sobre coisas que adultos conversam, Jessica fazia algumas observações e comentários de vez em quando, mas em voz baixa, só para mim, ás vezes eu ria, e ás vezes só assentia, mas falava muito pouco.
Ao chegarmos na casa de Thaís, fiquei surpresa, havia muita gente correndo de um lado a outro com caixas, vasos e outras coisas que eu não consegui identificar.
- Uau! – murmurou Jessica ao meu lado – Que lugar incrível, e essa casa é enorme! – realmente era. Dois andares e uma cobertura com piscina, cinco quartos, três banheiros, sala de estar, cozinha, sala de jantar, área de fitness, garagem, lavanderia e uma casinha de cachorro rosa.
Entramos na imenta sala de estar, e uma coisinha pequena e peluda passou correndo por mim, esbarrando em Jessica, que estava um passo á frente.
Logo, Thaís entrou na sala para nos receber, passamos o resto da manhã conversando, enquanto empregados corriam a todos os lados carregando milhares de coisas.
Após o almoço, que por sinal estava muito bom, três mulheres precipitaram-se para iniciar a “preparação” de Thaís para a festa.
Estávamos no quarto, quando Nancy, sua empregada, entrou e falou:
- Thaís, a cabelereira, a maquiadora e a personal stylist chegaram.
Thaís soltou um suspiro pesado.
- Mande-as subir, Nancy. Estarei esperando. – e com isso, a empregada saiu do quarto.
- Vocês podem me fazer companhia ? – ela perguntou.
- Claro – respondi. Depois, me dirigi a Jessica – Jess, vamos trocar de roupa agora, teremos mais tempo livre depois.
- Sim, vamos. Onde fica o banheiro ? – ela perguntou, desnecessáriamente, já que eu conhecia a casa tão bem como a minha própria.
- Podem usar o banheiro do meu quarto mesmo.
Em poucos minutos, estávamos com nossos respectivos vestidos. Jessica ficara muito elegante em seu vestido rosa-chá. Ela era graciosa mesmo de chinelos e jeans. Já eu, bem... o fato de eu ter escolhido uma sandália com um salto mínimo, ainda por pressão de Jess, demonstrava o quanto eu era elegante. Atrapalhei-me com as muitas tiras que tinha minha sandália estilo gladiador, que Jessica praticamente me ameaçara de morte para me fazer usá-la.
Voltamos para junto de Thaís, que já estava submetida aos tratamentos das profissionais. Ambas com camisas gola-pólo na cor rosa claro, quase branco, jeans brancos, cabelos presos e sapatos variados rosa-bebê.
Ficamos confinadas em seu quarto por horas. Quando a noite caiu, descemos para o jardim e começamos a recepcionar os convidados, a pedido da mãe de Thaís. Sarah, a mãe de Jess, que havia passado o dia todo com a mãe de Thaís, juntou-se a nós três só para dizer que ajudaria a mãe de Thaís durante toda a festa.
Eu, Jess e Thaís, estávamos sentadas em uma mesa mais afastada das demais, quando uma garota deslumbrante se aproxima, sorridente. Era loira, alta e esguia, tinha belos olhos azuis marcados pela mmaquiagem preta e forte, e tinhaum sorriso brilhante. Reconheci minha velha amiga, Juliana, com quem não tinha contato há alguns anos.
Eu ainda estava em choque, quando ela se precipitou para abraçar Thaís, que quando ela falou, lágrimas romperam dos meus olhos, sem motivo algum.
- Thaís, você está linda. Não vai me apresentar suas amigas ?
- Obrigada, Ju, você também está linda – ela parou e deu uma risada contida. – Você não se lembra da Vittória ? – sorri-lhe.
- Vitta ? – ela tinha uma expressão surpresa. Levantei-me e abracei-a.
- Faz muito tempo, não é ? Mas não importa, agora estamos juntas.
Depois de Thaís apresentá-la a Jessica, não foi surpresa que elas se entendessem muito bem, afinal as duas era muito carismáticas e tinham personalidades parecidas.
No decorrer da festa, nós quatro permanecemos juntas, e tive a oportunidade de conhecer Tay Dreher, o noivo de Thaís. Era uma pessoa adorável.
O jardim estava decorado com flores silvestres, tecidos, e luzes ambiente.
Eu estava com Tháis no meio do jardim. Jessica e Juliana estavam andando em direção ao estacionamento, do outro lado. Quando de repente avisto uma figura movendo-se rapidamente por entre os postes de luz. Reconheci-o quando seu manto escuro ficou visível na luz de um dos postes. De repente tudo foi ofuscado pelo brilho intenso vindo do asfalto. Como um flash a imagem do sonho passou pela minha cabeça, e comecei a correr, mas elas foram atingidas por uma caminhonete preta. Jessica foi arremessada para longe, mas Juliana ficara presa em baixo do carro.
Eu não queria ver, mas, parada na beira do asfalto, eu vi sangue, mas tudo não passava de imagens turvas. Eu estava em estado de choque, deduzi.
De repende, muitas pessoas estavam gritando,e correndo para a faixa para ver o que havia acontecido ali. O motorista da caminhonete desceu do carro, com as mãos na cabeça, aparentando desespero. Vi Sarah correndo na direção onde vi Jess caída. Senti alguém colocar a mão no meu ombro, retirando-me do transe aterrador. Virei-me e vi uma Thaís atônita.
Andamos juntas em direção ao corpo de Juliana, a essa altura, meu rosto estava encharcado, ajoelhei-me perto dela, mas não precisava de confirmação. Eu o vi. Sabia que havia sido Juliana. Só um aviso, um aviso muito doloroso.
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