Visceral

8 Penitência


Notas iniciais
Voltei! Sinto muito pela demora, mas antes tarde do que nunca! =]

Mukuro aguardava sentada no trono de pedra, uma perna cruzada sobre a outra, o rosto sustentado por uma das mãos. Seu olhar era frio, imóvel e completamente indecifrável. Contemplava com uma pretensa imparcialidade o youkai de pé a sua frente, o analisando em silêncio. Nada em seu rosto traduzia as ideias que passavam em sua mente e, em um primeiro momento, nem mesmo seus guardas souberam como agir.

Hiei a encarava de volta, com Rina ainda em seus braços. Olhou por sobre os ombros quando os soldados de Mukuro enfim ameaçaram se aproximar, o corpo se flexionando em uma postura agressiva. Os soldados vacilaram ao ver Hiei se enrijecer e entenderam: aquilo era um aviso — mesmo com alguém nos braços, ele ainda era perigoso. Hiei não hesitaria em enfrentá-los. E ainda havia a chance de sair vitorioso mesmo em desvantagem numérica.

Quando olharam para Mukuro em busca de como agir, ela apenas ergueu a mão em um gesto breve. Estavam dispensados. Podiam os deixar a sós.

— Você é corajoso, Hiei. São poucos os que decidem me desertar. Menos ainda os que ousam regressar depois — disse, assim que seus subordinados acataram suas ordens e saíram do aposento. O rosto continuava displicentemente apoiado na mão, mas a voz trazia a provocação que ele já esperava encontrar.

— Medo nunca foi o meu forte.

A resposta fez Mukuro esboçar um sorriso parcial — irônico e satisfeito ao mesmo tempo.

— Eu sei que não. Por isso não vou perder tempo com ameaças agora. Mas você desaparece sem explicações e retorna trazendo uma moça nos braços. Que tipo de líder você espera que eu seja, Hiei?

Ele não respondeu. Apenas estreitou os olhos, que queimavam feito brasas.

Mukuro suspirou.

— Vamos, diga. Por que retornou?

Hiei comprimiu os lábios, estranhamente irritado pela pergunta inevitável que sabia que teria que responder. A raiva que o fervia por dentro tinha o nome de Rina. Ele acabou a apertando com ainda mais força pra perto de si, como se a resposta estivesse ali, entre seus braços. Seu maxilar cerrava cada vez mais.

— Preciso do seu tanque de regeneração emprestado.

Pelos segundos seguintes, Mukuro permaneceu em silêncio, apenas meneando a cabeça de leve e enrugando ligeiramente a testa. O tempo todo manteve o olhar pregado em Hiei, como a jovem desacordada em seus braços não tivesse a menor importância.

— E por que eu deveria conceder isso a você? — perguntou, por fim.

— Porque estou pedindo. Não costumo ser assim tão diplomático em situações como essa. Mas sei convencer com minha espada, se for preciso.

— Você continua petulante, Hiei. Acha que tem algum direito sobre os meus serviços depois de ter ido embora? — Mukuro falou. Fez uma pausa — Se eu tivesse delatado sua rebeldia para Enki, ele poderia tê-lo forçado a voltar. Sabia disso?

— E daí, o que espera com isso? Um agradecimento? — respondeu, os dentes rangendo por baixo da respiração. Principalmente porque sabia que ela estava certa. Hiei havia concordado em se submeter não apenas às regras de Mukuro, mas de Enki, se quisesse permanecer no Makai.

— Quando eu pedi para que ficasse ao meu lado pela primeira vez, você ficou. Mas eu não pretendia fazer isso novamente. Você desejou partir, e assim o fez. Eu não iria te impedir, contanto que não me desse problemas. Sei que gosta de ser livre. Mas agora está de volta e o mínimo que espero é que me prove se ainda vale a pena confiar em você.

— O que quer dizer com isso?

Ela se levantou e caminhou até ele. Hiei ficou parado onde estava, deixando que ela se aproximasse, acompanhando atentamente seus passos. O rosto ardia pelo desconforto da situação em que se encontrava, mas os olhos, em brasas, continuavam confrontando Mukuro. Recusavam ser rebaixados.

— O que há de especial nela? — Mukuro perguntou, olhando pela primeira vez para o corpo de Rina, ainda inerte e sujo pelas águas barrentas do pântano onde desmaiara.

— Preciso dela viva para completar um trabalho.

O mesmo meio sorriso sardônico de antes voltou a estampar a expressão de Mukuro. Hiei mais uma vez sentiu o corpo queimar.

— Ela não parece com você… mas também não parece fraca. Será possível que você tenha visto nela a mesma coisa que eu vi em você na primeira vez em que pôs os pés nessa fortaleza? Naquela época, também não deixei que morresse. Seria prematuro demais. Deve se lembrar.

Ele deu um passo para trás, defensivo. O primeiro desde que entrara naquele quarto. Hiei sabia das capacidades telepáticas de Mukuro, e não lhe agradava a ideia de que se aproveitasse do estado de Rina e invadisse suas memórias.

— Você fala demais, Mukuro. Apenas diga logo o que deseja em troca. Me quer de volta em seu exército, é isso?

— Pra você fugir de novo? Você já traiu minha lealdade uma vez abandonando seu posto. Não é fácil reconquistar minha confiança. Não costumo dar segundas chances a qualquer um.

— Então me exile! E eu nunca mais volto a pôr os pés aqui novamente! — Hiei rosnou.

— Eu deveria ordenar sua execução, para aprender com quem está lidando.

— Se não fosse tão covarde — ele falou, a encarando com dureza — faria isso pessoalmente.

Uma sombra passou pelo rosto de Mukuro, e seus olhos escureceram na mesma hora. O sorriso sumiu, deixando as feições rígidas e hostis. Feições que Hiei conhecia bem, mas que fazia tempo que não as via tão de perto.

Um brilho incomum se acentuou entre eles, partindo dela. A raiva de Mukuro expressava-se na forma de um golpe, de intensa energia, que nem mesmo a agilidade de Hiei conseguiu prever.

E ele soube naquela hora que o preço que Mukuro cobraria seria muito mais alto que a sua morte.

(...)

Hiei despertou com um estalo nos sentidos, como se alguém tivesse acendido a dor dentro do seu crânio com um interruptor. A cabeça latejava. Não sabia quanto tempo havia se passado — ou por que estava deitado no chão frio.

Tentou resgatar as memórias recentes, mas conseguiu recobrar-se apenas do breve encontro que tivera com Mukuro. Qualquer coisa além disso fazia a cabeça latejar de uma maneira desagradável e ele acabou desistindo. Temporariamente.

Enquanto fitava o chão, distraído com as memórias borradas, reconheceu o lugar mal iluminado onde agora se encontrava. Um dos calabouços da fortaleza de Mukuro. Uma alcova nos subsolos da fortificação. As paredes eram de pedra bruta, cobertas por uma fina camada de poeira. O ar ali parecia preso há séculos. O lugar não tinha janelas ou qualquer fonte de iluminação natural, e apenas a luz desbotada de uma lâmpada fraca não o fazia ficar totalmente na escuridão.

Nada naquele lugar sugeria que alguém sairia melhor do que entrou.

Hiei rangeu os dentes. Aquilo era típico de Mukuro, transformar um pedido em punição sem nem negociar. Ser jogado em um buraco para apodrecer esquecido. Ele se levantou bruscamente. Isso só piorava o humor.

Olhou mais além e notou que uma silhueta compartilhava o ambiente com ele. Era Rina. A perna afetada pelos vermes estava estirada sobre o chão, totalmente inutilizável, largada como um pedaço podre de madeira estragada. Mas ela estava acordada. Tinhas as costas apoiadas na parede oposta a ele, os braços caídos ao lado do corpo e a cabeça ligeiramente inclinada para cima, mirando o teto. O peito subia e descia acentuadamente, como se o pulmão estivesse precisando trabalhar o dobro de sua capacidade normal.

— Como viemos parar aqui? — ela perguntou quando notou que ele estava acordado, a voz mais fraca do que de costume.

— Vim tentar dar um jeito na sua perna.

Ela umedeceu os lábios e fechou os olhos por um instante.

— Parece que não está dando muito certo, não é?

— Cale a boca antes que eu mude de ideia — Hiei falou, se levantando do chão.

Rina soltou um suspiro impaciente. O acompanhou com o olhar enquanto ele caminhava até a grade e observava o lado de fora da cela. Hiei espiou por um tempo e depois segurou as barras de aço, as examinando como se procurasse por algum ponto fraco. Ao encontrar a fechadura, sacou a espada e a atingiu com força. O barulho de metal colidindo ressoou forte pelo calabouço, mas não produziu o efeito que Hiei esperava. Grades e fechadura permaneciam intactas.

Atacou a fechadura em uma rajada furiosa, faíscas saltando a cada golpe. Aço contra aço. Nada cedia. Nem um arranhão, nem uma mísera lasca se soltara. Quando parou, os ombros tremiam mais de raiva do que de esforço.

— Que lugar é esse, Hiei? — Rina voltou a perguntar — E como essa prisão pode ajudar alguma coisa em recuperar minha perna?

— Não se preocupe com isso agora. Há quanto tempo estamos aqui?

— Não sei. Acordei só alguns minutos antes de você.

Hiei grunhiu insatisfeito. Guardou a espada novamente e foi até ela. Se agachou ao seu lado. O lugar era tão pobremente iluminado que mesmo de perto o corpo de Rina ainda se escondia sob as sombras. Alguns detalhes, no entanto, eram impossíveis de serem ignorados.

As feridas na perna esquerda haviam se espalhado, transformando a carne em crateras apodrecidas. Em algumas, o tecido tinha cedido tanto que deixava partes do músculo à mostra. A pele em volta estava escura, e o cheiro deixava claro que o tecido estava completamente infeccionado.

Na perna direita, algumas escaras ameaçavam reproduzir o mesmo cenário instalado na outra, apesar de parecerem mais controladas. Ao menos por enquanto. Ele suspeitava que não ficariam assim por muito tempo.

— Consegue se levantar?

Rina acenou negativamente.

— Mas ainda sei como usar isso aqui — disse, erguendo uma das mãos com esforço, um traço de deboche vacilando nos lábios. Presa entre os dedos, estava a adaga.

Ele riu.

— Vai precisar de mais do que isso se quiser enfrentar alguém daqui.

— Ninguém vai poder dizer que eu não tentei — respondeu. Um sorriso apagado resistiu no canto da boca por um tempo, até morrer completamente.

Ficaram em silêncio por um tempo, apenas a respiração pesada de Rina enchendo o lugar.

— Por que estamos presos? — ela perguntou — Que encrenca você nos meteu, Hiei?

Hiei a encarou. O rosto de Rina, pálido, se banhava em suor, resultado da febre alta que Hiei supôs que ela estivesse sentindo. As pupilas, sempre reluzentes, agora estavam foscas e apagadas. Ainda assim, olhavam diretamente para ele, firmes e resolutas.

— Eu não fiz nada — disse, um pouco enfático — É o preço que paguei por tentar te ajudar.

— É, pelo visto não gostaram da ideia…

Hiei tentou levantar, mas Rina agarrou seu braço, pedindo que esperasse. Ele voltou a olhar para ela.

— Podia ter me abandonado. Podia ter decepado minha perna. Ou até me matado. Por que está fazendo isso?

Ele a fitou em silêncio por um instante. A mão de Rina ainda apertava sua pele, os dedos pegajosos se agarrando a ele com mais força do que ele achou que ela tivesse naquele momento. Hiei se inclinou para frente e se aproximou de seu rosto, sério.

— Nós temos um acordo — sentenciou.

— E se eu morrer? — ela sussurrou — Teria valido a pena ter se metido nessa prisão?

— Não vai.

Rina desfez lentamente o aperto no braço de Hiei. E ele, também lentamente, se afastou. Os olhos de Rina, no entanto, o acompanharam.

De pé, Hiei avaliou o lugar, procurando uma saída. Já tinha estado algumas vezes naquele ambiente, mas nunca precisou lutar por um meio de se livrar dali. Um olhar descuidado diria que aquele era um calabouço simples e vulnerável, mas tais características não se provavam verdadeiras quando se estava lá dentro. Soubera de histórias de prisioneiros esquecidos que haviam até mesmo morrido entre aquelas paredes, alguns tão desesperados por uma escapatória que tinham as mãos em carne viva de tanto tentar violar aquelas grades.

Hiei sacudiu a cabeça e cerrou os punhos. Ele não seria como um daqueles imbecis. Podiam trancá-lo, mas isso não era o mesmo que derrotá-lo.

Recusando-se a aceitar aquela situação, saltou de um lado para o outro, apoiando-se nas paredes para alcançar o teto e a parte mais alta das vigas de sustentação. Procurou com o tato brechas que pudessem ser exploradas. Usou os punhos e a katana para forçar as estruturas a cederem. Tentou de novo. E de novo. Mas o lugar provou ser inviolável. A frustração crescia como uma febre sob a pele, o orgulho ferido pela impotência.

Parou um instante para recuperar o fôlego e a determinação. Já começava a sentir o calor que o ar sem circulação mantinha preso ali junto com eles. A faixa amarrada na testa grudava na pele. O cabo da espada ameaçava deslizar das palmas úmidas e ele precisou apertar ainda mais os dedos para garantir a firmeza.

Saltou mais uma vez, em uma nova tentativa raivosa, mas voltou a descer logo em seguida ao ver que Rina desajeitadamente tentava se levantar. Ela apoiava as mãos na parede e jogava o peso para a única perna que ainda conseguia controlar, mas que não tinha forças o suficiente para sustentar o seu corpo e a fazia cambalear de volta até o chão.

— Merda, Rina! — rosnou, segurando-a pelos ombros e forçando-a a sentar — Já não está ferrada o bastante? Fica quieta!

Rina ficou em silêncio, alheia à bronca. Seu olhar petrificou ao passar por Hiei, fixando-se em algo além dele. A mão agarrou a adaga com força instintiva, como se estivesse prestes a cravar a lâmina em qualquer coisa que se movesse.

Hiei arquejou ao sentir a presença atrás dele. E entendeu a reação de Rina. Mas diferente dela, não se alarmou por muito tempo. Se virou com calma, já certo do que encontraria. Mente e corpo preparados para o possível combate.

Do lado de fora da cela, um brilho frio refletiu na penumbra, onde as lascas de metal se moviam em um tilintar sutil. Um rosto familiar os estudava por trás das grades.

— Shigure — Hiei falou, a espada já em punho.

— Guarde a arma, Hiei. Não vim para lutar com você.

Ele manteve a posição intacta.

— Então tire-nos daqui agora.

Shigure olhou em silêncio para Hiei, a sisudez típica de sempre estampando o rosto. Sentou-se no chão de frente para a grade de aço e cruzou as pernas, apoiando sua espada circular na parede.

— Você deixou Mukuro irritada. Fazia tempo que eu não a via assim.

— O humor de Mukuro não é mais problema meu.

— Acredito que seja quando se está buscando piedade.

Hiei guardou a espada. Se aproximou da grade. Shigure era tão alto que mesmo sentado, chegava quase a sua altura.

— Não procuro piedade, e ela sabe.

— Pra você talvez não — E Shigure apontou um dedo para os fundos do calabouço — Mas para ela talvez.

Rina respirou fundo e se agarrou ainda mais à adaga, ignorando as dores nas articulações que dificultavam seus movimentos. A vista estava tão firme em Shigure que nem mesmo piscava. O instinto de sobrevivência gritou dentro dela.

— Não sou de implorar pela vida — ela falou, fazendo Hiei a fitar pelo canto do olho — Mas estou disposta a lutar por ela. E posso garantir que vou dar trabalho.

— Você arrumou uma companheira e tanto, Hiei — E Shigure sorriu com discrição — Posso repassar o recado, mas não acredito que Mukuro tenha interesse em lutar com você, minha jovem. Ainda mais do jeito que está agora. E sinceramente, não me leve a mal, mas também não acredito que teria alguma chance.

— O que ela quer, afinal? — Hiei perguntou — Me forçar a assistir Rina morrer? É esse o jogo dela?

Shigure se calou, observando o ressentimento impregnado nas palavras de Hiei. Havia uma certa angústia em sua voz que ele disfarçava com maestria, um desespero camuflado de raiva em seu tom provocativo. Já tinha visto isso em muitos de seus pacientes, em muitas de suas histórias.

— A primeira coisa que ela me pediu — Shigure falou — foi para que removesse o Jagan.

Hiei cerrou os punhos. Ameaçou puxar novamente a espada da bainha, apesar da postura do cirurgião não transpirar nenhum tipo de ameaça iminente.

— Mas eu recusei. Você pagou devidamente pela operação e meu código de conduta não me permite lesar meus pacientes desse modo, nem por ordens de Mukuro. Seu terceiro olho está seguro, no que diz respeito a mim.

— O que veio fazer aqui então?

Ele apontou novamente para os fundos da cela.

— Vim por ela.

Os dois se viraram para Rina. Ela encarava Shigure com determinação, lançando rápidos olhares para Hiei em um esforço de tentar compreender a situação e a natureza daquele visitante.

— Desculpe por não me apresentar. Meu nome é Shigure, sou médico-cirurgião e sirvo a Mukuro, a soberana destas terras e líder desta fortaleza. Não sei o quanto está ciente da situação, mas Mukuro não está exatamente disposta a oferecer favores a Hiei ou a suas companhias. Então a convenci que ao menos me deixasse examiná-la.

Rina franziu o cenho. Olhou novamente para Hiei em busca de respostas, mas ele apenas cruzou os braços em total silêncio, quase um gesto de resignação diante daquelas palavras.

— E se sua história me convencer, me disponho a operá-la.

— E Mukuro aceitou isso? — Hiei perguntou.

— Com a condição de que eu não toque em nenhum de seus recursos, sim.

— Ela não vai nos deixar usar o tanque de regeneração então.

— Correto.

Hiei soltou o ar pelo nariz. Já deveria imaginar. Então encostou o corpo na parede, os braços ainda cruzados. Não disse uma só palavra, permitindo que Rina tomasse a própria decisão.

— O que quer dizer com "se minha história te convencer"? — ela perguntou.

— Gosto de emprestar meus serviços àqueles que podem oferecer algo além de dinheiro em troca. Se suas memórias de vida forem profundas o bastante para ganhar meu interesse, farei uma cirurgia para tentar recuperar sua perna.

— Como sei que posso confiar em você?

— Talvez Hiei aqui possa assegurar minhas credenciais — E ele fez um gesto largo com a mão indicando o youkai — Além do mais, não acho que esteja com muitas opções agora.

Com um aceno de cabeça, Hiei aquiesceu. Parecia concordar, ainda que contrafeito, com a afirmação de Shigure em relação a falta de opção dos dois.

Rina hesitou. Umedeceu os lábios. O calor e a dor na perna entorpeciam seus pensamentos, tornando difícil até respirar.

— E se eu não tiver nada pra contar?

Shigure esboçou um sorriso plácido. Ajeitou a espada ao lado do corpo, como quem se prepara para um ritual.

— Não se preocupe. Todos nós temos algo para contar. Pode começar quando quiser.

Notas finais
Até o próximo!