Notas iniciais
MissLany: Boa noite leitoras queridas! Tudo certinho? Espero que sim. Esse sabado foi corrido, mas eis me aqui para trazer mais um post *O/*
Esse capítulo terá mais do Jake , além de revelar algumas situações super interessantes para a fic. É importante que vcs entendam que Jake não é DOMAO, muito pelo contrario ele bom, corajoso e determinado, no entanto quanto se trata de Elize, sua familia e as pessoas que o humilhou, ele será sim,malvado e cruel,portanto não se surpreendam, afinal qual o intuito dele, hein? Isso mesmo vingança!
Obrigada as 23 meninas qeu ja favoritaram a fic isso é SO PERFECT! Thanks!
Não quero prender mais vcs, portanto, apreciem sem moderação, boa leitura e nos vemos no final! :)

Uma coisa é certa: o homem que planeja a vingança procura manter suas chagas abertas, caso contrário elas podem sarar e ele, desistir”. (Francis Bacon)

Durante todo o dia, o jovem Black permaneceu aéreo quanto aos seus afazeres na fábrica, ansioso pelo jantar que se desenrolaria logo mais à noite. Agora voltava para casa, imaginando quais surpresas a noite lhe reservava.

A mansão dos Black situava-se dentro dos limites da reserva Quileute, mas destoava drasticamente das demais residências de La Push. Por mais que Billy e o filho auxiliassem financeiramente os habitantes da reserva, a imensa casa dos Black mostrava claramente que eram os mais ricos da aldeia, quiçá da cidade.

Jacob estacionou o Lincoln preto na garagem, e entrou na residência assoviando uma canção antiga da sua tribo, daquelas que ouvia da boca da mãe quando ainda era uma criança. O rapaz estava com um humor maravilhoso, até deparar-se com pai, sentado na sala de estar o esperando com a expressão severa, que teria deixado Jacob temeroso se ainda fosse um menino.

- Tirou o dia de folga? – o jovem questionou em tom de brincadeira, tentando amenizar a tensão que se instalara entre ele e o pai, desde que empenhara-se em comprar a jovem senhorita Collin como esposa.

- Tinha assuntos mais importantes a tratar. – Billy respondeu, em timbre solene. – Preciso falar com você.- mencionou sem cerimônias.

- Se for para me passar outro sermão... – preveniu, cansando-se da insistência do pai em fazê-lo desistir de seus planos. — Adianto desde já que será em vão. – o rapaz rebateu, dirigindo-se para a escada que dava acesso ao andar superior da casa, sem a mínima vontade de discutir com Billy mais uma vez.

- Estive com o conselho da tribo ontem à noite. – Billy confessou, sabendo o efeito que suas palavras causariam no filho. Jacob franziu a testa, deixando suas sobrancelhas grossas se juntarem em desagrado, e congelou em seu lugar, adivinhado o intuito da visita do pai ao conselho tribal.

- O senhor não tinha esse direito! – seu olhar seco fitou o pai quando esbravejou, aproximando-se com passos largos.

- Era a única forma de fazê-lo desistir desse absurdo!- enfatizou.

- O senhor está enganado, pois nada neste mundo me fará desistir. — Jacob rebateu, deixando as palavras saírem entre dentes.

- Sabe que nossa tribo não permite o casamento com brancos, filho. – o pai retrucou. — Se prosseguir com essa teimosia, será banido do nosso povo... – Billy explicou, cansado da resistência de Jacob.

- Eu não sou nenhum moleque! Sou inteiramente responsável pelas minhas atitudes, e conheço suficientemente bem minha cultura para saber as conseqüências dos meus atos. Por isso não preciso de sua intervenção, ou a de qualquer outra pessoa. – frisou nitidamente aborrecido pela intromissão paterna.

Jacob tinha ciência das conseqüências que seus planos de casamento com Elize teriam em relação à tribo, mas esperava pedir permissão ao conselho pessoalmente. Ao ouvirem suas razões, tinha certeza de que não poderiam se opor.

- Não me parece que é tão crescido assim... Na verdade, com suas atitudes só está demonstrando que não passa de um molecote, incapaz de honrar os ritos de seu próprio sangue. — Billy bufou gesticulando com as mãos, nitidamente contrariado. Jacob lançou um olhar enraivecido para o pai.

- Não fale do que o senhor não sabe... – trincou o maxilar quando as palavras saíram rispidamente.

Billy estreitou o olhar em direção ao filho extremamente teimoso. Pensou em revidar, mas calou-se. Preferiria resolver a situação com os ânimos mais controlados, por isso desistiu e apenas observou o filho sair de casa furioso.

A casa de Quil Ateara distava poucos metros da residência dos Black, por isso Jacob não precisou utilizar o Lincoln. O velho Quil era o ancião mais velho da tribo, e por tanto o único que tinha permissão de convocar uma reunião com urgência.

Assim que Jacob pôs os pés à porta da casa, ouviu a voz grave e fraca de Ateara soar baixo.

- Entre, meu filho. Eu já o aguardava.

Jacob obedeceu, e em respeito ao índio de cabelos longos e brancos, prostrou-se frente à cadeira de balanço onde ele repousava calmamente. Com um leve aceno de cabeça o reverenciou.

- Meu pai esteve falando com o conselho... – colocou-se de pé quando começou a falar. — Também gostaria de ser ouvido... – o rapaz pediu, olhando fixamente nos olhos cor de chumbo do velho índio.

- O que tem a nos pedir é impossível de ser dado, meu filho. Não permitimos a união com brancos, em hipótese alguma. – Quil meneou levemente a cabeça, falando de forma compassada.

- Talvez se o conselho puder me ouvir... — o jovem índio insistiu com cautela. — Tenho certeza de que reconsiderarão a decisão. – afirmou com segurança.

O chefe do conselho observou Jacob Black por alguns segundos. Seus olhos escuros pareciam tempestuosos, embora tentasse aparentar controle. Conhecia os rompantes da juventude, por isso identificava facilmente na postura séria de Jacob determinação e coragem.

Comovido com a súplica do jovem, Quil decidiu inquirir outra reunião. Já tinha escutado da boca do pai de Jacob que o motivo que o levara a unir-se a uma moça branca era a vingança. No entanto, algo incendiava no interior do rapaz, concluiu. Era experiente o suficiente para reconhecer nos olhos flamejantes do jovem, traços de sentimentos profundos como o amor e o ódio, que queimavam como chamas de uma única tocha. O velho Ateara chamou o seu neto, e pediu que ligasse novamente para todos os membros do conselho, pois daria a Jacob o direito ao contraditório.

A tribo era pequena, e com o passar dos anos se tornava ainda mais reduzida, uma das razões que proibiam a mistura de raças. Apenas seis pessoas formavam o conselho tribal, entre elas o pai de Jacob, Billy Black. Os membros do conselho eram os mais velhos da tribo, e responsáveis por todas as decisões importantes. Além disso, tinham a missão de proteger as tradições da tribo, e passá-las de geração a geração, para que os mais jovens nunca se esquecessem de suas origens.

Um a um os membros do conselho chegaram à casa de Quil e sentaram-se em cadeiras e poltronas em volta de Jacob, que permanecia de pé no centro do círculo. Billy, que fora um dos primeiros a chegar, lançava ao filho um olhar de repreensão, o qual ele tentava ignorar.

As mãos do rapaz suavam, e seu coração batia acelerado. Já participara de reuniões do conselho anteriormente, quando ouvira histórias sobe seus ancestrais, mas nunca havia inquirido uma reunião para decidir sobre seu futuro. O rapaz nutria um respeito profundo pela sua cultura, e por isso não seria contrário a uma decisão do conselho, no entanto sabia que se casaria com Elize, sobre um único aspecto o conselho não poderia negar e isso o enchia de esperanças.

Quil Ateara, como chefe do conselho, iniciou a reunião com uma oração, pedindo aos espíritos que lhes concedessem sabedoria suficiente para resolver a questão. Após o rito inicial, pôs-se a falar.

- Ficamos a par da situação através de Billy Black. – Quil iniciou, com o tom de voz solene. – Mas assim como temos a certeza de que o sol que despontou hoje pela manhã dará lugar à lua em poucos minutos, devemos ter a segurança de que a nossa decisão foi a mais correta. Por isso achei por bem ouvir todas as partes envolvidas, para que ninguém se queixe.- virou a cabeça para Billy e acrescentou. — Seu filho deseja casar-se com uma moça branca, e pelo que nos informou, a motivação que o leva a tal ato é vingar-se por ter sido rejeitado no passado. Além do seu intento ser contra nosso povo, o sentimento é faccioso meu jovem...

Jacob encarou seu pai com os olhos cheios de rancor. Billy não tinha o direito de expô-lo dessa maneira! O velho Quil percebeu a situação, e tossiu, recuperando a atenção do rapaz.

- Nosso povo sobreviveu às mais diversas tempestades. Nem as forças da natureza, nem as de nossos inimigos, foram capazes de extirpar os Quileutes da face da terra. E então veio o homem branco... Cheio de promessas e de falsos presentes, que na verdade mostraram-se armadilhas. Tomaram nossas terras. Tomaram nosso direito de ir e vir livremente. Nossa tribo se restringe a uma área delimitada por eles, e mesmo que fosse nossa vontade nos misturar com os brancos, sabemos que sofreríamos muito por isso. Mas podemos viver sem as nossas terras, só não podemos deixar que apaguem nossa história, nossa cultura, nossas tradições... Os homens brancos tomam as mulheres da nossa tribo, e os rapazes Quileutes se encantam pelos artifícios oferecidos pelas mulheres deles... Abandonam as raízes de seu povo, e passam a viver entre eles, sendo considerados inferiores. Não existe pior futuro do que esse, meu jovem. — o ancião principal finalizou sua fala, indicando que era a vez de Jacob defender seu ponto de vista. O rapaz escutou suas palavras com deferência, mas não deixou que elas abalassem seus propósitos.

- Amo o meu povo mais do que tudo. Tenho orgulho da minha origem, ninguém pode negar este fato. — falou, encarando de forma penetrante o pai. — Se estou aqui, diante dos mais velhos da minha tribo, é por que respeito nossas tradições. Asseguro-lhes que jamais abandonaria a minha cultura, e que Elize nunca me faria abrir mão dela. – o jovem se permitiu voltar ao passado. Através dos anos de convivência Elize foi capaz de conhecer as tradições e história, e nunca as repudia, pelo contrário...- Eu garanto.- afirmou com firmeza.

Os olhos do rapaz brilharam, com as lembranças que suas palavras despertavam. Contava com orgulho as histórias de seus antepassados para Elize, que as escutava fascinada. Desde menina mostrara-se encantada pela peculiaridade dos Quileutes, e não se cansava de indagar a Jacob o significado de cada novo detalhe que reparava. Durante as celebrações da tribo, permanecia trancada no quarto, aos prantos, por não ter permissão de seus pais para participar. Uma vez, em um pow wow* fugiu de casa para acompanhar a festa ao lado de Jacob. Ele jamais esquecera o fascínio nos olhos de Elize ao ouvir o som dos tambores e assistir às danças. Quando voltou para casa, foi colocada de castigo durante uma semana, mas depois que ficou livre, falou que valera a pena cada segundo que ficara presa, e que havia sido o espetáculo mais lindo que já vira. De repente o ar do jovem tornou-se sombrio. Sabia que Elize não era a mesma de anos atrás e provavelmente considerava-se insano por levar adiante, mas já que levara nunca permitiria que Elize repudiasse sua cultura.Não, Elize não devia ter mudado tanto ao ponto de repudiar a cultura Quileute...

- Mesmo que a moça tivesse crescido na tribo, filho... Ainda assim ela não seria uma de nós. — Quil rebateu, já que era o único do conselho que podia contra-argumentar com o jovem. Todos os demais permaneceriam em silêncio até a hora do veredicto final.

- Mas há algo mais... — o rapaz começou, e respirou fundo antes de continuar. — Algo que nos une um ao outro eternamente...-sabia que era o único argumento que faria o conselho mudar de opinião.

O silêncio pairou no lugar, então o rapaz continuou: — Elize e eu trocamos os votos sagrados há quatro anos atrás... Nos tornamos uma única alma.

Um burburinho invadiu a sala de Quil Ateara, enquanto os anciãos encaravam o rapaz de maneira incrédula e com ares de recriminação. Jacob não se deixou intimidar, permanecendo com a expressão segura e continuou.

- Juramos diante dos espíritos de nossos ancestrais e dos quatro elementos sagrados que pertenceríamos um ao outro. — o rapaz completou, agora fitando o seu pai nos olhos. A vergonha que Billy sentia não podia ser mensurada. Tombou a cabeça para baixo, cobrindo o rosto com as mãos. O que seu filho fizera poderia ser considerado como um verdadeiro ato profano!

- Você não poderia te feito isso, meu jovem! — Quil o repreendeu, ainda assombrado pela revelação. — A celebração só pode ser feita pelo chefe da tribo...

- Eu era jovem demais para mensurar a gravidade da minha decisão! – o rapaz se justificou. — Sabia que não era permitido casar-se com uma branca. Mas na época eu sentia que pertencia a Elize... Aqui dentro! — pôs a mão no peito, sentindo seu coração acelerado. — Pensei que nosso amor já fosse abençoado por todos os espíritos viventes...- o jovem rasgou seus sentimentos como nunca dantes havia feito e isso o incomodou profundamente.

A expressão do chefe da tribo contradizia as palavras de Jacob. Como o amor entre um nativo e uma moça branca poderia ser abençoado? O ancião questionava-se. Aos poucos os ânimos dos demais membros do conselho foram se acalmando, e Quil pareceu meditar na situação por alguns segundos.

- Não há o que ser feito. — o índio mais velho concluiu com tom de lamento. — O juramento proferido não pode ser desfeito. As palavras ditas são como flechas, que quando atingem o seu alvo não retrocedem. Vocês uniram suas almas, tornando-as uma só. Assumiram um compromisso diante de todos os deuses, por isso deverá honrar com ele. — encarou o rapaz de maneira séria, contraindo o rosto envelhecido, tornando-o ainda mais enrugado. — Espero que você e sua branca estejam preparados para sofrer as conseqüências desse ato impensado, e que os espíritos livrem nossa tribo de um castigo!

Jacob olhou à sua volta, e só encontrava decepção nos rostos que o observavam. Sentiu-se, pela primeira vez, constrangido pela atitude extrema que havia tomado. Na época, julgava que era o certo a ser feito, já que amava a moça mais do que tudo. Agora, entretanto, utilizara o ocorrido como meio de garantir sua vingança. Com certeza sua atitude não era motivo de orgulho, porém, mais do que nunca, não poderia voltar atrás. O orgulho o impedia.

Todos os demais anciãos foram embora, deixando sozinhos Jacob, seu pai, e Quil Ateara.

- Por que você cometeu tamanho absurdo, meu filho? — Billy questionou, transparecendo a avalanche de sentimentos que o tomavam. Jacob apenas suspirou e baixou a cabeça, resoluto.

- Não é hora para lamentos, Billy. O casamento deve ser motivo de alegria, e não de tristeza. — Quil interrompeu, batendo nas costas do amigo. Sabia que o ocorrido não era motivo de comemoração, mas condoia-se pela sua desolação.

- Pois este foi o momento mais triste de minha vida... — com essas palavras Billy foi embora, deixando seu filho quase sufocado pela culpa. Sempre fora o principal motivo de orgulho do pai, mas agora...

Naquele momento Jacob percebeu que seus planos de vingança poderiam atingir as pessoas a quem mais amava, o que não havia previsto. Mas já era tarde demais para voltar atrás... Em instantes noivaria com Elize, e em duas semanas ela seria sua esposa.

O velho Quil despediu-se do rapaz, pesaroso pela confusão de sentimentos que seus olhos negros refletiam. Em silêncio, fez uma prece pela felicidade da nova família que se formava de maneira tão equivocada. O que vira nos olhos do jovem rapaz poderia destruí-lo...Mas ele mesmo havia traçado seu destino e portanto deveria segui-lo.

Jacob demorou-se propositadamente a voltar para casa. Caminhou pela reserva, sentou-se no penhasco e permaneceu a observar a força do mar. Do alto, as ondas quebravam violentamente contra as rochas. O cheiro da maresia e o vento sempre tinham o poder de lhe aquietar, então se deixou ficar até a raiva se dissipar.

Por que o amor de Elize não fora semelhante ao penhasco, que agüentava as torrentes das ondas durante séculos sem se abalar? Irritou-se por tal tolice. No fundo sabia a resposta. Elize era arrogante demais para nutrir qualquer tipo de sentimento por alguém considerado inferior como ele, se não fosse assim não teria zombado do seu amor, não teria sido indiferente por todos esses anos. Então não era de se estranhar que seu próprio amor pela moça havia se transformado rapidamente em ódio, comprovando o quanto os sentimentos humanos eram inseguros e efêmeros.

Estranhamente tal pensamento aquietou seu coração. Sabia que Billy jamais o perdoaria pelo que havia feito, mas tinha esperanças de que, com o tempo, o pai relevasse sua atitude impensada. Ele mesmo estava profundamente aborrecido com Billy, a quem sempre devotou o devido respeito, mas de quem não esperaria tamanha intromissão. Talvez com o passar do tempo, por tanto, a mágoa de ambos se dissipasse, e pai e filho voltassem às boas.

Não seria bom mais um confronto com o pai se ainda estivesse extremamente aborrecido, então se demorou por mais alguns instantes. Já era noite quando decidiu que era hora de retornar. Entrou em casa silenciosamente, recusando-se a olhar mais de duas vezes para a porta do escritório, cuja fresta de luz que lhe escapava pelos cantos sinalizava a presença do pai.

- Jake... – o rapaz girou os olhos, voltando sua atenção para a jovem senhora risonha, de pele morena, cabelos negros e lisos, presos num coque bem feito, cujas feições lembravam em muito a sua mãe. Tinha a mesma bondade, o mesmo carinho e a mesma doçura no trato com as pessoas.

- Oi, Sue. — Jacob devolveu o sorriso. A mulher se aproximou, enquanto enxugava as mãos num pequeno avental preso à cintura.

- Você sabe o que aconteceu com seu pai?- o jovem esforçou-se para não se irritar quando pensou em Billy. – Desde que chegou está trancado no escritório... — a mulher virou a cabeça, apontando para a porta do escritório. Jacob identificou um leve tom de preocupação por parte de Sue, quando seu rosto ficou sério.

Respirou forte antes de dar qualquer desculpa. Apesar do seu apreço por Sue, não queria mencionar que o pai mantinha-se isolado porque estava aborrecido com ele. Não valia a pena deixá-la preocupada desnecessariamente, pois sabia que mais cedo ou mais tarde os dois se entenderiam.

- Talvez ele deseje apenas ficar um pouco só... – disse afavelmente. – Não se preocupe. – pediu, e a mulher levou pouco mais de um segundo para abrir a boca num sorriso largo.

- Se você diz. — ela sussurrou. — Fiz o prato que você mais gosta: peixe frito! – falou, mudando de assunto. – Dentro de quinze minutos o jantar estará servido.

- Lamento, Sue, mas não jantarei em casa hoje. – informou o jovem. Sue franziu a testa e cruzou os braços num claro gesto de aborrecimento.

- Mas você tem que comer, meu filho, trabalha demais... Precisa repor as energias de um dia inteiro na fábrica. Não admito que saia de casa sem ao menos ingerir um bom prato de comida. — murmurou a mulher.

- Me perdoe, Sue, mas você terá que guardar a minha parte para quando eu voltar, realmente preciso sair...

- Não me diga que irá mais uma vez para a casa daquela... Daquela... Daquela mulherzinha?! – Sue interrompeu num rompante. Jacob sabia exatamente a que ela se referia: à casa de Madame Mirna. Quis rir, mas não o fez, pois ela poderia ficar ofendida, e se importava demais com Sue para deixá-la constrangida.

- Não, Sue, é um jantar de negócios. – a tranqüilizou. — Preciso resolver algumas coisas importantes. – sua mente vagou, sentindo-se subitamente excitado. Seu sangue quente corria com força pelas veias do seu corpo. Não sabia se era pela vontade de humilhar e subjugar Elize, ou se pelo desejo ardente de possuí-la. De qualquer forma, as duas opções eram por demais atrativas, e hoje Elize saberia que de agora em diante pertenceria a ele, somente a ele, como deveria ter sido desde o início.

Por fim a mulher convenceu-se, e Jacob subiu, trancando-se no quarto. Respirou forte quando desabotoou os botões que prendiam o punho e desensacou a camisa branca, jogando-a na cama. Retirou a calça, permitindo que se juntasse à camisa.

O rapaz olhou o relógio de pulso. Dentro de uma hora deveria estar na casa de Elize, portanto apressou-se em tomar um bom banho quente. Pretendia chegar às oito horas em ponto, pois não daria oportunidades para o imprevisto. Na verdade estava ansioso para vê-la, para provocá-la. Qual seria a reação de Elize, quando soubesse que teria que se casar com ele, com o homem que desprezou?

A água escorreu pelo corpo esbelto por alguns minutos, enquanto pensava no encontro. Por pouco seus planos não haviam ido por água abaixo, com a súbita intromissão do seu pai. Mas tudo ainda corria conforme a sua vontade, pelo menos até aquele momento.

Quando finalizou, enxugou-se e enrolou a toalha na cintura, caminhou para fora do banheiro, mas parou frente à imagem da jovem sentada displicentemente em sua cama, com a saia levemente puxada sobre os joelhos.

- Você deveria ter batido na porta. – o rapaz falou seriamente, e caminhou se dirigindo ao guarda roupa.

- Eu bati, oras! Você que não ouviu. – Leah respondeu, cruzando as pernas sobre a cama, mostrando muito mais do que simples joelhos, e sorriu de forma provocadora.

- Será por que eu estava tomando banho?- Jacob virou-se, lançando-lhe um olhar acusador.

- Sempre tomamos banho juntos quando crianças, e você nunca se incomodou... — ela apoiou os braços na cama, lançando os ombros para trás, deixando os cabelos balançando.

- Mas não somos mais crianças, Lee. E talvez sua mãe não goste de vê-la aqui, desse jeito... — Jacob retirou o terno, camisa, gravata, meias e cueca, colocando-os na poltrona do canto. Falava sem olhar na direção de Leah, evitando aborrecer-se com o atrevimento da garota.

- Você sabe que dona Sue o adora, que o tem como um filho... – Leah respondeu.

Claro que ele sabia. Sue era como a verdadeira dona da casa dos Black. Cuidava da mansão com esmero, sempre preocupada com ele, e sempre livrando Embry das broncas do pai, sempre prestativa com Billy... Às vezes ficava a pensar se toda essa devoção a um dos membros do conselho não seria mais do que lealdade, se de fato existia sentimentos contidos que o pai desconhecia.

- Mais um motivo para não deixá-la aborrecida comigo. – ele ponderou.

- E por que ela ficaria aborrecida, se praticamente o venera? — retrucou Leah, não se dando por vencida. — Esqueceu que ela o acha um filho “perfeito”?

- Não sou um filho perfeito. — o jovem a corrigiu, dando-se conta de que, depois de hoje, o relacionamento entre ele e o pai jamais seria o mesmo. Com um pouco de sorte Billy esqueceria a afronta, talvez fosse uma esperança a se agarrar, mas no momento não estava preocupado com isso. – Na verdade sou cheio de defeitos, e não acredito que sua mãe ficaria satisfeita sabendo que você está sozinha em um quarto com um homem nu. — ele acrescentou. — Não diria que isso seria socialmente aceito. Poderia ser acusado de roubar sua virtude. – finalizou, em tom galhofeiro, pois não a via por essa perspectiva. Ela apenas deu de ombros.

- Não pense que teria esse privilégio, bobinho. – Leah levantou-se e franziu levemente a boca bonita. – Eu já vi um homem nu. Você não seria o primeiro. — ela o desdenhou, e o rapaz quase riu.

- Seth não conta, Lee. – Jake soltou em provocação, então se aproximou, bagunçando-lhe o cabelo, atitude que fazia desde garoto e que a deixava possessa.

- Jake! — Leah chiou alto, empurrando as mãos do rapaz que riu com tom de zombaria. – Se bagunçar novamente meu cabelo... – ela indicou-lhe o dedo em riste. — Vou ser obrigada a puxar sua toalha. — falou com tom ameaçador, tocando levemente com os dedos no nó firme que Jacob dera em volta da cintura.

- Tudo bem. – Black levantou as mãos, mostrando-se rendido, afastou-se e depois se virou. — Está na hora de ir embora, Lee... Eu tenho um compromisso, e não pretendo chegar atrasado.

- Não estou te impedindo. – ela falou, sentando-se na cama mais uma vez. — Vá em frente, Jake, troque-se.- ela sugeriu despretensiosamente. Esticou os braços e puxou um dos livros da mesa de cabeceira do jovem.

- Sério, Leah. – ele murmurou prestes a sentir-se mal humorado. — Preciso que você saia para que eu me troque.

- Não acredito que esteja com vergonha de mim. – ela debochou, apoiando o cotovelo na cama e segurando a cabeça com a mão, arqueando levemente as sobrancelhas.

- Não estou. Saia.- ordenou de forma impaciente.

- Já lhe disse, já vi outros homens nus. Você não seria o primeiro nem o último. A propósito, esse livro é péssimo. – jogou o livro, que tombou na quina da cabeceira e caiu no chão. Jacob aproximou-se, sentindo-se irritado, abaixou para apanhar o livro, e o depositou em seu lugar de origem.

- Se ninguém nunca lhe disse, está na hora de saber, que nunca se deve provocar um homem. — ele virou-se repentinamente, deixando o rosto a centímetros do da jovem, que engoliu em seco pela proximidade inesperada. – Não me responsabilizarei pelos meus atos se você me tirar do sério mais uma vez, entendeu?- Leah se manteve imóvel, não piscou os olhos e não falou absolutamente nada. Por alguns segundos teve esperanças de que a ameaça de Jacob continha uma conotação sexual, contudo decepcionou-se com suas palavras a seguir. — Se não fosse uma garota, e como uma irmã para mim, talvez estivesse em maus lençóis... Talvez eu lhe desse as palmadas que Sue não lhe deu quando criança. — o modo repreensivo e ao mesmo tempo fraterno de Jacob fez a jovem finalmente desistir de desafiar o índio. Ele falava como se ela não passasse de uma moleca, ou pior, da mesma forma como tratava Embry. Seus olhos não demonstravam nenhum traço de desejo.

- Parece que é você quem não sabe agir como homem! – soltou, cheia de ressentimentos. — Sou uma mulher, não uma criança! Sei muito bem como agir diante de um homem. — ela fungou com raiva e então com o orgulho que lhe era peculiar ergueu o queixo, tentando ser superior, embora internamente lhe corroesse as palavras de Jacob.

Odiava quando ele a via como uma irmã, como uma garotinha magricela, cujos cabelos vivia puxando. Crescera, oras, era uma mulher! Tinha consciência do quanto era bonita. Sempre era alvo de galanteios por parte dos jovens da tribo e de alguns trabalhadores mais ousados da fábrica. As pernas bem torneadas, os cabelos pretos sempre soltos a altura dos ombros, os olhos escuros como azeitonas. Era atraente, sabia disso, mas porque o único homem por quem se interessava não notava isso?

- Ótimo! Já que sabe, então saia! Não estou para brincadeiras. Já lhe disse que tenho um compromisso e não pretendo chegar atrasado. — a jovem levantou-se a contra gosto e caminhou para a porta, mas não antes de respondê-lo de forma mal criada.

- Você não é meu irmão, seu idiota. — Leah girou o trinco e esbarrou em Embry, parado na soleira da porta. — Por que não sai da minha frente, pirralho? – ela reclamou e Embry afastou-se, antes que a jovem notoriamente aborrecida o empurrasse.

- O que você disse para deixá-la com tanta raiva? – Embry arregalou levemente os olhos e antes mesmo que Jacob o respondesse, entrou e fechou a porta atrás de si, jogando-se sobre a cama macia.

- Nada que ela não merecesse ouvir. – Jake respondeu, finalmente podendo se vestir.

Embry reparou num dos ternos finos e nos belos sapatos negros, tipo de indumentária que o irmão só usaria para firmar um bom e rentável negócio.

— Então é hoje. – observou de maneira jocosa, enquanto Jacob afivelava o cinto.

- Então é hoje o quê?- o jovem Black retrucou, sem se dar conta de que o irmão entendia o motivo de tanto esmero em aprontar-se.

- O grande dia. – Embry soprou, soltando os braços presos atrás da nuca. Jacob se viu obrigado a rir.

- Não, Embry, hoje será apenas o aperitivo. O prato principal será no dia em que Elize se tornar minha propriedade por direito. Este, sim, será o grande dia. – Jacob voltou-se para o espelho, concluindo, por fim, o nó da gravata.

- Já pensou se Elize se recusar? – Embry questionou cautelosamente, e por alguns instantes não obteve resposta.

Jacob não gostava de cogitar tal possibilidade, apesar de saber que ela existia. Porque definitivamente isso não poderia acontecer. Havia muito dinheiro em jogo, um contrato assinado e um desejo vigoroso de humilhar Elize caso ousasse se rebelar. De qualquer forma, estava preparado para tudo. Se, por acaso, Collin desistisse do acordo, ou se Elize fosse tola o suficiente para negar-se a se casar, não pouparia esforços até deixá-los na mais absoluta miséria.

- Não. Ela não se recusará, Embry. — Jacob falou categoricamente. Não havia saída para os Collin. Ele, Jacob Black, índio Quileute, era a melhor opção que tinham.

- Nosso pai já sabe? — Embry quis saber.- Digo... De hoje... Do noivado?

- Não. – o jovem Black falou, tentando não se sentir tão incomodado. Mas na verdade era exatamente assim que se sentia. Porque o pai não o entendia? Por que não o acompanharia, como qualquer outro pai faria quando seu filho iria pedir a mão de uma moça? Tencionava resolver a situação com Billy, mas não agora, não hoje, quando estava prestes a ver Elize. — E não conte. – ordenou, voltando-se ao irmão mais novo. — Amanhã o deixarei a par dos últimos acontecimentos... – suspirou e vestiu o terno, completando o belo traje. — Não preciso de mais aborrecimentos.

- Bom... E se ele perguntar por você? O que eu digo? Porque você sabe... O velho é bem insistente quando...

- Não acredito que ele perguntará, mas se isso acontecer... Diga apenas que saí. – Jacob cortou o irmão, e notou que o rosto do garoto ficara sério enquanto ele balançava afirmativamente a cabeça. Sabia que não deveria se preocupar, pois Embry era cúmplice demais para falar qualquer coisa ao pai, embora não devesse envolvê-lo no seu desentendimento com Billy.

O jovem Black passou as mãos nos cabelos negros e verificou o relógio de pulso pela última vez. Estava na hora.

* O pow ow é uma celebração realizada entre as tribos indígenas norte-americanas, onde tribos diferentes se reuniam para festejar e trocar experiências. Até hoje o pow ow é realizado nos Estados Unidos.

Notas finais
MissLany: Hey meninas e ai, o que acharam? Eu particulamente adoro esse capítulo.
Quando tratamos da proibição do casamento entre raças é pq de fato é verdade, em muits tribos indigenas, os índios legitmos não podiam casar-se com mulheres bracas, é uma forma de preservar a identidade da tribo. De qualquer forma adorei trazer esse traço das tradições dos Quileutes, da insatisfação de Billy, da revelação de Jake ter trocado os votos com Elize( Ele não mentiu para conseguir aprovação do Conselho, de fato isso aconteceu e no momento certo vcs saberão como ocorreu, ok?) Além é claro da Leah...Sim ela é apaixonada por Jake, embora ele so goste dela como irmã...Esse sentimento ainda revelará boas situações na fic.
E antes que vcs morram de curiosidade informo que no próximo capítulo acontecerá finalmente o encontro Jake e Elize *ui* e a moiçoila saberá com quem irá se casar.
Agora meninas é com vcs, comentem, indiquem e recomendem, isso nos inspira e quem sabe não postamos mais cedo, hein? Fica a dica, alegrem nosssos corações que alegramos os de vcs! Hehehe!!
Muitos bjus e até a proxima :)