Notas iniciais
Bem, costumamos postar o capítulo assim que respondemos os comentários do cap. anterior, o que não aconteceu agora por alguns motivos. De qualquer forma, achamos que atrasar esse capítulo para responder os comentários seria um tanto injusto com vocês, já que a fic deveria ter sido atualizada antes. Mas iremos responder, é claro. São muitas surpresas que acontecem e mudam muitas coisas...

Lin se levantou da arquibancada e desceu cambaleando. Não esperava por aquilo. Não tinha noção de quão poderosa e perigosa estava se tornando. Ficou parada na porta da quadra.

–Seja lá o que estiver acontecendo comigo, isso terá que acabar. Nem que... – Lin olhou para o corredor da escola e silenciou-se.

Saiu da escola sem falar com Zero ou com Lothos.

***

Elesis chegou a casa com muitas dúvidas e nenhuma solução.

–Lupus não seria capaz, não mesmo! – A ruiva subiu para seu quarto e nem se deu o trabalho de saber se os pais estavam em casa.

***

Ronan voltou do hospital, onde Lass estava. Seu pai estava na sala, terminava de falar no celular. Ronan passou direto por ele, estava cansado e pensou em ir para seu quarto tomar um banho e dormir, mas o Sr. Erudon o chamou com um gesto de mão.

O menino parou e ficou esperando o pai desligar o celular.

–Fala.

–Filho, eu estava falando com um grande amigo meu e ele me pediu um favor.

–E o que eu tenho a ver com o seu amigo? – Ronan ficou confuso.

–Se você deixasse eu terminar de falar…

–Desculpa. Prossiga, pai. – Ronan cruzou os braços.

–Bem, o filho dele teve que se tratar em outro estado e ele precisava ser acompanhado pelo pelos pais. Porém, ele tem mais uma filha, que ficará sozinha em casa. Ela tem parentes, mas não moram perto, então ele recorreu à mim, que estou mais perto e sou de sua confiança.

Ronan já iria perguntar mais uma vez onde ele estava envolvido na história, mas seu pai se adiantou e concluiu:

–Peço que fique com ela nesse período, pois acho que ela não irá querer passar o tempo dela ao lado de um velho como eu.

–Você não é velho, pai. Só passou da idade de ser adolescente. – Ronan tentou não rir, mas não conseguiu tal proeza. Seu pai o encarou e soltou um breve riso.

–Então, ajudará seu pai?

–Tá… Tipo, se ela não for uma menina chata, eu não me importo de tomar conta dela. Quantos anos ela tem?

–Ela é um ano mais nova que você.

–Ah! Então está ótimo! Assim ela fica fazendo as compras dela no shopping e eu fico com meus amigos.

–Nada disso. – O Sr. Erudon tirou qualquer possibilidade de Ronan não manter a responsabilidade de olhar a menina – Ela ficará ao seu lado. Prometi ao pai dela que tomaríamos conta e não a deixaríamos sozinha.

Ronan respirou fundo. Seus planos, nas férias, eram de ficar ao lado de Elesis. E agora teria que tomar conta de uma garota que nem sabia o nome. Tudo estava dando errado para ele.

–Eu ainda posso desistir de te ajudar?

O pai de Ronan se levantou e caminhou até a escada.

–Não.

Ronan pôs a mão sobre o cabelo curto e o jogou para trás.

–Posso pelo menos saber o nome dela? – Perguntou o rapaz.

–Edel. Edel Frost.

***

Lupus havia saído do Hospital e voltou para casa sem deixar de pensar um segundo no que acontecera. Jogara-se no sofá e ali ficou até pegar no sono e cair num mundo absorto sem sonhos.

Acordou com o telefone tocando, porém, quando foi atender, a ligação caiu. Olhou para a TV a sua frente e, como estava desligada, a tela refletia seu rosto e Lupus não reconhecia a si mesmo.

Levantou-se e foi para o quarto. Tomou um banho, mas de nada adiantou para relaxar. Pensou em comer alguma coisa, mas a fome fora substituída pela raiva que o consumia.

–Rey... – Lupus disse entre os dentes – Eu não vou deixar isso barato...

***

Lass estava entediado por ficar na cama. Estava sozinho no quarto, pois Arme, que passou a noite com ele, havia saído para tomar café.

O médico tinha passado meia hora antes para ver como ele estava e uma enfermeira entrou logo depois para trocar a bolsa do soro.

Lass olhou para o lado hesitante. Havia um telefone na mesa ao lado de sua cama.

–Ele não precisava vir aqui... – Murmurou Lass, como se não quisesse nem que o vazio do quarto soubesse o que tinha dito.

Ele levava a mão até o aparelho, mas recuava e olhava para a porta. Ficou assim por um bom tempo, até que decidiu ligar. Tirou o telefone do ganho. Não estava se lembrando de todos os números. Forçou um pouco a mente. Desligou o aparelho. Olhou para a porta.

Recostou o corpo na cama. Disse alguns números por alto. Pegou o telefone. Discou. Esperou tocar três vezes.

Sentiu sua mão suar ao ver que o telefone para o qual ligara fora atendido por alguém.

–Lass? – Arme entrou no quarto e o menino desligou – Está tudo bem?

Lass permaneceu em silêncio e desceu um pouco na cama, para voltar a posição anterior.

–Você não deveria... – Lass, por fim, disse o que achava e resolveu esquecer que tentou ligar para Lupus.

–Eu sei, ligar para o Lupus foi um ato de desespero, mas... – A baixinha se aproximou mais da cama, fechando a porta.

–Mas nada, Arme, você sabe que não somos próximos e, por acaso, eu tinha o número dele, mas... Não era para você ter feito isso!

–Por favor, Lass. – Arme abaixou o rosto e apoiou a mão na cama – Eu sinto muito mesmo, mas... Eu fiquei com medo, eu... – Arme levantou a face, com os olhos vermelhos – Eu não suportaria vê-lo daquele jeito sem nem ao menos ter feito algo, sei lá, eu pensei que você fosse precisar de sangue, ou...

–Ou? – Lass inclinou a cabeça para o lado.

–Ou que ele soubesse o que de fato aconteceu.

–Eu não me meto nos interesses do Lupus, Arme. Entenda isso, não temos nenhuma ligação, só essa maldita paternidade que nos aproxima.

–Lass, eu... Eu não queria mesmo que você ficasse com raiva de mim, mas me entenda. – Arme estava sentindo um remorso e um aperto no coração. Virou o rosto para que Lass não visse sua fraqueza – Eu te amo demais para deixar que algum mal aconteça com você.

O menino se remexeu e se sentou na cama. Esticou seu braço até a mão da baixinha, mas ainda tinha uma distância entre eles.

–Você disse que não deixaria que nenhum mal acontecesse comigo, mas está me fazendo sentir dor por eu estar tentando tocar a sua mão. – Brincou Lass, o que raramente fazia.

Arme voltou a olhá-lo e ficou espantada ao ver que, mesmo com dor na costela, Lass se inclinou para tentar tocar a mão dele na sua. A baixinha foi deslizando sutilmente a sua mão no lençol branco.

Lass estava ficando ofegante, mas não voltou a se deitar. As pontadas eram incômodas; contudo, suportáveis.

Arme, por fim, segurou a mão de Lass e se sentou na beirada da cama, quebrando a distância que havia entre eles. Lass pôde, então, voltar a se recostar na cama. Sentiu seus músculos contraírem por causa da posição desconfortável, mas depois relaxaram.

–Arme... – Sussurrou, sem olhar para ela, já que encarava as mãos juntas – É muito bom tê-la ao meu lado e eu... – Lass respirou pesadamente – Eu não fiquei com raiva, porque... – Ele subiu seu olhar para Arme – eu também amo você.

***

Lupus saiu de casa e esperou por um táxi. Assim que conseguiu um, indicou ao motorista o seu destino e seguiu o trajeto em silêncio, mas com a cabeça a mil.

Assim que chegou, teve pressa de sair do carro e caminhar até o portão da mansão dos Von Crimson como se fosse atropelar qualquer coisa que passasse por ele. Lupus suspirou assim que chegou ao portão de ferro grande e cheio de grades, colocou o antebraço na frente do rosto para tampar a luz do sol e olhou para cima.

Aquele sorriso provocativo e desnecessário acompanhava a visão de Rey na sacada de seu quarto. Ela se virou e desapareceu da visão de Lupus, que apenas aguardou.

O portão fora aberto e ele adentrou. Seus passos eram longos e determinados. Sua expressão concentrada não escondia sua aflição e raiva. Lupus entrou na mansão e parou no meio da sala quando viu o mordomo.

–Senhor Wild! – Disse James num tom surpreso.

–Saia daqui! – Exigiu Lupus, com uma expressão que daria medo a um Pit Bull.

–Eu só...

–Saia! – Lupus não queria conversar com ninguém que não fosse Rey.

–Ora, ora, ora... Pensei que você tinha terminado tudo comigo e que não iria mais por os pés aqui. – Disse Rey, que descia as escadas com leveza e calma, deslizando a mão no corrimão dourado e acolchoado num tom vinho.

O rapaz não iria ficar esperando pela boa vontade da asmodiana e foi ao seu encontro, esbarrando em James, que estava a sua frente. O mordomo deu uns passos para trás, na tentativa de se equilibrar.

–Quem você pensa que é para mexer comigo assim?! – Lupus subiu alguns degraus até ficar frente a frente com Rey – Acha que machucar o Lass irá me fazer me arrastar aos seus pés?!

–Sim. – Rey sorriu. Levou sua mão até a face rubra de descontentamento de Lupus – Você fará o que eu pedi. Por isso está aqui. Preocupa-se com aquele bastardo, porque sabe que eu posso, não só machuca-lo, mas fazê-lo desaparecer.

Lupus riu, como um blefe.

–Você é tão arrogante, sabia?

–Como se você não fosse, queridinho.

–Até parece que me importo. – Lupus afastou a mão de Rey brutalmente de seu rosto – Pode fazer o que quiser.

–Posso, mas não farei. – Rey deixou Lupus sem ter o que falar.

Desceu a escada, caminhou delicadamente pelo piso preto e branco da imensa sala e sentou-se em uma das poltronas, com as pernas cruzadas. Lupus permaneceu onde estava e de costas para Rey.

–Você veio até mim, era isso que eu queria. – A menina soltou um breve riso – Pode dizer infinitas vezes que não se importa com aquele garoto, pode até ser verdade, mas você sabe muito bem que eu não blefo e, quando quero algo, eu consigo.

James já havia saído da sala, sabia que aquela conversa era somente entre Rey e Lupus. Ficara surpreso ao saber que havia atropelado o irmão do rapaz e com receio do que poderia acontecer se fosse descoberto.

–Lupus. – Chamou Rey, impaciente com o silêncio do rapaz – Você vai aceitar o meu pedido ou terei que dar um “susto” muito pior em outra pessoa?

Lupus se virou, cerrou os punhos e desceu a escada, mas não se aproximou de Rey.

–Última vez Rey, última vez que você me ataca dessa maneira. Última vez que eu faço algo para você. ÚLTIMA VEZ – Lupus frisou bem – que eu me submeto a você. Se... – Ele respirou fundo – Se você me atacar desta forma mais uma vez, eu juro que você vai para o inferno.

Lupus não esperou por alguma contestação de Rey, saiu em disparada porta a fora.

–Bem... Se eu for para o inferno, aquela ruivinha imprestável vai junto. Porque eu vou tornar a vida dela deplorável. – Rey se levantou e chamou por James.

Porém, quem surgiu na sala, foi Alfred.

–O que você faz aqui? – Rey encarou o mordomo.

–O patrão Dio pediu que eu trouxesse as compras da namorada dele. – Alfred estava com cinco bolsas distribuídas em ambas as mãos. Subiu as escadas e desapareceu do campo de visão de Rey quando virou para o corredor dos quartos.

–Ainda tem mais essa... – Rey bufou – Mas não irei intervir na vidinha da Gyna, deixarei que o tempo mostre ao meu querido Dio que ela não é mulher para ele.

O silêncio pairou depois das palavras da asmodiana, que voltou para seu quarto na companhia de seus pensamentos.

***

O almoço na casa da Família Erudon já estava pronto e preparado na mesa. O cozinheiro da família foi avisá-los, pois estavam na sala conversando com a visita.

Ronan fora avisado por Sebastian que teriam uma convidada. Ele nem sabia que seus pais haviam tido algum contato com ela e ficara surpreso. Desceu do seu quarto para ver se era verdade, mas, ao chegar à sala, estava vazia. Deduziu que todos já estavam no cômodo onde faziam as refeições.

Ronan, então, resolveu se juntar a eles. Sorriu ao ver a convidada na cadeira que sentava de costume quando frequentava mais a casa dos Erudon.

–O que faz aqui? – Murmurou Ronan para a menina.

Ela conseguiu ler os lábios do menino perfeitamente.

–Surpresa. – A convidada respondeu num sussurro que fez Ronan soltar um breve riso e balançar a cabeça.

Seu pai o aguardou sentar. Assim que todos se sentaram à mesa, o Sr. Erudon começou a conversa.

–Então… — Disse ele, enquanto sua esposa colocava seu prato – O aniversário de Ronan está chegando. Eu estava pensando em fazer uma festa aqui em casa, o que acha Amy?

–Tenho certeza que será uma festa maravilhosa e o Ronan merece. – Comentou a rosada, pondo sua comida, que tinha mais salada do que outro tipo de alimento.

–Eu queria algo simples. – Sugeriu Ronan, dando seu ponto de vista – Ainda mais agora que estou com um amigo no Hospital, estou sem cabeça para pensar em festa.

–Ah não, filho, se é para comemorar com festa, é preciso fazer A FESTA. – A mãe de Ronan se pronunciou, entregando o prato ao seu marido.

–Mãe, eu realmente não tenho cabeça para pensar nisso. – Ronan a encarou.

–O seu amigo vai ficar bem até lá, então não precisa se preocupar com esse detalhe.

–Detalhe?! – Ronan ficou boquiaberto com a atitude de sua mãe, nem parecia que era ela realmente ali dizendo tais coisas.

–Filho, eu sei que é difícil ver um amigo assim, mas você vai deixar de comemorar seu aniversário por ele? Já pensou em como o Lass iria ficar?

–E como ele ficaria?

–Ah, Ronan, até eu sei o que sua mãe quis dizer. – Rebateu Amy – Eu não tenho muita intimidade com o Lass, mas ele não iria ficar nada feliz em saber que você deixou de fazer algo por ele. Lass parece ser do tipo de pessoa que não gosta que se importem com ele.

A mãe do azulado concordou. Ronan ficou em silêncio. De fato, elas tinham razão.

–De qualquer forma, eu queria fazer um pedido. – Continuou o pai, chamando a atenção da mesa para ele – Queria que você, Amy, dançasse com o Ronan.

Amy corou com o pedido do Senhor Erudon, afinal, não estava mais namorando com Ronan.

–Pai! – Repreendeu Ronan.

–O que foi? – O Senhor Erudon se fez de desentendido.

–É que… Bem… — Amy ficou sem jeito de falar – Eu e Ronan… Não estamos mais juntos.

–Ele sabe, querida. – Disse a Senhora Erudon, encarando seu marido e sentando-se na cadeira, pois já tinha posto o seu prato também – O Ronan já nos contou sobre isso.

–Mesmo assim – O pai de Ronan retomou a falar – queríamos que os dois dançassem juntos. É como uma tradição em festas da nossa família.

–E por que o Ronan não dança com outra pessoa? – Perguntou Amy.

–E há outra pessoa? – Perguntaram os pais do menino.

Ronan acabou se engasgando com o suco que bebia. Fechou a mão e pôs na boca para abafar o som da tosse.

Amy começou a rir.

–Pai, mãe… Eu estou… Ér… Gostando de uma pessoa. Gostando muito.

–E quem seria essa pessoa? – A mãe quis saber.

–Uma garota insuportável. – Murmurou Amy e só Ronan ouviu, pois estava sentado ao lado da rosada.

Ele a olhou e depois voltou sua atenção aos pais, que estavam esperando a resposta.

***

Dio apareceu, logo após o horário do almoço, na casa de Gyna. Ele a levaria ao shopping. Quem sabe ela não concordasse com algumas compras? Era o que ele pensava. Ele tocou a campainha e quando Gyna abriu a porta o surpreendeu pulando em seus braços dando abraços muito apertados, quase sufocando o asmodiano.

–G-Gy... na... – Tentou, inutilmente, dizer algo.

Em meio àquele grude por parte da namorada, Dio só conseguiu pensar em um meio de se soltar: Cócegas! Ao tentar, infelizmente, acabou arranhando sua namorada, devido às suas garras, que o soltou e disse apenas um “Ai!” como reclamação.

–Des-desculpe! – Sentiu seu rosto esquentar, não sabia como se comportar naquela situação. É claro, também, que não machucaria a amada propositalmente.

–Tudo bem. – Disse Gyna rindo, considerando que a culpa, na verdade, fosse dela.

–Não! É sério! Desculpa! Eu...

–Dio! – Interrompeu. – Eu estou bem. Não se preocupe.

–Não! Eu tenho que me desculpar. – Ele parou um pouco pra pensar. Não demorou nem dois segundos para ele interromper Gyna antes que ela falasse. – Alfred!

O mordomo ficara perto do carro, já preparado, para o chamado do patrão, com as incontáveis bolsas de presentes que Dio comprara para a mulher.

***

No dia seguinte ao primeiro dia treino, mais uma vez, Lin fora acordada com o telefone tocando. Estava sozinha em casa e tinha que se levantar para atender.

–Alô? – Disse, ainda sonolenta, ao tirar o telefone do gancho.

Em uma hora aqui na escola. – E novamente o telefone fora desligado sem que mais palavras fossem ditas.

–Terei que me acostumar com essa rotina... – Lin desligou o aparelho e foi se arrumar para sair.

Chegou à escola e viu Mari andando pelo corredor. A professora não parecia estar bem, já que a mesma havia parado e encostou-se a parede.

–Mari! – Chamou Lin e se aproximou mais da professora – Está tudo bem?

Mari passou a mão no rosto e olhou para Lin, com uma expressão séria.

–Está sim. – A professora suspirou – O que faz na escola uma hora dessas e no seu devido recesso?

–Estou treinando com o Zero. – Lin olhou para outro ponto do corredor – Se o passado fosse esquecido, talvez eu não precisasse estar aqui.

–É... O passado nos persegue como uma sombra.

Lin ficou surpresa com as palavras de Mari, mas percebeu que a professora entendera como ela se sentia.

Como o silêncio se instalou na conversa, ambas seguiram os seus caminhos. Mari fora para a sala dos Professores, Lin fora para quadra.

–Não acha que está levando isso muito a sério? Zero, eu sei que você não se importa com ela, então por que insiste tanto nisso?! – Lothos parecia procurar uma saída de um labirinto conversando com Zero.

–Você sabe que eu consegui me livrar das correntes que me prendiam, mas a liberdade total ainda está longe do meu alcance. Talvez... – Zero olhou para a porta do ginásio e Lin se encostou a parede para não ser vista – Ajudar a Lin me ajude também. Eu procurei sobre a história dela. Não é impossível ajuda-la. É só fazer com que ela escolha um lado.

–Você fala como se isso fosse um detalhe. Mas sabe muito bem que não é. Você sabia que o antigo treinador dela morreu quando Lin liberou o poder das Trevas? Eu tenho alunos normais aqui nesta escola e quero que eles permaneçam vivos. Pode continuar com essa loucura, mas se eu ver que você é incapaz... Zero, você será demitido.

O professor assentiu, como se o aviso não fosse de tamanha importância. Lothos caminhou para fora da quadra e Lin correu em direção ao banheiro. Não dava mais para segurar as lágrimas. O que Lothos dissera era uma verdade que machucava a alma. Lin olhava para si mesma pelo espelho. Não conseguia acreditar que, por detrás de seus olhos, havia uma força que superava a bondade de seu coração. Era isso que ela pensava.

–Aconselho que peça ajuda, Zero. – Disse Lothos, antes de sair – Há uma pessoa que passou pelo mesmo processo que Lin, ainda que mais controlável. Você o conhece. Deveria pedir...

–Lothos, eu sei o que fazer. Não me trate como um subalterno.

–Mas você é.

A diretora deixou o local e, antes de voltar para sala, esbarrou em Lin, que andava de cabeça baixa desde que saiu do banheiro.

–Eu sei que você ouviu tudo. – Informou Lothos, encarando a menina.

–Você disse de propósito, então? – Lin a olhou, com os cílios úmidos.

–Sim. Você precisa estar ciente do que está fazendo aqui e o que Zero está fazendo por você.

A diretora não esperou por mais palavras por parte da menina, saiu como se nem houvesse conversado com Lin.