Notas iniciais
Gente, eu não sei se alguém se enrolou com as voltas no tempo, só sei que esse é o ultimo capítulo que fazemos isso x_x Tudo começou com a Lin que se adianta demais ¬¬ Enfim! Boa Leitura õ õ/

Elesis acabara dormindo depois de pensar tanto no “susto” e se aquilo poderia ter alguma relação com o que aconteceu com Lass, mas não se conformava em achar que Lupus tinha alguma coisa a ver.

Acordou tarde no dia seguinte, quase na hora do almoço. Jin a acordou, melhor dizendo.

–Não tenho mais sossego nem nas férias, Jin?! – Elesis se levantou da cama, prendeu o cabelo que estava bagunçado e foi abrir a porta de seu quarto – O que foi?!

–Nossos pais foram embora.

–Como? – Elesis mudou seu semblante.

–Eu acordei ainda a pouco e desci para tomar café, quando vi um bilhete deles sobre a mesa.

–Mas eles estavam aqui ontem! – A ruiva abriu os braços, inconformada – A nossa mãe me levou no hospital.

–Eles saíram de madrugada. Está tudo no bilhete.

–Jin, para de mentir! – Elesis saiu do quarto e empurrou o irmão, para dar passagem. Desceu as escadas correndo. Chegou à cozinha e viu um papelzinho em cima da mesa, como o ruivo dissera.

Jin chegou à cozinha assim que Elesis pegou o bilhete para ler.

–Eu queria muito estar mentindo, mas eles já foram trabalhar. Sem nem...

–Como sempre. – Elesis amassou o papel e jogou em qualquer canto da cozinha com força. A bolinha de papel rolou até parar perto da geladeira – Eles saem sem nem se despedir de nós.

A ruiva fechou as mãos e bateu na mesa. Sua franja acabou soltando do elástico que prendia o cabelo e caiu sobre seu rosto, que estava abaixado.

Jin ficou em silêncio. Não era novidade a irmã se comportar daquela maneira, mas piorava toda vez que isso acontecia.

***

Lupus voltou para casa desnorteado. Não acreditara que havia cedido para Rey. Não acreditava que havia cedido por causa de sentimentos que nem ele sabia identificar.

–Ela não deveria ter feito isso... – Sussurrou para si, sentando na poltrona e tampando o rosto com as palmas das mãos.

***

Ronan não era de expor seus sentimentos para os pais, tanto que, quando começou a namorar a Amy, eles só foram saber depois pela própria menina.

–Ronan? – Chamou o pai, quebrando o silêncio.

–Pai... – O rapaz tomou um pouco mais de suco, dessa vez sem engasgar – Eu estou apaixonado. E... – Ronan olhou para outro canto da sala e depois voltou para o Sr. Erudon – Eu queria que fosse ela quem dançasse comigo.

Ele olhou para Amy, que apenas assentiu. Até ela se sentiria mais a vontade com a situação.

–E ela é alguém que conhecemos, filho? – Perguntou a mãe de Ronan.

–Não... Não diretamente.

–Qual é o nome da menina que encantou você, Ronan? Ela parece ser bem misteriosa. – O Sr. Erudon estava com uma expressão séria e havia parado o almoço para saber mais sobre a paixão do filho e no que aquilo poderia interferir em seus interesses.

Ronan hesitou um pouco. Estava nervoso diante os pais. Amy percebeu.

–Quer que eu fale? – Perguntou a menina – Você parece que vai ter um treco se abrir a boca e falar o nome dela.

A mãe de Ronan soltou um breve riso.

–Não precisa, Amy... – Ronan a olhou e depois olhou para os pais, por fim, dizendo – O nome dela é Elesis.

–Elesis? – O Sr. Erudon analisou – Um nome diferente. Sobrenome?

–Pai... – Ronan riu cético – Isso não vem ao caso. Eu me apaixonei pela pessoa dela, não pelo nome ou sobrenome.

–Eu sei, mas eu preciso saber se ela poderá nos ajudar em nossos interesses.

–Ajudar em nossos interesses? – Ronan aumentou o tom de voz e Amy segurou a sua mão. O rapaz respirou fundo e soltou a mão da menina, já mais calmo.

–Ronan, eu gostaria que você se apaixonasse por alguém...

–Alguém da nossa classe? – Ronan interrompeu a fala do pai.

–Não é isso! – O Sr. Erudon também alterou o tom de voz – Independente disso, eu quero que você namore alguém que some com você. Afinal, você terminará o colegial ano que vem e fará uma Escola de Esgrima.

–O quê?! – Ronan novamente aumentou sua voz, mas Amy sabia que, desta vez, não poderia fazer nada – Quem disse que eu irei fazer isso?

–Ora! – O Sr. Erudon encarou o filho – Você seguirá a geração de seus antecedentes, não é? Você conheceu a Tirfing. Tomou gosto pela luta.

–Está colocando palavras em minha boca, pai.

–Pensei que tinha lutado no Campeonato que teve em sua escola.

Ronan se calou.

–Não lutou? – O pai quis saber.

–Não. – Respondeu Amy.

–Sim. – Corrigiu Ronan.

A menina o olhou, como se o repreendesse por ter afirmado. Já que ele não lutara por si, mas, sim, no lugar de Jin.

–Pois então, frequentará uma Federação de Esgrima. Admiro você não ter ganhado esse Campeonato, pois, diferente de mim, tenho certeza que você adquiriu grandes habilidades. Engraçado, – O Sr. Erudon soltou um breve riso – muitos pensaram que eu fosse querer que você seguisse minha carreira, mas sei que você quer muito mais que terno e gravata. Então fará esgrima.

–Eu não farei nada. – Ronan respondeu num tom excessivamente sério – Eu ainda nem sei o que serei futuramente.

–Mas você deve ter impressionado muita gente lutando com espada, não foi? – O Sr. Erudon sabia que tinha algo a mais e queria descobrir o que era.

–Pai, — Ronan estava com a voz rouca – eu não lutei de espada. Não literalmente falando.

–Como assim?

Amy suspirou pesadamente. Esperava que Ronan cedesse ao pai e não o confrontasse. Olhava para a mãe de Ronan e a mesma também não sabia o que fazer naquele momento.

–Eu não lutei o Campeonato para meus fins. Eu só entrei para ajudar...

–Essa tal Elesis? – O pai de Ronan falou com uma voz grave, aparentando um pouco de raiva.

Ronan pensou em dizer que foi para o irmão dela, mas, de qualquer forma, ele lutou no lugar de Jin mais pela Elesis do que pelo ruivo.

–Sim. E faria mil coisas por ela. – Disse, sendo sincero consigo mesmo.

–Muito bem... – Pensou Sr. Erudon – Vejo que essa garota mais o atrapalha do que o ajuda.

–Isso não é verdade! – Ronan se levantou da cadeira, batendo as palmas da mão sobre a mesa.

–Não? Você poderia ter vencido esse Campeonato e conseguido uma bolsa nas mais cobiçadas Federações de Esgrima, caso tivesse algum olheiro. O que, com certeza, deveria ter. Pense grande, Ronan!

–Eu nem queria participar desse Campeonato! E eu não farei nada disso, não está nos meus planos ser um esgrimista. Você nunca parou para pensar que eu poderia ser médico ou advogado? Um jogador de futebol ou sei lá mais o quê?!

–Está no seu sangue a destreza de lutar com a espada, filho! – O pai de Ronan mantinha sua expressão séria e cautelosa. Ao contrário de Ronan, permanecia sentado.

–Você quer ter um filho campeão, não é isso? Que dê orgulho futuramente, com taças e medalhas, como alguns filhos de seus amigos. Mas eu não quero isso! E a Elesis não tem nada a ver com a minha escolha.

–Ah, não, claro. – Disse o Sr. Erudon com ironia – Ela o fez lutar no Campeonato e não usar a espada. Isso não interfere na sua escolha, tem certeza?

–Isso não importa! Eu gosto dela e farei de tudo para que fiquemos juntos.

–E eu não irei intervir, Ronan. A menos que ela atrapalhe os seus interesses.

Ronan olhou incrédulo para o pai.

–Ela não me atrapalha! E você fala dos meus interesses como se realmente fosse o que eu quero para mim.

–Vamos ver até onde essa ilusão de sentimento que você sente por essa Elesis vai.

–Não é uma ilusão!

–Veremos. – O Sr. Erudon deu uma singela pausa – A propósito, essa jovem gosta de você do jeito que você aparenta gostar dela?

Ronan abaixou o rosto.

–Bom saber que você está se rebaixando ao ridículo de lutar por uma causa perdida. – O Sr. Erudon se levantou da mesa – Perdi a fome.

Sua esposa tentou segurar em sua mão e impedir que ele saísse, mas foi inevitável. O pai de Ronan parou antes de sair da sala.

–No dia de seu aniversário, quero conhecer a Elesis e quero dance com ela. E, quando tudo acabar, você verá que eu estava certo e que tudo não passou de uma ilusão. – Por fim, se retirou do local.

–Filho... – A mãe do rapaz tentou confortá-lo – O seu pai se equivocou, eu sei que você gosta dessa menina. Mas ele não perde a razão nas palavras, ainda mais sabendo que a Elesis pode não nutrir o mesmo sentimento que você tem por ela.

–Eu tentei fazer o Ronan mudar de ideia. – Amy se pronunciou – Mas ele... – A rosada hesitou – a ama de verdade, Senhora Erudon.

Ronan levantou o rosto e olhou surpreso para Amy.

***

Mesmo do lado de fora, Alfred segurava as bolsas com elas dentro do carro, assim, não estavam no campo de visão da professora. Dio fez um jogo de olhares com seu mordomo, que entendeu como ordem para levar as sacolas para dentro da casa. Gyna não era do tipo que pedia, mas o asmodiano gostava de presenteá-la.

– Eu comprei alguns presentes para você.

Gyna ficou surpresa com tantas sacolas assim que viu Alfred adentrando a sua casa.

–Eu realmente não esperava por isso...

Dio ficou preocupado com o que Gyna havia dito.

–É muito pouco, né? – Dio encarou o seu mordomo.

–Eu avisei que a senhora Martinez iria querer mais. – Disse Alfred, com sua postura séria e ainda carregando as sacolas.

–Odeio ter que concordar com um verme... – Dio balançou a cabeça.

–Não! – Gyna estava ficando vermelha de vergonha – Eu não quero mais sacolas.

–Então você não gostou de nenhuma?

–Não é isso, Dio. Sei que você deve ter escolhido os melhores presentes, mas...

–Isso não representa uma forma de pedir desculpas?

–Dio... – Gyna suspirou pesadamente – Comprar essas coisas para mim significa muito, mas não precisava...

–Mas eu te machuquei...

–Esqueça isso. – Gyna se aproximou dele – Eu já disse, não precisa se preocupar.

Alfred não estava mais reconhecendo seu patrão. Afinal, Gyna conseguira mesmo mudar Dio?

–Mas quero que fique com os presentes. – Dio fez um sinal para que seu mordomo colocasse as bolsas na poltrona da sala. E assim ele fez.

Gyna apenas sorriu, mesmo achando um exagero na parte de Dio aquilo tudo.

–Amanhã eu irei à escola, quer vir comigo? – Perguntou Gyna, quebrando aquele clima que se instalou.

Dio apenas afirmou com a cabeça. Depois fez com que Alfred desaparecesse.

***

Lin ficou parada no corredor. Algo a sufocava. As palavras de Lothos eram a verdade que ela queria ignorar.

O tempo ia passando e Zero estava na quadra e aguardava Lin sentado na arquibancada, como de costume. A menina resolveu sair da inércia e se dirigiu ao ginásio, afinal, tinha um treinamento e um compromisso a cumprir.

Ela entrou em silêncio. Ficou no meio da quadra e encarava Zero, que a olhou assim que adentrou o recinto.

–Zero, eu...

–Não pense em desistir.

–Não. – Lin estava com a voz falhando, mas tentou se manter séria e firme – Eu quero dizer que darei o máximo de mim para não te fazer estar comigo em vão.

O professor apenas balançou a cabeça.

Lin se sentou e começou sua concentração. Zero apenas a observava. Estudava o jeito que a menina ficava, a calma na suavidade de seu rosto. Era difícil imaginar que Lin era uma ameaça.

–Você sente mais raiva ou mais paz quando treina? – Perguntou Zero, mas Lin demorou a responder – Eu te fiz uma pergunta.

–Eu juro... – Zero não entendeu o que Lin estava dizendo – Eu juro que não queria mata-lo, mas... – Ela levou as mãos até o rosto, ainda sentada – Eu sinto muito.

Zero não soube como reagir diante da menina chorando e pedindo por consolo.

–Não precisa chorar. Já passou. Não há como voltar atrás.

–Não... Não passou. Eu ainda me sinto culpada por... – Lin se levantou – Eu não quero desistir, quero poder me controlar, mas... Eu posso te matar, Zero.

Ele riu.

–Acho que a última coisa que você conseguirá será me matar.

–Por que está achando graça? Lothos esteve aqui e te contou tudo! – Lin abriu os braços.

–Eu sei. E não se preocupe com isso. Agora... – Zero deu uma breve pausa e esperou que Lin enxugasse as finas lágrimas que derramou – Diga-me: sente raiva ou conforto?

–Eu... Eu não sei dizer.

–Precisa me dizer.

–Sei lá... Quando eu entro na quadra, sinto que preciso me esforçar bastante para alcançar meu objetivo.

–E qual seria? – Zero parecia pensativo e não tirava seu foco de Lin.

–Não permitir que o caos tome conta da minha alma.

–Profundo, não acha? – O professor cruzou os braços na altura do peito.

–É a verdade. – Lin abaixou o rosto.

–Mostre-me do que é capaz para se controlar. Mostre-me até onde seu coração suporta para que a sua escolha não seja a errada.

–E se eu escolher o caminho errado?

–Você vai?

Zero tirou a Grandark das costas e caminhou para mais próximo da menina.

–Não fique com dúvidas. Tenha certeza do que quer e sobreviva para ver sua conquista. – Zero cortou o ar em horizontal e Lin deu um pulo para trás.

–O que está fazendo?! – Perguntou a menina, não esperando pela ação.

–Treinando.

–Assim?!

–Menos papo e mais ação, por favor. – Outro corte mais próximo da barriga de Lin, que deu mais um passo para trás. Ela não tinha arma para se defender. Pelo menos era o que pensava.

–Zero! – Lin não estava entendendo o contra-ataque do professor.

–Você já conseguiu liberar os selos uma vez. Libere-os novamente.

–Mas estou sem arma!

Zero continuava a se aproximar da menina com cortes afiados, mas que apenas passavam pelo vácuo, pois Lin conseguia se esquivar.

A espada abriu o olho e Lin ficou com os olhos arregalados, parando, em seguida, de se esquivar. Acabou por levar um corte no braço de Zero. A ferida ardeu e sangrou imediatamente. O sangue escorria pelo braço de Lin como gota de suor.

–O-o que é isso?! – Ela não parecia se importar com a dor e o machucado, sua atenção era para a espada surreal a sua frente. Zero parou.

Há um poder dentro de si... Que não precisa... De arma para ser executado...

Lin entreabriu os lábios. Zero permanecia imóvel. Encarava a aluna sem cessar.

–Ze-zero... – Gaguejou Lin – O que significa isso? A sua espada está falando!

–Ignore-a. – Zero voltou a ficar na ofensiva. Atacando Lin sem pudor.

–“Há um poder dentro de si...” – Lin recobrou o que Grandark, que já voltara a ficar com o olho fechado, dissera – Há um poder dentro de mim que não precisa de arma... – Murmurou para si, enquanto desviava de mais um corte.

Lin acabou batendo as costas na trave do gol no final da quadra.

–Fim da linha? – Perguntou Zero, redundantemente sério.

A menina permaneceu em silêncio. Fechou os olhos e sentiu uma dor no peito forte.

–Fúria... Tempestade... – Lin caiu no chão de joelhos e Zero parou de atacar, ficou observando e atento nas palavras ditas por ela – Céu ou Inferno... – Lin parecia ofegante, como se tivesse lutado para valer com Zero – Interior... Meu interior está me... Me sufocando... Agnécia... Ou Puro mal... Poder Celestial ou Trevas...

–O que você está dizendo? – Zero estava perdido nas palavras.

Uma asa negra e uma branca se formaram nas costas de Lin. Algo espantoso e incrível. Zero de um passo para trás. Nas pernas da menina, desenhos estavam sendo formados. Na direita, o desenho era azul; na esquerda, preto. Ambos com traçados diferentes.

Lin levou as mãos até os ouvidos e pressionou. Seu cabelo cresceu consideravelmente, soltando-se da presilha que o sustentava.

Lin havia se transformado, mas não tinha uma escolha. Estava com os dois lados do poder dentro de si. Luzes vermelha e preta com resquícios de luzes branca e dourada surgiram ao redor da menina e, carregadas de mana, jogaram Zero para mais distante de Lin, colidindo as costas no chão e deixando Grandark escapar de suas mãos.

–Um poder sem arma, sua espada disse. – Lin já estava de pé. Tinha um corpo mais desenvolvido e uma voz mesclada em dois tons: suave e grave – Vamos ver do que esse poder é capaz...

A menina sorriu, mas, ao mesmo tempo, parecia que era um sorriso forçado.

Lin começou a atirar esferas vermelhas contra Zero, mas a outra força interior conseguia fazer com que ela errasse de propósito a mira.

Zero, ainda no chão, esticou o braço e tentou alcançar Grandark, mas sem sucesso. Lin, por sua vez, lutava consigo mesma contra a força que tentava dominá-la.

–Chega de brincar comigo, Zero... – Lin se aproximou dele, sem lançar mais esferas – Chega de querer encontrar em mim a sua liberdade. Eu não sei o que te aflige, tampouco se isso tem a ver com a espada que carregas. Estamos num mundo que não acredita em magia, mas que, porventura, sabe que existe. – Lin parou a frente de Zero, que a olhava inexpressivo – E, nesse mundo, eu farei questão que você não exista mais.

Fez-se um tempo rápido de silêncio na quadra. Nem mesmo as respirações eram ouvidas. Zero ainda mantinha a mão esticada para a espada.

–Eu te dei tempo suficiente para fugir. – Disse a menina, séria – Por que não foi?

–Porque sei que não fará nada comigo. Foi um blefe, nada mais.

–Sério? – Lin riu debochadamente – Acha que te pouparei?

O professor permaneceu em silêncio.

–Eu não tenho nada a perder em te matar.

–Eu já disse que você não fará isso e também não será fácil tirar a minha vida.

–Como é confiante para alguém que está sendo ameaçado... – Lin não sorriu e sua voz foi mais suave do que grave.

Zero se remexeu para alcançar a espada no exato momento em que Lin esticou ambos os braços.

–Explosão Existencial! – Bradou a menina e as mesmas luzes preta e vermelha com mana surgiram, vindas do chão e a rodeando.

Zero puxou a Grandark para perto de si, levantou-se rapidamente e ficou no modo de defesa, colocando a espada a frente de seu corpo. Ele sabia que aquilo não bastaria, seria agredido pela força usada por Lin, sabia que era um poder quase insuperável.

–Luz... – Zero soltou a Grandark, deixando-a cair no chão e ficou olhando para Lin, esperando pelas palavras dela – Luz... Luz Eterna!

Uma mistura de magia empurrou novamente o professor para trás; porém, ele não caiu, conseguiu se equilibrar.

Lin ainda tinha os braços esticados e começou a flutuar. As luzes preta e vermelha estavam dando lugar às luzes branca e dourada.

Mesmo não havendo a explosão, Lin fora arremessada para dentro do gol e voltara a sua forma natural. Zero parecia ofegante e não se deu o trabalho de ir ver como a sua aluna estava.

Apenas buscou sua espada e saiu da quadra. Caminhou apressadamente até a enfermaria e pediu para uma jovem, de cabelo curto e negro, que fosse socorrer Lin. Não explicou o que de fato acontecera. Pouco falou. Saiu da enfermaria e se dirigiu à sala da diretora.

–Lothos, – Zero não bateu a porta e adentrou, já que a mesma estava aberta – você... Tinha razão.

A diretora apenas levantou os olhos para Zero, pois estava verificando alguns papéis. O barulho do ventilador era o único a ser ouvido na sala depois do que o professor disse.

Lothos largou os papéis sobre a mesa e pegou o telefone. Discou alguns números e esperou. Zero já sabia o que estava acontecendo e para quem a diretora estava ligando.

***

Lupus estava assistindo televisão naquela manhã quando o telefone tocou. Ele se lembrou de quando James ligou para ele e também se lembrou da mensagem que recebeu, em seu celular, de Arme.

Levantou-se como um míssil em disparada e pegou o telefone, que já tocara pela terceira vez, jogando-o contra a parede.

***

Lothos desligou o telefone, pois havia ficado mudo de repente.

–Terei que falar com ele diretamente. Virá comigo?

Zero saiu da sala sem responder.

–Acho que isso foi um não. – Lothos se levantou e seu telefone tocou, mas não era quem ela esperava, mas, sim, uma mãe perguntando sobre a volta das aulas.

Assim que terminou de falar e colocar o telefone no gancho, saiu de sua sala e viu a professora Gyna adentrando a escola junto com Dio.

–Lothos, eu vim trazer a declaração...

–Deixe na Sala dos Professores, que depois eu passo lá e recolho. – Como uma máquina realizando seu trabalho, Lothos falou enquanto passava direto pelos dois.

–Tsc. – Dio não pareceu se importar muito com aquilo, mas estalou a língua reprovando a atitude de Lothos em falar daquele jeito com Gyna – É desnecessário que você continue trabalhando dessa forma desprezível.

Gyna parou no corredor e ficou de frente para Dio.

–Não julgue meu ambiente de trabalho. Com certeza há um motivo para o comportamento da diretora, afinal, ela nunca foi de ser simpática. Então, — Gyna olhou sério para o rapaz – nunca mais critique minha profissão. É uma honra ser professora.

Ela se virou e seguiu seu caminho para a Sala dos Professores. Dio não esperava por uma reação negativa de Gyna, mas também não pareceu se incomodar com isso. Acompanhou-a em silêncio.

***

Lass já estava ficando impaciente no quarto. O médico apareceu e pediu que Arme fosse com ele resolver algumas coisas. Pediu também que um responsável fosse até o Hospital para assinar a alta de Lass.

Mas isso tinha sido há uma hora e meia.

Bateram na porta e Lass mandou que entrasse. Era Ryan, que entrou e fechou a porta.

–E aí, cara? – Ryan se aproximou da cama – Eu falei com a Arme lá fora, ela estava com o avô, assinando algumas coisas.

–Hum... – Lass olhou para a porta – A Lire não veio com você?

–Não falei com ela que viria, nem avisei aos meus pais. – Ryan fez uma pausa – Eu vim aqui por dois motivos.

Lass estava estranhando o jeito do amigo, que parecia mais sério do que o costume. Esperou que Ryan continuasse.

–O primeiro, é para dizer que você pode contar comigo. Quando descobrir quem foi o safado que te atropelou, eu junto contigo e o arrebentamos. – O alaranjado riu do que disse e Lass acabou soltando um breve riso, já que sua costela latejava quando fazia o ato de rir, pois contraía a barriga.

–Pode deixar. – Lass sentou na cama para se sentir mais confortável.

–Eu ainda não me conformei com o fato de você ter sofrido esse acidente... Tipo, — Ryan tentou achar alguma resposta – não tem cabimento!

–Eu sei...

–Você não sabe o que poderia ter acontecido?

–Ryan, eu realmente não faço ideia do porquê de eu ter sofrido esse acidente. Afinal, estava indo me encontrar com amigos.

–Já pensou... – Ryan estava hesitante – Na hipótese de alguém estar envolvido com isso?

Lass suspirou.

–Vocês já pensaram nisso. Elesis mesmo ficou toda pensativa e eu nem entendi.

–Também não... Confesso que fiquei com mais dúvida ainda.

–Não acha melhor esquecer isso, Ryan?

–Não. – Respondeu seriamente.

O silêncio novamente se fez presente. Lass sabia que nenhum dos seus amigos esqueceria aquilo tão cedo, mas preferiu não ficar martelando no mesmo assunto.

–E o segundo motivo de você estar aqui, qual é? – Resolveu, por fim, perguntar.

–Não tem nada a ver com tudo o que está acontecendo, mas... – Ryan sorriu – É importante para mim.

–Fala.

–Quero fazer uma surpresa para a Lire, essa coisa de meses de namoro e tal, sabe?

–Espero que não queira a minha ajuda.

Ryan encarou o amigo.

–Eu vou precisar da sua ajuda.

Lass balançou a cabeça negativamente.

–A Arme não poderá saber, Lass.

–Eu já disse que não ajudarei.

–Vou chamar o Ronan também.

–Nem vem.

–Será algo simples, mas bem elaborado.

–Esquece.

–Só entre os amigos e familiares. – Ryan falava e tentava não rir.

–Não conte comigo.

–Quando você estiver na sua casa, irei marcar com o Ronan para eu contar sobre os detalhes.

–Qual foi a parte do “não vou te ajudar”, você não entendeu? – Lass fuzilava o amigo, que se fazia de desentendido.

Ryan deu um largo sorriso.

–Sabia que poderia contar com você, Lass.

Lass novamente reprovou a ideia de Ryan, mas resolveu não debater mais e negar a ajuda.

A porta foi aberta e Arme entrou. Acenou para Ryan e caminhou até Lass, sentando-se na cama.

–Daqui a pouco o médico vai assinar a sua alta e você poderá ir para casa, meu avô irá te levar.

–Não queria incomodar, Arme... – Lass desviou o olhar da baixinha para outro canto do quarto.

Arme balançou a cabeça e sorriu.

–Você não me incomoda. – Se inclinou um pouco e beijou a bochecha do menino.

–Acho que minha visita por hoje é só... – Ryan caminhou de fininho até a saída do quarto.

Arme acabou rindo.

–Tchau Ryan, valeu pela visita. – Disse Lass, olhando para o amigo, que já tinha aberto a porta.

–Depois combinamos mais, falou? – Ryan deixou o local e fechou a porta.

Arme esperou um pouco, até que a curiosidade falasse mais alto.

–Combinar o quê?

Lass a olhou e nada disse.

–O que vocês estão tramando, Lass Isolet? – A baixinha se levantou com as mãos na cintura.

–Nada. – O menino riu e depois fez uma careta de dor.

–Sei... Quando se trata de Ryan, vem coisa por aí.

–É sério, não precisa se preocupar.

Lass puxou Arme pela cintura e a olhou.

–Estou feliz por você estar bem. – Disse Arme, que foi beijar o menino, se não fosse o médico entrando no quarto.

–Desculpa. – O médico pediu e virou o rosto.

Lass soltou a cintura de Arme e se ajeitou na cama.

–Vim avisar que já está de alta, senhor Isolet. Você é um rapaz de sorte, viu? – O médico se aproximou da cama e entregou uma prancheta com um documento para Lass assinar.

Arme sorriu aliviada por tudo ter se resolvido ou, pelo menos, a situação do Lass.

***

Gyna chegou à Sala dos Professores e viu Mari e Zero. Ambos em silêncio. O professor olhava para a espada em cima da mesa, Mari estava sentada e lia um livro e escrevia algo em um bloco de notas.

–Boa tarde... – Disse Gyna, mas ninguém respondeu.

Dio ficou parado na porta da sala, preferiu não interferir.

–Eu só vim deixar a minha declaração aqui, quando a Lothos chegar, só avisar a ela. – Gyna colocou o documento na mesa, perto da espada de Zero.

Como o ventilador estava ligado, acabou levando algumas folhas. Gyna se apressou para pegá-las, esticando o braço por cima da mesa.

Por se inclinar muito, acabou esbarrando na cadeira onde Zero estava sentado. Mari se levantou da cadeira e pegou uma das folhas que voou até ela.

Gyna se desiquilibrou e quase caiu em cima de Zero, que se levantou também e segurou a professora pela cintura Os dois ficaram tão próximos que, um mínimo movimento, levaria os professores a se beijarem.

Zero a olhava com certa impaciência. Achara que a professora fora um tanto tola em tentar buscar as folhas que voaram parada, apenas esticando os braços, ao invés de ir atrás delas. Porém, nada disse.

–Per-perdoe-me. – Pediu Gyna, sentindo-se constrangida. Olhou imediatamente para trás, a procura de Dio. Ele continuava estagnado. Sem qualquer expressão de surpresa no rosto. Gyna estranhou e voltou a olhar Zero, que ainda a segurava.

Mari já havia pegado todas as folhas e as colocou na mesa, com o livro que estava lendo como suporte. Saiu da sala em silêncio, como estava o tempo todo. Passou por Dio sem nem ao menos olhá-lo.

Gyna se afastou de Zero.

***

Lin acordara com uma forte dor de cabeça e, quando se deu conta, viu que estava na enfermaria.

Piscou algumas vezes para se acostumar com a luz branca persistente que quase cegava seus olhos. Não havia ninguém por perto. Sentou-se na maca que tinha na pequena sala que acomodava equipamentos de primeiros socorros num armário que tampava uma parte da parede.

Sentiu uma tontura repugnante, que a fez querer voltar a se deitar, mas permaneceu sentada. Levou a mão até a cabeça e fechou os olhos. Tentou se lembrar de alguma coisa depois que Zero começou a lhe atacar. Nada.

–Que bom que acordou. Seu professor esteve aqui há pouco tempo. Parecia preocupado com você.

Era uma enfermeira que acabara de adentrar o quarto, a mesma que atendeu Zero. Lin abriu os olhos e viu um sorriso tímido no rosto da jovem.

–Onde... – Lin respirou fundo, a tontura já estava passando – Onde ele está?

–Eu não sei dizer, ele ficou aqui de pé ao seu lado por um tempo, enquanto você ainda estava desacordada e depois saiu. Não disse para onde ia.

–Eu o machuquei? – Lin estava hesitante em perguntar – Ele tinha algum ferimento?

A enfermeira parou para analisar.

–Não que eu tenha percebido ou que ele tenha contatado.

–Entendo... – Lin tentou descer da maca e a jovem a ajudou.

–É melhor você ir para casa e ficar um tempo de repouso.

–Sim.

A enfermeira saiu do quarto e Lin ficou pensativa no que deveria ter ocorrido na quadra. Resolveu seguir o conselho da enfermeira e foi embora.

Não viu Zero e nem Lothos. Também não se preocupou em passar pela quadra ou pela sala da diretora. Sua mente, mais uma vez, estava bagunçada tentando responder dúvidas que pareciam não ter solução.

Lin chegou a casa e preparou algo para comer. Tomou um banho para se refrescar e relaxar do dia tenso que teve. Assim que terminou, foi almoçar e depois se deitou no sofá da sala. Estava tão cansada, que nem ligou a TV para se distrair. Acabou caindo no sono.

***

Gyna e Dio voltaram para o carro em silêncio. A professora não sabia muito que dizer depois do ocorrido. E estranhava muito ver que Dio não dissera nada.

Quando entraram no veículo, Dio estava pensativo. Não havia troca de olhares ou palavras por parte dos dois.

–“Eu não deveria ter sentindo raiva ou ciúmes?” – Pensou o rapaz, enquanto ligava o carro.

–Dio... – Chamou Gyna. Ele apenas a olhou e depois voltou para a rua – Está tudo bem?

Dio parou no sinal.

–Eu gosto de você. – Ele virou o rosto para Gyna, com a expressão calma. Sem sorriso ou seriedade.

–Eu também gosto de você... – Gyna sorriu timidamente e olhou para fora do carro, pela janela.

Dio apertou a garra no volante. Estava incomodado por lembrar que aquelas garras machucaram Gyna. E, o pior de tudo, é que estava incomodado por não ter sentido nada ao vê-la quase beijando Zero. Talvez por ter sido um acidente e não proposital, mas... Ainda era angustiante.

***

Lothos desceu do carro, estacionara em frente a uma casa grande com um muro alto na frente. Bateu no portão de ferro e esperou um pouco.

O portão foi aberto.

–O que você faz aqui?

Lothos pouco se importou com o tom rude.

–Não sei o que fez com o seu telefone, mas precisei falar com você.

–É tão importante assim para vir até aqui?

Lothos resolveu ser direta:

–Preciso de sua ajuda, Lupus.