Virou Simplesmente Amor
5 Contatos
Notas iniciais
Lass estava sentado na cama pensando em como fora sortudo. Poderia ter sofrido algum trauma ou ter ficado paraplégico, entretanto, apenas levou quatro pontos na cabeça e quebrou duas costelas, fora os arranhões em seu corpo. Parecia que fora apenas um... Susto? Era o que Lass pensava, até seus devaneios serem interrompidos com a voz do médico pedindo calma a um grupo que andava no corredor. Logo o silêncio foi implantado, seguido de a porta do quarto ser aberta.
–Senhor Isolet? Você tem visitas... – Anunciou o médico abrindo mais a porta e saindo do caminho.
Era justo que Arme fosse a primeira a adentrar o quarto para vê-lo, o tempo todo esteve muito nervosa e ansiosa. Entrou receosa, seus olhos estavam marejados e fitavam o chão, ao elevá-los e ver Lass sorrindo (um sorriso sem graça, tímido, mas confortante) a baixinha não aguentou e aproximou-se imediatamente do mesmo. Queria abraça-lo, mas hesitou quando viu seu tórax enfaixado.
Ele reparou um lágrima rolando no rosto da menina e limpou. Reparou a aflição. Ela estava com a imagem do acidente em sua cabeça, e apenas essa imagem.
–Ei... – O garoto pediu atenção da namorada. – Olha pra mim, eu estou bem. – Ele tentava não ficar sério para ela naquele momento.
Arme olhou triste para o médico.
–Você não... – Gaguejava enquanto tentava, inutilmente, não chorar. — Não disse que... Ele estava...
–Ele pediu que eu não falasse das costelas quebradas, senhorita.
Ela olhou para o menino assustada.
–Foram apenas duas... – Disse ele fitando outro ponto do quarto.
Num movimento impulsivo, a baixinha o abraçou, com cautela, escondendo seus rosto no ombro dele. Não chorava, mas fungava e soluçava muito. Após alguns segundos naquela posição, Lass percebera uma pequena plateia na porta do quarto, quase que um em cima do outro. A ordem de baixo para cima era: Elesis, Lire, Ryan e Ronan.
Lass ficou olhando seus amigos com uma sobrancelha arqueada. Logo Elesis se levantou bruscamente, desequilibrando os outros, em seguida ajeitando sua roupa como se nada estivesse acontecendo. O médico tentava disfarçar, mas ria da situação desajeitada dos garotos. O quarteto cercou a cama com uma distancia considerável do casal. Lass fez um jogo de olhares com os amigos, mas apenas Lire e Ronan entenderam, ficando de costas, fazendo Elesis e Ryan ficarem também.
Lass levantou o rosto de sua baixinha com a mão livre e beijou a testa. O médico, que via a cena, ficara sem graça com a situação e dirigiu seu olhar para o chão. Arme sorriu com o ato de seu namorado, mostrou estar melhor também, e sentou-se em uma cadeira ao lado da cama. Lass pigarreou e o quarteto se virou como se nada houvesse acontecido.
–Como você está? – Disse Ronan se aproximando com Ryan, ambos sorrindo fraco.
–To legal.
E o silêncio se instalou após as palavras inexpressivas do garoto. Com o silêncio já irritando, Ryan resolveu abrir a boca.
–Pow, cara! Olha só a sua situação! Você sofreu um acidente, todo mundo aqui ficou preocupado contigo, e nem pra você falar um pouco animado que “tá legal”? – Ryan tinha um tom humorado tentando demonstrar indignação. Ele se virou para a roxinha. – Arme, como você consegue fazer esse cara sorrir?
A baixinha ficou vermelha de vergonha pela pergunta do amigo, mas, respondendo, apenas deu de ombros. Enquanto Lire bateu no alaranjado por deixar sua amiga daquele jeito. Elesis e Ronan apenas riam.
–Não, Lire! Eu quero saber, porque...
–Ryan! – A loira o repreendeu olhando feio e cruzando os braços.
–Tá vendo, Lass? – Disse Ronan. – O que seria de você sem seus amigos para te deixarem sem graça e te fazer rir? Ou pelo menos tentar... — O azulado murmurou a ultima frase para si, apenas.
–Ronan, me desculpe, mas quem está deixando a situação divertida? – Disse Ryan cheio de si.
–Ah! Essa eu sei! – Elesis se manifestou. – Não é um idiota azul! – Sorriu e depois completou. – É um palhaço de cabeção laranja que só precisa de um nariz vermelho!
Elesis conseguiu arrancar também algumas risadas dos amigos ali.
–É... Todo mundo resolveu tirar o emprego do palhaço hoje, né? – Ryan tentou se fazer de triste, mas era inevitável sorrir.
–Uma pena Lass não gostar muito de palhaços e circos... – No exato momento, todos olharam para a porta do quarto estranhando o aparecimento daquele ser.
Antes inexpressivo, agora Lass aparentava mal-humorado. Elesis deu um passo pra trás sem que alguém percebesse, e sua expressão agora era de raiva. Arme apresentava um pouco de desespero, enquanto Lire, Ryan e Ronan estavam surpresos.
–O que faz aqui? – Perguntou Lass em tom seco.
Lupus adentrou mais o quarto.
–Recebi uma mensagem dizendo que você estava aqui. – Bufou ao terminar a frase.
–Eu não... – Lass olhou para Arme ainda com sua feição mal-humorada.
A mesma se encolheu na cadeira onde estava sentada.
–Arme? – Chamou a ruiva.
A pequena olhou a todos muito sem graça, sem saber o que dizer ou fazer. Percebeu que Lass a fitava intensamente.
–Foi... Foi o que... eu consegui pensar em fazer aquela hora! – Ela se levantou, estava nervosa novamente. – Hospitais sempre pedem contato de algum familiar. Só pensei nisso! Eu adiantei o serviço!
–Eu moro sozinho! – Exclamou Lass.
–Por isso deduzi o que o contato denominado “Inútil” fosse do seu irmão! Eu queria ajudar...
–Saudades momento love dos dois... – Sussurrou Ryan para o azulado que deu tapa no ombro do amigo.
–Espera um momentinho! – Pediu a ruiva. – Os dois são irmãos?
–Isso não interessa, ruivinha. – No mesmo momento, Elesis fechou sua mão em punho. Lire viu a reação da amiga e segurou o punho, mesmo baixo. – Aliás, porque estou aqui? Sou “inútil” mesmo, né? – O tom de Lupus era de deboche.
–Por favor. – O médico se pronunciou. – Gostaria que não houvesse intrigas nesta área, e que falassem um pouco mais baixo, afinal, tem outros pacientes no decorrer deste corredor.
Lupus apenas encarou o médico e saiu do quarto com raiva. No corredor, pegou seu celular e abriu uma mensagem que já havia visto.
Fardo:
“Você se importa com Lass? Ele está no hospital.”
(Enviada às 17:15)
–Mas que droga, Rey! – Murmurou para si enquanto guardava o celular com raiva. – É o ultimo serviço, e até nunca mais. De “Fardo” eu só preciso do Lass.
No quarto, o médico deixou o grupo sozinho, pois precisava ver outros pacientes. Assim que saiu, Elesis se dirigiu à porta e a encostou, todos a olharam confuso, mas não disseram nada.
–Lass... Você é irmão do Lupus? – Perguntou a ruiva curiosa.
Ele suspirou e olhou para Arme, que sentia-se culpada por ele ter que revelar.
–Sim. – Respondeu frio. Não queria perguntas, mas estava preparado caso surgissem. O que aconteceu.
–Por que não contou pra gente? – O alaranjado parecia ressentido. – Quer dizer... Algum motivo além de você não se expor...
–Não era importante vocês saberem. Não mudaria nada na minha vida e não vai. Uma informação inútil, assim como ele.
O silêncio se fez presente após um bom tempo que não surgiu. Era sinal que aquele assunto estava por encerrado, entretanto, havia uma coisa em que estavam todos curiosos: o motivo de a ruiva ter fechado a porta.
–Lass, eu tenho outra pergunta, mas não se refere a este assunto. — Todos observavam Elesis com olhos curiosos. — Tem algo, relacionado ao acidente, que você possa nos contar?
–Elesis, não faça isso! – Pediu Lire que se preocupava com onde aquela história poderia parar.
–Lire, entenda. Precisamos descobrir. – Disse a ruiva, que, após se dirigir à Lire, olhou para Lass esperando uma resposta.
–Infelizmente os vidros eram bem escuros. – Começou Lass. – Mas tive a impressão de ver, no banco do motorista, alguém aparentemente de idade. Apenas isso que tenho a dizer.
Ronan refletia o que estava acontecendo. Mostrou-se preocupado e interessado quando Elesis puxou o assunto, intrigado quando a loira questionou as atitudes da amiga e quando Lass respondeu.
–O que está acontecendo? – Perguntou o azulado. – Eu perdi algo?
–Arme narrou sua versão dos fatos. – Ryan se pronunciou. – Acreditamos que não foi um mero acidente, o caso de Lass.
–Um atentado? – Ronan olhou para a roxinha, que confirmou com a cabeça.
–Vejo como se quisessem dar um susto. – Lass expôs sua opinião, o que deixou a ruiva um pouco perturbada, de novo.
–Você disse “susto”? – Elesis começou a não se sentir bem. Lembrou-se do “susto” que Lupus deu.
Não fazia sentido caso Lupus houvesse dado o susto em Lass. Fazer o ato e visitar a vítima no hospital? Visitar já não fazia muito o estilo dele... Aquelas informações não seriam reveladas tão cedo por Elesis. As mudanças de humor de Elesis eram nítidas. O grupo a observava mostrando preocupação.
–Elesis? Você está bem? – Questionou Arme.
–Desculpe, gente. Eu... Preciso ir... – A garota saiu apressada do hospital. Fora um dia difícil, já não estava gostando das lembranças que estava tendo durante o dia.
No corredor do hospital esbarrou com Jin. Quando olhou para seu irmão, e ignorou Amy, não escondeu que parecia confusa, intrigada... Ele perguntou, também, se ela estava se sentindo bem, ela respondeu que apenas precisava ir para casa e deu abraço rápido no irmão. Logo ela saiu do recinto apressada. O casal continuou para o seu destino. Ao sair do quarto de Lass, Elesis levou consigo todo aquele clima de tentar resolver o mistério, logo, quando Amy e Jin chegaram, eles apenas conversavam.
*
Na manhã seguinte, Lin estava em casa, acordara cedo mesmo estando de férias, mas só por um motivo: O barulho do telefone estava insuportável e ela teve que acordar.
Assim que o atendeu, ouviu as seguintes palavras:
–Esteja na escola em uma hora, iremos começar seu treinamento.
–Quem... – Lin nem teve a oportunidade de completar a sua pergunta, pois o telefone tinha sido desligado.
Mas, pela voz, ela identificou que era o professor Zero. Despertou rapidamente e foi se arrumar. Não sabia o que era, mas parecia ser importante.
Uma lembrança voltou em sua mente, uma hipótese do que poderia ser a ligação de Zero. Lin se recordou de uma conversa que teve com o professor.
*
–Você consegue controlar a força do vento, não é? – perguntou Zero se dirigindo a Lin.
–Sim.
–Como?! Vento é uma força da natureza e, assim como tal, é uma força extraordinária, capaz de arrancar uma árvore com raiz da terra.
–Anos de treinamento, professor. – Lin estava começando a corar, pois todos estavam a olhando.
–Depois eu quero falar com você, tudo bem?
–Sim.
–Coloque o leque junto aos equipamentos. E podem ir. Nosso treino acabou e eu quero que façam um resumo do treinamento de hoje.
–O senhor vai querer falar comigo ainda hoje? – perguntou Lin.
–Não. Nossa conversa será um pouco antes do campeonato. – disse Zero e quando Lin iria fazer uma pergunta, ele a interrompeu. – Não venha com questionamentos agora. Antes do campeonato eu irei explicar tudinho, agora faça como os outros alunos e vá embora.
–Tudo bem. – disse Lin se retirando do ginásio, bem confusa.
*
Lin foi para a escola. Ainda estava dentro do horário limite que o professor havia lhe pedido que chegasse.
Antes de ir para qualquer lugar, ela passou na direção. Bateu na porta e esperou que Lothos olhasse para ela, mas isso não aconteceu.
–Entre. – Foi apenas o que a diretora disse.
A menina adentrou a sala, um tanto tímida.
–Eu recebi uma ligação... – Lin foi interrompida.
–Eu sei. O professor Zero pediu a minha permissão para poder te treinar. E, antes que pergunte, não é para um treinamento qualquer. É para controlar a força que habita em você. – Lothos explicava, sem ao menos olhar para a menina.
–Eu já imaginava... – Murmurou Lin.
–Agora pode ir. – A diretora finalmente a olhou – Só espero que Zero não se decepcione com você.
Lin abaixou o rosto e suspirou.
–Farei de tudo para não decepcionar mais ninguém.
Quando Lin estava saindo da sala, Lothos a parou com um questionamento.
–Espere. Eu soube que você já treinou antes. Isso é verdade?
–Sim. – Respondeu a menina – Mas não pude aprofundar minha força, pois o professor adoeceu.
–Hum... – Lothos estava pensativa, não queria examinar mais a fundo sobre aquilo com Lin presente e fez um gesto com a mão, para que Lin se retirasse. Assim que a menina saiu, a diretora murmurou para si mesma – Eu preciso saber mais sobre isso... Zero pode estar mexendo com o perigo...
Zero já estava na quadra a espera de Lin, que não demorara muito para chegar.
–Estou bem entusiasmada para o primeiro dia de treinamento. Não vejo a hora de me controlar. – Disse a menina, se aproximando da arquibancada.
Zero só se deu o trabalho de levantar os olhos do que estava fazendo para Lin, pois nada disse.
–Bem… O que iremos fazer hoje? – Perguntou, para não deixar o silêncio pairar entre eles.
–Você já está mais que treinada em relação a concentração interior. Porém, é bom continuarmos com isso por mais um tempo.
Lin já havia entendido o que precisava fazer e caminhou até o centro da quadra.
–Espera. – Chamou Zero – Dessa vez, você se concentrará e liberará as suas habilidades, aos poucos. Gradativamente. Consegue?
Lin assentiu e começou. O silêncio era o som do treinamento. Ela matinha os olhos fechados, mas Zero parecia incomodado com algo. Levantou-se do degrau da arquibancada e foi até a menina.
–Lin.
Ela continuou se concentrando.
–Respira fundo. Respira e Inspira. Regule sua respiração.
–Para de repetir palavras derivadas do verbo respirar, está me irritando. – Lin abriu os olhos.
–Engraçado, você está repetindo os erros da concentração e eu não estou irritado. – Zero se retirou e voltou para a arquibancada.
Lin suspirou e fez o que o professou lhe pediu.
–Primeiro passo… — Murmurou Zero.
Depois de mais ou menos quarenta minutos, Zero resolveu testar a paciência de Lin. Ele ficou de pé e usou a Grandark, arrastando-a pelo chão até atingir Lin, não chegaria a machucar, pois a proporção de velocidade e força, até chegar à menina, diminuiriam.
Lin abriu os olhos assim que pressentiu a presença de algo/alguém perto dela.
–Hora do segundo passo: Usar suas habilidades. – Avisou Zero.
Lin pegou a espada e sentiu o peso da mesma.
–Como consegue carregar isso o tempo todo, professor?
–Ela já faz parte de mim, é leve. Não ligo muito.
A menina estranhou o que ele disse, mas preferiu não aprofundar o assunto. Lin se levantou pronta para a próxima etapa.
–Você me disse que já teve um professor que te ajudou com seu poder, certo? – Perguntou Zero, de frente para Lin.
–Isso mesmo... – Ela virou o rosto – Ele me contou uma coisa, sobre histórias antepassadas sobre minha geração. Eu não entendi muito bem, aliás, pouco me importei com a história.
–Hum... – Zero estava pensativo com as palavras de Lin – Agnécia.
–O quê?! – Lin deu dois passos para trás e arregalou os olhos – O que disse?
–Conhece esse nome?
–Não o diga perto de mim, por favor. – Lin estava com a respiração falhando e precisava pegar ar pela boca, como se seus pulmões não correspondessem sua necessidade de respirar.
–Por que não? É uma simples palavra. – A voz de Zero era calculista.
–Uma palavra que me trás lembranças! E...
–E...?
–Eu não quero recordá-las.
–Por que não? – Insistiu o professor.
–Por que carrega essa espada nas costas como se você a protegesse? – Lin estava começando a ficar com uma mana azul escura com faíscas pretas ao redor do corpo.
–Por que está mudando de assunto? – Zero cruzou os braços.
–Por que está me perturbando com isso?! – A menina levou as mãos até a cabeça, pressionando-as. Ela não olhava para o professor, fitava o chão. – Por que não responde as minhas perguntas também?!
–Porque não é da sua conta saber sobre mim. O caso aqui... É você.
–Chega de saber sobre mim! Pare com isso!
–Está ficando com raiva de mim? – Zero voltou a se aproximar e sussurrou – Agnécia...
Lin caiu de joelhos, suas mãos caíram e tocaram o piso. A menina começou a rir freneticamente, aumentando o volume de sua risada.
–Raiva? – Perguntou, ao cessar o riso – Você verá o que é sentir raiva.
Ela levantou o rosto lentamente, seus olhos estavam tomados pela escuridão, como se um líquido negro tivesse tomado suas pálpebras, até as íris azuis foram encobertas pelas sombras.
–O que pretende fazer? Atacar-me? – Questionou Zero.
–Esse é o passo dois, não é? – Lin estava fora de si – Força Sobre-humana.
Zero deu um salto para trás. Já esperava pelo ataque. Assim, não sofreu nenhum dano que fosse causado pelo poder da menina.
–Use sua espada protegida! Quero saber até onde a sua força vai contra a minha. – Lin riu, começando a flutuar pela quadra.
–Era isso que eu queria... – Zero deu um sorriso de canto.
A menina estava sendo totalmente devastada pela dominação.
–Verás a minha força, Zero! Verás que não tens condições de me dominar ou de fazer que este frágil corpo me controle!
–Eu já enfrentei coisa pior que você. Não tenho medo.
–Não encaro a batalha que vivo com medo, encaro como um refúgio de sobrevivência eterna.
–Não ficará para sempre se apoderando de Lin.
–É o que veremos, meu caro...
Lin lançou uma rajada de vento e Zero correu em direção à arquibancada, subindo até o último degrau.
–Não fuja!
–Não faço isso.
Lin flutuou até onde Zero estava. Ele permanecia parado, como se esperasse por aquilo. A menina foi planando até tocar num degrau abaixo do professor.
–Você não vai conseguir, desista. – Lin estava com um tom de voz mais suave.
–Desistir não faz parte dos meus planos. – Rebateu Zero.
–Seus planos não são de salvar Lin do seu destino traçado.
Zero permaneceu em silêncio. Queria descobrir mais sobre o que de fato acontecia com a Lin.
–Acredita em lenda, Zero? – Indagou Lin, que esperou um tempo e não obteve resposta, então prosseguiu – Não sei onde descobriu sobre Agnécia, mas deve saber que ela foi uma heroína, usando seu próprio corpo para dominar o mal que atacaria um mundo. E, antes de morrer, usou sua força para reencarnar em outro corpo. O meu... Se Agnécia morresse, o mal iria atacar este mundo. Se eu morrer... – Lin sorriu – Acontecerá o mesmo. Agora eu te pergunto: Quer mesmo continuar com esta loucura de me ajudar a controlar essa força acima de qualquer explicação humana?
–Você conseguiu se controlar na primeira vez que isso aconteceu. – Foram as palavras de Zero.
–Como sabe?
–Se não conseguisse se controlar, não estaria aqui. Não desistirei e nada que diga, nada que tente fazer irá mudar minha decisão.
–O selo não aguentará tanto tempo, professor.
–Eu sempre lutei contra o tempo.
–Desista de mim!
–Por quê?
–Porque as sombras me dominaram uma vez e se... E se der errado a sua tentativa de me ajudar?
–Eu não terei escolha.
–Me matará?
–Te destruirei.
–Como ousa falar assim comigo?!
–Estou cansado de conversa, o segundo passo era você usar suas habilidades.
–O quê?! – Lin estava incrédula com aquilo. Zero era bem mais misterioso e frio do que imaginava. A menina fechou os olhos e caiu no degrau.
Zero desceu e voltou para o piso da quadra. Sem olhar para trás, caminhou até a porta.
–Não vai ser fácil... – Murmurou.
Você tem sorte de eu não interferir...
Aquela voz grave e rouca ecoou em seus ouvidos. Grandark acabara de se manifestar.
–Zero! – Chamou Lin, que estava em seu estado normal. Com os olhos azuis e sem mana a envolvendo – Como você me fez voltar ao normal?
–Eu não fiz nada. – Dito isso, o professor se retirou.
Lin ficou com um mar de dúvidas em sua mente. Afinal, não se lembrava da conversa que teve com Zero, era como se, quando fosse dominada, uma escuridão cegasse seus olhos e a outra lhe controlava e, quando recobrava a sua consciência, não tinha noção do que fizera ou falara.
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