Notas iniciais
Hey, aqui mais um capítulo, obrigada a Anki-chan pelo maravilhoso comentário!!

– Pode me explicar novamente o que estamos fazendo? – Kasane Teto indagou enquanto ajeitava o jaleco perolado que recebera do departamento.

– A comandante Luka nos mandou rever tudo o que sabemos sobre a segunda vítima e nada melhor do que reviver tais lembranças analisando mais uma vez o cadáver. – A detetive Kagamine Rin respondeu enquanto colocava as luvas.

– Essa parte eu entendi, o que eu quero saber é o que estamos fazendo aqui em plenas cinco e quarenta e cinco da manhã. – A avermelhada respondeu dando um longo e preguiçoso bocejo. Kasane Teto era o que o pessoal do departamento gostava de chamar de “reminiscer”, a garota de cabelos cacheados era responsável por relatar tudo o que ocorria em cada caso para que a memória de Megurine Luka estivesse sempre fresca. Por tal motivo, Kasane raramente fazia participações mais importantes nos casos, não que ela se importasse, na verdade, Teto preferia deixar as coisas do modo em que estavam. Entretanto, Megurine Luka a designara para acompanhar Rin nas investigações da segunda vítima, o que não foi uma boa notícia para a garota. Kasane Teto era tão sedentária que era muitas vezes dita como filha do mais preguiçoso de todos, Kamui Gakupo.

– Acredito que seja mais fácil investigarmos de dia. – Explicou Rin forçando-se a não fazer uma careta, para ser sincera, Rin queria do fundo do coração, concordar com Teto.

– Tudo bem, e o que fazemos agora?- Teto indagou após um suspiro.

– Agora esperamos, não podemos entrar no necrotério sem Neru Akita, afinal ela é responsável por aquele lugar.

– Necrotério?! Esse lugar me dá arrepios, o que será que a Neru pensava quando escolheu tal área para se especializar? – Teto disse consigo mesma, ela era realmente parecida com Gakupo.

As duas garotas estavam ali plantadas desde ás cinco horas, uma mais impaciente que a outra, enquanto isso, Akita Neru saboreava sem a mínima pressa seu café da manhã digno de rainha, foi realmente um infortúnio quando a loira se deu o trabalho de aparecer, segurando um pequeno café expresso e com uma bela desculpa para dar pelo atraso.

– Desculpem, acabei presa no trânsito. –Ela disse sorrindo.

“São cinco da manhã, não há transito.” Rin pensou em falar, mas achou melhor ficar quieta.

– Então Luka quer ver de novo o segundo cadáver não é? –Neru indagou guiando as duas garotas para a ala do necrotério. – Aquela mulher é muito indecisa.

– Não é indecisão, ela só quer que chequemos uma coisa. – Rin respondeu cruzando as mãos atrás das costas. – Mudando de assunto, você realmente acha uma boa ideia entrar com alimentos em um lugar como esse?

– Rin, Rin. – Neru repetiu meneando a cabeça. – Saber que não pode é o mais divertido.

Rin suspirou, a equipe de elite era realmente problemática.

[...]

Len Kagamine movimentava-se preguiçosamente em um dos vários balanços do parque municipal. O garoto impulsionava seus pés com a mínima força possível, seus intensos olhos azuis não estavam com o brilho costumeiro, naquele momento, suas orbes eram semelhantes às de suas vítimas após o garoto lhes tirar a vida. Seus pensamentos estavam focados em uma só coisa. "Quem era aquela garota?"

– Ei, tio!- Uma voz infantil chamou-o. – Tio!

Len voltou seus olhos a uma pequena garotinha que o observava com certa curiosidade. Tio?! Essas crianças de hoje não tinham respeito. Pronto, agora Len estava oficialmente falando como um velho, havia razão para aquela criança chamar-lhe desse jeito e Len permitiu-se soltar um riso.

– Tio!- A garotinha chamou-o novamente.

– O que é? – Len indagou um pouco irritado por ela continuar persistindo.

– Está tudo bem com o senhor? Parece um pouco triste.

Senhor?! Era o fundo do poço, o garoto riu novamente.

– Não. – Len respondeu ainda rindo. – Está enganada, não estou triste.

– É mesmo?- Ela disse enquanto sentava-se em um balanço ao lado de Kagamine. –Então porque o senhor esta com essa expressão?

Len observou a criança um pouco mais antes de responder. Cabelos negros amarrados com duas presilhas amarelas, blusa branca por baixo de um vestido vermelho. Era uma típica colegial, deveria ainda estar no primário.

– Estou apenas pensando muito em uma coisa. Uma pessoa para ser mais exato.

– Essa pessoa deve ser realmente muito especial, para o senhor estar com essa cara. — A menina falou impulsionando seus pezinhos para balançar com mais facilidade.

– Não é bem assim. – Len riu de si mesmo por estar dividindo seus problemas com uma criança. – Eu nem a conheço, apenas não consigo tira-la da cabeça.

– Será que o senhor não está apaixonado? – Ela indagou sorrindo.

– Apaixonado?!- Len achou graça da inocência daquela criança. Talvez ela ainda acreditasse em contos de fadas. – Quem sabe...

– Eu adoro histórias de amor! – A menina exclamou sorridente. – Fico feliz por fazer parte da sua.

“Amor?” Len pensou. “Entendo então eu amo todas essa mulheres, por isso tenho que matá-las.” Len soltou um sorriso sádico.

– Tio? – A menina chamou-o tirando-lhe de seus devaneios.

Len voltou seus olhos a ela, mas a menina nada disse. Após alguns minutos, Len pode ouvir alguém gritando um nome, um nome ainda desconhecido.

–Ah, é a minha mãe. – A garotinha saltou do balanço. – Eu espero que sua história tenha um final feliz tio, a propósito, sou Kaai Yuki.

Logo após a pequena correu em disparada em direção a uma silhueta que aguardava por ela.

Len Kagamine sorriu.

[...]

O corpo da segunda vítima estava em um estado terrível, a deformação juntamente com a decomposição podia dar ao corpo o título de monstro mais horrível de filme de terror de todos os tempos. As três garotas que o observavam, tapavam seus narizes com as mãos cobertas por luvas, o cheiro que o defunto exalava era o mesmo que uma colônia de ratos que estava a dois meses mortos no esgoto.

– Isso só pode ser um castigo. – Teto Kasane resmungou. – Um castigo bíblico.

– Pare com isso! – Rin repreendeu-a. – Neru, o relatório.

A legista entregou uma pequena prancheta para a detetive. Akita Neru resolvera se livrar de seu café no momento em que abriu a gaveta 346, o que fora uma boa ideia, pois poderia acabar se livrando da cafeína que bebera antes que seu corpo começasse a digestão.

O relatório que Rin lia cuidadosamente era demasiadamente diminuto, mas ela não podia reclamar, o estado do corpo era tão deplorável que a policia não tinha com o que trabalhar. Então, a garota fez uma coisa tão odiosa que tinha certeza que iria arrepender-se pelo resto de sua vida, ela colocou uma das mãos dentro da boca do cadáver.

– Kyaaa! – Teto gritou enojada. – O que diabos você está fazendo detetive Rin?!

– Analisando o cadáver mais uma vez oras! – A loira respondeu com uma estranha calma, ela tinha de pensar em coisas fofas ou iria vomitar. Naquele momento pensava em pôneis e ursinhos, o tipo de pensamento que a detetive acreditava passar constantemente na cabeça de Yuzuki Yukari.

– Então, achou alguma coisa? – Neru indagou um tanto apreensiva.

– Bom, o cadáver não possui dentes, o que me leva a deduzir que o assassino esmagou-os para que ninguém o reconhecesse. Então, nenhuma informação relevante, o mesmo que se encontrava no relatório. – Ela disse retirando as mãos da boca do defunto. –Parece que o escalpo também foi arrancado e as digitais raspadas, esse assassino teve um grande trabalho para tornar a vítima anônima.

– Tá bom, tá bom, mas vocês podem guardar essa coisa logo?- Teto indagou aflita.

– Tudo bem. – Rin concordou retirando as luvas. – Já que não vejo outra opção, teremos que ir ao local do crime.

– O QUE?!- Teto gritou desejando ardentemente sua mesa onde costumava tirar uma soneca.

Notas finais
Espero que tenham gostado, Ja ne!!