Virgin Suicides

9 Capítulo IX


Notas iniciais
Hai, eu aqui de novo ('foi rápido ein?), espero que gostem!

Leon andava sem pressa alguma pelo grande salão subterrâneo da mansão, o ressoar de seus passos lhe trazia uma sensação de desconforto, embora ele ainda não entendesse o motivo de tal coisa.

O tal salão possuía um formato de ferradura e suas dimensões eram tão grandes quanto às da casa acima de si, Leon havia dado instruções exatas aos diversos engenheiros que construíram o salão, para que ele se assemelhasse ao magnífico teatro Colón, claro que, reduzido bruscamente. Ainda assim, não seria de grande surpresa se o fantasma de uma famosa cantora lírica se materializasse de repente no centro do grande palco. E era justamente neste que Leon se encontrava, o loiro analisava cuidadosamente cada uma das “mercadorias” que seriam comercializadas essa noite.

Havia um total de vinte e seis mulheres, de todas as formas e tamanho, algumas choravam, outras tremiam, algumas choravam e tremiam e havia aquelas que, por infelicidade do destino, não conseguiram controlar o desespero e o que lhes restou foi apenas um estado letárgico provindo da droga psicoativa injetada nelas. Contudo, dentre todas essas mulheres, uma delas se encontrava assustadoramente calma e em uma incrível inércia.

— Você. – Leon a cutucou com sua bengala coberta de metais preciosos. – Diga seu nome.

De inicio a garota não proferiu palavra alguma e Leon já estava prestes a fazer uma ameaça daquelas quando ela sussurrou debilmente:

— Merphisa Marcil.

— Bem Merphisa, porque está tão calma? – Leon indagou curioso.

— Porque não deveria estar? – A garota respondeu-o com outra pergunta.

— Talvez porque você esteja prestes a ser leiloada. – Leon disse sério.

Merphisa não respondeu e não pronunciou mais nenhuma palavra, o que fez Leon suspirar com frustração. Bem, mas não importava, daqui a algumas horas ela seria vendida e Leon nunca mais a veria. Ou pelo menos era o que achava.

[...]

Rin Kagamine subia as escadarias da grande mansão com certo impedimento, geralmente a detetive não teria tanta dificuldade para subir em simples degraus, mas a mansão estava tão lotada que se locomover era, sem dúvida, trabalhoso.

Fazia quase quarenta minutos desde que chegara a tal festa e até agora, sua missão não havia gerado nenhum resultado. Claro, com sua bela aparência, Rin não tinha que fazer muito esforço para arranjar companhia, mas a comandante certamente não daria essa ordem à ela se, por acaso, se lembrasse do simples fato de que criminosos não vão a festas desacompanhados e Rin podia jurar que alguns daqueles caras tinham mais de três mulheres.

Então agora, a detetive decidiu se dar ao luxo de tomar um pouco de ar, distrair sua mente do que estava acontecendo, é claro que é mais fácil falar do que fazer e a música eletrônica que tocava no volume máximo, não ajudava muito.

Rin empurrou as portas de vidro que davam acesso à varanda do segundo andar, sugando o máximo de ar fresco que podia e soltando um prazeroso suspiro, ela teria repensado tal ato se soubesse que não estava sozinha ali.

— Desculpe, não pensei que alguém estaria aqui. – A detetive disse corada se dirigindo à saída.

— Não, fique. – O garoto de cabelos tão dourados quanto os seus, respondeu. – Não se incomode com isso.

— Obrigada. – Rin murmurou caminhando até o parapeito de pedra.

A detetive analisou o loiro de cima para baixo pelo canto do olho, o desconhecido utilizava um terno preto com características da época vitoriana, suas mãos eram cobertas por luvas negras e a máscara que emoldurava seu rosto era do mesmo tom de sua roupa e através dessa, o garoto observava entediado o vai e vem de carros. Por algum motivo Rin teve a certeza de que ele não queria estar ali. Havia alguma coisa nele que o tornava diferente dos outros, Rin não sabia o que era, mas definitivamente havia e sem mais esperanças, a loira resolveu tentar a sorte.

— Rinma Leatherchest. – A detetive sorriu enquanto estendia a mão.

O loiro pareceu hesitar por alguns segundos antes de cumprimentá-la.

— Kaito Shion. – Ele respondeu segurando em sua mão.

— A-a noite está bela não é? – Rin gaguejou puxando assunto.

— Ah, sim, de fato, está muito bonita. – Ele respondeu direcionando seu rosto para o céu.

E Rin se xingou mentalmente por fazer uma pergunta tão estúpida. Ela era péssima nisso.

— Desculpe a intromissão, mas... Porque não está na festa com os outros? – A loira indagou curiosa.

— Eu poderia lhe fazer a mesma pergunta. – Ele respondeu com um sorriso.

— Bom, minha irmã está tentando me arranjar um, digamos, companheiro para que eu compareça ao leilão desta noite... E eu precisava tomar um ar antes de passar por mais uma seção de apresentação dos piores candidatos possíveis. – A garota contou, se repreendendo por dentro por contar a história mais falsa que conseguiu inventar nos últimos dois segundos. “Companheiro? Onde é que eu estou com a cabeça?”.

— A aparência é tudo não? – O estranho comentou.

— É o que ela sempre diz. – Rin respondeu forçando um suspiro. – Mas e você?

— E eu o que? – Ele indagou fingindo inocência. Aquela garota estava realmente divertindo-o.

— Bem... Você está... Er... Sozinho?

— Isso depende, não estamos os dois sozinhos aqui? – Ele indagou aproximando-se com um sorriso malicioso no rosto.

Rin corou. Pelo menos ele sabia usar bem as palavras.

“Não, não pense nisso. Profissionalismo, Profissionalismo.” A detetive repetiu em sua mente.

— Talvez nos vejamos mais tarde, Rinma. Espero que sua irmã já tenha lhe arranjado um pretendente. – O loiro riu enquanto se dirigia a saída.

— Maldito! – Rin praguejou ainda vermelha.

Len Kagamine ainda sorria quando a porta de vidro fechou atrás de si.

[...]

Utatane Piko caminhava sorrateiramente pelos túneis subterrâneos que davam acesso ao salão onde seria realizado o tal leilão. O platinado desejava com todas as suas forças que seus pés se movessem com um pouco mais de rapidez, mas ele tinha de entender que andar carregando um rifle de sete quilos era um desafio e tanto.

— Iroha! – Ele chamou através de um comunicador. – Preciso de uma planta de todos os túneis existentes e do salão em si.

— Sim, já estou enviando, cheque seu celular daqui a exatos trinta e sete minutos. – A hacker respondeu do outro lado da linha.

— Trinta e sete minutos?! Eu não tenho todo esse tempo! – O platinado controlou-se para não alterar o tom de voz.

— Não me diga que você já se infiltrou nos túneis? – Nekomura temeu a resposta.

— Sim, devido a alguns imprevistos a comandante me deu ordens para me posicionar logo.

— Que tipo de imprevistos? – A rosada estranhou. Era preciso uma coisa grandiosa para que Megurine Luka alterasse o plano, ainda mais uma mudança como essa, que poderia por tudo a perder.

— Mew está aqui. – Utatane Piko respondeu após um longo e pesado suspiro.

— Como assim Mew está ai? O que ela está fazendo ai?

— Como eu vou saber? Mew é um imã para problemas ou talvez os problemas é que sejam um imã para ela. –Piko disse revivendo as memórias.

— Tudo bem, eu vou te guiar então, preciso que defina sua posição Piko. – Nekomura concluiu digitando em seu computador.

— Estou no túnel C1. – O garoto respondeu observando o grande adesivo na parede de pedra com tais caracteres impressos.

— Ok, o sistema de túneis é divido em três setores, A, B e C. Cada um dos três possuem subdivisões de quatro níveis. Quanto maior o nível maior a segurança.

— Preciso que me diga as localizações exatas de cada câmera até o último nível e seus pontos cegos. Preciso também das áreas onde existem patrulhas, o intervalo entre cada uma delas e de quanto em quanto tempo são feitas as rondas. – O garoto disse ajeitando sua Ultima Ratio.

— Ai é que está Piko, não há um tempo definido, quem planejou esse leilão foi paranoico o suficiente para não deixar brechas na segurança, as patrulhas só acabam quando uma nova chega para substituir, sem intervalos, sem falhas. – Nekomura Iroha explicou analisando os mapas em tempo real dos túneis. – Quanto às câmeras, posso as hackear tempo o suficiente para que você prossiga, mas só posso fazer isso com apenas uma por vez, então fique fora de vista da câmera que acabará de passar.

— Entendido. Eu dou um jeito nos guardas, só tenha certeza de me passar a localidade exata de cada um deles.

— Certo, assim que chegar ao final desse nível eu abrirei a porta para o próximo, o sistema de segurança de tais portas só as permite ficarem abertas por no máximo cinco segundos, tenha certeza de já estar do outro lado quando elas fecharem.

— Compreendo. Espero que a comandante esteja tendo uma noite melhor que a minha.- Comentou Piko Utatane desanimado.

E metros acima Megurine Luka espirrou enquanto degustava alguns canapés e vinho tinto.

Notas finais
Ja nee!!