Violência Nem Sempre É A Solução
9 Capítulo 9 - Explicações
— É-é ela! A garota da profecia! É A FILHA DA ROSA! – a moça murmurou
Minha cabeça latejava de dor, meus joelhos ardiam e eu tentava desesperadamente encher meus pulmões de oxigênio novamente. A garotinha que estava ao meu lado pôs a mão no meu ombro. Instantaneamente, eu me senti melhor. O ar voltou aos meus pulmões, minha cabeça parou de doer e meus joelhos também. Quando olhei em volta, vi todos os servos de Apolo me encarando e sussurrando coisas como: “É ela!” ou “Não acredito que ela é a Filha da Rosa!”.
— E-eu não sei o que está acontecendo aqui, mas só sei que não sou essa tal “Filha da Rosa”. Tudo bem que a minha mãe se chamava Rose, mas... – eu comecei
— Você não sabe o que é a “Filha da Rosa”, não é? – a moça perguntou
— Não! – confessei – E também não tenho ideia do que seja.
— Há anos recebemos essa profecia que você acabou de recitar. Segundo nossos melhores intérpretes, a “Filha da Rosa”, seria nossa salvadora. Ela iria livrar o nosso planeta do mal e promover a paz entre gregos e romanos.
— Mas... Como pode ser eu? Ou melhor, como sabem que SOU EU?
— Apolo apareceu aqui no templo como um golfinho certa vez. – Victor explicou – Ele nos disse que a garota da profecia apareceria no templo quando fosse o momento certo e que recitaria a profecia na frente de todos.
— Mas... Nem de Hélade eu sou! Eu vim da Terra!
— Mesmo assim você é a escolhida Lana! Não negue o que você é!
— Victor... Por que achou que eu era serva de Éris?
— Por causa do capuz escuro. Os servos de Éris o usam e... Há algo diferente em você. – Victor confessou
— Algo diferente em mim? O que?
Victor calou-se e olhou para a moça que mandara que eu fosse expulsa dali. Ela ordenou que todos fossem para casa e ficou sozinha comigo e com Victor. Antes de a garotinha sair, eu a agradeci e percebi que ela era conhecida. Ela era a garota de um dos meus sonhos. O sonho em que o templo de Apolo queimava. (N/A: o sonho está no último capítulo de “Até As Nerds Sabem Lutar”). Só de lembrar-me desse sonho, um cala frio percorreu o meu corpo.
— Desculpe por não me apresentar direito a senhorita e por duvidar de sua origem e quase colocá-la para fora. – a moça disse meio sem graça – Sou a augure do templo de Apolo. Meu nome é Eve. Eve Vost.
— E eu sou Victor Cortez. Guardo o templo com minha vida. – Victor se apresentou
— Sou Lana Shane Johnson. Uma terráquea serva de Apolo e filha de Rosellie Shane e também, segundo vocês, a “Filha da Rosa”. – declarei
Depois de uma longa conversa com os dois, eles me explicaram um pouco mais sobre a profecia e me aceitaram no templo. Eu queria falar com Apolo e para isso, tive que ir até uma sala onde havia uma imensa estátua de ouro com o nome “Apolo” escrito em grego e latim. Mas o homem esculpido não parecia em nada com Apolo. Ele tinha os cabelos lisos, era magricelo e vestia uma toga larga e uma coroa com raios de sol. Ele segurava uma lira em uma mão e um cetro em outra.
— Esse não é Apolo! – pensei alto
— Como assim? É ele sim! – Victor retrucou
Então lembrei que nenhum deus jamais havia aparecido pessoalmente em Hélade. Na cabeça dos helenos, Apolo era daquele jeito. Se eles soubessem a verdade...
— Na minha imaginação ele é diferente. – disfarcei – Eu o vejo como um rapaz alto, forte e de cabelos cacheados.
— Você sabe que a sua oração tem de ser feita na sua língua natal, não é? – Victor disse mudando de assunto
Ainda bem que ele não vai entender nada do que irei dizer a Apolo. – pensei
— Sei. Tenho de me ajoelhar diante da estátua? – perguntei
— Exato! – ele confirmou – Agora eu vou saindo. Vou dar-lhe um pouco de privacidade.
Esperei até Victor sair e então me ajoelhei aos pés da estátua tosca de Apolo. Fechei os olhos e a imagem do Apolo que eu conhecia, veio a minha mente. Respirei fundo e comecei em inglês:
— Oi Apolo. Não sei se pode me ouvir, mas quero lhe agradecer por tudo o que fez por mim. Obrigada por me salvar no início deste outono, na Terra, quando me resgatou em Toronto e me fez beber o sangue de górgona. Peço desculpas por ter lhe socado o nariz naquele mesmo dia. Não era a minha intenção que o soco lhe acertasse, muito menos que o machucasse. Queria dizer também, que você é o deus a quem eu mais admiro. Sinto-me idiota falando com uma estátua que mal o representa, mas juro que assim que eu puder eu vou mostrar a todos como você é de verdade.
Abri os olhos e encarei a estátua.
Só preciso de papel, caneta e tempo para mostrar a todos como você realmente é! – pensei
Levantei-me e abria a porta. Victor tomou um susto e caiu sentado no chão. Ele estava tentando ouvir o que eu falava lá dentro. Com o rosto corado, ele se levantou e sem graça falou:
— Desculpe senhorita! Eu não devia ter feito isso! Espero que me perdoe! A propósito... Que língua era aquela que a senhorita estava falando?
— É inglês, Victor. Minha língua natal. – eu disse calmamente – Curiosidade. Acho que é o defeito mortal de todos nós, não é?
Ele não respondeu, apenas deu um sorrisinho falso e foi embora apressado. OK! Victor era estranho. MUITO estranho. Despedi-me de Eve e ela implorou para que eu voltasse no dia seguinte. Era óbvio que eu ia voltar! Aquele era o meu lugar!
...
Assim que voltei para casa, fui ao quarto de Alice para lhe contar as novidades. Ela estava sentada em sua cama, conversando com Camila, quando eu entrei.
— Aquele definitivamente não era Zeus! Nem de longe! Zeus é muito diferente daquilo! – eu ouvi Alice dizer
— Então somos duas indignadas, priminha! – eu disse – Apolo também não é magrelo e nem tem cabelos lisos.
— Ah! Oi Lana! Não tinha te visto aí! — Alice disse – O papai estava te procurando para irmos até a casa dos Rocco! Temos que pegar as nossas coisas lá. Por que demorou tanto?
— Longa história. Conto depois, agora... Como era a estátua de Zeus no seu templo?
— Imagine um personagem jovem de anime, sentado em um trono e com um raio tosco na mão. Agora imagine esse mesmo personagem sarado e com uns 4 metros de altura.
— Eu não entendo vocês. Como sabem que os deuses são diferentes daquelas estátuas? – Camila perguntou confusa
Eu e Alice nos entreolhamos. Nós sabíamos que não podíamos contar a ela sobre os deuses, mas ela merecia saber. Contamos a ela a história sobre o carro do sol e a nossa visita ao Olimpo. Ela ficou boquiaberta.
— V-vocês foram ao Olimpo? E... E viram os deuses? Todos eles? Ah meus deuses! – ela gaguejou
— Lana! Alice! Camila! Vamos! – meu tio gritou lá de fora – Temos que ir até a casa dos Rocco! Igor tem algo para a Lana!
— Algo para mim? – murmurei correndo para porta – O que será?
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