Violência Nem Sempre É A Solução
8 Capítulo 8 - A Filha da Rosa
Notas iniciais
Acordei com um raio de sol iluminando o meu rosto. Eu ainda estava de jeans e camiseta e o bracelete de ouro marcava meu braço. Espreguicei-me e olhei no relógio que havia no criado mudo. Eram seis horas da manhã. Alguém bateu na porta.
— Entra! – eu gritei – A porta está aberta!
Margareth entrou trazendo uma bandeja prateada nas mãos e me deu bom dia. Eu retribuí o bom dia e curiosa perguntei:
— O que é isso Maggie?
— Seu café da manhã senhorita! Panquecas, waffles e suco de laranja como Alice disse que você gostava! – ela respondeu retirando a tampa da bandeja
— Café na cama? Mas eu nem estou doente! – brinquei
— Nunca recebeu café na cama?
— Só quando estava muito doente. Fora isso nunca.
— Você nunca foi tratada com o devido respeito não é Lana? Nunca a trataram como a lady que você é!
— Não sou lady. Apenas uma plebeia com raízes nobres. Nunca fui lady e nunca serei. Não está na minha natureza isso. Usar vestido sempre não é tão legal quanto parece. O tecido atrapalha os movimentos.
Margareth riu e encheu uma taça de vidro com suco de laranja e me serviu uma panqueca.
— Obrigada Maggie, mas... Deixa que eu faço isso. É muito estranho ser tratada como alguém da realeza. Nunca irei me acostumar com isso! – eu disse meio sem graça
— Sabe o que sua mãe fazia toda manhã quando precisava colocar os pensamentos em ordem? – Maggie sorriu – Ela costumava tomar um banho com pétalas de rosa, vestir uma de suas melhores túnicas e ir até o templo de Apolo para encontrar a rainha Kate e fazer uma oferenda ao seu deus.
— Onde fica o templo de Apolo?
— Fica há cinco minutos daqui a pé. Agora de manhã, o sol costuma refletir no telhado de ouro e iluminar toda a campina. A senhorita rapidamente irá achá-lo. Agora... Que tal um banho de rosas? Tenho certeza de que irá adorar!
Eu sorri e Maggie saiu do quarto feliz, indo em direção ao banheiro. Terminei meu café e pus a bandeja em cima do criado mudo. Levantei da cama e a arrumei da melhor forma possível. Não estava perfeita, mas dava para quebrar um galho. Minha imagem no espelho não estava melhor do que no dia anterior. Meus cabelos pareciam um ninho de pássaros, minha camiseta estava toda amarrotada e o meu braço continuava com a marca do bracelete. Por instinto, abri as portas do closet da minha mãe. Havia centenas de roupas, sapatos e bolsas das mais variadas cores, tipos e modelos para toda e qualquer ocasião. De início achei estranho o fato de todas as roupas parecerem caber em mim, mas então lembrei que minha mãe tinha dezesseis anos quando foi para a Terra. Como minhas roupas haviam ficado na casa dos Rocco, o jeito foi eu escolher uma roupa do closet. Peguei o vestido creme mais simples que tinha, uma sandália da mesma cor e fui para o banheiro. Camila havia acabado de sair do quarto. Ela estava do mesmo jeito que antes, só que o cabelo estava cem vezes mais desarrumado.
— Bom dia Lana! Ah! – ela bocejou – Não durmo em uma cama de verdade há dois anos. Sinto-me no paraíso!
Camila parecia mais animada do que no dia anterior e seu sorriso deixava qualquer um feliz. Depois de examinar seu visual, resolvi que assim que eu voltasse do templo de Apolo, eu iria levá-la para fazer compras e ajeitar o seu cabelo. No momento ela estava mais para a “serva do deus dos mendigos” do que para “serva do deus da riqueza”. Alice também acabara de sair do quarto, mas para a nossa surpresa, ela conseguira ficar mais horrível do que nós duas juntas. O cabelo dela estava volumoso demais, sua maquiagem estava toda borrada e o vestido todo amassado. Ela também segurava um vestido preto e um par de sapatilhas. Fingi espanto e exclamei:
— Alice? Você acordou cedo? Está com febre? Está se sentindo bem?
Alice me mostrou a língua e sorriu para nós.
— Vou ao templo de Zeus. Tenho que agradecer por ele não ter jogado um raio na lata velha enquanto estávamos nela. – Alice disse
— Eu tenho que ir ao templo de Hades. Eu não vou lá há dois anos! – Camila murmurou
— Mas você não vai assim, né? – Alice perguntou – Seu vestido está todo esfarrapado e suas sandálias estão com a sola mais do que gasta. Vem cá que eu vou já te arrumar uma roupa decente!
Alice arrastou Camila para o seu quarto e fechou a porta. Eu revirei os olhos e fui para o banheiro tomar banho.
Quem nunca tomou banho de banheira não sabe o que é o paraíso!(N/A.: Eu nem queria ta Lana?rsrs) Alguma vez você já assistiu a algum filme em que uma pobre de um dia para o outro descobre que tem dinheiro e começa a torrar tudo com luxo? Pois é, geralmente nesses filmes as personagens vão para a banheira, ficam soprando a espuma, fazendo bolha, moldando penteados ridículos no cabelo e rindo feito uma tapada com problema mental. Essa sou eu. Quando cansei de agir como uma retardada, eu terminei o banho e fui para o quarto. Porém, assim que saí do banheiro, Camila veio correndo na minha direção e tropeçou na barra da saia de seu vestido e quase me derrubou no chão. Eu a segurei pelo braço para que ela não caísse e perguntei:
— O que foi Camila? O que aconteceu?
— S-sua prima é maluca! – ela disse assustada
Nesse momento, Alice apareceu com um lápis de olho na mão procurando Camila. Camila se escondeu atrás de mim e gritou para Alice:
— Você não vai furar o meu olho com esse lápis Alice! Mesmo que consiga me pegar!
Foi aí que entendi tudo. Alice tentara passar lápis de olho em Camila e ela se assustara, por isso correra até mim. Eu e Alice começamos a rir dela e ela nos olhou sem nada entender.
— Ela não ia furar seu olho Camila! Ela só ia deixar os seus olhos escuros como os dela. Acalme-se. – eu disse rindo
— Depois dessa eu não vou passar mais. Acho que ela já está ótima assim, não é Lana? – Alice perguntou
Virei-me para ver Camila e me deparei com uma garota pálida de corpete e saia preta, com os cabelos negros soltos e enfeitamos apenas com uma fina trança que rodeava sua cabeça. Seus pés assim como os meus, estavam descalços e sua boca estava pintada de rosa. Em seu pescoço havia uma correntinha de prata, em seus braços havia pulseiras também de prata, em suas olheiras um brinco de caveiras e nas mãos o seu anel/espata.
— Uau! Você está linda Camila! – eu exclamei surpresa – Bom trabalho Alice! Eu não teria feito melhor!
Ambas sorriram e de repente nos lembramos de que tínhamos o que fazer. Fomos para nossos quartos e terminamos de nos arrumar. Calcei a sandália que eu havia separado, ajeitei o cabelo e me armei com meus objetos mágicos. Antes de sair do quarto, porém, eu peguei uma capa preta de dentro do closet e a vesti, jogando o capuz por cima da cabeça. Quando saí do quarto, Alice perguntou:
— Qual é a do capuz?
— É só para me esconder do povo que acha que eu sou minha mãe. Hellen me aconselhou a fazer isso, lembra? – eu disse e Alice assentiu – Onde está a Camila? Precisamos ir!
Segundos depois Camila apareceu com um saquinho com alguns dracmas de ouro.
— Oferenda a Hades. – ela explicou antes que perguntássemos – Isso é parte do que consegui recuperar do que eu tinha quando fui para as masmorras.
Avisamos ao meu tio que estávamos saindo e me surpreendi ao ouvir Oliver dizendo que ia conosco. Assim como Alice, ele também perguntou sobre o capuz e eu lhe expliquei.
Enquanto íamos, eu observei a paisagem e o sol dourado e brilhante iluminando as flores coloridas. De repente, a imagem de Apolo veio a minha mente.
— Você fica aqui Lana! – Oliver disse me arrancando de meus pensamentos – É só subir a colina.
Olhei para a direita e vi um belo templo feito de mármore e ouro no alto de uma colina. A luz do sol batia no telhado de ouro e iluminava toda a colina, do jeito como Maggie descrevera. Despedi-me das meninas e subi a colina.
Ao lado das portas do templo, havia um rapaz de cabelos loiros e olhos azuis como eu. Ele me encarava desconfiado. Murmurei um bom dia e fiz que ia entrar no templo. Com um movimento rápido, ele sacou sua espada (que ele tirou sabe deuses de onde) e a colocou em minha garganta.
— Vá embora serva de Éris! Você sabe muito bem que não é bem-vinda aqui! – ele grunhiu
Eu levantei as mãos para baixar o meu capuz e ele pressionou um pouco mais sua espada sobre minha garganta.
— Não sou serva de Éris. Sou de Apolo. Por favor, deixe-me provar! – pedi
Ele hesitou um pouco até que finalmente abaixou sua espada e deixou que eu baixasse o meu capuz. Ele me lançou um olhar desconfiado e agarrou o meu braço, arrastando-me para dentro. Depois de tropeçar pelo menos umas cinco vezes no caminho, cheguei a uma sala enorme onde os servos de Apolo estavam. O rapaz que segurava meu braço me empurrou para frente e perdendo o equilíbrio, eu caí de joelhos no chão. Todos pararam o que estavam fazendo e me encararam.
— O que é isso, Victor? – uma moça disse me levantando do chão – Quem é essa garota e por que você a trouxe para dentro?
— Ela diz ser serva de Apolo. Trouxe-a para dentro para a senhora decidir o que fazer com ela. – o rapaz respondeu
— Qual é o seu nome garota? – a moça me perguntou
— É Lana senhora. Lana Shane Johnson. – eu disse com a cabeça baixa
— Saia daqui, sua mentirosa! Você não é serva de Apolo! E muito menos uma Shane! Victor! Leve-a daqui!
O rapaz agarrou meu braço novamente e começou a me puxar, porém, ao primeiro passo que dei, uma dor dilacerante surgiu em meu estômago e eu comecei a ficar sem ar. Era como se eu acabasse de ter recebido um soco no estômago. Eu me curvei com uma mão na barriga e inconscientemente levantei a cabeça e recitei versos de algo que nem conhecia. Era uma profecia, que dizia:
— Quando o mundo destruído for e a vingança acontecer, quando pensar que está tudo acabado, saiba que o pior ainda está para aparecer. A filha da rosa tudo mudará e finalmente com a morte acabar. O passado e o presente mudar para o futuro alterar e o mundo salvar. A surpresa aparecerá e o deus mulherengo encontrará. Quando o sol se pôr e a deusa tornar, a maldição acabará.
Quando terminei de recitar a profecia, meus joelhos fraquejaram e novamente eu caí de joelhos no chão. Uma garotinha de uns cinco anos correu até mim e pôs a mão no meu braço, tentando me ajudar a levantar. Todos os outros me olhavam atônitos.
— É-é ela! É a garota da profecia! A FILHA DA ROSA! – a moça murmurou
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