Violência Nem Sempre É A Solução

27 Capítulo 27 - Perigo iminente


Notas iniciais
Desculpe se o texto está um pouco difícil de ler, mas é que o Nyah me odeia sabe? Desculpa pela demora. Boa leitura.
Agarrada ao meu travesseiro e ao meu urso de pelúcia eu chorei durante quase meia hora. Eu não podia acreditar no que tinha visto. Eu não QUERIA acreditar. Mas eu havia visto com os meus próprios olhos o meu namorado beijando a minha melhor amiga. Então eu ouvi batidas na porta.

— Lana? Posso entrar? Gwen perguntou do outro lado da porta

Eu queria gritar para ela vá embora!, mas não consegui. Gwen era uma das minhas melhores amigas. Eu não podia simplesmente mandar que ela fosse embora sem mais nem menos. Mas eu também não queria que ninguém visse o estado deprimente em que eu estava. Meus cabelos estavam todos emaranhados, meu rosto vermelho e inchado de tanto chorar e as minhas roupas amassadas e molhadas pelas lágrimas que não paravam de escorrer dos meus olhos. Respirando fundo, eu passei as mãos pelo cabelo tentando arrumá-los, sequei as lágrimas com as costas da mão e dei um grande suspiro.

— Entra Gwen! eu disse com a voz um pouco chorosa ainda

Sorrindo ela entrou, mas ao ver o meu rosto vermelho e inchado seu sorriso desapareceu. Ela se sentou ao meu lado na cama e perguntou preocupada:

— Lana, o que foi? O que aconteceu?

As lágrimas voltaram a escorrer dos meus olhos novamente. Sem saber o que fazer ela me abraçou. Claro que eu não queria molhá-la com minhas lágrimas, mas foi inevitável, a partir do momento que ela me abraçou, eu só fiz chorar mais do que estava chorando antes.

— Ei. O que foi? O que aconteceu? Você estava tão feliz! ela disse fazendo cafuné na minha cabeça

Pensei em lhe contar a verdade. Dizer que eu tinha me apaixonado por um garoto lindo e que achava que ele me amava, mas então eu o tinha visto beijar a minha melhor amiga na frente da nossa árvore. A árvore onde ele havia entalhado aquele coração no dia que eu achava ter sido o melhor da minha vida. Mas não valia a pena dizer tudo a ela. Ela ia me achar idiota e dizer: essas coisas acontecem! Calma! como todo mundo faz. Então eu simplesmente disse:

— Não é nada não. É que o natal está chegando e eu estou com saudades do meu pai. Eu nunca fiquei tanto tempo longe dele. Vou sentir falta daquele bolo de frutas que ele sempre fazia no dia 24 de Dezembro.

— Bom... Se você quiser a gente pode te levar na nave e depois te trazemos de volta Lana. Sabe, só para você matar as saudades. ela me ofereceu

— Por mais que eu queira, eu não posso Gwen. Obrigada pela oportunidade, mas eu ainda tenho muito que fazer em Hélade e eu não posso deixar a Camila sozinha aqui. Ela precisa de mim.

— GWEN! NÓS TEMOS QUE IR! A TIA NATALIE VAI PIRAR SE VOCÊ NÃO CHEGAR LOGO EM CASA! eu ouvi a voz de Ben gritar do salão principal

Kevin apareceu na porta do meu quarto e eu o convidei a entrar. Ele me deu um adeus desajeitado e saiu do quarto com a mão envolta da cintura da Gwen, exatamente como Will gostava de fazer quando estávamos juntos. Eu enfiei a cabeça no travesseiro novamente e agarrei o meu urso de pelúcia.

...

Já era meia noite e eu era a única que ainda estava acordada. Ben, Gwen e Kevin haviam partido há sete horas e Oliver, Rick, tio Robbie, Alice e Camila estavam dormindo. No meu criado mudo havia quatro potes de sorvete vazios e dezenas de embalagens de chocolate rasgadas. Eu não tinha nem um pingo de sono e o clima do lado de fora estava muito convidativo. Levantei da cama e troquei de roupa, colocando uma camiseta polo e uma calça jeans acinzentada. Fazia tempo que eu não cavalgava e Bluesky devia estar sentindo a minha falta. Sem fazer barulho, eu abri a porta da minha varanda e pulei da sacada direto para o chão. Como eu sou que nem um gato, eu caí de pé. Corri pelos jardins até o estábulo e parei diante do único pégaso cor de caramelo que havia ali. Bluesky me fitou com os seus grandes olhos azuis e relincho feliz.

— Shhhh! Eu também estou feliz em te ver, mas fique quieto garanhão. Estão todos dormindo, não podemos fazer barulho! eu murmurei para ele enquanto abria o cercado que o prendia

Tentei montar em Bluesky, mas ele se recusou a deixar que eu o fizesse.

— Hey, o que foi garoto? perguntei surpresa

Bluesky relinchou, entrou no estábulo e voltou, segundos depois com suas rédeas na boca. Ele jogou-as no chão aos meus pés e ergueu a cabeça para que eu as colocasse.

— Pensei em cavalgarmos como nos velhos tempos, mas se você prefere assim... eu disse enquanto lhe colocava as rédeas

Quando tentei montar nele de novo, ele deixou. Segurei firme nas rédeas dele e ele partiu velozmente a galope antes de abrir as asas e alçar voo no céu azul-escuro da noite. O vento bagunçava os meus cabelos loiros, mas eu pouco me importava com aquilo. Eu só queria ser feliz como antes. Viver a vida do jeito certo.

No vilarejo logo abaixo de nós, poucas luzes ainda estavam acesas. Não havia muita gente nas ruas e as poucas que tinham, ou estavam bêbadas com o vinho ou estavam comemorando a derrota do Conquistador. Havia jovens tocando violões e flautas em volta de uma fogueira e moças dançando com alguns rapazes. Todos riam e pareciam estar se divertindo como nunca. Acariciei a cabeça de Bluesky e vendo uma colina logo à frente, perguntei:

— Hey garanhão! Que tal umas maçãs suculentas e um gole dágua?

Ele me olhou sem entender. Eu apontei para a colina logo à frente e ele entendeu o recado. Velozmente ele avançou para a colina e em segundos, seus cascos tocaram a relva macia e molhada pelo orvalho. Desmontei dele e avaliei o lugar em que estávamos. Havia uma macieira a uns cinco metros de nós, na margem de um riacho de águas límpidas e cristalinas. Bluesky baixou suas asas e me seguiu até a macieira, de onde uma dríade saiu ao nosso encontro. Ela tinha os cabelos avermelhados e a pele pálida como o lado interno de uma maçã. O seu vestido de folhas balançava com o vento morno do verão e em seu rosto havia um sorriso convidativo.

— O que faz acordada aqui tão tarde, jovem heroína? ela me perguntou com uma voz doce

— Estou sem sono. respondi A senhorita se importaria de me dar algumas de suas maçãs?

— Ah não! Claro que não! Pegue à vontade! É o mínimo que posso fazer por nossa heroína!

— Obrigada!

A própria dríade encheu os braços com suas maçãs e as entregou a mim. As maçãs estavam tão vermelhinhas que fiquei até com medo de elas estarem envenenadas como a da Branca de Neve. Entreguei-as a Bluesky e fui para a margem do riacho. Alguém havia construído um pequeno cais nas suas margens e aproveitando esse fato, eu me sentei na beirada dele. Na água, uma bela lua cheia e prateada era refletida junto com o céu escuro em que se encontrava. Olhei para cima e vi aquele majestoso céu estrelado que se assemelhava muito ao céu terrestre. Arrisquei procurar as constelações e acabei por encontrar a de Hércules, de Escorpião e a da Caçadora, ou melhor, da Zöe Estrela-da-Noite. Percy e Annabeth haviam me contado aquela história. Zöe era caçadora de Ártemis e filha do titã Atlas, ou seja, uma das Hespérides. Morreu para salvar seus amigos da ira do seu pai. Mergulhada em meus pensamentos, eu ouvi a voz de William sussurrando no meu ouvido:

— Eu nunca deixaria que você morresse cachinhos dourados. Eu te amo e nunca duvide disso.

Então um baque surdo me arrancou bruscamente de meus pensamentos. Virei para trás rapidamente e vi Bluesky estirado ao chão como se estivesse morto. Desesperada, tentei correr até ele, mas alguém me puxou pelos cabelos e eu caí no chão. Olhei por cima do ombro e vi a dríade da macieira com as mãos na minha trança loira.

— Deixe-me ir! Meu pégaso! BLUESKY! gritei tentando me desvencilhar das mãos surpreendentemente fortes da dríade que agora me prendiam pela cintura

— Não ouse soltá-la Yasmini! Caso faça isso, se arrependerá muito depois! uma voz conhecida disse próxima a nós

— Desculpe-me, mas não posso deixar minha família morrer. a dríade sussurrou no meu ouvido

Então eu entendi mais ou menos o que estava acontecendo. Por algum motivo, o ser encapuzado na moita, ou melhor, o Victor, estava querendo me pegar, ou melhor, me sequestrar. A dríade era uma subordinada dele, a quem ele havia ameaçado matar ou prometido salvar de algum jeito a família. Ela devia ser uma serva de Deméter, que por ordem dele, havia tingido os cabelos de vermelho e se vestido com folhas. A culpa não era dela. Estava estampado em seu rosto que ela não queria fazer aquilo.

— Pensando melhor, deixe-a ir. Deixe que corra e se canse. Deixe-a pedir ajuda Yasmini! ouvi Victor dizer

A garota me largou e me deixou correr. Eu gritei e disparei pela colina em direção ao Bluesky, que continuava apagado, inerte na relva. Porém, no meio do caminho, eu tropecei na raiz de uma árvore, torci o pé e caí no chão. Uma risada sinistra soou atrás de mim e eu senti algo pesado e duro acertar a minha cabeça, fazendo-me desmaiar.

...

Acordei amarrada por cordas no chão de uma sala. Meu pé latejava de dor e minha cabeça também. Eu não fazia ideia de onde eu estava só sabia que algo ruim provavelmente ia acontecer. A sala era toda revestida de metal e o chão gélido chegava a ser sinistro. Havia uma imensa porta de metal, como uma escotilha, no alto de uma escada de madeira e uma janela muito alta por onde a luz prateada da lua entrava.

— Alôou! Tem alguém aí? SOCORRO! gritei e o som da minha voz ecoou na sala

De repente, a porta se abriu com um rangido e um garoto de cabelos e olhos castanho-avermelhados entrou e me encarou com um sorriso sombrio no rosto.

— Ah! Minha deusa Éris ficará tão feliz comigo! Capturei o prêmio dela! Victor disse com sua risada maligna

— Por favor! Deixe-me ir para casa! Supliquei a ele

— Você é muito idiota mesmo, hein Filha da Rosa. É claro que eu não vou deixá-la ir embora!

— Victor... Por favor! Você não precisa ser mau! Deixe-me ir! Eu vou morrer aqui sozinha!

— Que ótimo! Aí eu não vou ter que sujar as minhas mãos. Adeus Lana!

— Não! Por favor! VICTOR!

A porta bateu com força e as dobradiças gemeram. Victor havia ido embora e me deixado sozinha e amarrada. Eu precisava me soltar e escapar, mas... Como? Com muita dificuldade, eu levantei ainda amarrada e pulando em um só pé, consegui cortar as cordas que me amarravam em uma farpa de madeira que estava solta na escada. Subi a escada correndo, ignorando a dor quase insuportável no meu pé esquerdo e ao chegar ao alto dela, reuni todas as minhas forças e chutei a porta. Ela não abriu. Tentei mais uma vez, e de novo, mas as trancas não deram nenhum sinal de que se renderiam.

— Droga! eu gritei para mim mesma e a minha voz ecoou novamente na sala

Então eu me lembrei da janela. Ela estava muito alta, mas isso nunca fora um problema para mim e nem para nenhum servo ou filho de Apolo. Éramos atléticos, superpoderosos e bonitos, podíamos tudo. Com um impulso impressionante, eu consegui pular a janela, mas quando o meu pé torcido tocou o chão, a dor foi tão insuportável, que eu tive que sufocar um grito. Apoiando-me na parede eu manquei uns cinco metros até que um alarme ensurdecedor começou a tocar e cães começaram a latir. Em segundos, dezenas de homens com lanternas apareceram e começaram a correr na minha direção. Eu assoviei bem alto e gritei o nome de Bluesky. Nada. Nem um relinchozinho. Foi então que me lembrei das maçãs envenenadas e da falsa dríade, Yasmini. Comecei a entrar em pânico. Os homens estavam cada vez mais perto e aquilo nas mãos deles... Eram BESTAS? Desesperada, eu comecei a correr, ignorando a dor dilacerante no meu pé esquerdo. De repente, algo apareceu no céu. A minha visão estava começando a ficar turva e por isso, eu não identifiquei o que era. Então eu ouvi aquele tão conhecido relincho e senti um focinho gelado tocando o meu braço. Olhei para trás e me deparei com Bluesky, fazendo sinal, nervosamente, para que eu subisse nele. Aliviada por vê-lo, eu abracei-o e depois montei nele quando me lembrei de que tínhamos que fugir. Imediatamente, ele alçou voo e eu ouvi os cachorros latindo cada vez mais alto. Eu sentia que minha consciência estava querendo me abandonar, mas resisti e tentei ficar acordada pelo menos até chegar em casa. Alguns dos homens haviam montado em pégasos também e atiravam contra nós. Bluesky subia, girava no ar e mergulhava para impedir que os dardos nos acertassem, mas então algo ruim aconteceu. Bluesky soltou um relincho agudo e eu percebi que ele não havia sido rápido o bastante em um de seus desvios e um dardo o havia acertado na asa esquerda, bem próxima ao meu pé. Nós dois começamos a cair em um mergulho frontal e mortal e eu pude ver o pânico nos olhos azuis dele. Tentei ajudá-lo de todo jeito, mas era impossível. A morte era inevitável. Caímos no alto de uma colina e de lá rolamos até eu sentir algo bater em minha cabeça. Folhas e castanhas começaram a cair em cima de nós. Agora minha cabeça e meu corpo doíam tanto que era quase impossível me manter acordada. Pensei em pedir ajuda, mas provavelmente aqueles caras ainda deviam estar atrás da gente e se eu gritasse, denunciaria a nossa posição. Eu me sentia esmagada pelo peso de Bluesky, que infelizmente havia caído em cima de mim e lutava para se levantar com grunhidos de cortar o coração. Com o último restinho de energia que eu ainda tinha, puxei a flecha que estava na asa de Bluesky e usei meu poder para curá-lo. Ele se levantou e olhou para mim agradecido. Eu sorri, feliz por tê-lo ajudado e então depois disso, tudo escureceu

Notas finais
E aí? O que acharam?