Notas iniciais
Vilgax vs Lana. Qquem vence?
Eu não acredito que chorei escrevendo isso. Não sabia que era tão sensível assim!

Assim que eu coloquei o pé para dentro da arena, ou melhor, do coliseu, o povo começou a gritar "vivas". Eu olhei a minha volta. As arquibancadas estavam lotadas de gregos e romanos que só davam para serem diferenciados pela cor de suas roupas. Os gregos usavam branco e dourado e os romanos usavam vermelho e roxo. Nos lugares mais baixos, eu pude ver Sarah, Jessie, os Rocco e Eve debruçados sobre o muro que os separava do centro da arena. Ao lado de Sarah havia um garoto usando uma capa preta com o capuz levantado. Ele olhava para mim com um sorriso sinistro no rosto. Na hora, nem passou pela minha cabeça quem poderia ser. Eu estava mais preocupada com o povo do que comigo mesma.

Do outro lado do coliseu, um “homem” alto com cabeça de polvo me encarava. Ao lado dele estava Psyphon. Ambos pareciam confiantes demais para o meu gosto. Eu olhei para trás. Alice, Camila, Will, Oliver, Rick, Kevin, Ben, Gwen e o meu tio Robbie acenavam para mim e sorriam me encorajando a seguir em frente. Por dentro, eu estava morrendo de medo, mas eu não podia demonstrar. Eu devia ser forte e seguir em frente como a Sam e como os meus pais. Foi aí que me lembrei. Onde estava a Sam? Eu não a via visto o dia inteiro. Onde ela poderia estar que não ali?

“Pare de se distrair Lana. Vá à luta. O povo está esperando por isso. Concentre-se nos seus objetivos”. — uma voz disse dentro da minha cabeça. Fosse quem fosse essa pessoa estava certa. Eu estava enrolando. Distraindo-me com qualquer coisa. Eu olhei para trás novamente e fiz um sinal de positivo para o meu tio com a cabeça.

— “Conquistador”! – ele disse bem alto, chamando a atenção de todos – Como rei, eu o desafio a um duelo com o meu campeão pela posse do planeta. Se ele ganhar, você terá que nos devolver o nosso planeta e jurar nunca mais botar os pés aqui sem ser convidado ou atacar este planeta. Mas se porventura, você ganhar, poderá fazer o que quiser, pois o planeta será seu.

Diante disso, todos voltaram o olhar para mim. Eles tinham esperança. Confiavam em mim. Tinham certeza que eu poderia derrotar o tal “Conquistador”.

— Porém, há uma condição. – meu tio continuou e novamente os olhares se voltaram para ele – A luta terá de ser justa, por isso, os únicos equipamentos permitidos serão uma espada, um escudo e armadura. Nada, além disso. Por isso, antes de tudo, peço que se desarme e tenha apenas sua espada e seu escudo em mãos.

Muito a contragosto, Vilgax começou a se desarmar. A pilha de armas que ele deixou para trás era suficiente para a defesa do Acampamento Meio-Sangue inteiro.

— Pronto! – ele disse finalmente depois de quase meia hora se desarmando – Estou desarmado. Só tenho minha espada e o escudo em mãos.

— Acho que você não entendeu a ordem Cabeça de Polvo. – eu ouvi Ben gritar – Ele mandou você se desarmar. Ou seja, você tem que abrir mão de TODAS as armas, exceto a espada e o escudo.

— E onde você está vendo algo, além disso, Tennyson?

— Em suas mãos. Essas luvas dão choque, esqueceu-se? Só eu sei o quanto elas podem machucar. Tire logo isso!

Fulminando Ben com os olhos, Vilgax despiu suas luvas de choque e as entregou de qualquer jeito ao Psyphon.

— Satisfeito Tennyson? Posso matar o campeão babaca deles agora? – Vilgax grunhiu

Antes que eu ou qualquer outra pessoa pudesse dizer alguma coisa, uma corneta soou indicando o início da batalha. Vilgax avançou para cima de mim com a sua espada que era do tamanho do seu braço, que por sinal não era nem um pouco pequeno. Pelo contrário, era grande e bombado. O golpe que ele tentou me dar foi tão ridículo que até o povo na arquibancada riu. Era um golpe frontal de cima para baixo, que foi facilmente defendido pela minha espada de prata e ferro estígio. As espadas tilintaram dramaticamente e eu só fiz empurrar a espada dele para baixo, de modo que ele deixou a espada escapar de sua mão e cair a cinquenta metros dele. Ele foi recuando devagar e eu fui avançando apontando a minha espada para um de seus tentáculos, já que ele não tinha garganta. Aproveitando a oportunidade, eu tentei golpear um de seus braços, mas em um movimento rápido, ele abriu o seu escudo de modo que o protegesse, pegou sua espada do chão e antes que eu pudesse me dar conta do que estava acontecendo, ele me golpeou com sua espada. Foi tão rápido e forte o golpe, que eu cambaleei e caí de bunda no chão. ~ Dica: se um dia você tiver lutando de armadura, faça de tudo para não cair. Vai por mim, não é nada divertido ou confortável. ~ Algo molhado e quente escorria pelo canto da minha boca. Eu passei as costas da mão por ali e as vi manchadas de vermelho vivo. Sangue. Ele havia cortado a minha boca com uma espada. COMO ELE TINHA CORAGEM? Em um surto de adrenalina e raiva eu senti o meu corpo se esquentar subitamente e de repente, um raio solar caiu diretamente entre mim e o Vilgax, que estava a dez metros de mim pronto para me pegar. Ele tomou um susto tão grande que nem viu que eu havia levantado do chão e estava indo para cima dele.

— NINGUÉM... ME... ACERTA... COM... UMA... ESPADA... A... PONTO... DE... ME... CORTAR... VILGAX! – eu gritei, sendo que a cada palavra, eu lhe dava um golpe, de modo que ele só conseguiu se defender da metade deles.

Para finalizar, eu o desarmei, o fiz largar o escudo no chão e o derrubei apenas com um chute super forte em seu peito. A força que usei foi tão grande, que ele caiu de costas no chão. Ele tentou pegar sua espada e o seu escudo novamente, mas eu pisei no peito dele e apontei a espada para a sua garganta, que e descobri que ele tinha porque levantei os seus tentáculos com a ponta da lâmina. Ele me deu um sinal de rendição e eu me afastei, virando de costas para ele e de frente para a plateia que aplaudia e dava vivas incessantemente. Mas se havia uma coisa que eu havia aprendido com o Ben, era que o Vilgax não era tão fácil de derrotar e ele simplesmente não se rendia, pois a palavra “render” não fazia parte do vocabulário dele. Eu o vi levantar e avançar para mim com a espada erguida, mas fingi que nada estava acontecendo e ignorei o povo da arquibancada que gritava desesperadamente: “Campeão! Cuidado! Olhe para trás! Ele está atrás de você!”. Então, quando pressenti que ele ia golpear, eu me virei rapidamente, bloqueei o golpe e girei sua espada com tanta força, que ele foi obrigado a soltá-la e deixá-la cair no chão. Um filete de sangue escorre novamente pelo canto da minha boca e para no meu queixo. Tomada pela fúria, eu novamente jogo outro daqueles raios solares na direção de Vilgax, fazendo com que ele apenas passe de raspão de propósito. Com o susto, ele cai de costas no chão e eu piso em seu peito e novamente aponto a espada para a garganta dele, só que dessa vez, pressionando um pouco para ele saber que eu não estou brincando. Ele tentou se levantar, mas eu joguei o peso do meu corpo para cima dele e com a mão esquerda, que estava livre, faço uma pequena bola dourada e reluzente usando meus poderes.

— Nem pense nisso, a menos que queira virar churrasco de lula, “Conquistador”. – eu disse com desdém – E aí? O que você diz?

— Eu me rendo. – ele murmurou entre dentes

— O que? Acho que não ouvi direito!

— EU ME RENDO! SATISFEITO?

Eu apaguei a bola de luz dourada com a mão no momento exato em que alguém na plateia gritou:

— TIRE O ELMO CAMPEÃO! DEIXE-NOS VER QUEM É VOCÊ!

E então ele é acompanhado por todo o resto do povo que fica gritando “TIRA! TIRA!” incessantemente. Abrindo um sorriso, puxo o meu elmo de uma vez só e revelo meus cachos dourados e desgrenhados, meus olhos azuis e a minha boca ensanguentada.

— EU FUI DERROTADA POR UMA MENINA TERRÁQUEA? – Vilgax grita indignado – Isso é impossível! E injusto! Eu não posso ser derrotado por uma “fêmea”! Eu sou o Conquistador de dez mundos!

— Acho que você deve refazer suas contas Vilgax. – eu digo com a mão esquerda na cintura

— Cale a sua boca garota! Antes que eu exploda esse planeta aqui com todos vocês nele! Inclusive você TENNYSON!

— Cumpra o acordo Vilgax! Devolva a eles o planeta, a menos, é claro, que você queira ser arremessado no meio do espaço como uma bola de beisebol novamente. – Ben chega gritando e provocando Vilgax

— Eu reconheço que fui derrotado Tennyson, agora cale-se! – Vilgax resmungou – O planeta é de vocês agora. Façam o que bem entenderem com ele. Vamos Psyphon, tenho assuntos a resolver em Vilgaxia.

Depois de recolher todo o seu armamento, Vilgax e Psyphon mexem em uns dispositivos em seus pulsos que os fazem desaparecer. O povo então começa a pular a murada que separava a arena da arquibancada e começa a gritar. Ben girou o disco do omnitrix, se transformou no enormossauro e me ergueu no ar gritando “vivas” com os outros. Enquanto eu era jogada no ar, vi Oliver beijando Cléo (que deve ter aparecido depois do começo da batalha) e Camila pulando de alegria junto com Alice, mas não havia nenhum sinal de Sam ou William. Então, quando finalmente me colocaram no chão, eu saí à procura deles. Eu não fazia ideia de onde os dois poderiam estar, mas algo me fez ir até o campo florido onde eu havia conhecido Penélope e Thiago. Ao chegar lá, vejo os dois próximos a uma árvore. A “Árvore dos Apaixonados”, onde Will havia entalhado aquele coração com as nossas inicias. Resolvendo fazer uma surpresa para os dois, eu me escondi atrás de uma árvore.

Sam rasgou um pedaço da barra de sua saia e o enrolou na própria mão, que por algum motivo, estava cheia de sangue. Pelos arranhões que tinha e a roupa suja do jeito que estava, deduzi que ela tinha resolvido dar uma voltinha na Floresta Proibida como Will havia me dito que ela vinha fazendo. Will olhava para ela de um jeito estranho. Ele estava... Preocupado?

— Está tudo bem com você? – eu o ouvi perguntar a ela

Sam assentiu em um tom cansado e triste e encostou as costas na árvore. Ela pôs a mão na própria testa e baixou a cabeça, fitando o chão. Aquilo brilhante escorrendo pela bochecha dela... Eram lágrimas? Will levantou o queixo dela e olhou fundo dentro de seus olhos prateados como a lua.

— Sam... Tem uma coisa que eu ando querendo te dizer... Há um bom tempo que... Quer saber? Esquece! Sou melhor com gestos do que com palavras.

Com isso, Will agarrou a cintura dela, a puxou e lhe deu um beijo. Instintivamente, ela empurrou o peito dele e lhe deu um tapa na cara que fez “splash”. Meus olhos começaram a arder e se marejaram de lágrimas. Eu me virei e corri em direção ao palácio, largando o elmo, que estava debaixo do meu braço, e a espada, que estava na minha mão, no chão, fazendo um barulho enorme.

— SEU IDIOTA! – eu ouvi Sam gritar – QUAL É O SEU PROBLEMA? POR QUE HADES ME BEIJOU? EU TE ODEIO, ESTÁ ME OUVINDO? EU TE ODEIO! VOCÊ ILUDIU A LANA!

Eu sentia as lágrimas rolando pelo meu rosto, levando embora o meu sorriso e a minha alegria. Meu único pensamento naquele momento foi: “Como ele pôde fazer isso comigo?”.

Notas finais
E aí? O que acharam? Quem gostou levanta a mão assim ó: o/