Violência Nem Sempre É A Solução
15 Capítulo 15 - Mais um pesadelo se torna real
Notas iniciais
Sabe aquele momento em que você acorda e a primeira coisa que você vê é a pessoa que você gosta? Pois é, foi o que aconteceu comigo. William estava sentado ao meu lado quando minha consciência retornou. Ele me olhava preocupado e segurava a minha mão.
— Você está bem? – ele perguntou
— Só estou um pouco tonta. – eu murmurei me sentando – Você me trouxe para cá?
— Trouxe. Desde a Floresta Proibida até aqui. – ele confirmou – Foi a maldição?
Eu assenti e olhei direito para o rosto dele. Ele estava todo arranhado e havia um corte pequeno acima de uma de suas sobrancelhas. Provavelmente era a consequência de passar pela Floresta Proibida carregando alguém no colo. Eu toquei o rosto dele delicadamente e deixei o poder fluir pelos meus dedos, curando os machucados rapidamente.
— Obrigada por ter me ajudado. – eu disse a ele – Eu não sei o que seria de mim sem você.
— Da próxima vez você não vai. – ele disse pegando a mão que estava no rosto dele – Eu não posso correr o risco de você se machucar ou se ferir gravemente. Seu lugar é aqui nesse palácio.
— Não posso abandonar os meus amigos, William. Se eles precisarem de ajuda, eu ajudarei! Agora... Por que você se preocupa tanto assim comigo?
William tocou o meu rosto com uma de suas mãos — quentes como o fogo – e me olhou nos olhos.
— Porque eu amo você! – ele disse docemente – Amo muito! Muito mesmo!
Então ele puxou meu rosto para perto do dele, agarrou a minha cintura e me beijou. De início, eu fiquei sem ação. Eu nunca havia beijado ninguém e agora William estava me beijando.
— Ah meus deuses! – ele disse me soltando – E-eu não devia ter feito isso! M-me desculpa! E-eu vou embora!
— Não! Não vá! – eu pedi agarrando o braço dele – Você não fez nada de errado! E quer saber? Eu também te amo, meu herói!
William me olhou nos olhos e eu sorri. Agarrei sua camisa, puxei-o para perto de mim e o beijei.
— Será que a Lana já acordou? – Camila disse entrando no quarto e nos dando um susto – E agora eu estou voltando e vou deixar os dois sozinhos porque o clima está muito quente aqui.
Senti meu rosto ficar vermelho e William apertar a minha mão. Ele me deu um beijinho na testa, um tchau meio desajeitado e saiu apressado, quase atropelando a pobre Camila que estava na porta. Assim que ele saiu, Camila, Alice, Sam e Cléo entraram no quarto correndo e fecharam a porta.
— Então quer dizer que você está gostando do tocha humana, não é, Lana? – Cléo provocou
— O nome dele não é tocha humana. – eu defendi – É William Rocco.
— Eu ainda não acredito que eu vi você dois se beijando aqui. – Camila murmurou
— VOCÊS SE BEIJARAM? – Sam e Alice disseram juntas
Eu fiquei vermelha feito um tomate e escondi o rosto nas mãos. As meninas me olharam assustadas e sorriram.
— Já estava mais do que na hora de você arrumar um namorado, não é Lana? – Alice disse
— O William não é meu namorado. – eu murmurei
— Ainda. Mas tenho certeza de que logo será. – Camila disse alegremente
— E mais uma vez uma Shane se apaixona por um Rocco. – Cléo comentou – Com a princesa Rose foi o mesmo. Apaixonou-se por um Rocco também.
— Só tenho uma coisa a dizer: Tenha cuidado. Às vezes o amor dura, mas às vezes em vez disso ele machuca. – Sam aconselhou – Servos de Apolo só se apaixonam no máximo duas vezes.
— Por quê? – eu perguntei
— Eu também não sei. É apenas uma regra boba.
...
Mais alguns dias se passaram e William não apareceu mais no palácio. Eu sentia a falta dele, mais do que qualquer coisa.
Vasculhando as minhas coisas, eu encontrei o meu mp3. Camila entrou no meu quarto no exato momento em que eu coloquei a música “I Won’t Give Up do Jason Mraz” para tocar.
— Nossa! Essa música é linda! – Camila comentou – O que ela diz?
— Bom... O nome dela é I Won’t Give Up, que quer dizer, em inglês, eu não vou desistir. – eu expliquei – O homem que canta diz que não importa o que aconteça, ele não vai desistir da mulher que ele ama.
— Que fofo! Bota para tocar de novo? – ela pediu
Fiz melhor. Dei o meu celular e os fones de ouvido para ela ficar ouvindo. No dia seguinte, eu estava indo para o quarto dela e ouvi-a cantando:
— “I won’t give up on us, even if the skies get rough, I’m giving you all my love, I’m still
looking up.”
— Você sabe falar inglês? – eu disse surpresa
— A Alice está me ensinando. – ela disse tirando os fones – Ela não te falou não?
Balancei a cabeça negativamente. Como é que eu adivinhar isso? Camila falando em inglês era até legal. Ela falava direitinho.
Depois disso, eu, Camila e Alice passamos a falar somente em inglês. Meu tio, meus primos e o resto da galera ficavam achando que éramos loucos ou algo parecido.
...
Fazia um tempinho que eu não ia ao templo de Apolo. Depois daquela gripe que eu havia pegado ninguém havia me deixado sair do palácio. Quando finalmente fiquei boa, eu acordei cedo e fui. Chegando lá, vi tudo deserto.
— Olá? – chamei e minha voz ecoou por todo o templo – Tem alguém aqui?
Uma garotinha que eu conhecia de vista respondeu do fundo do templo. Eu fui até ela e perguntei:
— Onde está o resto da galera?
— Ninguém veio. Está todo mundo doente. – ela respondeu
— E o que você está fazendo aqui sozinha? Qual o seu nome?
— Meu nome é Sarah. Eu me escondi aqui para que meus tios não me encontrassem. – ela explicou – Eles são maus e me odeiam.
— Quem te disse que ninguém viria?
— Victor. Ele veio aqui ainda agora e disse isso.
Aquilo era estranho. Todos estavam doentes?Era quase impossível.
— Eu vou lá ao salão da estátua e já volto. Me espera aqui está bem? – eu disse a Sarah
A menina assentiu e eu fui até o salão e ajoelhei aos pés da estátua tosca de Apolo. De repente, comecei a sentir um cheiro de fumaça e ouvi Sarah gritar. Assim que toquei na maçaneta da porta, eu queimei a palma da minha mão. Ignorei a dor e chutei a porta, fazendo com que ela fosse arrombada. Novamente, eu ouvi a Sarah gritar e segui sua voz até encontrá-la tossindo em meio a fumaça. Eu corri até ela, porém, quando cheguei, ela desmaiou em meus braços. Eu a peguei no colo e corri para fora do templo, segundos antes de parte da estrutura ceder e ir ao chão. Meus olhos ardiam e lacrimejavam e eu tossia muito por consequência de toda aquela fumaça que eu havia respirado. O templo que minha mãe havia construído, reformado e amado tanto agora queimava diante dos meus olhos e eu nada podia fazer. A dor da perda tomou conta de mim e eu comecei a chorar. Sarah acordou e eu a pus no chão antes de cair de joelhos no chão e esconder o rosto nas mãos. Então uma mão tocou o meu ombro e uma voz disse:
— Calma Lana! Vai ficar tudo bem!
Olhei para cima e vi William fazer um movimento estranho com as mãos, que fez com que as chamas se extinguissem. Eu solucei e ele me ajudou a levantar do chão. Encostei o rosto no seu peito, o abracei e chorei.
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