Violência Nem Sempre É A Solução

16 Capítulo 16 - Quem é o culpado?


Notas iniciais
Desculpe a demora de novo. A matemática e a física tão me ferrando legal. Sorry!

Caminhando em meio aos destroços queimados do Templo de Apolo, eu procurava algo, uma prova, que me fizesse descobrir quem havia feito uma coisa tão horrível. Só haviam colunas de mármore quebradas, vidros estilhaçados, pedaços de ouro que antes adornavam o templo e algo brilhante próximo a estátua destruída de Apolo que me chamou atenção. Da última vez que eu resolvera ver o que era algo brilhante, eu fui levada para o fundo de um lago por um monstro marinho. Mas a minha curiosidade ia além da minha consciência e eu fui até o objeto. Era um colar de ouro com pingente de um sol sorridente e atrás, estava entalhado o nome “Shane”.

— O que é isso? – William perguntou

— Um colar. Pertenceu a alguém da minha família. – deduzi – Acho que era da minha mãe.

— Não tenho tanta certeza disso. – ele retrucou pegando-o da minha mão – Parece bem antigo. Veja como a corrente está gasta e escura. O ouro não se oxida tão facilmente. Pelo menos não aqui, tão longe do oceano.

Observei minuciosamente o colar e de repente me lembrei da pequena Sarah. Eu a havia deixado com William quando fui vasculhar as ruínas em busca de respostas para o enigma de “quem queimou o templo” e agora, eu não a via mais.

— Onde está a Sarah? – eu perguntei a William

— Ela está sentada lá na frente. Ela “pediu” para ficar sozinha. – ele respondeu

— Mas ela só tem sete anos! Você não pode deixar uma criança de sete anos sozinha!

— Eu disse isso para ela! Aí ela tentou me acertar com um raio solar e depois me ameaçou com uma adaga!

— O quê!? Mas ela é só uma criança!

— Uma criança muito sinistra, mas uma criança.

— Eu vou lá! Ela só deve estar precisando de um ombro amigo.

Eu passei pelo William e fui para a antiga entrada do templo, que assim como todo o resto, havia desmoronado. Sarah estava sentada na base de uma coluna que havia caído. Ela estava de cabeça baixa e o seu cabelo loiro lhe cobria todo o rosto, impedindo-me de ver se ela chorava ou não. Em suas mãos, havia uma adaga de bronze, com a qual ela brincava.

— Sarah? – eu chamei quando estava há poucos passos dela

— O que você quer Filha da Rosa? – ela perguntou em uma voz chorosa e irritada

Eu pus a mão no ombro dela e ela me fulminou com os olhos cheios de lágrimas.

— O que aconteceu? – eu perguntei docemente – Eu só quero te ajudar.

— Eu sei quem queimou o templo. – ela
confessou

— Quem foi?

— Se eu te disser, você promete que não vai
fazer nada com ele e nem contar para ninguém?

— Eu prometo.

— Foi o Victor. – ela disse depois de um longo suspiro – Ele é como um irmão para mim, por favor, não o machuque!

— Mas... Por que ele fez isso? Ele sabia que você estaria aqui!

— Eu não sei por que ele fez isso, mas acho que ele não queria me machucar. Antes de ele sair ele falou para eu ficar longe do templo.

— Mas... Você o viu pôr fogo no templo, ou é apenas uma dedução?

— Noite passada eu sonhei com o que aconteceria hoje, e no meu sonho, eu vi o Victor acendendo uma tocha e depois a jogando em no chão, perto de uma cortina. Talvez você ache que é só bobagem minha, mas eu tenho certeza do que falo.

Eu olhei nos olhos de Sarah e de repente me lembrei de Annabeth falando sobre um campista, filho de Hermes e o herói da antiga grande profecia. Apesar de Percy estar ao seu lado nesse momento, ela falou que amava o tal garoto e se derramou em lágrimas. Acho que o nome dele era Luke Castellan. Sarah tinha a mesma dor no olhar. Talvez ela o visse como algo além do que só um irmão. Eu limpei as suas lágrimas, beijei sua cabeça e a abracei.

— Eu vou te levar para casa. – eu disse finalmente — Você precisa comer algo.

— Mas... Eu não quero voltar para lá! Por favor! – ela implorou – Meus tios vão querer me matar!

— Mas por quê? O que você fez?

— Nada! Eles me odeiam só pelo simples fato de eu existir! Depois que meus pais morreram nada mais foi igual. Eles não queriam ter filhos, não queriam responsabilidade. Por isso é que eu fujo.

— Você é muito madura para uma garotinha de apenas sete anos. Não há ninguém mais que possa cuidar de você? Outra casa para onde você possa ir?

— Os pais do Victor gostam de mim, mas agora eu estou com medo. Não sei mais se ele é aquele garoto legal, gentil e bondoso que eu conheci há algum tempo.

— Você só vai descobrir depois de conversar com ele. Agora venha! Eu vou levá-la até a casa dele.

Ela se levantou e pegou a minha mão. O rosto dela estava sujo de fuligem e quando eu estava o limpando com um pano, William apareceu ao meu lado com o colar nas mãos.

— Meu colar! – Sarah exclamou tirando-o das mãos de William

— Ele é seu? – perguntei curiosa

— É sim! Foi à única coisa que minha mãe deixou para mim antes de morrer.

— Sarah... Como é o seu nome completo?

— Sarah Nolan Shane, por quê?

Eu e William trocamos olhares surpresos. Sarah era da minha família. Ela também era uma Shane! Mas... Como?

— Acho melhor irmos logo! – eu disse mudando de assunto

Sarah nos guiou até a casa de Victor e eu bati na porta. Uma senhora de cabelos castanho-avermelhados, sardas e olhos que pareciam com as chamas de uma lareira no inverno, abriu a porta. Ela parecia calma e bondosa, e estranhamente me lembrava de uma garota que eu havia visto no Acampamento Meio-sangue e brincando com as chamas em uma pira no meio do Olimpo. Ela era serva de Héstia.

— Bom dia! – eu disse – Eu sou Lana e este é o William. Viemos trazer Sarah aqui.

— Bom dia! – ela disse com um ar cansado – Por favor, entre!

— Não, obrigada! – eu disse educadamente – Eu preciso ir para casa. Minha família está me esperando.

— A senhorita está toda suja de fuligem... E a Sarah também... O que aconteceu?

— O templo pegou fogo e nós estávamos lá dentro. Por sorte saímos vivas de lá.

A senhora se ajoelhou na frente de Sarah e beijou a sua testa. Porém, quando ela se abaixou, eu pude ver Victor lá dentro. Ele estava muito diferente. Os cabelos loiros e olhos azuis agora eram de um castanho-avermelhado que não me eram estranhos. Ele estava sentado no chão e queimava um pedaço de papel com um isqueiro. Ao seu lado, uma capa escura estava jogada ao chão.

— Tem certeza de que não querem entrar e comer alguma coisa? – a mãe de Victor nos perguntou

— Não, obrigada! Nós realmente precisamos ir! – eu disse rapidamente – Adeus!

— Lana, espera! – Sarah disse agarrando o meu braço e me abraçando – Obrigada por me salvar!

Eu baguncei os cabelos loiros dela e beijei sua cabeça.

— Eu nunca TRAIO e nem DEIXO OS MEUS AMIGOS PARA TRÁS. – eu disse dando ênfase a algumas palavras

Victor apagou o isqueiro, levantou a cabeça e me lançou com um olhar misto de: ódio, preocupação e culpa. William pegou a minha mão, deu adeus a Sarah e a mão do Victor e me levou de volta para o palácio. Quando chegamos aos portões, eu olhei para ele e disse:

— Sabe? Eu não estou a fim de entrar no palácio agora, Will.

— Do que você me chamou? – ele perguntou confuso

— Will. É um apelido para William na Terra. – eu expliquei – Você não gostou não é?

— Pelo contrário. Eu adorei cachinhos dourados.

— Cachinhos dourados? Gostei.

— Já que você não quer entrar agora, por que não passeamos pelos jardins?

— Boa ideia!

Ele pegou a minha mão e me puxou até o jardim. As flores estavam lindas, afinal, era primavera. Will pegou uma maçã em uma árvore e deu-a a mim. Eu ia andando de cabeça baixa e botando o cabelo para trás a cada cinco minutos. Era um tique que eu tinha quando estava nervosa. Então Will parou de repente e se abaixou. De início eu não entendi porque ele havia feito isso, mas então ele levantou com uma rosa vermelha nas mãos. Ele sorriu e estendendo-a para mim, disse:

— Tenho uma pergunta para você... Quer namorar comigo?

Notas finais
E aí? O que acharam? Agora eu vou postar todo final de semana(sexta, sábado ou domingo).
"Depois de tanto tempo sendo consolada por meio pai e pelos amigos, acabei aprendendo como consolar os outros também, um exemplo disso foi quando consolei a pequena Sarah em Hélade" - by Lana Shane