Notas iniciais
Saudades? Conhecem a história de Apolo e Dafne?

PVO DO APOLO

Sempre achei que o Olimpo era um lugar legal, até ficar preso lá dentro.

Fui procurar diversão, principalmente a feminina, porém, ao sair do meu templo, recebi uma mensagem de Estér, uma ninfa, dizendo que meu pai estava em seu templo, passando muito mal. Então, sem hesitar, corri para o templo de Zeus. Quando cheguei às portas, as coisas estavam diferentes lá dentro. Tudo estava muito escuro e em cima do templo, havia dezenas de nuvens de chuva carregadas de raios.

Ou o papai está realmente muito doente, ou ele quer matar alguém! – pensei – Sou mais a segunda opção!

Entrei no templo de Zeus e chamei por ele. E então vi uma luz bem no final do templo. Fui até lá e ouvi a porta se fechando. Testei a maçaneta e percebi que estava trancado. Criei uma bola de luz em minhas mãos e a joguei para cima transformando-a em um mini sol particular. Quando a luz encheu o lugar percebi um arco-íris perto das estátuas, o que eu estranhei, pois Zeus era deus dos trovões e não dos arco-íris! Só quando cheguei perto, que percebi que era uma mensagem de Íris e nela vi um homem alto, velho, de cabelos pretos e uma barba elétrica, segurando um raio em sua mão direita. Era Zeus. Ele estava sorrindo, coisa que ele não fazia há milênios.

— Por que está rindo? E por que me fez vir aqui?

— Quer saber por que estou rindo? – ele gargalhou — É simples! Eu consegui enganar o deus dos oráculos! Estou fazendo isso por que você não vai voltar a Terra, e só irá sair daqui de novo quando perceber isso.

— Você não acha que pode me manter dentro desse templo, acha? Pois acredite em mim eu irei! E você não poderá me impedir de ir a Terra ou a qualquer outro lugar!

— Veremos se isso é verdade!

Depois dessa última frase, meu pai agitou sua mão e a mensagem se dissolveu com o movimento. Peguei um dracma no vaso ao meu lado e reaproveitando o arco-íris, disse:

— Ó Fleecy, quebre meu galho. Mostre Atena em seu templo.

Joguei o dracma no arco-íris e instantaneamente me surpreendi ao ver Atena tomando banho em uma banheira.

— Ah! Desculpe interromper... – comecei meio sem graça

— AHHHH!!! APOLO SEU DESGRAÇADO! O QUE VOCÊ
ESTÁ FAZENDO? – ela gritou assustada quando me viu – EU JURO QUE EU VOU TE MATAR!

— Desculpe! É que eu preciso de sua ajuda!

Normalmente, quando eu via uma mulher tomar banho, a última coisa que sentia era vergonha, mas Atena não era uma mulher comum. Ela era minha irmã/deusa de quem eu tinha certo medinho.

— Você não podia pedir para outra pessoa? Eu juro que eu vou te matar! – ela disse indignada

— Só você pode me ajudar. – eu disse tentando não olhar para ela

— Tudo bem! – ela disse estalando os dedos e no mesmo instante, já estava fora da banheira vestindo uma armadura de guerra completa – O que você quer?

— Estou preso no templo do papai e não tenho como sair.

— Ah! Qual é Apolo? Como você se trancou aí dentro?

Contei a Atena tudo o que havia acontecido rapidamente e quando terminei, ela disse:

— Deixe-me ver se entendi. Zeus trancou você aí para você não descer a Terra para ver a Lana?

— Isso aí! – respondi

— Papai ficou louco de vez! – ela disse e um trovão ribombou no céu

— Então... Você pode me ajudar?

— Depende do que você vai me dar em troca...

— O que você quer?

— Quero que você conte para todos que eu lhe salvei e admita que eu sou mais inteligente que você!

— Isso nunca!

— Ótimo! Então aproveite sua morada eterna aí!

— Tá! Quando eu sair daqui eu faço isso.

— Jure pelo Estige.

— Tá! Eu juro pelo Estige!

Outro trovão sacudiu o templo.

— Já estou indo! – Atena declarou

Balancei minha mão na névoa e a imagem desapareceu. Dez minutos depois, uma lança dourada atravessou a porta do templo de Zeus e foi puxada de volta. Curioso, eu fui ver quem era, afinal, isso não tinha cara de ter sido feito por Atena. Quando cheguei perto da porta e coloquei o olho no buraco que tinha sido aberto pela lança, o alguém a enfiou de novo e por pouco não acertou meu olho. Por sorte, eu havia visto quem era. Era Ares.

— Aí Ares, dá uma ajudinha aqui? — pedi

— O que você quer? – ele perguntou

— Quero sair da droga desse templo. Papai me prendeu aqui.

— Negativo. Quando você sair daí sozinho, Zeus vai ficar irado e vai querer destruir tudo. Eu gosto de destruição, é melhor do que ser amaldiçoado pelo rei todo poderoso.

E então ele foi embora. Apoiei as costas na parede e deixe-me deslizar até o chão. Fiquei ali sentado por mais de meia hora esperando Atena. Como ela não apareceu, eu mandei mais outra mensagem de Íris para ela. Atena estava na biblioteca lendo um livro.

— Atena! – eu gritei

Ela tomou um susto tão grande que deixou a xícara de capuccino fervendo cair no seu colo. Na verdade, ele ia cair no livro, mas ela não deixou que isso acontecesse.

— Quem foi o... – ela começou e então me viu – Ah! Desculpe-me Apolo! Eu esqueci completamente! É que eu estava indo para aí e a biblioteca me distraiu.

— E me deixou mofando aqui? Típico! — eu disse mal humorado

— Eu já estou indo aí! – ela estalou os dedos e desapareceu

Quando finalmente consegui sair do templo do meu pai (com a ajuda de Atena, porque ela é mais inteligente do que eu), já era madrugada. Me teleportei para o quarto da Lana. Ela dormia serenamente, abraçada ao seu ursinho de pelúcia. Seus cachos dourados se espalhavam pelo travesseiro e pela expressão em seu rosto, ela parecia estar tendo um pesadelo. Sentei-me devagarzinho na cama dela, ao seu lado e não resisti a tentação de brincar com seus cachos dourados e perfeitos. Minha vontade era de tomá-la em meus braços e beijá-la, mas eu não podia fazer isso. Ela dormia como um anjinho. E então ela se mexeu e eu percebi que ela estava acordando. Levantei-me da cama depressa e me teletransportei de volta para o Olimpo. Zeus me esperava furioso.

— Como você conseguiu fugir, hein? Quem te ajudou!? – Zeus gritou

Eu havia jurado pelo Estige de que contaria a todos de como eu havia fugido graças a Atena, mas eu não podia denunciá-la para o meu pai. Sabe-se lá o que ele faria com ela depois disso!

— Ninguém me ajudou a fugir, pai! Eu escapei sozinho! E não te interessa como foi! – eu revidei

— Você desobedeceu as minhas ordens e foi se encontrar com aquela MORTAL, Apolo! – ele gritou novamente

— Aquela MORTAL, papai, me salvou e salvou o mundo, lembra-se? Se não fosse ELA, Éris teria transformando o mundo em um caos completo! Agora me diga! Por que a odeia tanto?

— Eu não a odeio Apolo! Só temo que ela possa fazer como Dafne e partir o seu coração. Você está vivendo de ilusões, meu filho! E são essas ilusões que irão destruí-lo. Agora me ouça! Não quero você de volta a Terra, entendido?

— Pai! Eu faço o que eu quiser da minha vida! Se eu quiser ir a Terra, eu irei! Você querendo ou não!

— As oito em ponto, eu quero você e todos os outros deuses reunidos no salão principal. Teremos uma reunião importantíssima e você saberá por que eu não o quero na Terra.

Com isso, meu pai desapareceu em uma nuvem escura e eu fui para o meu templo. Assim que me sentei na cama, uma dor dilacerante tomou o meu corpo. Era como se eu tivesse bebido um litro de soda cáustica e ela de repente começasse a me corroendo por dentro. De início, eu não fazia ideia do que estava acontecendo, mas aí me lembrei do juramento que eu havia feito a Atena. Eu havia quebrado um juramento do Estige ao não dedurá-la para o meu pai e esse era o preço a ser pago por isso. A dor era insuportável e eu tinha vontade de gritar até perder a voz, mas eu não podia. Todos estavam dormindo e a histeria de um idiota provavelmente provocaria a ira de mais de doze deuses. Deitei na cama, de peito para cima e tentei afastar os meus pensamentos da dor. A primeira coisa que veio a cabeça foi a imagem de Lana desmaiada em meus braços em Toronto. A camisa ensanguentada e a roupa em farrapos. Lembrei-me de teleportransportá-la com os amigos para o Olimpo comigo e de correr com ela nos braços até a enfermaria. O rosto dela estava mais pálido que uma folha de papel e os cabelos dourados pareciam ter perdido o brilho costumeiro dos raios de sol. Lembrei-me de tomar o frasco de sangue de górgona das mãos de Alice e testá-lo rapidamente em um vaso de plantas antes de fazer com que Lana o bebesse. Lembro-me de ficar sentado ao lado dela, aflito, por quatro horas, até que ela acordasse e eu pudesse ver aqueles olhos azul-céu brilhando novamente, como duas estrelas a noite. Eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ela.


...

Definitivamente, eu nunca achei que as coisas estivessem tão sérias.

Meu pai ordenou a todos nós que jamais saíssemos do Olimpo, pois segundo ele, Gaia estava acordando e começara a mandar seus filhos (os anti-deuses) para a superfície, para que assim, eles nos destruíssem. A princípio, todos nós protestamos, mais a vontade de Zeus prevaleceu, afinal, ninguém queria ser fulminado no meio do salão principal. Hera foi a única a enfrentá-lo e como punição pela afronta, Zeus gritou com ela na frente de todos e ela pareceu aceitar a vontade dele. Mas eu podia ver nos olhos dela que algo ela escondia. Algo perigoso e arriscado, mas que mudaria o mundo.

Assim que a reunião acabou, eu me sentei no chafariz aonde tinha a ridícula estátua de Eros. Eu sinceramente não gostava nem um pouco dele, desde a sua vingança infantil com Dafne, mas aquele era o único lugar sossegado em todo o Olimpo. Apoiei a cabeça nas mãos e pus-me a pensar.

— Hm... Quem é a felizarda Apolinho? – uma voz enjoada de mulher falou ao meu lado – Acho que tenho até um palpite! É a Lana, não é?

Levantei o olhar e me deparei com ninguém mais ninguém menos que Afrodite. Ela se sentou ao meu lado e tentou mexer no meu cabelo, mas eu me afastei.

— O que foi Apolinho? Eu não mordo! – ela reclamou

— Não gosto de você mexendo no meu cabelo. – resmunguei – E se é a Lana ou não, o que te interessa?

— Ah grosso! Só queria te ajudar! Pois saiba que desse jeito, você jamais a conquistará. Mulher gosta de carinho e amor e não de gente ignorante e mal humorada que nem você. Agora, au revoir! Tenho coisas melhores para fazer!

Afrodite estalou os dedos e desapareceu em uma nuvem rosa com cheiro de perfume francês. Aposto que ela ia se encontrar com Ares, afinal, era a única coisa que ela fazia mesmo. A próxima a aparecer ao meu lado foi Héstia. Ela com aquela forma de criança e o sorriso sério, desviou um pouco a minha atenção e me pôs de volta ao mundo real.

— Hey Apolo! O que há? Está tão pensativo! – ela disse

— É aquela mortal que veio aqui no Olimpo mês passado. Ela mexeu comigo, sabe? Não consigo parar de pensar nela! – confessei

— Bem que seu pai comentou comigo que você estava apaixonado. – ela disse sorrindo – Eu o vi saindo do templo de Zeus ontem. Você foi a casa dela, não foi?

— Fui. Ela estava dormindo. Parecia um anjinho enrolado em lençóis de algodão. Ela é tão bonita! Tão inteligente! Tão corajosa! Tão...

— Incrível? Sim, ela é. Mas cuidado. Se a ama tanto, espere. Pode ser que ela não sinta o mesmo por você. Lembre-se de Dafne, ela é o exemplo de como não se deve sonhar alto demais.

— Na verdade quem dá esse exemplo é Ícaro. Foi ele que inventou de chegar até “mim” e não Dafne. Eu vou tomar cuidado, tia. Não se preocupe.

Ela me deu um sorrisinho e puxou seu capuz marrom, desaparecendo em um clarão alaranjado.


...

Dias depois, eu fui a procura de Lana em sua casa. O quarto estava vazio e suas coisas haviam sumido. Então voltei para o Olimpo e fui para o meu templo mandar uma mensagem de Íris para uma velha conhecida: Rachel Elizabeth Dare, o novo oráculo. A imagem que surgiu na mensagem foi a de uma garota loira que se maquiava. Ela pareceu não se assustar comigo e apenas virou a cabeça e chamou a Rachel. Rachel veio despreocupada do banheiro, abotoando a camisa e quando me viu no espelho me olhou indiferente.

— Ashley, será que você poderia me dar uma lincencinha? – Rachel pediu

A garota loira se levantou do banquinho onde estava e foi para o banheiro.

— Quer saber da Lana, não é? – Rachel perguntou

— Exato, meu oráculo preferido. – eu confirmei

Eu vi Rachel se curvar, ficar vesga e uma fumaça esverdeada sair da sua boca. O espírito da Píton iria se pronunciar.

Quando o mundo destruído for e a vingança acontecer, quando pensar que está tudo acabado, saiba que o pior ainda está para aparecer. A filha da rosa tudo mudará e finalmente com a morte acabar. O passado e o presente mudar para o futuro alterar e o mundo salvar. A surpresa aparecerá e o deus mulherengo encontrará. Quando o sol se pôr e a deusa tornar, a maldição acabará. – Rachel recitou

— Hélade. – murmurei – Lana está em Hélade.

— Sim ela está. – Rachel disse voltando ao normal – Ela partiu há cinco dias daqui. Em uma nave com um pégaso, o tio dela e a prima.

— Obrigado Rachel! Você me ajudou bastante!

— De nada Apolo. Qualquer coisa é só perguntar que o oráculo aqui responde.

Balancei a mão e a imagem se dissipou. Então quer dizer que a Lana estava em Hélade? Mas por quê? O que a havia levado para lá? Eu não fazia ideia, mas ia descobrir.

Notas finais
E aí? O que acharam? E isso td naum seria possível se eu não tivesse a ajuda do meu querido amigo, Alec Lima!