Violência Nem Sempre É A Solução
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo e um spoiler: haverão dois pvos na fic, com os personagens que vocês mais gostam. Guess who?
*a imagem do meu perfil é da Camila.;)
Assim que cheguei às escadas, pude ver a quantidade de pessoas que havia lá embaixo. Além da Alice, do meu tio e dos dez guardas, havia mais cinco cozinheiros, cinco ninfas do ar, dez arrumadeiras e amas, um casal de bibliotecários e dois jardineiros. Todos usavam uniformes de empregados e estavam ajoelhados aos pés do meu tio. Alice estava meio sem graça e nervosa, torcia a corrente do seu cordão. Eu e Camila descemos silenciosamente e meu tio pediu para que todos se levantassem. As ninfas, a bibliotecária e uma ama olharam para mim e seus rostos se iluminaram.
— Rose! Você está viva! – eles exclamaram me abraçando.
Esse abraço fez com que eu me desequilibrasse e cambaleasse para trás. Soltei-me do abraço e declarei:
— Desculpem-me, mas... Eu não sou a Rose. Na verdade nunca fui. Meu nome é Lana. Filha de Rosellie Shane e Ryan Johnson.
— Mas... Mas você é igualzinha a ela! – a ama exclamou – O cabelo, os olhos... Tudo!
— Sou terráquea, assim como meu pai. Toda e qualquer semelhança com um heleno é mera coincidência. Agora... Onde vocês estavam?
— Escondidos na biblioteca, nas masmorras, nos estábulos e nos jardins. – uma ninfa respondeu – Geralmente Psyphon e o Conquistador nunca iam lá. Eram os únicos lugares seguros.
— Algum de vocês chegou a ver o Conquistador alguma vez? – eu perguntei curiosa
— Eu o vi chegar certa vez. – Aquiles se pronunciou – Ele é o alienígena mais estranho que eu já vi! Eu não sei o nome dele, mas eu costumo chamá-lo de “cabeça de polvo” ou “senhor tentáculos” quando estou longe dele e do Psyphon.
— Então é mesmo o Vilgax! – eu pensei alto – Achei que ele estava todo quebrado depois da última surra que o Ben deu nele! Mas agora quem vai dar uma surra nele SOU EU!
— Acho melhor você nãofazer isso, Ro... Quero dizer, Lana. – a bibliotecária aconselhou – Todos que o desafiaram morreram dolorosamente. Acho que o único que sobreviveu está lá nas masmorras semimorto.
— Confiem em mim. Eu sei o que faço. Agora acho melhor vocês irem para casa. Vocês estão livres agora. Façam o que bem entender.
— Nossa casa é aqui! – Aquiles disse dando um passo em frente – E nós serviremos a realeza até o fim de nossas vidas mortais. Agora se meu rei nos der licença, nosso dia foi muito agitado. Precisamos dormir um pouco.
— Vão em frente! – meu tio disse – Eu subirei com meus filhos e minha sobrinha para os nossos quartos. Você quer que alguém a leve para casa Camila?
— Ela irá morar conosco se não lhe for incômodo tio. Ela é órfã. Psyphon matou os pais dela enquanto ela estava nas masmorras e eu lhe ofereci abrigo. – eu respondi por Camila
— Será ótimo ver esse palácio cheio novamente. Agora... Seu sobrenome é Caster certo, Camila?
— Sim senhor. – Camila respondeu – Camila Linus Caster.
— Seu pai era Conde, não era? Lembro-me do nome Caster de algum lugar...
— Meu pai não era Conde. Não pelo que me lembro. Ele era um camponês que morava perto da Floresta Proibida.
— Hum... Bom, seja como for... Bem vinda ao palácio! Pode escolher qualquer um dos quartos lá em cima.
— Lana escolhe primeiro. Quero o quarto ao lado do dela.
— Bom... Tio Robert... – eu disse fitando o chão – Onde ficava o quarto da minha mãe? Eu queria vê-lo antes de tudo.
— Subindo as escadas, é o quinto quarto à direita. Não sei se você conseguirá entrar lá. Eu tentei várias vezes depois que ela se foi, mas é como se houvesse uma barreira mágica bloqueando a entrada. – meu tio explicou
— Quer que eu suba com vocês? – a ama que ainda estava lá perguntou – Eu tenho que trocar o lençol das camas. Faz anos que aquilo não é mexido. Psyphon não nos deixava ir lá em cima.
— Por quê? – Alice perguntou
— Não tenho ideia! – a ama respondeu – Agora vamos?
Nós assentimos e fomos acompanhadas pela ama até os nossos novos quartos e depois ela foi buscar a nova roupa de cama. Antes de entrar no antigo quarto da minha mãe, porém, eu hesitei. Eu não tinha o direito de ficar com as coisas dela. Eram dela! “Lembre-se de uma coisa! Tudo o que é meu, é seu! Ou melhor, tudo o que um dia foi meu, agora é seu! Tudo mesmo!” – minha mãe havia dito a mim nos Elíseos. Respirei fundo e girei a maçaneta de ouro e diamante da porta.
Assim que empurrei a porta, um véu de névoa pareceu cobrir meus olhos, mas dois segundos depois foi retirada, revelando um imenso quarto pintado de branco, dourado e creme. No centro, havia uma enorme cama de casal com um mosqueteiro, como nos filmes de princesa que eu via quando era criança. Os lençóis dourados de seda da cama estavam bagunçados e penas de ganso estavam espalhadas ao redor de travesseiros rasgados. Dracmas e joias estavam esparramadas próximas à penteadeira e ao criado mudo, assim como um vidro de perfume, maquiagem e uma escultura em miniatura de alguns golfinhos pulando na frente de um sol, feita de ouro. Eu fiquei um tempão tentando entender o que havia acontecido até que eu percebi que tinham portas duplas feitas de vidro entre a cama e a penteadeira. Curiosa, eu fui até elas e as abri, revelando uma imensa varanda com vasos de plantas lindos e uma balaustrada no estilo “Romeu e Julieta” feita de mármore. Eu me debrucei sobre a balaustrada e olhei o céu estrelado e a lua de prata que tornavam a noite tão bela. O som dos passos da ama me assustou.
— Desculpe-me senhorita! Não era minha intenção assustá-la! – ela disse se desculpando
— Não! Tudo bem! – eu disse me recuperando do susto – Escute, qual é o seu nome?
— É Margareth senhorita! – ela disse com uma reverência
— Não precisa me tratar como uma princesa e nem fazer reverências para mim Margareth. Não estou acostumada com esse tipo de coisa. Vida de luxo não é para mim. Sou só uma plebeia comum.
— Plebeia é uma coisa que jamais você será, Lana. Você é filha da princesa mais querida de Hélade e será tratada como tal por todo o povo, querida.
Eu fiquei sem palavras. Realmente isso era verdade. Eu era filha de uma princesa. Não podia negar isso.
— Maggie... Posso lhe chamar assim? – perguntei sem graça
— Claro! Era como sua mãe me chamava. Diga. – ela sorriu
— A senhora sabe o que aconteceu aqui? Parece a cena de um crime com todas essas coisas bagunçadas e fora do lugar.
— Eu não tenho ideia do que tenha acontecido aqui. Não entro nesse quarto há uns 38 anos, eu acho. A última vez que entrei aqui foi um dia antes de sua mãe sumir. Todos achavam que ela havia sido sequestrada ou algo do tipo, mas eu vi os guardas levarem ela e o Noah para as masmorras e os vi sendo expulsos a pontapés pelo seu tio. Sua mãe deve ter tentado se defender quando os guardas tentaram pegá-la e esse aqui foi o resultado. É incrível como isso aqui não está sujo e nem mofado. É como se uma barreira mágica tivesse protegido tudo.
Eu fitei o meu reflexo no espelho da penteadeira e Margareth trocou os lençóis da cama.
— Boa noite Lana. Durma com os anjos. – Margareth disse saindo do quarto
— Boa noite Maggie! Obrigada por tudo. – eu disse acenando para ela
Eu fechei as portas da varanda e deitei na cama fitando o teto. Bati palmas inconscientemente e as luzes se apagaram.
— Legal. – eu sussurrei – E eu achando que Hélade não era tão avançada. Acho que me enganei.
Sonhei que eu estava em uma floresta escura e sinistra. Corujas arrulhavam e os arbustos chacoalhavam a todo o momento. Um vento gelado penetrava minha pele fazendo com que meus ossos doessem de tanto frio. Minha aljava estava em minhas costas e o arco em minha mão. A adaga estava escondida na minha bota de cavalaria e eu usava um vestido verde-escuro sem mangas. Então de repente algo me assustou e eu corri para fora da floresta parando próximo a um rio de águas cristalinas. Algo brilhava em suas margens e como sou muito curiosa, fui até lá para descobrir o que era. E então o sonho acabou e eu acordei confusa. Como sempre, eu tentei decifrar o sonho, mas isso só me trouxe dor de cabeça. Então eu resolvi voltar a dormir, pois era o melhor que eu podia fazer.
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