Violência Nem Sempre É A Solução

1 Capítulo 1 - Desentendimentos familiares


Notas iniciais
Oi galera! Espero que gostem dessa fic!

Eu nunca pensei que a minha vida pudesse mudar tão depressa. Nunca imaginei que aquilo tudo iria acontecer um dia. Eu nunca sequer sonhei em ter tanto poder.

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Tudo começou no final daquele Setembro. Eu havia acabado de voltar da escola e conversava com Alice no meu quarto, quando a campainha tocou. Minutos depois, ouvimos gritos em grego e inglês vindo do andar de baixo. Alice correu na minha frente e do alto da escada exclamou em grego:

— Pai!? O que faz aqui?

Realmente, o meu tio Robert estava na porta e meu pai lhe lançava um olhar ameaçador que parecia avisá-lo de que a qualquer momento ele poderia voar no pescoço dele e esganá-lo até a morte.

— Telei na milései mazí mou kai Lana, móno!

— O que ele disse? – meu pai perguntou entre dentes

— Ele quer conversar comigo e com a Lana. A sós. – Alice disse

— O quê!? Eu nunca irei deixá-las sozinhas com esse cara! Será que vocês duas não se lembram do que ele fez!? – meu pai grunhiu

Meu tio havia explicado tudo quando fomos ao Olimpo. Ele não era o culpado pelos assassinatos da minha mãe e da minha tia. Ele era apenas mais uma vítima e um peão do joguinho caótico da Éris.

— Não foi ele que fez tudo aquilo, pai! Foi a Éris! Ela só usou o corpo dele como um disfarce! A culpa não é dele! – eu disse com raiva

Meu pai me fitou, abismado, sem conseguir acreditar no que acabar de me ouvir falando. Ele só não havia pulado no pescoço do meu tio antes, porque eu e Alice estávamos em casa e porque ele sabia que se fizesse isso, nós duas jamais o perdoaríamos. Eu pedi a ele que nos desse licença, desci as escadas e sentei no sofá com a Alice, de frente para o meu tio. Enquanto meu tio sentava no sofá, meu pai subia as escadas emburrado. Meu tio jogou os ombros para frente pôs as mãos na cabeça, respirou fundo, como se estivesse cansado e começou:

— Inicialmente, queria lhes pedir desculpas pelo pequeno desentendimento que eu tive com o Ryan. Eu nunca fui muito legal com os garotos que a Rose gostava, o Noah era prova disso, mas... Enfim, eu não queria criar nenhuma confusão, mas acho que ele não vai com a minha cara.

— Dá um desconto para ele! – eu disse – Ele ainda acha que foi o senhor que... Você sabe!

— Ele quer me matar, não quer? – meu tio disse olhando para o alto da escada

Segui seu olhar e vi meu pai fuzilando-o com os olhos em sinal de ameaça. Eu o fitei e ele foi embora para dentro do seu quarto.

— Ele sente a sua presença como uma ameaça aqui. Acho melhor conversarmos em outro lugar. – Alice disse

— Que tal se nós tomássemos um café e comessemos alguns Cupcakes? Ouvi falar de uma ótima lanchonete aqui perto. E vocês devem estar com fome! – o tio Robert disse

— Pai! Como o senhor sabe que eu amo Cupcakes? O senhor é mágico? – Alice brincou

— Quem dera ser mágico! Eu só lembrei que quando você era pequena, você vivia perturbando a cozinheira do palácio e pedindo para ela fazer Cupcakes para você!

— Eu fazia isso? Jura?

— Fazia. Você era muito levada para uma garotinha de três anos.

— Queria poder me lembrar de Hélade e dos meus irmãos.

— OK! Chega de nostalgia! Vamos para a lanchonete! Precisamos terminar a nossa conversa.

...

Não foi muito fácil convencer o meu pai a nos deixar sair com o meu tio Robert.

— Eu não confio nele! Ele é perigoso! – meu pai dizia

— Eu e Alice sabemos nos cuidar muito bem! Se ele tentar alguma coisa contra nós, quem vai se ferrar vai ser ele! – eu disse

Depois de algum tempo, ele acabou cedendo e nos deixou ir. Eu e Alice trocamos de roupa e encontramos com o meu tio no andar de baixo.

Assim que saímos de casa, os olhares de toda a vizinhança se voltaram para nós três. Principalmente o das mulheres que pareciam não acreditar no que viam. Ah! Talvez eu nunca tenha lhes descrito o meu tio Robert, mas ele era alto, forte, tinha os cabelos e olhos castanhos e um belo cavanhaque que escondia a sua idade. Apesar dos seus 44 anos, ele não tinha nem um único fio branco em seus cabelos lisos. Talvez fosse efeito dos anos que Éris havia se apossado do corpo dele. Ele usava um terno cinza escuro e uma gravata prateada que lhe dava um ar de poder e riqueza. Olhando para ele e Alice, percebiam-se pequenas semelhanças como a mesma expressão de confusão ou o mesmo brilho no sorriso, ou o jeito calmo, controlado e tranquilo que ambos falavam. De certo modo, ele era até bonito e quem não o conhecia, nunca seria capaz de dizer que ele era servo de um deus tão cruel e guerreiro como Ares. Com aquela classe e aquela aparência, ele poderia muito bem se passar por um empresário rico que ninguém descobriria a verdade.

Ao chegarmos à lanchonete e pedir três Cupcakes, eu olhei para o outro lado da rua e vi o carro do Kevin estacionado em frente ao Sr. Sorvete. Em uma mesa, Gwen e ele conversavam tranquilamente. Não havia nenhum sinal do Ben, então deduzi que aquele era apenas mais um encontro romântico deles. Voltei os olhos para o meu cappuccino quente e para o meu Cupcake inacabado na minha frente e terminei de comê-los. Quando acabamos de comer, meu tio começou a história.

— Antes de tudo, para vocês entenderem o que quero vocês devem conhecer um pouco da minha história. – ele começou – Eu fui o primogênito da família, o primeiro na linha de sucessão ao trono. Mas quando fiz cinco anos, Rose nasceu e todos na maior felicidade, porém, no aniversário de 15 anos dela, meu pai, o rei Pedro, anunciou que iria partir para uma guerra, a qual ele provavelmente não iria voltar. E foi exatamente o que aconteceu. Diante disso, minha mãe adoeceu. E depois de alguns meses, infelizmente veio a falecer. De acordo com as leis de Hélade, a prioridade na sucessão ao trono era de quem formasse uma família primeiro e Rose estava noiva de um plebeu, servo de Hefesto, chamado Noah Rocco. Faltava apenas uma semana para o casamento deles e durante esse tempo, quem deveria governar era eu. Mas eu não estava preparado para isso. O choque da morte dos meus pais ainda me assombrava e eu não fazia a mínima ideia de como governar. E então o inferno começou.

— O que aconteceu, pai? – Alice perguntou pondo sua mão em cima da dele e olhando-o nos olhos

Meu tio baixou o olhar e tomou um gole do seu café. Ele fitou o vazio e continuou:

— Eu estava fraco e desesperado e Éris aproveitou a situação para me oferecer ajuda. Ela disse que se eu a deixasse comandar o meu corpo, ela iria acabar com as guerras e ajudar o povo, tornando o meu reinado de uma semana inesquecível. Eu resolvi acreditar nela e no dia seguinte, ela começou o seu reinado de terror. Ela prendeu Rose e Noah e os expulsou a pontapés do planeta e como se não bastasse, ela mandou um exército atrás dos dois. No dia seguinte, quando perguntaram onde Rose estava, eu não soube lhes dizer, pois para mim, todo o tempo que Éris passou no meu corpo, é um espaço em branco na minha memória.

— Éris! Aquela cretina! Como ela pôde fazer uma coisa dessas? – eu grunhi

— E isso não foi tudo! – meu tio continuou – Ela obrigou Kate a se casar comigo e instruiu Oliver e Richard no caminho do caos. Ela teria feito a mesma coisa com você, Alice, se sua mãe não lhe escondesse. Por algum motivo, Éris resolveu que já que não poderia torná-la má, o jeito seria matá-la e foi por isso que sua mãe fugiu com você, filha.

— Eu sei. Eu perguntei várias vezes para a mamãe porque havíamos fugido e a resposta era sempre a mesma: “Seu pai queria te matar e eu não podia deixar que ele fizesse isso!” — Alice disse.

— Depois que vocês duas fugiram, Éris aproveitou ainda mais a minha fraqueza e terminou de tocar terror no planeta. Quando consegui recuperar o controle do meu corpo que eu vim a Terra atrás da ajuda da Rose. Depois disso, vocês sabem o que aconteceu.

Meu tio tomou mais um gole do seu café, respirou fundo e disse:

— A questão é a seguinte: quando eu estava no Olimpo, Apolo e Héstia me mostraram como está Hélade. O planeta foi mergulhado em uma guerra interminável. A fome e o terror tomam conta do povo e parece que recentemente um conquistador aproveitando a fraqueza do povo e do exército, tomou o planeta. Vocês duas são as únicas em que eu confio e que são capazes de me ajudar.

— Nós? Mas... Porque nós? Existem milhares de encanadores que podem ajudá-lo com isso! Ben Tennyson é um deles! Ele tem a arma mais poderosa do universo! – eu disse

— Mas vocês são Shane! Os “meus atos” mancharam o nome da nossa família. Apenas um ato digno e notório de um membro da nossa família poderá restaurar a nossa honra!

OK! Agora ele achou o meu ponto fraco. Honra. Geralmente era essa a palavra que me fazia pensar duas vezes antes de uma ação importante e decisiva. Eu não podia deixar a honra da família ser manchada por uma deusa inconsequente, da qual eu odiava. Pedi licença ao meu tio e puxei Alice para o banheiro.

— O que você acha de aceitarmos o desafio? – eu perguntei

— Ué! Até um minuto atrás nem considerar a questão você queria! O que deu em você? – Alice perguntou e eu baixei o olhar – Foi a honra da família que chamou a sua atenção, não foi?

— Honra – eu murmurei – Meu defeito mortal. Assim como a lealdade do Percy e o orgulho da Annabeth. Eu não quero que nosso nome fique manchado por culpa de uma deusa menor invejosa. Eu quero ter a oportunidade de salvar um povo inocente, que não tem culpa do que aconteceu. Quero libertar o planeta! Ou ao menos morrer tentando!

— Eu quero voltar a Hélade e rever os meus irmãos. Viver no meu planeta natal como quando eu era pequena – Alice disse – Mas seu pai nunca deixaria. Você nasceu e foi criada aqui. Aqui é o se mundo! Você é a única coisa que o seu pai tem! E ainda há a escola. Nós não sabemos quanto tempo passaremos lá. E se for um ano? Ou mais?

— Nós podemos dar um jeito! Meu pai é forte. Se ele superou a morte da mamãe, certamente superará a minha partida. E quanto ao colégio... Podemos fazer um acordo com o diretor e quando voltarmos, fazemos provas para a série seguinte.

— Tudo bem! Eu realmente quero ir! Mas temos que convencer o seu pai, e não será fácil!

Notas finais
E aí? O que acharam? Não sejam tímidos! Mandem reviews!