Violência Nem Sempre É A Solução

2 Capítulo 2 - É difícil dizer adeus!


Notas iniciais
Demorei um pouquinho, né? Foi a falta de tempo. Mas aí vai mais um capítulo novinho em folha. Espero que gostem :)

Se você acha que foi fácil convencer o meu pai a me deixar ir a uma lanchonete com o tio Robert e a Alice foi difícil, imagine convencê-lo a me deixar partir!

Quando meu pai toma uma decisão, é quase impossível fazê-lo voltar atrás. E ele havia decidido que NÃO confiava em Robert Shane, que eu NÃO tinha idade para viajar pelo espaço e que eu NÃO iria de jeito nenhum. Só consegui fazê-lo entender depois de quase uma semana de insistência e 24 horas de conversa. Eu sei que cinco minutos (ou menos) depois do consentimento ele se arrependeu da decisão, mas agora ele não podia mais voltar atrás.


...

Um dia antes de partirmos, eu e Alice fomos procurar o Kevin na garagem dele.

— Kevin! – nós chamamos ao entrar

Kevin saiu debaixo do carro (deitado em um negócio que parecia um skate e que ele sempre usava quando ia consertar o carro) todo sujo de graxa e com uma chave de fenda na mão.

— Algum problema, meninas? – ele perguntou

— Mais ou menos. – respondi – Precisamos de um favor seu.

— Digam.

— Será que você poderia levar eu, a Alice e meu tio Robert até Hélade? Você é o único que pode nos ajudar!

— Para que vocês querem atravessar meia galáxia?

— Coisas de família! Nada com o que você precise se preocupar.

— Hum... Sei não! Quando?

— Amanhã as 11. Tudo bem para você?

— É um ótimo horário, mas... Duas perguntas. Primeira: “Seu pai deixou?” e segunda: “Quanto tempo você vai ficar lá?”.

— Meu pai me deixou ir (depois de eu perturbar ele bastante) e eu não sei quanto tempo iremos ficar. Com certeza, mais de um mês.

— OK! É só isso?

— Só! Agora temos que ir! Precisamos arrumar as coisas! Te vejo amanhã de manhã! Tchau!

— Tchau! Estarei na sua porta as 11!

Ao chegarmos em casa, eu e Alice subimos para os nossos quartos apressadamente. Como não sabíamos quanto tempo iríamos passar em Hélade, levamos a maior parte das nossas roupas. Deixei no meu quarto, apenas as roupas que não me cabiam mais e os móveis, é claro! Quando terminei de arrumar todas as minhas coisas em uma única mala, meu pai apareceu na porta do quarto com um baú feito de carvalho e todo decorado com ouro e pedras preciosas.

— Esse era o baú da mamãe? – eu perguntei surpresa

— Era. Agora é seu! Quero que você o leve com você. Ele pertence à Hélade e não a Terra. – meu pai disse – Vem cá comigo! Há mais coisas da sua mãe no porão.

O porão geralmente era zona proibida. Meu pai não me deixava entrar ali nunca. Ele dizia que ele trazia lembranças dolorosas e que não queria que eu sofresse como ele havia sofrido no passado. Mas ele me mandara ir lá! Então eu fui! Sem questionar, afinal, eu sempre tive curiosidade de saber o que havia lá.

Quando meu pai abriu a porta, eu fiquei surpresa do tanto de tesouros e maravilhas que havia escondidos ali. Meu pai me levou até um canto onde havia uns 10 livros escritos em grego e latim, empilhados perto de uma pequena caixa de papelão, onde, debaixo de uma camada de isopor e de plástico-bolha, havia uma caixinha oval, feita de ouro com um desenho de uma lira entalhada em bronze.

— O que é isso? – eu perguntei pegando a caixinha cautelosamente nas mãos

— Era uma das coisas preferidas da sua mãe. Eu já tentei abri-la várias vezes, mas nunca consegui. Tente! Espero que consiga! – meu pai disse

Eu abri cuidadosamente o fecho da caixinha e uma luz dourada saiu de dentro dela, junto com uma suave e maravilhosa música, tocada por uma lira. Além da luz e da melodia suave, havia uma pequenina estatueta feita de um material transparente e delicado (parecido com cristal) no formato de dois belos golfinhos que pulavam para fora da água fazendo uma pirueta. Na base da estatueta, estava escrito com uma bela caligrafia grega a palavra “Delphis”, que em grego significa golfinho. Ao redor da estatueta, havia um mar de joias. Entre elas, havia brincos de brilhantes, colares de pérolas, anéis de diamante, braceletes e pulseiras de ouro e bronze. Depois de um tempo analisando a melodia, eu me lembrei dela e disse:

— Essa música... Eu a reconheço! A mamãe a tocava para mim quando eu não conseguia dormir! Era a música preferida dela! – eu disse com lágrimas nos olhos

Eu peguei um colar de pérolas nas mãos e olhando curiosamente para o meu pai, perguntei:

— Isso tudo era da mamãe? Nunca a vi usando nada disso!

— Ela não gostava de sair com nada disso. Chamava muita atenção! – meu pai disse – Há mais uma coisa que eu quero que você leve também!

Meu pai pegou um álbum de fotos do alto da pilha de livros e o entregou a mim. A capa do álbum era feita de um tecido aveludado azul marinho e tinha o nome Rosellie Shane escrito em grego com fios de ouro. Eu soprei a poeira de cima da capa e o abri. As primeiras fotos eram de uma garotinha loira de olhos azuis com uma mulher morena de olhos acinzentados, um homem de cabelos negros e olhos verdes e um garoto mais velho que ela olhando para a câmera, totalmente sério. Esse garoto tinha cabelos e olhos castanhos e sempre estava com um elmo em uma das mãos. No meio do álbum, a garotinha já era adolescente e brincava com uma garota loira de olhos azuis como ela, uma garota de cabelos amendoados e olhos da mesma cor e uma garota de cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Esta última, era gordinha, alta, forte e tinha cara de má. Nas últimas fotos, a garota já tinha mais ou menos a minha idade e sempre estava acompanhada por um garoto de cabelos cacheados e olhos castanhos como o chocolate.

— Mamãe, vovó Sophia, vovô Pedro, tio Robert, tia Kate, duas garotas que eu não conheço e o Noah. – eu disse – Era a família da mamãe em Hélade.

— Logo que ela chegou aqui na Terra, ela lamentava pela morte do Noah e dos pais dela. Eu tentei ajudá-la e tudo aconteceu. Depois de um tempo, eu perguntei a ela se ela ainda sentia falta de Hélade, e ela disse que preferia mil vezes a Terra. Mas no fundo, eu sabia que ela morria de saudades de lá.

Nós dois sentamos no piso frio do porão e ficamos ouvindo a doce melodia que saía da caixinha de música da minha mãe, até que ouvimos alguém nos chamando lá em cima. Meu pai me ajudou a levar as coisas para fora do porão e quando chegamos lá em cima, Alice estava com o meu tio Robert. Meu pai olhou feio para ele, deixou as coisas no chão e foi para a cozinha.

— Vocês precisam de alguma coisa, meninas? Eu vim ajudá-las! – meu tio disse

— Nós já arrumamos as nossas coisas, mas eu quero lhes mostrar algo que achei no porão. — eu disse

Peguei o álbum de fotos e o mostrei aos dois.

— A Rose era tão levada quando era pequena! Parecia com você, Alice! E eu era agressivo. – tio Robert disse e passou os dedos pelas imagens dos meus avós – Eu queria que eles ainda estivessem vivos, pois aí, nada de ruim teria acontecido.

— Não podemos mudar o passado, mas podemos interferir o futuro, com as escolhas certas! – eu disse

— Palavras sábias de uma menina sábia! – meu tio disse – Falaram com o tal Kevin?

— Falamos. – respondi – Temos que nos despedir do pessoal! Quer vir com a gente, tio?

— Claro! Seria um prazer!

Assim que botamos os pés para fora de casa, duas estranhas figuras apareceram no céu. Apertei os olhos para ver se conseguia enxergar o que era aquilo e me surpreendi ao ver, dois pégasus vindo na nossa direção. Um era cor de caramelo e tinha a crina loira e outro era todo preto. Em cima do primeiro, havia uma garota loira de olhos acinzentados e em cima do outro, havia um garoto de cabelos negros e olhos verdes.

— Percy e Annabeth!? São eles mesmos? – Alice perguntou surpresa

Os dois aterrissaram com os seus pégasus na calçada e vieram ao nosso encontro.

— O que vocês estão fazendo aqui? – eu perguntei – E por que trouxeram o Bluesky?

— Oi para você também, Lana! – Percy disse – O Bluesky estava com saudades e me obrigou a trazê-lo até aqui.

— As pessoas não vão perceber dois pégasos parados no meio da calçada não? – meu tio perguntou

— A névoa não os permite esta visão. O máximo que eles devem estar enxergando são cavalos normais. – Annabeth disse

Deixei Alice, Annabeth e Percy tentando explicar o que era a névoa para o meu tio Robert e fui até o Bluesky.

— Então quer dizer que você deixou a Annabeth montar em você, é? – eu perguntei – Bom garoto!

Bluesky bufou e eu acariciei o seu focinho com carinho. Eu me aproximei de uma de suas orelhas e sussurrei:

— Você quer ir a Hélade comigo? Eu vou ficar lá por um tempo e eu gostaria que você fosse comigo!

Em resposta, ele relinchou e esfregou o focinho em mim, alegremente.

— Você vai para Hélade? – Percy perguntou abismado

— O Bluesky acabou de te dizer isso, não foi? Era segredo! – eu disse – E sim! NÓS vamos para Hélade. Eu, Alice, o tio Robert e o Bluesky. Kevin nos levará com sua nave amanhã.

— Mas o que vocês farão lá? – Annabeth perguntou

— Defender a honra da família! Éris manchou-a da pior forma, mas eu reverterei o jogo! – eu disse

— Sendo assim... Boa sorte para vocês! – Annabeth disse

Percy e Annabeth nos deram um abraço de despedida e partiram montados no Blackjack de volta para o Acampamento. Depois disso, passamos na casa da Gwen, do Ben e da Julie e nos despedimos deles.


...

No dia seguinte, acordei com o corpo todo dolorido, a cabeça doendo e o ânimo e as forças lá embaixo. Mas eu não desisti. Eu iria para Hélade não importando a forma! Doente ou não!

Depois de um bom banho, vesti um vestido branco de babados, uma sandália dourada e trancei o cabelo para o lado. Me maquiei para que ninguém percebesse que eu estava mal e desci para tomar café da manhã. Alice já estava sentada a mesa e usava um de seus vestidos novos que era preto (é óbvio) com detalhes cor de rosa e uma sapatilha da mesma cor. Os seus cabelos estavam soltos e os olhos delineados de preto como sempre (essa foi a única coisa que não mudamos no estilo dela).

Após comermos nossas panquecas, meu tio apareceu lá em casa e ajudou o meu pai a descer com as nossas coisas. Acho que eles estavam começando a se entender. Era um bom começo!

Às 11 em ponto, Kevin pousou a nave EM FRENTE A MINHA PORTA! Quando ele disse que estaria na minha porta, eu não imaginei isso! Ele colocou as malas para dentro e embarcou o Bluesky a muito contragosto. Acho que ele não gostou muito da ideia de um pégaso na nave dele! Pela cara dele, deu para perceber que ele estava doido para me esganar.

Antes de embarcamos na nave, eu e Alice fomos nos despedir do meu pai que chorava antes mesmo de partirmos.

— Adeus tio Ryan! Obrigada por tudo! Eu estaria perdida agora se não fosse o senhor! – Alice disse e entrou na nave

— Adeus pai! Saiba que eu te amo muito! Preciso ir agora! Mas eu voltarei! Eu prometo! – eu disse abraçando-o

Quando eu ia entrar na nave, meu pai gritou:

— Lana! Espera! Pegue!

Ele pôs na minha mão um distintivo e beijou a minha testa.

— Aí está catalogado o número de alguns distintivos dos encanadores mais importantes! Se precisar de ajuda, não ouse hesitar! – ele disse – Sua mãe ficaria orgulhosa de você! Eu te amo!

— Falando na mamãe... Ela pediu que eu te dissesse que ela te ama e que nunca irá esquecê-lo. – eu disse – Adeus papai!

Então eu entrei na nave e nós decolamos. Deixando um pai chorando de saudades, amigos queridos e o planeta amado em que eu havia nascido e crescido. Me controlei para não chorar e fiquei olhando pela janela da nave,de onde vi o planeta Terra se afastando cada vez mais rápido e a partir deste momento, soube que dali para frente, nada mais seria como antes.

Notas finais
E aí? O que acharam?